RELÓGIO DO APOCALIPSE

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domingo, 7 de junho de 2020

Tecnologia em Estado de Emergência: Preparação da Nova Ordem Mundial Totalitária?


Muitas pessoas têm contestado a falta de liberdades à qual a quarentena mundial está a obrigar. Todo o processo está centralizado na Organização Mundial de Saúde, instituição subordinada da Organização das Nações Unidas. 

Já em 2012 Diogo Freitas do Amaral, então ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, declarava publicamente numa entrevista ao DN a 16 de maio, de que precisávamos de uma Nova Ordem Mundial (NOM). Na sua opinião a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), tal como criada em 1948, estava a perder a sua força perante os novos desafios globais. 

Por essa razão teria de ser dada nova redação à DUDH para que pudesse ser eficaz no mundo complexo e superpovoado de hoje. A Ordem Mundial que saiu dos escombros da II Guerra Mundial chegou ao fim do seu ciclo com o fim do poder soviético, com a perda de força dos EUA e com o poder chinês a emergir como candidato à potência líder do mundo. A corrida ao nuclear, seja para mísseis bélicos seja para construção de centrais geradoras de eletricidade, é preocupante em países tendencialmente totalitários, os quais têm feito alianças militares ainda mais perturbadoras como é o caso da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) que pretende ser uma anti-NATO. 

A ONU tem sido demasiado suave a tratar estas questões globais com diplomacia burocrática e ineficaz. E sem uma gestão eficaz dos problemas globais, o mundo pode começar a perder o pouco equilíbrio que tem. Um exemplo disso é a resposta distinta que todos os países do mundo estão a dar perante a mais perigosa pandemia deste século, que pode (ainda não sabemos) tornar-se em algo realmente descontrolado, pondo em risco o modo de vida humano, tal como o conhecíamos do séc. XX. Em apenas 4 meses já virou a economia do avesso e gerou pobreza a uma velocidade nunca imaginada. E só estes problemas vão demorar vários anos até serem ultrapassados, isto num cenário desta crise vir a ser ultrapassada.

Com o pretexto da preocupação em resolver certos problemas sociais associados à pandemia, temos assistido à introdução de algumas tecnologias que são perturbadoras, quando pensamos que podem rapidamente tornar-se “normais” e levarem à assumpção de estados totalitários, onde os indivíduos são totalmente controlados a todo o momento. O caso da China já é conhecido e tem sido o mais falado nos últimos anos. Uma sociedade controlada a 100% pela tecnologia mais sofisticada de sempre de reconhecimento facial e corporal onde a cada cidadão é penalizado por todas as violações que comete no dia a dia, podendo perder privilégios ou acesso a determinadas profissões ou serviços, tudo isto feito em tempo real, tal como previsto na série Black Mirror

Ainda assim, tentou subornar a OMS para que não revelasse a verdade da pandemia em Wuhan. O primeiro país europeu a assumir medidas draconianas foi a Itália quando foi decretado o Estado de Emergência. Primeiro o isolamento da Lombardia, depois cidades fechadas e finalmente toda a Itália em lockdown. Depois a Espanha. 

E rapidamente aceitámos como normal um quase Estado de Sítio, não muito diferente da Lei Marcial. Pela primeira vez, a OMS consegue que a Nova Ordem Mundial se assuma pela via da força. 

Sob a ameaça de uma pandemia da qual os contornos conspiratórios ainda não são nada claros, aquilo que se tornou visível para os cidadãos comuns é que os Estados mandam nas suas vidas, nas suas empresas, nos seus negócios, nas suas economias. Num curto espaço de tempo foram tomadas medidas por comissões específicas para tal, país a país, para comandar e condicionar a vida da população mundial, sem que para o efeito houvesse um consenso mundial. 

O que deu imediatamente azo a abusos por parte de alguns países, de que é o caso mais evidente, o Brasil.

