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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Donos de Portugal


Documentário de Jorge Costa

Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico.

O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

Mello, Champalimaud, Espírito Santo -- as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos -- Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

fonte: YouTube

segunda-feira, 23 de abril de 2012

OP 25 Abril e os Projectos


Saudações Cidadãos Portugueses, nós somos Anonymous.
A corrupção e o capitalismo têm de cair para que possamos viver em união, de uma
forma pacífica, saudável e sustentável.
Como sabem, neste momento Portugal e o Mundo enfrentam uma convulsão nunca
antes vista.

E por culpa de quem? No meio de tanta corrupção e tirania, todos nós é que
sofremos os encargos desta crise.
Nunca foi vista tanta pobreza, tanto desemprego e tantas diferenças socio-
-económicas em Portugal.

Mais uma vez o Povo é que paga, temos de mostrar a todos que este
não é o caminho...

Estamos nisto juntos...pois estas medidas afectam-nos a todos, esta operação
pretende agrupar todos os movimentos pacíficos e desprovidos de interesses,
numa data tão importante como é o 25 de Abril, neste dia vamos todos mostrar que
não aceitamos mais as condições que nos são impostas.
A #Op 25 de Abril apenas depende de ti. Sempre que estiveres a realizar a tua acção de
protesto lembra-te que pelo país há muitos a fazer o mesmo, apesar de não os
conheceres.
Lembra-te que é preciso sempre haver uma nascente para depois surgir o rio.
Dividimos a Op em alguns projectos para que todos percebam como usar as suas
capacidades pessoais.
#OP 25 Abril . Projecto Freeze
Este projecto é especialmente dirigida a comunidade artística 
portuguesa.

Durante a semana de 22 de Abril e 29 de Abril, vamos colocar 
faixas e cartazes, vamos colocar instalações, criar músicas 
vídeos ou simples imagens, escrever poemas, artigos, textos ou
simples linhas, distribuir panfletos nas ruas, vamos pintar as ruas
com stencils e graffittis, vamos ser criativos e deixar bem claro a
cores ou a preto e branco as palavras de ordem...
O POVO É QUEM MAIS ORDENA.
Vamos inundar as ruas e a internet para que em momento algum
nem o Português honesto nem Português corrupto se esqueça de
quem é o legítimo detentor do poder de decisão, poder esse que
nunca deve ser retirado das suas mãos.
De 22 de Abril a 29 e Abril
O POVO É QUEM MAIS ORDENA

#OP 25 Abril . Projecto manifestação
Todos nas ruas no dia 25 de Abril. Vamos mostrar o nosso descontentamento, em frente
à Assembleia da República, em frente a Câmara Municipal do Porto, ou em frente a
qualquer símbolo deste sistema opressor.

Vamos manifestar o nosso descontentamento, pacificamente, nas ruas e praças de
Portugal. A maior concentração de manifestantes será em Lisboa em frente à
Assembleia da República por volta da 15 horas e 30 no dia 25 de Abril; mas quem não
se puder deslocar a Lisboa haverá também concentrações em outras cidades,
nomeadamente: Porto, Faro, Coimbra, Aveiro, Braga e onde tu estiveres.

Quem não puder ir a nenhum destes locais organize também nas vossas cidades, vilas
ou aldeias, precisamos de todos envolvidos nesta OP, só assim teremos sucesso.
Vamos mostrar que somos mais inteligentes e não cair no erro de lhes dar justificações 
para comportamentos vergonhosos como os vistos na última greve geral. 

Vamos ter uma resistência pacífica mas não passiva contra as agressões.

Como tal a presença de todos e a unidade é fundamental, para que não cheguem os
bastões para nos calar a todos.
Não se esqueçam de levar as vossas câmaras de fotográficas e de filmar, registem tudo
e partilhem. 

Somos a favor da partilha de todas as imagens sem edições para que cada 
um possa tirar a sua conclusão.
Com esta operação, pretende-se que o governo
dê um passo atrás... 

Chegou a hora de dizer BASTA, foste convocado.

Agora fica na tua consciência como Português ir ou não! 

E nunca esqueçamos os que lutaram por nós e pela nossa liberdade.

Não podemos deixar que nos tirem novamente, nem a segurança
para a viver.

Recusamo-nos viver num país e num mundo governado por
sombras gananciosas.

We are Anonymous
We are Legion
We do not Forgive
We do not Forget
Expect Us

fonte: Youtube

Anonymous convocam concentrações para o 25 de Abril























A máscara que serve de símbolo aos Anonymous tem marcado presença nas últimas manifestações 

A tradicional descida da Avenida da Liberdade não será a única manifestação em Lisboa a assinalar nas ruas o 25 de Abril, nesta quarta-feira. Um grupo de portugueses que se identifica como parte integrante dos Anonymous convocou uma concentração em frente à Assembleia da República, para a mesma hora, numa acção de “resistência pacífica mas não passiva”. 

