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sexta-feira, 29 de março de 2019

Monsanto condenada a pagar mais de 70 milhões de euros por cancro ligado a herbicida

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Herbicida Roundup que contêm glifosato STEFFEN SCHMIDT/LUSA

Tribunal federal norte-americano considera que a exposição ao herbicida Roundup, que contêm glifosato, contribuiu para o desenvolvimento de um linfoma não-Hodgkin a um doente. Esta já é a segunda vez que a empresa alemã é condenada, mas vai recorrer da decisão.

A empresa agro-química Monsanto foi condenada esta quarta-feira pelo tribunal federal de São Francisco (Estados Unidos da América) a pagar 71,8 milhões de euros (81 milhões de dólares) a um cidadão norte-americano com um linfoma não-Hodgkin. A empresa adquirida pela alemã Bayer no ano passado foi acusada de não ter informado o cliente do risco potencialmente cancerígeno do herbicida Roundup, que contém glifosato. A Bayer anunciou que vai recorrer da sentença, mas os efeitos desta decisão judicial já foram sentidos: as acções da empresa afundaram mais de 10%, atingindo o seu nível mais baixo em mais de seis anos.

Edwin Hardeman, de 70 anos, utilizava o herbicida Roundup há mais de três décadas na sua propriedade no condado de Sonoma, na Califórnia. Em 2015 foi diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin, um tipo de cancro que se desenvolve no sistema linfático e pode afectar várias partes do organismo. O tribunal federal norte-americano considerou que a exposição a este herbicida foi um “factor substancial” no desenvolvimento do cancro deste doente, refere o jornal Le Monde. Esta não é a primeira vez que a empresa alemã é obrigada a pagar uma indemnização: em Agosto de 2018 a Bayer foi condenada a pagar 251 milhões de euros a um jardineiro a quem também foi diagnosticado um linfoma não-Hodgkin, nessa altura a empresa também recorreu da sentença.

A agro-química continua a defender o seu produto e a negar que o glifosato possa ser perigoso para a saúde humana. A Bayer afirmou ainda que “o veredicto não muda o peso de mais de 40 anos de ciência, nem os resultados dos reguladores em todo o mundo que argumentam que os herbicidas com glifosato são seguros e não-cancerígenos”, citado pela Agência Reuters.

Apesar da idade avançada e do historial de hepatite C (uma condição que pode aumentar o risco de desenvolver este tipo de cancro) a gigante alemã foi considerada culpada. A decisão do tribunal federal norte-americano foi também influenciada pelo facto de existirem também cerca de 700 queixas semelhantes pendentes no mesmo tribunal e 11.000 casos idênticos já em andamento nos Estados Unidos da América. No entanto, a empresa alemã acredita que esta condenação não vai afectar o rumo dos casos ainda por julgar, alegando que “cada um é marcado pelas suas próprias circunstâncias, legais e factuais”, afirmou ao Le Monde.

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados em Portugal e no mundo por ser um produto de baixo custo e eficiente no combate às ervas daninhas. A autorização de comercialização na União Europeia deste herbicida está em vigor até 2022. Apesar do sucesso de vendas, o glifosato já foi alvo de várias polémicas e os seus efeitos para a saúde humana e para o ambiente continuam a ser discutidos.

Em Março de 2015, a Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou que o herbicida era genotóxico e “provavelmente” um carcinogénico, levando a preocupações a nível mundial sobre o perigo desta substância para a saúde humana. Porém, em 2017, os Estados-membros aprovaram a proposta da Comissão Europeia para a renovação da licença de uso do glifosato por mais cinco anos, até 15 de Dezembro de 2022. Segundo um outro estudo publicado à data na revista Science of the Total Environment e citado por associações ambientalistas, Portugal é o país europeu mais contaminado por este herbicida. 

Já em Janeiro deste ano, veio a público que o relatório encomendado pela União Europeia sobre os riscos da utilização de glifosato (e que foi decisivo para a tomada de decisão que autorizou o herbicida na Europa em 2017) foi copiado de um documento que a Monsanto e os seus parceiros industriais, produtores da substância, entregaram às autoridades europeias.

