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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conheça os primeiros cinco telegramas


Leia os cinco telegramas que estiveram na base da primeira investigação WikiLeaks Portugal que o Expresso publicou sábado. (Uma parceria com os diários "Politiken", dinamarquês, e "Aftenposten", norueguês.)


fonte: Expresso

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cada vez comemos mais transgénicos


A área cultivada com produtos geneticamente modificadas aumentou 10,5% em relação a 2009.

O cultivo de produtos agrícolas geneticamente modificados ou, usando uma expressão mais técnica, a agrobiotecnologia, é já representa 10% do total dos solos agrícolas do planeta, o equivalente à área do território dos Estados Unidos da América.

A área utilizada com culturas transgénicas aumentou de 1,7 milhões de hectares em 1996 para 148 milhões de hectares, "o que demonstra que esta foi a tecnologia agrícola mais rapidamente adoptada da história da agricultura moderna, reflectindo a importância da sua utilização para os 15.4 milhões de agricultores (93,5 % dos quais são pequenos agricultores de países em desenvolvimento) em 29 países (19 dos quais sendo países em desenvolvimento)"

Na nota agora divulgada pel o Centro de Informação de Biotecnologia é ainda referido que o cultivo de plantas transgénicas iniciou-se há 15 anos e que "os benefícios da utilização da engenharia genética de plantas tem-se tornado cada vez mais visíveis desde 1996, sobretudo se as vantagens forem observadas através dos resultados dos pequenos agricultores em todo o mundo, principalmente os que se encontram nos países em desenvolvimento".

Europa aprova novas culturas

Na Europa a utilização de culturas geneticamente modificadas (GM) realizou-se apenas em oito países. Seis deles cultivaram milho Bt, três cultivaram batata Amflora e um país adoptou ambas as culturas.

Depois de 13 anos de espera a União Europeia aprovou finalmente a utilização de uma segunda cultura transgénica, a batata Amflora.

Segundo Pedro Fevereiro, presidente do Centro de Informação de Biotecnologia, "o enorme atraso da aprovação de culturas GM na Europa impede a competitividade dos agricultores europeus face aos agricultores dos países exportadores aos quais a Europa compra variedades de culturas essenciais aos seus cidadãos e que poderiam ser produzidas pelos próprios agricultores da Europa. Com a sua postura de recusa de utilização desta tecnologia a União Europeia promove também o aumento do custo da alimentação".

Portugal não gosta de transgénicos

Pedro Fevereiro refere ainda que "estes dados, divulgados pelo ISAAA - International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications, demonstram o enorme sucesso da adopção destas culturas. O aumento médio anual de 10,5% do solo arável cultivado com variedades GM permite aos agricultores em todo o mundo, em particular os pequenos e médios agricultores, melhorarem a eficiência da sua actividade e aumentarem os seus lucros reduzindo em simultâneo os impactos ambientais. É impensável que a Europa e Portugal continuem a prejudicar os produtores nacionais, impedindo-os de ter acesso a esta ferramenta agrícola".

fonte: Expresso

Apresentada nova queixa contra a Google na Europa


A Google está de novo debaixo de fogo na Europa. Desta vez as acusações de práticas anti-concorrenciais são feitas por uma empresa francesa, que apresentou queixa junto da Comissão Europeia (CE)

A mais recente queixa contra a Google foi apresentada pela 1plusV, uma empresa francesa especializada em motores de busca para temas específicos, e segundo avança a BBC tem contornos semelhantes às queixas que estão actualmente a ser analisadas pela CE.

Nesta queixa a 1plusV alega que no período entre 2006 e 2010 a Google não autorizou a utilização do serviço de publicidade on-line AdSense por parte dos seus motores de busca.

A empresa francesa acusa ainda a Google de ter retirado os seus sites dos resultados das pesquisas, pouco tempo depois de o motor de busca eJustice.fr, detido pela 1plusV, ter apresentado uma primeira queixa contra a gigante da Internet.

Em comunicado a 1plusV sublinha que «para o eJustice.fr a decisão da Google de retirá-lo dos resultados das pesquisas foi catastrófico em termos de tráfego».

O executivo comunitário já reagiu adiantando que vai dar à Google a hipótese de comentar a acusação e só depois decidirá se avança ou não para uma nova investigação.

fonte: Sol

Relação entre vacina da gripe A e narcolepsia não detectada


A Agência Europeia do Medicamento (EMA) concluiu que não há dados suficientes para relacionar os casos de narcolepsia notificados em crianças e adolescentes com a vacina contra a gripe A, segundo uma comunicação oficial.

A narcolepsia é um estado patológico que desencadeia acessos irresistíveis de sono a qualquer momento do dia.

O Comité de Medicamentos de Uso Humano da EMA analisou os dados adicionais obtidos na Finlândia e concluiu "que ainda não são suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e a narcolepsia", segundo um comunicado divulgado no site do Infarmed - a autoridade portuguesa para o sector.

"Não sendo ainda possível chegar a uma conclusão definitiva, a EMA considera não ser necessário, neste momento, alterar o perfil de utilização da vacina Pandemrix", refere o documento. Contudo, a nota adianta que os novos dados reforçam a preocupação das autoridades em relação aos casos notificados na Finlândia e na Suécia.

Em Portugal foi registado um caso de narcolepsia em crianças e adolescentes que foram vacinados contra a gripe A (H1N1), mas não foi determinada casualidade.

fonte: DN

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Polícias criam blogue com lista de dívidas a agentes


Um grupo de polícias criou um blogue em que denuncia as entidades, públicas e privadas, que estão em dívida com as forças policiais. São cerca de dois milhões de euros devidos a agentes.

O Ministério da Administração Interna (MAI), o "patrão" dos polícias, é a entidade que mais deve aos agentes da força de segurança. A informação faz parte de uma lista de devedores colocada num blogue criado por um grupo de polícias.

No blogue, estão algumas discotecas, a empresa Metro do Porto, algumas autarquias, o Hospital de S. João, na Invicta, bingos e empresas privadas.

O MAI lidera as dívidas, relativas a serviços pagos a polícias pelo policiamento de jogos de futebol das camadas jovens.

Em declarações à SIC, Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos profissionais da Polícia, disse que as dívidas, no total, rondam os dois milhões de euros.

fonte: JN

1,5 milhões sem médico de família


O Diário de Notícias divulgou, recentemente, que mais de 740 clínicos abandonaram o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no ano passado e que até março deste ano mais 260 vão aposentar-se. Destes cerca de 450 eram clínicos gerais, o que significa que pelo menos 675 mil utentes perderam o seu médico de família, isto apesar das medidas do Governo para travar a falta de profissionais nos centros de saúde.

Os sindicatos alegam que a idade está longe de ser o principal motivo para estas saídas em catadupa. “É o desencanto com a falta de concursos, congelamentos e com as discrepâncias introduzidas pelos contratos individuais de trabalho”, avança o Sindicato Independente dos Médicos.

As contas da ministra

Já a ministra da Saúde, Ana Jorge, afirma que cerca de meio milhão de portugueses não tem, atualmente, médico de família. Na Comissão Parlamentar de Saúde, a governante disse que apesar do aumento do número de médicos de clínica geral e familiar, ainda há muitos utentes sem médico de família atribuído.