Dos Estados Unidos começam a chegar também notícias preocupantes. À semelhança de Bolsonaro, Trump começou por desvalorizar a crise do novo coronavírus, mas aos poucos foi aceitando a realidade pandémica. No entanto, tem instigado grupos radicais a apoiá-lo veladamente nas ruas, contra o lockdown, para que a economia norte-americana não sofra um impacto negativo tão forte. 

E estes grupos não estão minimamente preocupados com a perda de liberdades, mas sim com os seus bolsos. No entanto, criada a confusão na opinião pública, a OMS continua a estimular que os Estados tomem medidas para evitar a disseminação do vírus e esta semana o Estado de Kentucky lançou a pulseira eletrónica como medida para manter cidadãos testados positivamente para Covid-19 em suas casas

A medida pode parecer lógica, mas ao mesmo tempo, significa tratar cidadãos como potenciais criminosos. E este princípio é o mesmo do medo que muitos estados totalitários pretendem disseminar junto de toda a sociedade, até conseguirem os seus fins últimos. 

Depois de apagar milhões de posts e vídeos contra a vacinação obrigatória, o Facebook prepara-se agora para criar uma “instância independente”, um conselho de 20 personalidades de todo o mundo que moderará os conteúdos mais polémicos da rede. A liberdade da internet passa a ter um controlo cada vez mais apertado, já que obedecerá a leis locais dos países, mais do que a princípios de transparência, liberdade de expressão e justiça, apesar do Zuckerberg negar este facto. 

Por exemplo, o Facebook já foi várias vezes acusado de não apagar muitos posts que suportam o Fascismo italiano, alegando que se trata de um movimento político legal em Itália, reconhecido historicamente. Esta rede social também já foi acusada em tribunal de apoiar determinados candidatos políticos, apagando posts dos opositores, um pouco por todo o mundo. 


Também desde o escândalo da Cambridge Analytics que a rede social assumiu a sua política de cookies ainda mais agressivamente. Com um logaritmo aplicado a cada usuário, toda a informação e publicidade da internet é dirigida a esse mesmo usuário em função das suas buscas em sites, motores de busca ou likes.

Ainda mais preocupantes foram as declarações da OMS em abril passado sobre a possibilidade de as autoridades terem poderes para entrarem em casas particulares para retirar membros de famílias que estejam infetados para serem isolados de forma “adequada”. 

Esta declaração foi proferida por Michael O’Brien, responsável da OMS, enquanto estava sentado ao lado do diretor-geral Tedros Adhanom. A mesma OMS tem sido acusada de estar a fabricar o pânico mundial para fomentar o uso global de uma vacina, que trará a algumas farmacêuticas de renome contratos de biliões com a maioria dos países, por muitos anos. Para além disso, a obrigação de regras de higiene sanitária mundiais estão já a fazer lucrar todo o setor da medicina e da farmacêutica, pública e privada. E no meio da confusão gerada pela OMS, a qual está incluída na ONU, que defende uma Nova Ordem Mundial, muitos países estão a aproveitar para lucrarem milhões em negócios com a China para equipamentos de proteção. 

Ainda segundo a opinião de muitos, o lockdown reduz o contágio numa 1.ª vaga, mas vai causar a curto e médio prazos falta de imunidade natural, gerando vagas de Covid-19 posteriores muito mais violentas e mortais. No meio de muitas histórias mal contadas, há também o caso dos médicos-chefes de serviços ligados ao combate da Covid-19, a serem aparentemente assassinados ou silenciados por serviços secretos. Brevemente vários países democráticos pensam adotar a aplicação de telemóvel que já foi adotada na China, de classificação de cidadãos como “vermelho”, “amarelo” ou “verde” relativamente ao seu estado de infeção à Covid-19.

Outra situação preocupante é a utilização e banalização da robótica para controlar humanos em tempo de pandemia. Nos hospitais que combatem na frente de batalha o Covid-19, foram introduzidos dezenas de robots auxiliares, sob o pretexto de reduzirem o contágio entre pacientes. 

