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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Dívida vai custar 3900 euros por pessoa este ano


Leilão de dívida pública foi tido como um "sucesso", mas cada português verá a factura subir 435 euros em 2011.

Cada português vai pagar cerca de 3900 euros este ano por conta das amortizações de dívida pública e em juros pelos créditos mais antigos, mostram dados oficiais.

A factura vai subir 435 euros por pessoa, quase 13% face a 2010, numa altura em que tudo aponta para uma nova recessão, para mais desemprego e para uma forte moderação salarial, mostram cálculos do DN com base em dados do Governo publicados no Orçamento do Estado. Os portugueses vão desembolsar mais, quer pelos juros (mais 27% ou um total de 593 euros em 2011) quer pela dívida que tem de ser saldada (amortizada). Esta última factura é a mais pesada: cada habitante terá de pagar 3310 euros este ano, mais 10% do que em 2010. Os cortes nos apoios sociais, nos salários da função pública, na prestação de serviços públicos, o congelamento de pensões e a forte subida de quase todos os impostos são, no fundo, as medidas que servirão para o Estado cumprir esse desígnio: ser bom pagador.

Para além disso, há sinais de que existe uma nova derrapagem nos custos das novas emissões de dívida, sobretudo nos empréstimos com prazos mais curtos, o que sobrecarrega ainda mais os juros e as amortizações futuros. O próprio Banco de Portugal deu conta dessa forte possibilidade no boletim económico que divulgou esta semana, ao apontar para uma subida pronunciada (e acima do esperado) das taxas de juro de longo prazo.

Ontem, a emissão de obrigações do Tesouro a dez anos foi contratada a um custo menor do que na operação do final do ano passado, reflectindo a acção do BCE (que está no mercado a comprar títulos portugueses) e o anúncio de um défice público inferior a 7,3% no ano passado.

Mas alguns analistas consideram ainda que os novos contratos de dívida soberana (os dois leilões realizados ontem, por exemplo) estão a ser feitos a preços que não são sustentáveis por muito mais tempo, já que vão agravar ainda mais a factura com juros no futuro. Pelo contrário, o Governo considerou a os leilões de ontem um "sucesso". Kenneth Rogoff, professor de Economia da Universidade de Harvard, alertou ontem no Financial Times que "o problema é que não se pode pedir às populações de Grécia, Irlanda, Portugal e, talvez, Espanha que sofram uma recessão indefinidamente para que os seus credores externos possam ser reembolsados".

fonte: DN

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