O ministério da Saúde estimava assegurar que todos os portugueses tivessem o seu médico de família em 2012/2013, mas a ministra diz agora que esse objetivo só será atingido em 2015. “Para isto, contribuíram também algumas reformas antecipadas”, assumiu. Aos deputados, Ana Jorge revelou ainda que já regressaram ao SNS 89 médicos que se encontravam aposentados. Em relação aos que tinham pedido reforma antecipada, o Ministério registou o regresso de 38 clínicos. O regresso de médicos reformados ao SNS foi uma medida de exceção aprovada no ano passado pelo Governo para responder às corridas antecipadas às reformas e à falta de clínicos nalgumas áreas. Segundo o Tribunal de Contas, existem 1,5 milhões de portugueses sem médico de família.


Engenheiro mata com neta ao colo


Cláudio tenta fugir. Ferreira da Silva continua a disparar

Imagens desmentem tese de que homicídio aconteceu após advogado levar a mão ao bolso.

Conheça todos os pormenores sobre o homicídio de Mamarrosa, em Oliveira do Bairro.



A revolução no mundo árabe e uma nova ordem mundial


A característica principal da revolução árabe é a força do levantamento independente das massas.

A recente revolução no mundo árabe, que desabrochou com a vitória das massas da Tunísia, derrubando a ditadura de Ben Ali, segue, com furor, agora contra o ditador egípcio Hosni Mubarak, grande amigo do imperialismo americano, encastelado no poder há três décadas.

Mas a revolução na Tunísia não só derrubou a ditadura de Ben Ali, como instigou a revolta na Argélia, na Jordânia e também no Iémen e ameaça estender-se pelos demais países do chamado mundo árabe, que possui uma população de cerca de 278 milhões que se estende por uma vasta área do planeta, da África à Ásia

A característica principal da revolução árabe é a força do levantamento independente das massas contra os partidos, organizações e governos. A outra característica é a inexistência de uma verdadeira liderança de esquerda revolucionária que possa dirigir esse fenomenal ascenso rumo ao derrube dos regimes com os quais se chocam violentamente. Não é por outro motivo que, mesmo após a queda de Ben Ali, segue no governo provisório Mohammad Ghanouchi, personagem destacada da ditadura derrubada, que faz de tudo para retroceder a história. Ghanouchi aponta como única saída um processo eleitoral para um longínquo futuro, seis meses, segundo afirma. Não seria um longínquo futuro se as massas não estivessem insurrectas. Trata-se de ganhar tempo, para recompor o regime, apoiando-se nas ilusões democráticas das massas. Mas, na actual situação, o que podemos desejar é que as massas da Tunísia tomem a revolução de volta nas suas mãos, derrubem esse governo provisório, e, sem protelação, instaurem um governo dos trabalhadores e das massas oprimidas, baseado na criação de organismos de poder das massas insurrectas.

A necessidade de organismos de centralização das lutas

Fica evidente que o actual levante carece de organismos claros de organização das massas. Não podendo contar com partidos, nem mesmo com todos os sindicatos, não resta outro caminho além de ir à luta de forma selvagem e heróica, que é o que se tem feito. Mas se existe algum caminho, só pode ser o de construir e fortalecer os organismos de centralização das lutas, que possam, ao mesmo tempo, ir se firmando como órgãos de luta directa pelo poder durante as poderosas mobilizações.

A agonia da velha ordem mundial e o surgimento de uma nova

Junto com a recente ascensão da China e da Índia, a revolução do mundo árabe e a provável vitória das massas insurrectas, estão a liquidar e a infligir uma profunda agonia na ordem mundial estabelecida no final da Segunda Guerra Mundial, que levou os Estados Unidos à liderança política do planeta. O império americano, em decadência, sofre agora um poderoso golpe com a insurreição árabe. Não é por outro motivo que Barack Obama, lamenta publicamente o que acontece hoje no Egipto, confirmando que o odiado Mubarak sempre foi um fiel aliado americano. Mesmo a prestigiosa “The Economist” argumenta que a posição americana de tentar ficar em cima do muro, defendendo Mubarak e ao mesmo tempo afirmando que o povo egípcio tem direitos, é uma posição inglória e bastante frágil.

A questão de fundo não é apenas politica, já que a derrota dos “amigos”, tem como consequência directa a perda de controle político em vasta área do planeta, diminuindo qualitativamente o poderio americano. Mas afecta directamente os bolsos dos imperialistas ianques, já que não há mais nenhuma garantia que todos os acordos passados, que os beneficiavam, irão ser cumpridos daqui para frente.

Independente dos ritmos que possa assumir a crise, está evidente que a velha ordem mundial está acometida de uma agonia mortal, produto do próprio desenvolvimento do monstro chamado globalização

A necessidade de uma nova ordem mundial sob direcção dos trabalhadores

Tantos anos de capitalismo demonstraram que as teses do velho Marx estavam mais do que correctas. O actual capitalismo não só leva à super exploração da maioria, como está, inclusive, ameaçando a própria existência dos seres humanos e do planeta. A profunda crise, reiniciada em 2008, apenas se aprofunda. A actual política de aperto fiscal desenvolvida em vários países não é outra coisa que tentar acabar com o incêndio jogando gasolina em cima… A recessão que provoca obriga os trabalhadores a defenderem-se, como ocorreu na Europa, no ano passado, com a poderosa onda de greves gerais que varreu o velho continente.

Se, no início do capitalismo, os seus defensores podiam argumentar que este iria trazer o bem-estar para toda a humanidade, esse argumento não é mais possível hoje. Todos os defensores da ordem mundial capitalista são obrigados a reconhecer que o capitalismo vive crises cíclicas. Mas pergunto: por que os trabalhadores têm que aceitar essa situação? Duas guerras mundiais e a actual crise parecem argumentos mais que suficientes para provar que o capitalismo não pode e não foi capaz de trazer o bem-estar social que cinicamente alardeava.

Com a vertiginosa crise da velha ordem mundial estabelecida no final da Segunda Guerra Mundial, resta aos trabalhadores construir uma nova ordem mundial. Uma nova ordem mundial baseada na mais ampla democracia dos trabalhadores e povos oprimidos. Uma nova ordem mundial dirigida pelos próprios trabalhadores.


Pelo menos 200 pessoas poderão estar soterradas


Estão contabilizados 65 mortos, mas as autoridades admitem que essse número poderá aumentar nas próximas horas. Estima-se que haja 200 pessoas debaixo dos escombros, após o sismo de 6,3 que atingiu hoje a cidade de Christchurch.


O presidente da câmara, Bob Parker, estima que existam entre 150 e 200 pessoas soterradas nos escombros dos edifícios que desmoronaram depois do sismo, o segundo a atingir a cidade de Christchurch, a segunda maior da Nova Zelândia, depois de um outro a 4 de Setembro de 2010.

Desse grupo de pessoas fazem parte 21 estudantes e dois professores japoneses que estavam na cidade no âmbito de um programa de intercâmbio escolar. Sete alunos e uma professora já foram localizados e aguardam o resgate pelas equipas de socorro.