O linfoma não-Hodgkin (LNH) afecta sobretudo pessoas com idades avançadas e é mais predominante em homens do que mulheres, representando mais de 80% dos casos de linfoma. Ao longo dos últimos anos, a incidência deste tipo de cancro na população tem vindo a aumentar.

fonte: Público

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Bayer afunda em bolsa após tribunal nos EUA validar que glifosato causou cancro

Bayer afunda em bolsa após tribunal nos EUA validar que glifosato causou cancro

Na segunda-feira à noite, um juiz dos Estados Unidos reduziu a indemnização paga à Monsanto em mais de 200 milhões de dólares, para 78 milhões, mas confirmou a fundamentação da sentença lida no verão em São Francisco.

Os títulos da gigante química alemã Bayer estão em forte queda na bolsa alemã, após a confirmação, nos Estados Unidos, da condenação de sua subsidiária Monsanto por esconder a perigosidade do Roundup, o seu herbicida com glifosato.

As acções da Bayer descem 7,25% para 70,99 euros na Bolsa de Frankfurt, elevando as suas perdas para mais de 30% desde o início do ano. Na sessão de hoje os títulos já estiveram a cair 8,52%.

Na segunda-feira à noite, um juiz dos Estados Unidos reduziu a indemnização paga à Monsanto em mais de 200 milhões de dólares, para 78 milhões, mas confirmou a fundamentação da sentença lida no verão em São Francisco.

Os investidores vêem a sentença como "uma surpreendente derrota para a Bayer", de acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, já que a decisão provavelmente influenciará as mais de oito mil acções em andamento nos tribunais nos Estados Unidos por causa dos produtos de glifosato da Monsanto.

Depois de um processo retumbante, um júri popular de São Francisco concluiu em 10 de Agosto que a Monsanto, que em breve seria absorvida pela Bayer, agiu de forma "maliciosa" ao esconder a natureza potencialmente cancerígena do glifosato.

De acordo com esse julgamento, que já havia provocado a queda da Bayer no mercado de acções, os herbicidas Roundup e a RangerPro contribuíram "significativamente" para o cancro de Dewayne Johnson, de 46 anos, um jardineiro que tem a doença em estado terminal.

Após a nova decisão na segunda-feira, a Bayer disse que a redução acentuada na indemnização a pagar foi "um passo na direcção certa", mas continua a contestar fundamentalmente a perigosidade do glifosato e pretende recorrer.

A gigante alemã, que aposta a médio prazo no papel crescente da química para alimentar o planeta, teve que desembolsar 63 biliões de dólares (54 biliões de euros) para adquirir a Monsanto, ao mesmo tempo que entregou 7,6 biliões de euros em activos à sua compatriota BASF.


domingo, 28 de outubro de 2018

Teorias dos rastos químicos dos aviões chegam ao Parlamento

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Rastos deixados pelos aviões levantam dúvidas

A possibilidade de os aviões estarem a deixar rastos químicos na atmosfera - chemtrails - vai ser debatida hoje na Assembleia da República. A discussão deve-se a uma petição que reuniu 4384 assinaturas (quando foi admitida a 21 de março e que agora conta com 4572). O primeiro subscritor da petição, Tiago de Jesus Lopes, espera que pelo menos agora, os deputados "esclareçam o que pensam desta situação". No entanto, este é um tema que não tem validação científica e que, por exemplo, Francisco Ferreira, da Zero, classifica apenas como "teoria da conspiração".

Os subscritores da petição - que levou mais de cinco anos a reunir as quatro mil assinaturas - defendem que os aviões estão a deixar, pelo país, rastos químicos que servem para manipular o clima e acabam a poluir o meio ambiente. O texto da petição refere "relatos deixados por exemplo no Facebook, de cidadãos de vários pontos do país, de aviões que sobrevoam o espaço aéreo e libertam produtos químicos deixando um rasto visível durante horas". E questionam se este fenómeno não "poderá estar relacionado com as alterações climáticas e o aumento de patologias nomeadamente alérgicas, respiratórias e oftalmológicas?". Para Tiago de Jesus Lopes tem-se tornado evidente que o objetivo da libertação de aerossóis "não pode ser o objetivo primário que se anunciava de formar vários tipos de nuvem, que permitia fazer cair chuva onde quisessem". "Eles também dizem que é para fazer a gestão da radiação solar, mas essas partículas estão em todo o lado, são metais pulverizados e ficam em todo o lado", acrescenta.

Junto com a petição, foram enviados aos deputados da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, links que sustentam as dúvidas e preocupações dos peticionários.


A comissão ouviu o primeiro peticionário, na audição regimental, onde não estiveram os grupos parlamentares. A petição vai agora ser debatida em plenário, por imposição legal.