Drones estão a ser usados para controlar cidades, praias, jardins e outros espaços públicos, um pouco por todo o mundo. No Brasil esta tecnologia está a ser usada massivamente para alertar pessoas nas ruas a manterem o distanciamento, mas foi usada em 2018 para combater cidadãos nas favelas que foram massivamente abatidos a tiro pela polícia federal, sem direito a prisão e julgamento. Também preocupante foi a notícia esta semana de que em Singapura um cão-robot fazia o patrulhamento de um parque urbano. Este tipo de imagens já vimos em séries pós-apocalípticas e não parece ser um bom presságio dos tempos futuros. 

Porque razão, justamente quando o mundo inteiro está fechado em suas casas são lançados robots para criarem a ideia de um Estado de Polícia, frio, desumano, controlado por máquinas, automaticamente? Nalguns países, nos EUA por exemplo, a própria polícia parece estar a aproveitar-se da situação de crise pandémica, para exercer perseguições racistas, sob o pretexto de fazer aplicar normas do Estado de Emergência. 

Um pouco por todo o lado, cidadãos são multados por não usarem máscaras (como em Portugal) em locais obrigatórios ou até agredidos violentamente, como na Índia. Em vez dos Estados estarem a contribuir para a solução, estão a agravar a situação das famílias com multas absolutamente desproporcionais aos seus baixos salários?

Também as quarentenas em hotéis estão a levantar questões jurídicas sérias aos direitos e liberdades de quem viaja, mesmo considerando que estamos em tempo de pandemia. Todo o transtorno causado à vida das pessoas está a ser empolado e exagerado criando o medo de sair à rua, de conviver, de demonstrar afetos. 

Muitas vezes os governos lançam as medidas para a pandemia mas a previsão da sua aplicabilidade à realidade não é compatível com a vida das pessoas. O fator humano parece estar a ser retirado da equação. Mas este novo mundo ainda está por desbravar. Vem aí o verão e vamos ser controlados como insignificantes humanos, com cercas, drones e militares nos areais.

Muita confusão se prevê, prisões, multas, conflitos. E sempre o mesmo Estado de Medo e Autoridade presente em todas as atividades humanas. 

Sem previsão ainda de uma vacina, se este estado de coisas se mantiver, certamente muitos países, em nome da “Ordem” social, continuarão a aplicar as suas políticas cada vez mais restritivas das liberdades individuais. E a pergunta que se deve colocar neste momento, até quando?

Texto de Pedro M. Duarte


sábado, 18 de abril de 2020

Edward Snowden: O Covid-19 é um Pretexto Para Aumentar os Poderes Invasivos do Estado

Edward Snowden: O Covid-19 é um Pretexto Para Aumentar os Poderes Invasivos do Estado

Edward Snowden, o homem que expôs a imensa máquina de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), alertou que um aumento na vigilância em relação à crise do coronavírus pode levar a restrições severas das liberdades civis no futuro.

Durante uma entrevista em vídeo-conferência para o Festival de Documentários de Copenhaga, Snowden disse que, novos poderes introduzidos pelos Estados para combater o surto de covid-19 podem permanecer em vigor depois da crise passar.

“Eu acho crucial ter em mente a perspectiva de que numa sociedade livre um vírus é perigoso mas a destruição de direitos é fatal. É algo permanente que não voltamos a ter. Se temos um direito pelo qual fizemos uma revolução ou se fez um movimento, que demorou 100 anos de esforço para conquista e depois o perdemos num momento de pânico – essa é uma ligação com o 11 de Setembro, onde nasceu o Patriot Act e a vigilância em massa.”

Questionado pelo entrevistador directamente sobre a suspensão temporária de direitos, Snowden foi peremptório respondendo com outra pergunta: “Quando foi a última vez que viste uma suspensão breve das liberdades civis?”, reforçando em seguida a ideia de que o estado de emergência tende a perdurar, por uma certa afeição das autoridades aos novos poderes adquiridos.