O terramoto aconteceu perto das 13h00 locais, com epicentro a cerca de cinco quilómetros da cidade e a apenas quatro quilómetros de profundidade. Seguiram-se várias réplicas, algumas com 5,6 de magnitude.

fonte: DN

Kadhafi não sai: "Prefiro morrer como mártir do que abandonar o meu país"


O líder líbio falou ao país. Entre várias declarações, afirmou que prefere morrer como mártir no seu país a abandonar a Líbia. E responsabilizou os Governos e os media estrangeiros pelo que está a acontecer no seu país.

O Presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, garantiu hoje que vai permanecer na Líbia como "chefe da revolução", combater os manifestantes e que está disposto a "morrer na Líbia como um mártir".

O líder líbio apelou aos seus apoiantes para "tomarem a rua aos manifestantes" a partir de quarta-feira e garantiu que irá combater "até à última gota do meu sangue". Kadhafi prometeu que "perante esta situação" não vai sair da Líbia e sublinhou: "Este é o nosso país e o país dos nossos avós. Não vamos deixar que o destruam". Num discurso muito exaltado o dirigente líbio, que subiu ao poder em 1969 após dirigir um golpe de Estado, exprimiu-se em directo pela televisão estatal no início da tarde e pela primeira vez após uma semana de insurreição no seu país. O "líder da revolução verde" escolheu um pódio colocado à entrada de um edifício bombardeado, provavelmente a sua antiga residência de Tripoli bombardeada por aviões norte-americanos em 1986, e que não foi reconstruída para recordar o ataque, no qual morreu uma sua filha adoptiva.

O Presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, confrontado com uma revolta popular sem precedentes, ameaçou hoje ainda os manifestantes armados com a "pena de morte", num discurso transmitido pela televisão. O líder líbio acusou ainda os "países árabes e estrangeiros de tentarem destabilizar a Líbia" e afirmou que as cadeias de televisão estrangeiras "estão a trabalhar para o diabo". Kadhafi distinguiu ainda a situação no seu país com as revoltas na Tunísia e Egipto. "Os jovens que protestam não são culpados", afirmou, e a sua atitude é "normal" após o que sucedeu nos países vizinhos. No entanto, acusou as pessoas "más" que distribuem "dinheiro e drogas" aos jovens.

Seguem-se as frases mais importantes do discurso:

"Os jovens que se estão a manifestar estão a ser drogados e movem-se por dinheiro. Eles estão apenas a imitar o que aconteceu na Tunísia e no Egipto."

"Este é o nosso país e dos nossos avós e não vamos deixar que o destruam."

"Os países estrangeiros querem desestabilizar a Líbia. As cadeias de televisão estão a trabalhar para o diabo".

fonte: DN

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Líbia: Cadáveres espalhados pelas ruas de Tripoli


A situação em Tripoli é de extrema tensão, com cadáveres espalhados pelas ruas e disparos de artilharia pesada ouvidos em várias zonas da capital da Líbia, indicaram esta segunda-feira testemunhas citadas pela agência EFE.

A agência cita residentes em diferentes bairros de Tripoli a indicarem que o som de tiroteio é quase contínuo e que são também ouvidos tiros de artilharia pesada.

No centro de Tripoli vários edifícios do governo foram incendiados hoje de madrugada por manifestantes que exigem o afastamento de Muammar Kadhafi, no poder há 41 anos, noticiou a televisão árabe Al-Arabiya.

Os protestos na Líbia, em que a contestação popular exige o fim do regime de Muammar Kadahfi, iniciaram-se a 15 de fevereiro. Os tumultos têm-se registado sobretudo no leste do país, na região da segunda maior cidade líbia, Benghazi.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Água poderá desencadear a 3ª Guerra Mundial?


Há 20 anos previa-se que o causador de um conflito internacional de proporções mundiais seria o petróleo e acreditava-se que o início da luta armada aconteceria numa nação membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Hoje, os meios de comunicação e os debates internacionais mostram que a água potável do planeta pode-se tornar tão escassa a ponto de causar guerras.

Mais da metade da população mundial – cerca de três biliões de pessoas – sofrerá de escassez de água em 2025, revela um relatório divulgado pela Unesco, a agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura. Se as atuais tendências continuarem, incluindo as secas, o aumento populacional, a crescente urbanização, as mudanças climatéricas, a proliferação indiscriminada do lixo e a má administração dos recursos, o Mundo dirigir-se-á para uma catástrofe.

Segundo o ex-diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, nenhuma região do Planeta poderá evitar as repercussões da crise que atingirá todos os aspetos da vida, desde a saúde das crianças até à capacidade das nações para alimentarem os seus cidadãos. As previsões para o futuro são de fome, doenças e guerras. “Os abastecimentos de água diminuem, enquanto a demanda cresce a um ritmo espantoso e insustentável. Nos próximos 20 anos, a média mundial de abastecimento de água por habitante diminuirá um terço”, disse Matsuura. Publicado a cada três anos, o relatório atual enfatiza a importância da água no desenvolvimento e no crescimento económico.


Bahrein: Manif dispersada com gás e à bastonada


O exército do Bahrein anunciou hoje, quinta-feira, que controla praticamente toda a capital e que as manifestações estão proibidas, horas depois de a polícia ter dispersado uma manifestação com gás lacrimogéneo e à bastonada.

A Euronews mostrou imagens de videoamador com as violentas manifestações desta madrugada:



Num comunicado lido na televisão estatal, o exército afirmou que "locais chave" de Manama estão "sob controlo".

Fontes médicas citadas por agências noticiosas internacionais indicaram que pelo menos quatro pessoas morreram na repressão da manifestação de hoje.

Um dirigente da oposição xiita do Bahrein, o movimento Al-Wefaq, informou que os 18 deputados do partido se demitiram em protesto por estas mortes.

O comunicado do exército insta os cidadãos a evitarem "as concentrações em zonas vitais do centro da capital".

Cerca de duas mil pessoas estavam acampadas há dois dias numa praça do centro de Manama. A polícia, apoiada por unidades de blindados do exército, cercou o local e, antes do nascer do dia, expulsou os manifestantes.

Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, 50 polícias ficaram feridos nos incidentes. Desconhece-se o número de feridos entre os manifestantes, que diferentes fontes estimam em 200 ou 300.

A televisão norte-americana ABC noticiou entretanto que um seu jornalista que cobria o protesto foi espancado durante a operação militar para desalojar os manifestantes.

O jornalista, Miguel Marquez, disse ter sido espancado por "arruaceiros" mas que só sofreu ferimentos ligeiros.

fonte: DN

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Terra estará a viver a sexta extinção em massa por causa das alterações do clima


Qual vai ser o impacto das alterações climáticas na árvore da vida, no final do século XXI? Pela primeira vez, um artigo, publicado amanhã, quinta-feira, pela equipa do biólogo Miguel Araújo na revista Nature, avaliou os efeitos das alterações do clima na árvore da vida. A Terra pode estar a viver a sexta extinção em massa, desta vez pela mão humana, se não forem travadas as emissões de gases com efeito de estufa.