Se Tiago de Jesus Lopes espera ver esclarecidas as posições dos partidos - embora sem grande expectativa de mudanças, principalmente nos "grupos principais que vão defender as diretivas europeias" -, Francisco Ferreira espera que "a teoria seja recusada".

"A Zero já recebeu muitos emails de pessoas a queixarem que não dávamos atenção à questão e tentamos sempre responder. Se os deputados entenderem que deve haver algum esclarecimento das companhias aéreas ou da gestão dos aeroportos - que penso ser desnecessário face ao conhecimento técnico e científico que explicam o aparecimento dos rastos -, que devem pedir pareceres para esclarecer a população, pode ser útil, nessa perspetiva pedagógica", defende o ambientalista. Os cientistas explicam que os rastos resultam da emissão de partículas ultra finas por parte dos aviões que em contacto com a atmosfera condensam.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Tribunal nos EUA confirma perigo de herbicida com glifosato



Os títulos da gigante química alemã Bayer caíram no mercado de ações, após a confirmação, nos Estados Unidos, da condenação de sua subsidiária Monsanto por esconder a perigosidade do Roundup, o seu herbicida com glifosato.

A Bayer caiu de 6,69% para 71,42 euros na Bolsa de Valores de Frankfurt, elevando as suas perdas para mais de 30% desde o início do ano.

Na segunda-feira à noite, um juiz dos Estados Unidos reduziu a indemnização paga à Monsanto em mais de 200 milhões de dólares, para 78 milhões, mas confirmou a fundamentação da sentença lida no verão em São Francisco.

Os investidores veem a sentença como "uma surpreendente derrota para a Bayer", de acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, já que a decisão provavelmente influenciará as mais de oito mil ações em andamento nos tribunais nos Estados Unidos por causa dos produtos de glifosato da Monsanto.

Depois de um processo retumbante, um júri popular de São Francisco concluiu em 10 de agosto que a Monsanto, que em breve seria absorvida pela Bayer, agiu de forma "maliciosa" ao esconder a natureza potencialmente cancerígena do glifosato.

De acordo com esse julgamento, que já havia provocado a queda da Bayer no mercado de ações, os herbicidas Roundup e a RangerPro contribuíram "significativamente" para o cancro de Dewayne Johnson, de 46 anos, um jardineiro que tem a doença em estado terminal.

Após a nova decisão na segunda-feira, a Bayer disse que a redução acentuada na indemnização a pagar foi "um passo na direção certa", mas continua a contestar fundamentalmente a perigosidade do glifosato e pretende recorrer.

A gigante alemã, que aposta a médio prazo no papel crescente da química para alimentar o planeta, teve que desembolsar 63 biliões de dólares (54 biliões de euros) para adquirir a Monsanto, ao mesmo tempo que entregou 7,6 biliões de euros em ativos à sua compatriota BASF.


terça-feira, 18 de julho de 2017

OGM 2.0: novo tipo de alimento geneticamente modificado

Manifestação contra plantio de OGM em Londres (Graeme Robertson / Getty Images)

Manifestação contra plantio de OGM em Londres (Graeme Robertson / Getty Images)

Novas tecnologias utilizada na produção de alimento geneticamente modificado conseguem burlar a regulamentação.

Os Estados Unidos demorou para aprender como lidar com os diferente tipos de organismos geneticamente modificados (OGM) que existem no país há décadas.

Agora, um novo tipo de OGM já está disponível nos supermercados e os reguladores não sabem com lidar apropriadamente com este novo cenário.

As novas tecnologias – que foram desenvolvidas nos últimos cinco anos – são diferentes da modificação genética que é comumente usada. Elas são mais precisas, de forma que os cientistas dizem que há um risco menor de causar alterações não intencionais ao ADN. No entanto, ainda continuam alterando artificialmente o ADN dos organismos.

Elas possuem diferentes nomes e muitas vezes aparecem disfarçadas em produtos, se utilizando de brechas na regulamentação de OGMs dos EUA. Crispr-Cas9 e Talen são duas dessas tecnologias, por exemplo; e “novas técnicas de criação de plantas” ou “edição de genes” são alguns dos termos amplamente utilizados.

Atualmente, cerca de 5% do óleo de canola dos EUA é cultivado a partir de sementes modificadas com uma dessas novas tecnologias, de forma que muitas empresas já estão preparadas para comercializar novos produtos nos próximos anos com esses OGM. O cultivo de milho, soja, linhaça e outras culturas alimentares também será produzido com essas novas técnicas.