Numerosos países europeus, incluindo Itália, Reino Unido e Alemanha, fizeram acordos com empresas de telecomunicações para utilizar dados anónimos para criar mapas de calor virtuais dos movimentos das pessoas.

Israel concedeu aos seus serviços de espionagem poderes de emergência para invadir os telefones dos cidadãos sem um mandado. A Coreia do Sul tem enviado alertas de texto para avisar as pessoas que possam ter estado em contacto com um paciente com coronavírus, incluindo detalhes pessoais como idade e sexo. Singapura está a usar uma aplicação para monitorizar a propagação do covid-19 através do controlo de pessoas que possam ter sido expostas.

Na Polónia, os cidadãos em quarentena têm de descarregar uma aplicação governamental que os obriga a responder a pedidos periódicos. Taiwan introduziu um sistema de “cerca electrónica” que alerta a polícia se os pacientes em quarentena se deslocarem para fora das suas casas.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Hackers russos roubaram informação ao Ministério da Defesa


Em novembro passado, um ataque aos sistemas informáticos do Ministério da Defesa e do Estado Maior das Forças Armadas permitiu a um grupo de “hackers” russos desviar três gigabytes de informação.

De acordo com o Correio da Manhã, que avança a notícia esta quarta-feira, os dados continham maioritariamente e-mails. O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas já admitiu a invasão ao sistema informático da Defesa.

O ataque incidiu sobre contas de correio eletrónico de funcionários civis e militares que trabalham no edifício do Ministério da Defesa, no Restelo. Um dos alvos terá sido vítima de “phishing” (esquema em que se envia um email aparentemente inócuo, mas que, quando o destinatário carrega nos ‘links’ ou ficheiros que contém, permite a quem enviou ter acesso a esses computadores), permitindo o acesso ao sistema.

“Tivemos em novembro um ataque aos sistemas de Defesa que não foi detetado por nós. Foi semelhante a outro que houve na Alemanha e os Serviços de Informações avisaram-nos. Depois, especialistas de Defesa conseguiram controlar o ataque”, disse o almirante Silva Ribeiro, na segunda-feira, em declarações à RTP.

Na origem do ataque, escreve o diário, tudo aponta para que esteja a Rússia, apesar de não haver confirmação oficial. “É aquilo a que chamamos de ameaças persistentes avançadas, de natureza estatal. Sabemos que há um [País] que está interessado em ataques a ministérios de soberania, como os Negócios Estrangeiros, a Administração Interna ou Defesa”, admitiu o almirante Silva Ribeiro, deixando subentendido que não terá partido da China, país que procura informações económicas ou de tecnologia industrial.

“Não é uma pessoa normal, sozinha, que faz isto. Requer capacidades tecnológicas, um Estado por detrás a sustentar isto”, disse o almirante.

fonte: ZAP

sábado, 13 de abril de 2019

Wikileaks liberta centenas de documentos secretos após a detenção de Assange


Um dia depois da detenção de Julian Assange, o portal do Wikileaks foi inundado com novos ficheiros. Entre estes, estão alguns com temas referentes a Portugal. Veja aqui a lista completa dos ficheiros disponíveis.

Depois da prisão de Julian Assange, fundador do Wikileaks, esta quinta-feira (11) em Londres, alguns órgãos de comunicação internacionais estão a dar conta da libertação de novos ficheiros confidenciais na página Wilileaks.

Assim, esta plataforma de partilha de ficheiros confidenciais libertou centenas de novos documentos associados, alegadamente, ao projeto TGV para Portugal e um relatório da PJ referente à investigação do desaparecimento de Madeleine McCann.

A nível internacional, é possível constatar a entrada de ficheiros referentes aos atentados de 11 de setembro.

Veja aqui a lista dos ficheiros partilhados no Wikileaks


quinta-feira, 11 de abril de 2019

Julian Assange: herói ou vilão?




O fundador da WikiLeaks foi detido em Londres, depois de quase sete anos exilado na embaixada do Equador no Reino Unido. Os EUA querem a sua extradição, acusando-o de conspiração.