Já houve cinco momentos de desaparecimento maciço de biodiversidade, causados por fenómenos geológicos catastróficos — como a colisão de um asteróide com a Terra há 65 milhões de anos, que ficou famosa porque, entre os desaparecidos, estavam os dinossauros. Agora, devido às alterações do clima pela acção humana, há a tese de que a Terra estará a viver a sexta extinção em massa.

Mas uma vaga de desaparecimentos tem de cumprir quatro condições para ser uma extinção em massa, explica Miguel Araújo, coordenador do pólo na Universidade de Évora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos: tem de ocorrer de forma generalizada em todo o mundo; num período de tempo geológico curto; envolver grandes quantidades de espécies; e afectar espécies de um leque vasto de grupos biológicos.

Por exemplo, se as extinções afectarem muitas espécies só de algumas partes da árvore da vida, as extinções serão dramáticas, com impacto nos ecossistemas, mas não será a sexta extinção em massa, diz Araújo, titular da cátedra Rui Nabeiro em Biodiversidade, a primeira criada em Portugal com fundos privados (cem mil euros anuais, por cinco anos).

À procura de resposta, a equipa do biólogo, que inclui Wilfried Thuiller, entre outros cientistas da Universidade Joseph Fourier, em França, reconstruiu as relações evolutivas de grande número de espécies de aves, mamíferos e plantas, estudando o caso da Europa. Nestas relações evolutivas, a equipa projectou depois as conclusões para o risco de extinção das espécies. Teve em conta quatro cenários de alterações climáticas, consoante estimativas distintas de emissões de gases de estufa, até 2080, e usando modelos que reproduzem o clima da Terra.

Para estudar como as alterações climáticas actuais poderiam afectar a evolução da árvore da vida, foi ainda necessário distinguir as extinções causadas pelas mudanças do clima das que ocorreriam ao acaso. Para tal, a equipa removeu aleatoriamente “ramos” exteriores da actual árvore da vida, para ver até que ponto as extinções modeladas na sequência das alterações climáticas seriam diferentes de aleatórias. “Se não diferisse — é o nosso resultado —, estaríamos perante um padrão de extinções não selectivo, que afectaria a totalidade da árvore”, explica Araújo, também do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid. “As alterações climáticas previstas afectam os ramos da vida de forma uniforme, tornando-os menos densos e farfalhudos com o tempo”, diz.

“Outros estudos têm demonstrado que as ameaças humanas afectam determinados ramos concretos da árvore da vida, por exemplo espécies grandes, especializadas em determinados tipos de comida ou habitats, ou anfíbios”, diz. “O nosso artigo demonstra que as alterações climáticas terão tendência a afectar todos os ramos da árvore.”

O estudo não permite dizer, porém, qual o número de espécies que irá desaparecer. E a estes impactos há que juntar outros de origem humana, como a destruição de habitats, a caça e pesca excessivas, a propagação de espécies invasoras e de agentes patogénicos, que afectam mais uns troncos da árvore do que outros. “Como os impactos se adicionam uns aos outros, o futuro poderá reservar-nos um aumento generalizado de espécies ameaçadas que afectará quase todos os ramos da árvore da vida.”

Portanto, as alterações climáticas poderão alterar as contas actuais sobre a extinção das espécies. A Terra está então viver a sexta extinção em massa? “No caso de haver impactes de grande magnitude que afectem um grande número de espécies, o padrão de extinções modelado por nós assemelha-se ao que se esperaria numa extinção em massa, já que estas não afectaram ramos particulares da árvore da vida, mas a sua quase totalidade”, responde Miguel Araújo.

Perdas no Sul da Europa

Outra conclusão é que as espécies do Sul da Europa, que perde biodiversidade, deverão deslocar-se para o Norte. Já hoje, aliás, as alterações do clima estão a empurrar mais para norte espécies de aves e borboletas.

É também provável que espécies do Norte de África entrem no Sul da Europa — “o que já está a verificar-se com algumas aves e insectos”. Os recém-chegados tanto podem trazer mais biodiversidade, como acentuar a perda de espécies por competição ou novas doenças. “É difícil prever as consequências destas colonizações. Mas, havendo um mar entre os dois continentes, só espécies capazes de o atravessar podem colonizar a margem Norte, o que limita a diversidade de colonizadores.”


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Apple descobre que fornecedores usam trabalho infantil


O gigante da informática Apple revelou hoje, quarta-feira, que alguns dos seus fornecedores de material electrónico utilizam trabalho infantil e que uma outra empresa chinesa subcontratada tem graves problemas de segurança.

A informação consta num relatório anual sobre responsabilidade laborar das empresas que fornecem a Apple, citado hoje pela BBC.

Segundo o documento, citado pela BBC, foram encontrados um total de 49 trabalhadores "abaixo da idade legal" para trabalhar.

Noutro caso, perto de Shangai, foram detectados 137 trabalhadores numa fábrica da empresa Wintek, com problemas de saúde após terem sido expostos a um químico chamado n-hexane.

A Wintek fornece também peças para os aparelhos da Nokia, diz a BBC.

fonte: DN

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Carlos Costa confirma que o país está em recessão


O Governador do Banco de Portugal confirma que o nosso país já está em recessão. Numa entrevista publicada hoje no Diário Económico, Carlos Costa diz que a recessão não constitui surpresa e é a contrapartida do processo de ajustamento e de emagrecimento orçamental levados a cabo pelo Governo.

“Pode dizer-se que estamos em recessão”, explicou Carlos Costa na entrevista conduzida pela jornalista Maria João Avillez.

O Governador do Banco de Portugal reconhece que a situação não era inesperada: "a dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011".

Solução passa pelas exportações

Segundo Carlos Costa, este período de menor crescimento económico "é a contrapartida do processo de ajustamento, de emagrecimento", levados a cabo pelo Governo. O governador do BDP considera que para ultrapassar o problema Portugal terá que exportar mais.

“Quando retiro um dado estímulo á economia tenho de ter uma posologia de compensação e ver onde vou buscar novos estímulos para ela. Nesta situação eles só podem vir das exportações” diz Carlos Costa

O governador reconhece, no entanto, que "há um limite de utilização de capacidade das empresas exportadoras".

“Há um momento em que têm de investir , o que significa que os recursos disponíveis têm de se orientar para o setor dos bens transacionáveis”, diz Carlos Costa.

Execução orçamental deve dar "resultados claros"

Na opinião do responsável do BDP a sustentabilidade das finanças públicas e o cumprimento dos objetivos definidos são determinantes, pelo que considera importante que "houvesse resultados claros de execução orçamental".

Carlos Costa afirma-se convencido de que Teixeira dos Santos têm a força anímica necessária para dar continuidade à política de consolidação orçamental, afirmando: "Admiro francamente a resistência do nosso ministro das Finanças".

Quanto a José Sócrates, o Governador do Banco de Portugal diz trabalhar muito bem com o primeiro-ministro e afirma que este tem respeitando integralmente a independência do BDP, mesmo quando as notícias são desfavoráveis.

"Nem sempre somos os mensageiros que todos gostaríam de ouvir, mas o mensageiro não modifica a mensagem. E se a mensagem é sólida e está tecnicamente fundamentada não se pode ignorá-la", mais tarde ou mais cedo o seu conteúdo atinge-nos”, afirmou o governador.