Governantes dos EUA e de outros países estabeleceram regulamentações para utilização de OGM. Mas, em geral, essas novas técnicas não estão sujeitas a esses regulamentos. Isso ocorre porque as definições do que constitui um OGM variam entre os órgãos reguladores e muitas vezes não abrangem essas novas tecnologias.

Seus defensores dizem que esses produtos não devem ser considerados OGM devido aos avanços na tecnologia. Os opositores dizem que qualquer modificação de genes ainda é uma modificação genética não importa a técnica utilizada e deve continuar sendo regulada como tal.

Como funcionam os novos alimentos geneticamente modificados

As tecnologias de engenharia genética tradicionais e modernas apresentam variações e complexidades, mas, em geral, a diferença é a seguinte.

As técnicas mais antigas criam plantas com traços desejáveis, porém incluem genes de espécies diferentes ao ADN das plantas. Por exemplo, um gene pode ser retirado de uma bactéria e inserido no ADN de uma planta de milho para tornar a planta resistente a pragas. Outro produto comercialmente disponível é uma soja que possui um gene de uma bactéria que a torna resistente a herbicidas.

As novas técnicas, por outro lado, podem direcionar os genes desejados de forma mais precisa e alterá-los sem incluir ADN estranho.

A técnica anterior cria algo que nunca seria encontrado na natureza – o ADN de uma bactéria não entraria naturalmente no ADN de uma planta. O último cria algo que, argumentam os proponentes, poderia desenvolver-se na natureza ou através de técnicas de reprodução antigas em um longo período de tempo.

A técnica usa essencialmente máquinas moleculares criadas em um laboratório para cortar e vincular o ADN de uma planta, remover genes indesejados ou criar novas combinações. Por exemplo, a empresa de biotecnologia Calyxt, com sede em Minnesota, removeu o gene de uma batata responsável pela degradação dos açúcares, dando assim à batata uma vida útil maior. Alguns cientistas e grupos de defesa do consumidor expressaram preocupação de que essa manipulação ainda possa criar efeitos não desejados e deve ser testada e regulamentada da mesma forma como qualquer outro OGM.

Alguns reguladores concordam, outros não. Como eles definem OGM faz toda a diferença.

Regulamentação que inclui as novas técnicas

Em Marin County, Califórnia, uma lei chamada Medida B foi aprovada em 2004 proibindo o cultivo de OGM.

“No momento em que a lei foi elaborada e votada pelos residentes, ela abrangeu todas as modificações”, disse Stacy Carlsen, comissária agrícola do Marin County, por e-mail ao Epoch Times. “Esta técnica de OGM (Crispr-Cas9) deve ser proibida conforme definido na presente lei. A técnica é modificação genética”.

O National Organic Standards Board (NOSB) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) votou em novembro para efetuar a proibição de utilização das novas técnicas em qualquer produção orgânica em território americano.

“É mais do que nunca imperativo que a comunidade orgânica esteja clara sobre os limites na produção baseada em engenharia genética”, observou o conselho na sua recomendação formal.

“Todo produtor orgânico tem consciência de que a engenharia genética é uma ameaça iminente para a integridade orgânica. O NOSB deve fazer, na medida do possível, todos os esforços para proteger essa integridade “.

O conselho esclareceu que define os OGM como qualquer organismo que tenha tido seu material genético alterado pela biotecnologia.

Mas a legislação federal padrão de OGM aprovada no ano passado tem uma definição mais específica, que não se aplica às plantas criadas usando as novas técnicas. Essa lei exigirá que os OGM tradicionais sejam rotulados com códigos QR para verificação por smartphones.

Regulamentação que omite as novas técnicas

O especialista em biotecnologia e política, Michael Rodemeyer, explicou que, devido ao fato da lei federal definir os OGM como algo criado com o uso de ADN de diferentes organismos, e que não pode ser encontrado na natureza, as novas técnicas tendem a escapar das regulamentações.

Sua opinião é que os regulamentos não mudarão muito a tempo de abranger essas novas técnicas. “Eu acho que é provável que tenhamos o status quo, e toda a incerteza quanto ao status quo, por algum tempo”.

Os OGMs até agora foram tratados por várias agências usando uma complexa estrutura regulatória que existia muito antes dos OGMs.