Ativista e defensor da verdade para uns. Narcisista que pôs em risco inúmeras vidas ao divulgar documentos secretos norte-americanos para outros. Julian Assange, o fundador da WikiLeaks, foi detido esta quinta-feira após sete anos exilado na embaixada do Equador em Londres e enfrenta agora um pedido de extradição para os EUA, onde é acusado de conspiração e arrisca uma pena até cinco anos de prisão.

Julian Paul Assange nasceu na Austrália a 3 de julho de 1971 e estudou programação, matemática e física na Universidade de Queensland e de Melbourne, sem ter contudo acabado qualquer curso. O jovem pirata informático e programador, hoje com 47 anos, fundou em 2006 a WikiLeaks, uma organização especializada na análise e publicação de informações secretas sobre guerra, espionagem e corrupção. Desde então, já divulgou milhões de documentos.

Assange e a WikiLeaks saltaram para a ribalta em 2010, após a revelação de um vídeo de um bombardeamento norte-americano no Iraque, no qual morreram vários civis, ao qual se seguiu a divulgação dos diários do Afeganistão e do Iraque e da correspondência diplomática dos EUA.

Tudo material que tinha sido fornecido por Chelsea Manning (que foi condenada por espionagem e indultada no final do mandato do presidente Barack Obama, voltando novamente a ser presa por não colaborar com o grande júri que estará a investigar a WikiLeaks). A organização também divulgou material de Edward Snowden, referente ao trabalho de vigilância global da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, tendo este conseguido asilo na Rússia.

Snowden reagiu no Twitter ao vídeo da detenção de Assange. "Os críticos podem congratular-se, mas este é um momento negro para a liberdade de imprensa", indicou, lembrando que o australiano é um editor e um jornalista vencedor de vários prémios.



Acusações sexuais

Em dezembro de 2010, no mesmo ano das primeiras grandes revelações de WikiLeaks, Assange foi detido em Londres pelas autoridades britânicas, em resposta a um mandado de detenção internacional emitido pela Suécia, que o queria interrogar por violação e agressão sexual de duas mulheres. Os factos teriam ocorrido durante uma visita de Assange a Estocolmo, em agosto de 2010, e a primeira denúncia foi encerrada. O ativista foi autorizado a sair do país, mas em setembro o processo foi reaberto.

O fundador da WikiLeaks sempre alegou que ambos os encontros tinham sido consensuais, negando as acusações e dizendo que faziam parte de uma campanha contra ele. O objetivo era extraditá-lo para os EUA, onde seria julgado pelo seu trabalho na WikiLeaks. No ano passado, o Departamento de Justiça revelou inadvertidamente a existência de um processo contra Assange, mas só esta quinta-feira foi conhecida a acusação.

Segundo o Departamento de Justiça de EUA, Assange é acusado de conspirar com Manning para descobrir uma password e aceder aos computadores do Pentágono e "encorajar ativamente" a então analista a fornecer mais informações. Enfrenta uma pena máxima de cinco anos de prisão e o pedido de extradição que os EUA enviaram ao Reino Unido será analisado a 2 de maio.

Depois de ter sido detido em Londres, Assange pagou uma fiança em dezembro de 2010, garantindo que podia aguardar a decisão da justiça britânica sobre a sua extradição em liberdade. O processo prolongou-se até que, em maio de 2012, o Supremo Tribunal britânico decidiu que devia ser extraditado para a Suécia, para ser questionado.
Exilado na embaixada

Diante dessa decisão do tribunal, Assange refugiou-se na Embaixada do Equador a 19 de junho de 2012, temendo ser deportado para a Suécia -- e consequentemente para os EUA. Foi então emitida uma ordem de captura por parte dos juízes britânicos, visto o fundador da WikiLeaks ter violado as condições da sua fiança, pelo que arriscava ser detido se deixasse o edifício em Knightsbridge. Durante anos, vários agentes vigiaram em permanência a embaixada.