Questionado sobre se considera que o país já se livrou de uma intervenção do FMI, Carlos Costa responde com uma outra pergunta: “Será que ainda temos a força anímica para convencer os mercados de que faremos aquilo com que nos comprometemos?”

Banca portuguesa é sólida

Na entrevista ao Económico Carlos Costa diz ainda que a banca portuguesa é sólida e afirma-se convencido de que esta ultrapassará com êxito os próximos testes de stress

Segundo diz, “o único calcanhar de Aquiles” do sistema bancário português deriva de haver insuficiente poupança interna no nosso país, pelo que os bancos se vêm obrigados a recorrer ao financiamento externo ficando por isso mais dependentes dos mercados internacionais.

fonte: RTP

Erupção solar de domingo chega hoje à Terra

Fenómeno não é grave para o planeta, podendo apenas provocar auroras boreais nos pólos


A explosão de domingo foi a mais violenta do actual ciclo solar

No último domingo foi registada a maior explosão solar do actual ciclo da nossa estrela. A explosão provocou propagação de ondas de rádio (que foram ouvidas nos transmissores de onda curta), raios-x e raios gama. Os efeitos deste fenómeno serão sentidos até 150 milhões de quilómetros de distância, mas não serão graves para a Terra.

A intensa explosão de radiação ultravioleta foi registada pelo Observatório SDO, da NASA, em metade da superfície do sol. A erupção lançou para o espaço milhões de toneladas de partículas de plasma a uma velocidade superior a um milhão e meio de quilómetros por hora.

Segundo se explica no site «Spaceweather», a explosão chegará à Terra durante o dia de hoje e quinta-feira, pelo que é possível que se consigam ver auroras boreais nos pólos. No entanto, as comunicações por satélite e as redes de energia não vão sofrer qualquer dano.

O problema das explosões solares é que quando as partículas carregadas chegam à Terra interagem com o seu campo magnético, o que pode criar uma tempestade geomagnética.

Os cientistas estão muito interessados neste tipo de fenómenos, já que as violentas tempestades solares que se esperam para os próximos anos podem danificar os sistemas de comunicações e de energia.

Apesar de os investigadores disporem de equipamentos tecnológicos avançados, não são capazes de prever todas as erupções solares, sendo que uma em cada três surge sem aviso.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Membro do grupo Anonymous diz ter código do Stuxnet


O grupo de ciberactivistas Anonymous, conhecido por ter lançado ataques em apoio ao WikiLeaks, poderá ter nas mãos o vírus Stuxnet, o programa malicioso utilizado para atacar as infra-estruturas nucleares do Irão

Quem o diz é Topiary, um dos membros do grupo de ciberactivistas, numa mensagem publicada no Twitter onde afirma que o Anonymous conseguiu aceder ao código do Stuxnet.

De acordo com o hacker, o código deste programa malicioso foi parar às mãos do grupo depois dos ataques lançados contra a HBGary, uma empresa de segurança cujo CEO afirmou à imprensa ter identificado o nome dos responsáveis do Anonymous.

Considerado o primeiro vírus informático criado especificamente para atacar infra-estruturas industriais, o Stuxnet ficou conhecido no final do ano passado, quando se soube que foi um dos responsáveis pela desactivação temporária das infra-estruturas nucleares do Irão.

Apesar das afirmações do hacker, há quem duvide da veracidade da mensagem, na medida em que o lançamento de ataques deste tipo nunca fez parte da agenda do grupo.

Mais longe vai um especialista em segurança informática citado pelo portal The Register, que afirma que o Anonymous apenas terá uma parte do vírus e não o código original.

fonte: Sol

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Trânsito volta a circular na praça Tahir


A circulação foi hoje, domingo, retomada na praça Tahir no Cairo, o centro da revolta popular que culminou na demissão do presidente egípcio Hosni Mubarak e onde permaneciam algumas pessoas, indicou a agência noticiosa AFP.

A praça foi reaberta ao trânsito, à excepção de uma parte onde se concentravam ainda algumas centenas de manifestantes. Os protestos que agitaram esta praça da capital egípcia durante 18 dias paralisaram o centro da cidade, normalmente fervilhante de atividade. A maioria dos contestatários abandonou o local após a demissão de Mubarak, na sexta-feira, mas algumas pessoas dormiam ainda em tendas ou no chão.

Os tanques do exército, estacionados nos acessos à praça desde o início das manifestações, estiveram sempre presentes, mas não bloqueavam o acesso, apesar de ter havido pequenas escaramuças entre soldados e manifestantes irredutíveis que se recusavam a sair da praça. 0As operações de limpeza prosseguiam esta manhã, com soldados a desmontar as tendas e a recolher o lixo, ajudados por civis que empilhavam as coberturas e varriam o chão.

O Conselho Supremo das Forças Armadas, o grupo de militares que foi nomeado por Mubarak antes da sua partida para ficar à frente do país, anunciou que vai assegurar a gestão dos assuntos correntes e vai reunir-se hoje pela primeira vez.

fonte: DN

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OMS detectou casos de narcolepsia associados à vacina contra gripe A em pelo menos 12 países


Há um caso registado em Portugal pelo Infarmed

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou hoje que pelo menos 12 países registaram casos de narcolepsia em crianças e adolescentes que previamente tinham sido vacinados contra a gripe A (H1N1), entre os quais Portugal.

O Comité Consultivo Mundial da Segurança de Vacinas da OMS publicou um comunicado no qual precisa que “desde Agosto de 2010 e depois de vacinações maciças contra o vírus da gripe A (H1N1) em 2009, se detectaram casos de narcolepsia em crianças e adolescentes em pelo menos 12 países”.

O grupo sublinhou que é necessária “mais investigação” para determinar a relação exacta entre os casos de narcolepsia e a vacinação contra a gripe, tanto com a vacina Pandermix ou com outra.

A narcolepsia é um distúrbio raro do sono em que as pessoas adormecem de forma súbita e inesperada, a sua causa é desconhecida, mas poderá ser desencadeada por factores genéticos e ambientais.

O estudo completo e definitivo sobre a relação entre a narcolepsia e esta vacina será divulgado a 31 de Agosto.

Na semana passada, a OMS anunciou que estava a investigar um aumento de casos de narcolepsia na Finlândia que podia estar relacionado com a vacina Pandermix do fabricante Glaxo, dado que todos os afectados pareciam ter sido imunizados com o mesmo produto.

O governo da Finlândia informou que tinha identificado casos de narcolepsia entre vacinados contra a gripe A (H1N1) com idades entre quatro e 19 anos. O Infarmed tem registo de um caso em Portugal, divulgado em Setembro.

Em Helsínquia, o Instituto de Saúde e Bem-estar da Finlândia (THL) publicou um estudo segundo o qual a vacina contra a gripe A (H1N1) Pandermix, fabricada pela companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, multiplica o risco de contrair narcolepsia infantil.

Segundo aquele estudo, entre 2009 e 2010 foram diagnosticados 60 casos de narcolepsia em crianças e adolescentes finlandeses com idades entre os quatro e os 19 anos, dos quais 52 (quase 90 por cento) tinham sido vacinados com Pandermix.