Por exemplo, o USDA regula a modificação genética que usa patógenos das plantas para alterar o ADN porque a administração já tinha autoridade para regular patógenos.

Da mesma forma, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) regula a segurança de pesticidas e, portanto, tem autoridade sobre plantas geneticamente modificadas resistentes a insetos.

A Food and Drug Administration (FDA) tem um processo de consulta voluntária no local para alimentos transgênicos. As empresas que desenvolvem OGM podem se aproximar da FDA com avaliações internas que eles completaram em seus próprios produtos alimentares.

Todas essas abordagens à regulamentação até agora não se aplicaram às novas tecnologias.

Como essas novas tecnologias não usam patógenos de plantas ou outras substâncias regulamentadas pelo USDA, a administração já disse às empresas de biotecnologia que não tem autoridade sobre os produtos resultantes.

A FDA examina o produto e não o processo – por isso, se os alimentos são produzidos com a reprodução tradicional, ou técnicas de modificação genética tradicionais ou novas, isso não faz diferença enquanto o produto vegetal final for o mesmo.

A empresa Calyxt desenvolveu uma soja usando uma técnica chamada Talen, que remove um gene para que o óleo de soja tenha menos gorduras trans. A Calyxt participou do processo voluntário da FDA, de acordo com o diretor de ciência da empresa e um dos inventores de Talen, Dan Voytas.

A FDA está analisando a composição dos ácidos graxos e da proteína do óleo de soja da Calyxt e comparando-a com outros óleos comerciais. A administração diz que eles parecem semelhantes ao que já está no mercado, disse Voytas.

A soja de Calyxt é cultivada em cerca de 1 mil hectares no centro-oeste dos Estados Unidos, disse Voytas, e a empresa antecipa que em breve começará a vender suas sementes aos fazendeiros. Outras culturas alimentares feitas com essas novas técnicas já estão no mercado.

Por exemplo, o novo SU Canola da Cibus é resistente a herbicidas. Ele está agora disponível nos Estados Unidos, onde a canola é amplamente utilizada para produzir óleo de cozinha. A SU Canola atualmente representa cerca de 5% do mercado americano com 70 mil hectares plantados e está se preparando para entrar no mercado canadense em 2017.

Enquanto a FDA não regulamenta as culturas alimentares produzidas usando as novas técnicas, a instituição afirma que irá regular qualquer animal modificado.

A administração tratará qualquer alteração intencional do genoma de um animal como uma droga, “porque se destina a alterar a estrutura ou função do animal e, portanto, sujeita a regulamentação de acordo com nossas provisões para novas drogas animais”, afirma a FDA em seu Blog oficial.

O Greenpeace afirma que as novas técnicas devem ser consideradas modificações genéticas, sejam elas usadas em plantas ou animais. Franziska Achterberg, diretora de política alimentar da União Européia (UE) do Greenpeace, disse via email que a Comissão Européia não tomou uma posição definitiva sobre se as novas técnicas serão abrangidas pela legislação do OGM da UE.

A comissão deveria ter publicado uma avaliação legal das novas técnicas no ano passado, mas não quis e não pretende mais, disse Achterberg. “Examinamos os documentos da comissão divulgados sob as leis da Liberdade de Informação e descobrimos que isso tem a ver com lobby americano, entre outras coisas”.

Rotulagem

O Non-GMO Project (Projeto Não-OGM) – uma organização sem fins lucrativos que é o principal fornecedor de verificação e rotulagem para alimentos não-OGM na América do Norte – considera os alimentos produzidos usando as novas técnicas como OGM. Ele irá colocar seu rótulo em todos esses alimentos, disse o diretor executivo Megan Westgate, em um e-mail.

“Há uma tentativa crescente por parte das empresas de biotecnologia de distanciar-se da rejeição dos consumidores de OGM alegando que novos tipos de engenharia genética … na verdade não são engenharia genética”, disse ela.

O Projeto Não-OGM optou por incluir o uso dessas novas técnicas em sua definição de OGM. Seu rótulo é atualmente a melhor garantia de que um consumidor possa obter um produto que não seja OGM.

As tecnologias mais antigas de modificação genética nunca foram usadas diretamente em seres humanos, mas de acordo com um estudo de 2015, cientistas da China começaram a usar Crispr-Cas9 para remover genes que causam doenças de embriões humanos. O Congresso proibiu esta prática no ano passado, apesar da pressão de alguns cientistas que pensam que os Estados Unidos ficariam atrás de outros países no desenvolvimento da biotecnologia.