Por este crime poderá ter que cumprir uma pena até um ano de prisão, tendo já esta quinta-feira sido considerado culpado por um juiz britânico que o acusou de ser "um narcisista que não consegue superar o seu próprio interesse egoísta". A sentença deverá ser conhecida no próximo mês.


Apoiantes do fundador da WikiLeaks à porta do tribunal de Westminster, em Londres. © EPA/ANDY RAIN

Entretanto, as autoridades suecas interrogaram-no na Embaixada do Equador. Tendo a maior parte dos crimes prescrito, a investigação foi dada como terminada em maio de 2017 e o pedido de extradição revogado. Contudo, um dos crimes só prescreve em agosto de 2020 e a investigação pode ser retomada se Assange voltar à Suécia.

Uma das advogadas de uma das alegadas vítimas disse à Reuters esta quinta-feira que esperam que a justiça sueca possa reabrir o processo. "Vamos fazer tudo o que pudermos para que os procuradores reabram a investigação criminal preliminar e para que Assange seja extraditado para a Suécia e julgado por violação", indicou Elisabeth Massi Fritz.

Viver na embaixada do Equador

Em agosto de 2012, menos de dois meses depois de Assange ter entrado na embaixada, o Equador concedeu-lhe asilo político.

Em 2013, quando saiu o filme biográfico O Quinto Poder, em que o ator Benedict Cumberbatch faz de Assange, este contou como era viver na embaixada, num pequeno escritório convertido em quarto, equipado com uma cama, telefone, um candeeiro com lâmpada ultravioleta para substituir a luz do sol, um computador com acesso à internet, um duche, uma passadeira e uma pequena kitchenette. Recebia então constantes visitas, incluindo de várias celebridades como Pamela Anderson, que chegou a ser apontada como sua namorada. No Twitter disse estar "em choque".

A determinada altura, Assange chegou a ter a companhia de um gato, mas teve que o dar depois de a embaixada equatoriana começar a fazer exigências em relação ao cuidado com "alimentação e higiene" do felino. Em outubro de 2018, a embaixada emitiu novas regras para Assange, ameaçando retirar-lhe o asilo.


Julian Assange na varanda da embaixada do Equador em londres a 19 de maio de 2017. © ARQUIVO REUTERS/Peter Nicholls

Em primeiro lugar, o fundador da WikiLeaks devia evitar fazer comentários políticos online -- chegou a ficar sem Internet em março, mas passou então a poder ter acesso ao Wi-fi da embaixada no portátil e no telemóvel. Além disso, tinha que pedir autorização com três dias de antecedência para qualquer visita que recebesse, estando proibido de qualquer atividade considerada "política" ou que pudesse interferir com os assuntos internos de outros países.

A partir de 1 de dezembro de 2018, passou também a ter que pagar a sua comida, roupa lavada ou outros custos relacionados com a sua estadia na embaixada. E de pagar também os exames médicos que tinha que fazer regularmente.

Críticas à decisão do Equador

O presidente que lhe deu asilo, Rafael Correa, reagiu esta quinta-feira à decisão do seu sucessor, Lenín Moreno, de retirar essa proteção ao fundador da Wikipedia.

"'Decisão soberana', que maneira de chamar a maior canalhada e cobardia! Isto nunca será esquecido em toda a humanidade. Um dos atos mais atrozes, fruto do servilismo, da vileza e da vingança. A história será implacável com o culpado de algo tão atroz", escreveu no Twitter.



Moreno confirmou precisamente no Twitter ter retirado o asilo diplomático a Assange por "violar reiteradamente as convenções internacionais e o protocolo de convivência". No vídeo, Moreno disse que pediu ao Reino Unido a garantia de que Assange não será extraditado para um país onde possa ser torturado ou condenado a pena de morte. "O governo britânico confirmou-o por escrito, de acordo com as suas próprias regras", indicou.