O fenómeno levou as autoridades sanitárias finlandesas a interromper a utilização desta vacina de forma preventiva até determinar os eventuais efeitos secundários.

Mais de 31 milhões de doses de Pandemrix foram já administradas em 47 países, até Agosto Portugal tinha administrado cerca de 700 mil. No mundo houve um total de 162 casos de narcolepsia em pessoas vacinadas.

A OMS doou 36 milhões de doses de Pandermix a 18 países em desenvolvimento, incluindo três da América Latina, mas até ao momento não houve notícias de quaisquer casos de narcolepsia.

Os 18 países são: Arménia, Azerbeijão, Bangladesh, Bolívia, Burkina Faso, Cuba, Coreia do Norte, El Salvador, Etiópia, Gana, Namíbia, Filipinas, Tajaquistão, Togo, Ruanda, Quénia, Mongólia e Senegal.

fonte: Público

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Autoritarismo do PS de Sócrates ultrapassa "centralismo democrático" de Lenine


Ana Benavente é cáustica com os anos de governação do primeiro-ministro. E aponta tiques de autoritarismo, de distribuir "lugares e privilégios" e render-se ao neoliberalismo.

É um retrato arrasador do PS, do Governo e de José Sócrates. A ponto de Ana Benavente, secretária de Estado da Educação de António Guterres (1995-2001), dizer que jamais pertenceria a um Governo de José Sócrates com uma pasta idêntica. "Porque, se o fosse, já teria apresentado a minha demissão." A confissão da ex-dirigente socialista é feita numa entrevista à Revista Lusófona de Educação.

O tema é a educação na luta contra a exclusão e pela democracia, mas a conversa vai até à política pura e dura e o actual estado do Governo do PS e da liderança de José Sócrates. Aí, mais uma vez, Benavente é dura. Muito dura. O PS tornou-se "neoliberal" - "fazer do capital financeiro o dono e árbitro do desenvolvimento económico é uma capitulação face ao neoliberalismo que não é digna de um partido socialista". Mas há mais. No PS, há falta de debate interno e Ana Benavente critica "o autoritarismo da actual liderança". "Tornou-se autocrata, distribuindo lugares e privilégios, ultrapassando até o "centralismo democrático" de Lenine. Alimentando promiscuidades que recuso", lê-se na entrevista.

Cinco teses para reconstruir

Na conversa publicada ao longo de 15 páginas, é pedido à antiga governante que aponte "sete pecados mortais" do PS. Ana Benavente fá-lo (ver texto em baixo) e, entre eles, aponta a "falta de ética democrática e republicana".

Na lista de divergências de Benavente registem-se mais umas quantas. Por exemplo, a acusação de o PS de Sócrates ter assumido "políticas de direita" - termo muito usado pelo PCP ou pelo Bloco - através das privatizações ou das reduções drásticas no sector público. Ou ainda de o PS ter abdicado "da defesa dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos".

O Orçamento do Estado de 2011, aprovado depois de uma negociação com o PSD, é "o revelador máximo" das divergências: "Estado abusador, castigo para os pobres, poupanças nas políticas sociais".

O futuro é encarado com algum cepticismo pela ex-dirigente nacional do PS, que integrou o secretariado quando Ferro Rodrigues foi líder.

E de pouco valeria, perante estes "pecados", "a confissão e a absolvição com mais ou menos "castigos" e rezas". O problema é "mais grave".

"O PS hipotecou o seu papel na sociedade portuguesa e deixou-nos sem perspectivas de um futuro melhor. Assumiu o papel que antes pertencia aos centristas do PSD, ocupou o seu espaço e tornou o país mais pobre, política e economicamente."

O caminho passa, para Benavente, por o PS partir do seu "papel histórico" de conseguir um "reforço dos direitos dos trabalhadores, desenvolvimento dos direitos de cidadania e do consumidor, reforço da assistência pública, mudança do paradigma energético, desenvolver um sistema de saúde solidário e alargar o sector público". "Novas vagas de democracia" serão exigidas por todos os que, "assustados pelo eventual desemprego, comprados por um hiperconsumo esmagador e com medo da anunciada recessão", vão "querer respirar livremente e reconstruir a paz".

Na área da Educação, a ex-governante acusa Sócrates e o Governo de, nos últimos seis anos, terem "maltratado" a escola pública com políticas educativas "marcadas pela centralização" ou pelo "questionamento da qualidade" dos professores através do sistema de avaliação ou da publicação de rankings de escolas.

Os sete pecados mortais do PS, segundo Ana Benavente

1. Adoptou "políticas neoliberais e, portanto, abandonou a matriz ideológica socialista";

2. "Autoritarismo interno e ausência de debate, empobrecendo o papel do PS no país";

3. "Imposição de medidas governativas como inevitáveis e sem alternativa, o que traduz dependências nacionais e internacionais não assumidas nem clarificadas para o presente e o futuro";

4. "Marketing político banal e constante, de par com uma superficialidade nas bandeiras de modernização da sociedade portuguesa";

5. "Falta de ética democrática e republicana na vida pública e na governação";6. "Sacrifício de políticas sociais construídas pelo próprio PS em fases anteriores";

7. "Falta de credibilidade, quer por incompetência quer por hipocrisia, dando o dito por não dito em demasiadas situações de pesadas consequências".

O que eles dizem

"[A liderança de Sócrates] tornou-se autocrata, distribuindo lugares e privilégios, ultrapassando até o 'centralismo democrático' de Lenine que tanto criticámos. Alimentando promiscuidades que recuso."

"Sócrates e os seus amigos serviram-se de uma ideologia incompatível com a essência do socialismo democrático."

"O PS hipotecou o seu papel na sociedade portuguesa e deixou-nos sem perspectivas de um futuro melhor. Assumiu o papel que antes pertencia aos centristas do PSD, ocupou o seu espaço e tornou o país mais pobre, política e economicamente."

fonte: Público

Bush pode ser processado por ter autorizado torturas


A Amnistia Internacional (AI) afirmou hoje que o antigo Presidente norte-americano George W. Bush pode ser processado em qualquer país depois de ter admitido publicamente que tinha autorizado torturas nos interrogatórios dos serviços de segurança norte-americanos.

Bush cancelou no sábado uma visita privada à Suíça prevista para a próxima semana no meio das pressões de grupos activistas que tinham convocado protestos e pedido ao governo suíço para abrir um processo judicial contra o ex-Presidente, segundo a imprensa helvética.

Na sexta-feira, a AI entregou um extenso relatório ao ministério público e ao governo suíços no qual lhes pedia que detivessem Bush se viajasse ao país e investigassem o papel assumido na execução de torturas.

No referido relatório, a AI recordava o compromisso da Suíça na prevenção da tortura e sublinhava os pontos da legislação internacional que forçavam o país helvético a actuar contra George W. Bush.

A AI afirmou hoje que tendo em conta que a administração norte-americana não deu ouvidos aos repetidos apelos para se investigar George W. Bush "a comunidade internacional deve actuar.

fonte: DN

Base de dados da PSP está ilegal


Sistema contém informações sobre origem étnica, fé religiosa e filiações partidárias de cidadãos.