Um painel federal de biossegurança e ética dos EUA, no entanto, aprovou a injeção em humanos de células que foram modificadas com Crispr-Cas9 para atacar o cancro.

fonte: Epoch Times

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Portugueses contaminados com herbicida potencialmente cancerígeno


Há vários portugueses contaminados com glifosato, um herbicida que é potencialmente cancerígeno. A sua presença foi detetada com valores elevados no norte e centro do país.

É o herbicida mais usado em Portugal, campeão de vendas na Europa e um caso de sucesso na América. O glifosato serve para matar ervas, mas esconderá outros perigos?

O glifosato é o herbicida mais vendido em Portugal e está a ser inalado e ingerido por muitos portugueses.

Maria de Lurdes e o marido são agricultores desde que têm memória. Combatem as pragas e as ervas daninhas com químicos - como aprenderam - sem levantarem demasiadas questões. Chamam-lhes tratamentos.

É na agricultura que o glifosato é mais usado. O herbicida foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto. Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam glifosato. É um herbicida total, não seletivo - o que quer dizer que mata qualquer tipo de planta.As marcas de pesticidas estabeleceram intervalos de segurança. São períodos de tempo de espera entre a aplicação e o consumo.

Já na horta de Margarida Silva não entra glifosato. A investigadora acredita que o herbicida esconde sérios riscos para os humanos.

O alerta sobre os perigos do herbicida soou a mais de mil de quilómetros de Portugal, em França. A Organização Mundial de Saúde, através da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, estudou o glifosato durante um ano.

Dezassete investigadores tomaram uma decisão unânime: classificar o glifosato como potencialmente cancerígeno.

Consumir glifosato

O glifosato pode entrar no corpo humano através da ingestão de água e alimentos ou da inalação.

Em Portugal é no Instituto de nacional de investigação agrária e veterinária que são feitas as análises aos alimentos. Todos os anos são feitas análises a centenas ou milhares de amostras, consoante os planos.

O glifosato não está sozinho. Cada embalagem esconde uma mistura de vários químicos para aumentar a eficiência. Muitos escapam ao controle porque são considerados segredo da própria marca e nem sequer constam no rótulo.Para uma amostra de alimentos pesquisam-se muitas substâncias diferentes, faz-se um rastreio enorme em termos de moléculas para perceber se houve alguma contaminação. Nenhum desses parâmetros é o glifosato. O laboratório tem a competência técnica, mas ainda não têm a luz verde oficial. Falta uma acreditação que deve chegar ainda este ano.

As análises em causa são para já feitas nos Estados Unidos, para onde são enviadas as amostras. O laboratório escolhido é o de uma universidade na Califórnia. A RTP tem conhecimento da morada e dos métodos analíticos, mas a universidade exigiu anonimato. Está a preparar um estudo científico sobre o glifosato, uma investigação blindada às pressões externas que só deverá ser divulgada no verão.

Mas a ciência fala a duas vozes. De um lado as Nações Unidas, do outro a Europa. Milhares de estudos foram analisados pelas duas entidades. Já este ano um grupo de cientistas acusou a da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) de ser parcial e de se ter baseado num relatório da própria industria, uma parte interessada.

Os maiores problemas com o glifosato estão nos países americanos, onde são cultivados alimentos geneticamente modificados – 80% dos chamados OGM são resistentes ao glifosato, o que quer dizer que uma plantação transgénica pode ser pulverizada com herbicidas sem que a cultura morra, só as ervas. Um jackpot económico que se traduz por altas concentrações de herbicidas nos cereais.

Estes transgénicos são por enquanto proibídos na Europa. Mas há um transgénico que pode ser semeado: a variedade de milho MON 181. E Portugal é um dos quatro países que cultiva OGM na Europa.

Nos supermercados, os produtos OGM estão sobretudo nas prateleiras de óleos alimentares, numa farinha de milho e numa maionese. Mas várias toneladas de milho e soja OGM entram todos os dias em Portugal. Vêm de barco e vão para as fábricas de rações. Mais de 90% da alimentação animal é feita de transgénicos resistentes ao glifosato.

Mas a qualidade paga-se. Os alimentos biológicos são, em geral, mais caros. E… serão suficientes para alimentar o planeta?

fonte: RTP Noticias

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