Os polícias que prenderam Assange "foram convidados a entrar na embaixada pelo embaixador", segundo o comunicado da Scotland Yard, a polícia britânica. O site da estação de televisão Russia Today, onde Assange tem um programa de entrevistas, publicou um vídeo do momento em que o fundador da WikiLeaks é arrastado para fora da embaixada pelos agentes britânicos.



terça-feira, 2 de abril de 2019

Ciber(in)segurança em Portugal: “Posso deitar abaixo o Governo em 15 dias”


O professor e engenheiro informático José Tribolet alerta que “a fragilidade” dos “sistemas vitais é assustadora” em Portugal e ironiza que “com 100 mil euros e uma pequena equipa” deitava “abaixo um governo em 15 dias”.

Em termos de cibersegurança, “a fragilidade dos nossos sistemas vitais, os sistemas críticos que fazem a sociedade funcionar, é assustadora”, afirmou o presidente do Departamento de Engenharia Informática do IST de Lisboa, em entrevista à agência Lusa, citada pela TSF nesta terça-feira.

Para “quem saiba criar perturbações”, se “em vez de criar uma perturbação, criar quatro, cinco, seis ou sete e a repetir massivamente durante uma semana, não há nenhum governo que resista”, afirmou, evitando dar exemplos práticos por que “não é apropriado”. Sublinhou, porém, que as forças de segurança em Portugal conhecem estes riscos.

“É evidente que não há nenhuma medida de proteção tipo milagre de Fátima” nem para Portugal nem para os restantes países, acrescentou o fundador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento (INESC).

Sendo certo que este tipo de “ataques” cibernéticos “não tem nada a ver com grandes potências nem exige muito dinheiro”, pode ser feito por pequenos grupos de pessoas, o que justifica a sua frase: “Eu, com 100 mil euros e uma pequena equipa, deito abaixo o governo deste país em 15 dias.”

Para o professor universitário, que foi investigador no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, Portugal sofre de uma “falta de pensamento”na cibersegurança.

José Tribolet dá vários exemplos, a começar na administração pública, onde “não há um inventário” dos sistemas, de equipamentos, das instalações ou até dos técnicos. A informação das conservatórias dos registos “tem de estar protegida” e, na administração pública, hoje está “tudo desconjuntado”.

“Hoje em dia, essa informação está guardada em bancos de dados que não estão ligados a nada. Têm de estar numa cave, algures numa gruta, bem protegidos fisicamente”, disse.

Depois, numa lógica quase militar nesta guerra de defesa cibernética, faltam, segundo o professor que foi aluno do Colégio Militar, “oficiais de combate”, “comandos” para defenderem as estruturas vitais do país, como a distribuição de eletricidade, água ou telecomunicações.

O professor e fundador do INESC tem um plano, desde 2016, para fazer formação nesta área da segurança, mas não tem tido candidatos e a razão é simples: os alunos que saem das universidades portuguesas em áreas como engenharia informática ou engenharia de redes ou sistemas e computadores não têm falta de emprego.

A solução passa por envolver, num curso pago, as cerca de 40 empresas, públicas e privadas, que operam sistemas sob concessão, nas águas, gás, eletricidade, transporte.

“Se cada um desses operadores se comprometer a recrutar” a formação de um técnico, por semestre, num curso do Instituto Superior Técnico (IST), então, durante quatro anos serão 320 os técnicos formados nesta área da cibersegurança. Não são “precisos acordos ou criar institutos” e “o Estado não precisa de meter dinheiro nisto”, afirmou.

Prestes a fazer 70 anos e a reformar-se, José Tribolet faz uma definição “sui generis” da sua ideia e do curso: “Isto é o trivial, é necessário e não há tempo a perder. É uma daquelas ideias à Tribolet. Na minha vida, felizmente que vou fazer 70 anos e vou-me reformar da universidade este ano, metade das ideias estúpidas que tive cumpriram-se e tiveram sucesso. Sou um homem feliz”, concluiu.

fonte: ZAP

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