A base de dados de informações da PSP contém diversas infracções legislativas, no tratamento de dados pessoais e constitucionais. A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) já exigiu alterações, mas nada mudou. Na base, há informação sobre "origem étnica, comportamento da vida privada, fé religiosa, convicções políticas, filiações partidárias ou sindicais" de indivíduos, cuja conservação a CNPD considera que devia ser "proibida", a não ser em casos "de absoluta necessidade para os fins de uma determinada investigação criminal". Além disso, mistura tudo nos mesmos ficheiros, desde cadastros de condutores a investigações criminais.

O Ministério da Administração Interna (MAI) pediu há um ano à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) um parecer sobre um projecto de decreto-lei para adaptar aquele sistema "em face das novas orientações da política criminal, da evolução tecnológica e da nova legislação em vigor no sector das polícias e da investigação criminal".

A CNPD respondeu em Abril do ano passado, definindo um conjunto de medidas que devia ser tomado para legalizar a base de dados. Logo à partida, a comissão destacou a "desconformidade formal do projecto face às regras constitucionais", alertando para a necessidade de o Sistema de Informações e Operações Policiais (SIOP) ser regulado por uma lei, aprovada pela Assembleia da República, "por tratar de matéria relativa a direitos, liberdades e garantias".

A CNPD chama a atenção para a necessidade de os ficheiros do SIOP serem separados de acordo com as suas finalidades. Neste momento está tudo misturado: "Cadastro de condutores, cadastro de porte de arma, pedidos de detenção, pedidos de paradeiro, medidas de coacção aplicadas a arguidos, investigações criminais e até pedidos de vigilância discreta ou controlos específicos."

Por outro lado, a análise da CNPD constatou também que não havia um tratamento diferenciado para o grau de fidedignidade da informação recolhida pela PSP. Ou seja, uma informação cuja origem é absolutamente fiável é colocada ao mesmo nível de outra baseada apenas em "boatos".

Passados dez meses destas recomendações, a PSP respondeu ao DN que "o assunto está em estudo, prevendo-se a implementação destas medidas oportunamente".

A CNPD está preocupada com a regularização das bases de dados, não só da PSP mas de todos os órgãos de polícia criminal, incluindo a GNR, a PJ, o SEF ou a ASAE. No plano de actividades para este ano está previsto um reforço da fiscalização. Uma das razões para esta atenção especial é a criação do Sistema Integrado de Informações Criminais (SIIC), plataforma de partilha de informações entre as diversas forças e os serviços de segurança, que deve entrar em funcionamento este ano. A CNPD entende que a aprovação para o SIIC só pode ser decidida quando as bases de dados tiverem os ficheiros enquadrados pela legislação.

fonte: DN

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Site do Governo Americano Macabro [Assustador]

Como sobreviver num mundo de nove mil milhões


Em 2050 a população mundial vai atingir novo marco. Seremos nove mil milhões à procura de alimentos, água, habitação e energia. Com conflitos, migrações e o efeito das alterações climáticas para gerir. Soluções, procuram-se.

Gente, gente, gente

O contador não pára. Em Portugal a população está a envelhecer, mas olha-se para lá do país e da Europa e a ideia deixa de ser um número: tudo indica que 2011 é o ano em que chegamos aos sete mil milhões de pessoas. Um artigo no diário britânico Guardian dizia que a comemoração seria a 31 de Outubro, com o nascimento de uma criança no estado de Uttar Pradesh, um dos mais populosos da Índia, com cerca de 194 milhões de habitantes.

A escalada continuará pelo menos até 2050, quando, segundo as previsões demográficas, formos nove mil milhões. As Nações Unidas estão a fazer um levantamento extenso das populações dos países para apurar melhor os números de hoje e corrigir previsões. Mas é esta rapidez que assusta.

"Se os níveis de fertilidade e de mortalidade que temos hoje não se alterarem, a população mundial vai adicionar mil milhões de pessoas em tempos muito pequenos", disse ao PÚBLICO Hania Zlotnik, Directora da Divisão de População das Nações Unidas.

Herdámos este boom do século XX. Em cem anos a população passou dos 1,6 para os 6,1 mil milhões. "O aumento não ocorreu porque as pessoas começaram a reproduzir-se mais; em vez disso (...) deixaram finalmente de morrer como moscas", escreveu o especialista em política económica e demografia Nicholas Eberstadt num artigo na revista Foreign Affairs, onde alertava para as consequências económicas do envelhecimento das populações.

No século passado a saúde melhorou, a esperança média de vida passou de 30 para 65 anos e o progresso económico ascendeu no Ocidente. Em contrapartida, a fertilidade diminuiu muito na Europa e em países como o Japão - para níveis em que a população não está a ser reposta. O fenómeno atinge a China devido às políticas de natalidade.

Se a Ásia continua a ter os países com maior população (a China e a Índia estão em primeiro e segundo lugares com mais de mil milhões de pessoas cada), a fertilidade está agora na África subsariana. O continente, onde hoje vivem mil milhões de pessoas, vai duplicar o número até 2050.

Mas a Terra é capaz de ter tanta gente? "A História da humanidade mostra que já fomos muito poucos, mas fomos sempre capazes de gerir as pessoas que tivemos", observou ao PÚBLICO Jorge Malheiros, especialista em migrações do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. "O número perfeito [de pessoas] tem que ver com o modelo da sociedade."

Depois de 2050, as previsões dizem que pode haver uma quebra na população mundial, ou pelo menos uma estagnação. Prevê-se que vá acontecer nos países emergentes o que aconteceu no mundo ocidental: um desenvolvimento económico acompanhado de uma diminuição de fertilidade. Até lá precisamos de espaço.

Cidades e migrações

Um relatório de Janeiro da Instituição dos Engenheiros Mecânicos intitulado População: Um Planeta, Demasiadas Pessoas?, que abordava as problemáticas deste assunto, alertava para a questão da urbanização. Metade da população mundial vive em cidades, em 2050 será 75 por cento. Se isso é evidente em metrópoles como São Paulo, Pequim ou Nova Iorque, não se pode esquecer África. Em 1950 só Alexandria e o Cairo tinham mais de um milhão de pessoas, no futuro 80 cidades do continente africano vão estar nesta situação.

"A urbanização é uma resposta ao desenvolvimento económico", afirmou a especialista das Nações Unidas Hania Zlotnik. "Os países mais urbanizados tendem a ser os que estão melhor, um exemplo importante é a China." Segundo Zlotnik, o modelo de desenvolvimento económico que a humanidade inventou passa pela urbanização e não pela manutenção das pessoas no mundo rural.

Do ponto de vista ecológico traz vantagens. "Tudo se torna mais eficiente, se as pessoas estiverem agrupadas - é mais fácil fornecer o saneamento, a água, a electricidade", afirmou ao PÚBLICO John Bongaarts, vice-presidente do Conselho Populacional em Nova Iorque, que ajudou a produzir o relatório. Por outro lado, áreas com alta concentração de pessoas permitem deixar espaço livre. Algo que "é fundamental para garantir que alguns ecossistemas sobrevivem e desempenham funções importantes", comentou ao PÚBLICO Francisco Ferreira, especialista em energia e dirigente da associação ambientalista Quercus.

Mas Boongarts advertiu para um dos maiores problemas destes grandes agrupamentos urbanos, em que as pessoa migram à procura de um estilo de vida melhor: "Muito do crescimento urbano na África subsariana está a ser feito em bairros da lata. As pessoas vivem miseravelmente, a mortalidade é alta, não há acesso a infra-estruturas, serviços, etc." Parte da solução é melhorar a habitação destes bairros, mas os governos, segundo o especialista, muitas vezes não podem suportar essa despesa.

Há a questão da alimentação, um dos maiores problemas que se avizinham: "As pessoas que estão nas cidades também comem, e muitas vezes comem mais produtos que são ecologicamente mais caros de cultivar."

África, o último campo agrícola

A proporção é conhecida, há comida para todos, mas um sétimo da população mundial está subnutrida, uma grande percentagem em África, e o outro sétimo come a mais. Em cima deste problema há o crescimento populacional e o desenvolvimento económico que muda os hábitos alimentares.

O Banco Mundial prevê que a necessidade de cereais aumente 50 por cento entre 2000 e 2050 e a necessidade de carne aumente 85 por cento durante este período. Para alimentar todos os animais do sector pecuário já em 2030, será preciso cultivar a mesma área agrícola que alimentava a população humana em 1970.

"A resposta para os países ricos é sim, eles têm que consumir menos", defendeu Hania Zlotnik. "As dietas são uma coisa fundamental que provavelmente tem que mudar, não só para salvar o planeta, mas porque sabemos que dietas muito ricas em comida animal são más para a saúde das pessoas."

Esta pressão já se fez sentir nas crises alimentares nos últimos anos, como a crise do arroz em 2008. No futuro, prevê-se um aumento no valor dos alimentos, que poderá tornar rentáveis espaços para a agricultura que até agora eram marginais, mas vai dificultar a vida às populações pobres, que gastam a maioria do seu rendimento em alimentação.

O espaço arável na maioria da Terra está preenchido. A revolução verde permitiu, através dos fertilizantes, pesticidas e das sementes, duplicar várias vezes o rendimento das colheitas, mas esse aumento tem limites.

África, contudo, ainda não teve a sua revolução verde. "O desafio é que as mudanças nas técnicas de agricultura em África sejam suficientemente céleres e possam ter em conta a rapidez com que a população está a aumentar e talvez, se tivermos sorte, possam produzir comida para o resto do mundo", explicou Zlotnik. A especialista também referiu a importância da construção de infra-estruturas, acessos, locais de armazenamento dos produtos agrícolas para diminuir a perda de estrago, que ainda é enorme nos países africanos, e, por outro lado, a abrir a possibilidade de os agricultores competirem nos mercados nacionais e internacionais. Foram estas limitações que suscitaram crises alimentares como a da Etiópia em 2003.

Maria José Roxo, geógrafa e especialista em desertificação da Universidade Nova de Lisboa, argumentou, por seu lado, que um desenvolvimento agrícola tem de ter em conta os recursos naturais. "Não se pode importar modelos, nem se pode fazer o exagero que se fez nos países desenvolvidos", observou a investigadora ao PÚBLICO. "A agricultura tem que ser muito mais adaptada às condições naturais, sustentável", defendeu.

Onde está a água?

Um dos maiores problemas que esta investigadora detecta actualmente é a degradação dos solos devido à má utilização, ao abuso excessivo de fertilizantes, que pode tornar uma terra estéril e poluir lençóis de água. "Se não tiver solos, não tenho água; quanto mais contaminação de solos tiver no planeta, menos água potável vai existir", admitiu.

As cidades podem ajudar a combater a falta de água. Quando a escassez ou as oscilações entre precipitação e períodos secos são cada vez mais demarcadas, o armazenamento de águas pluviais nas casas pode combater esta falta. "Muita da água de chuva que cai não é aproveitada, por isso ainda é possível ser-se muito mais eficiente com o seu uso. É preciso armazenar esta água e aproveitá-la", explicou John Bongaarts.

Novo paradigma energético

O bom aproveitamento dos recursos pode ser a diferença entre a morte e a sobrevivência. Há alimentos que se estragam, água que não é aproveitada e energia mal gasta. De todas as questões, a da energia é a que não está tão directamente relacionada com o aumento demográfico. "Os países que estão a aumentar a população mais rapidamente não são os que estão a consumir mais. Se continuarem pobres e subdesenvolvidos, vão continuar a consumir pouca energia per capita. Não é o que se quer, mas é a realidade", adiantou Zlotnik.

Francisco Ferreira concorda - o problema é o mundo desenvolvido. Com ou sem aumento de população, o certo é que os combustíveis fósseis são finitos e estão a acelerar de dia para dia as alterações climáticas. Segundo o ambientalista, é preciso mudar o paradigma da energia.

"É preciso apostar na eficiência energética e na redução de consumo, de modo a que continue a haver energia para todos, suportando a mobilidade, electricidade", disse Francisco Ferreira. Isto é importante que aconteça nos países desenvolvidos, de modo a diminuírem o consumo per capita. Por outro lado, é preciso "disciplinar o aumento de consumo de energia dos países emergentes, de forma a não seguirem este caminho".

O ambientalista assegura que a nível tecnológico é ainda possível optimizar muito os recursos; depois é necessário passar gradualmente dos combustíveis fósseis para os combustíveis verdes. Para isso deverá melhorar-se a interconectividade entre regiões e países, de modo a fazer coincidir a produção de energia com o gasto. O relatório aponta para a aposta na energia nuclear. Francisco Ferreira acredita que se consegue "perspectivar à escala mundial um fornecimento de energia sem nuclear". Mas acrescenta que não será possível acabar com o nuclear de um dia para o outro.

Gerir um clima imprevisível

Sobre todos estes factores cai um aspecto imprevisível: as alterações climáticas. Na agricultura, um futuro em que a variabilidade do clima é ainda maior vai obrigar os agricultores a estarem preparados. Isso não será possível sem ajuda. "Os agricultores sempre tiveram que lidar com estas oscilações e no mundo desenvolvido eles fazem-no porque têm instituições que os ajudam", comentou Hania Zlotnik, acrescentando que estas instituições têm que ser "expandidas para os locais onde não existem neste momento".

As cidades também vão estar sob pressão. Fenómenos como o ciclone Katrina, que em 2005 fustigou Nova Orleães, nos Estados Unidos, ou a precipitação que devastou a serra junto do Rio de Janeiro, no Brasil, no mês passado, não vão acabar.

Parte deste problema é que as pessoas são atraídas para as zonas litorais, onde existe um risco acrescido, mas que são mais interessantes do ponto de vista social. "É preciso que as pessoas pensem sobre estes riscos e isso não é muito comum", adiantou Maria José Roxo, explicando que a resolução do problema passa pelo ordenamento do território e por uma cartografia das zonas de risco.

Mesmo que as catástrofes não aumentem, com mais densidade populacional o mais certo é haver mais mortes, considerou Zlotnik. "A forma como as pessoas e os governos funcionam é que esperam até as coisas estarem realmente más para se mexerem."

fonte: Público

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