A “#OP 25 Abril”, lançada a partir de um vídeo no YouTube e divulgada publicamente através de redes sociais como o Facebook, começou já neste domingo. A primeira fase da operação consiste na disseminação, durante toda a semana (até dia 29), de palavras de ordem com uma mesma mensagem: “O povo é que mais ordena”.

“Vamos colocar faixas e cartazes, vamos colocar instalações, criar músicas, vídeos ou simples imagens, escrever poemas, artigos, textos ou simples linhas, distribuir panfletos nas ruas, vamos pintar as ruas com stencils e graffitis, vamos ser criativos e deixar bem claro a cores ou a preto e branco as palavras de ordem ‘O povo é quem mais ordena’”.

É esta a primeira parte da mensagem publicada online há uma semana pelo utilizador Z3Povinho, que desde Agosto já divulgou no YouTube mais de 15 vídeos com a marca Anonymous. “Vamos inundar as ruas e a Internet para que em momento algum nem o português honesto nem português corrupto se esqueça de quem é o legítimo detentor do poder de decisão”, lê-se ainda.

O “projecto manifestação”, a segunda parte da “operação”, vai chegar pelo menos a Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Faro. “Quem não puder ir a nenhum destes locais organize também nas vossas cidades, vilas ou aldeias, precisamos de todos envolvidos nesta OP, só assim teremos sucesso”. Onde? “Em frente a qualquer símbolo deste sistema opressor” – o que significa, na capital, a Assembleia da República e, no Porto, a câmara municipal.

A maior concentração será, de acordo com os promotores da iniciativa, a de Lisboa. Onde, de resto, não querem “dar justificações [à polícia] para comportamentos vergonhosos como os vistos na última greve geral”. “Vamos mostrar que somos mais inteligentes”, dizem. “Vamos ter uma resistência pacífica mas não passiva contra as agressões. Como tal a presença de todos e a unidade é fundamental, para que não cheguem os bastões para nos calar a todos. Não se esqueçam de levar as vossas câmaras de fotográficas e de filmar, registem tudo e partilhem.”

fonte: Público

domingo, 22 de abril de 2012

Como Guy Fawkes se tornou no herói do Occupy



















A estilizada máscara foi popularizada pelo filme V de Vingança, que reabilitou o traidor católico em defensor da liberdade.

É uma cara diabólica: o sorriso de malícia, e os bigodes fininhos pretos revirados para cima mais a pêra minúscula no queixo, num rosto sinistramente pálido - a cara de Guy Fawkes, católico britânico levado à forca pela traição do 5 de Novembro, tornou-se num símbolo dos grupos anticapitalistas, que a usam como máscara nos protestos pelo mundo inteiro. Mas quantos se lembram - e lembram-se mesmo? - do 5 de Novembro?

"Algumas pessoas usam a máscara por moda, outras sabem o que ela representa. Eu tenho-a para mostrar o meu apoio à mensagem contra a tirania e fazer parte deste movimento global de contestação e de cidadania", contava à Reuters um dos manifestantes que há semanas acampam em frente da catedral de São Paulo, no centro financeiro de Londres, e que sábado marcharam em direcção ao Parlamento usando a enigmática caraça de Fawkes.

De Londres a Nova Iorque, e em centenas de outras cidades americanas, europeias e asiáticas, milhares de pessoas têm envergado esta máscara nas manifestações contra a avidez dos bancos e das grandes empresas e a crise financeira mundial, mais de 400 anos depois de Guy Fawkes ter tentado - e falhado - fazer explodir o edifício do Parlamento britânico e derrubar a monarquia protestante de Jaime I, num protesto contra a perseguição religiosa no Reino Unido.

A "carreira" revolucionária da máscara foi iniciada pelo grupo de activistas e piratas informáticos Anonymous, que a assumiram como "cara pública" em 2008, numa manifestação de rua contra a Igreja da Cientologia nos Estados Unidos. Esta máscara, popularizada dois anos antes com o filme V de Vingança, deu resposta à necessidade dos membros do grupo de proteger as suas identidades e, ao mesmo tempo, simbolizar a defesa pelos direitos individuais.

A história do protagonista do filme - adaptada para o cinema pelos irmãos Wachowski a partir dos livros de Alan Moore e David Lloyd -, afinal, é a de um homem contra o sistema, um misterioso herói que luta contra um regime fascista e consegue, onde Fawkes falhou, rebentar com o Parlamento britânico. No final, uma multidão com máscaras do rebelde assiste ao espectáculo do edifício a arder.

A cara da "traição"

Mas esta não foi sempre a imagem de Fawkes. Ao longo de gerações, os britânicos assinalam o 5 de Novembro como o dia em que um traidor foi apanhado com quilos de explosivos nas caves do Parlamento. Desde então são acesas fogueiras, lançado fogo-de-artifício e queimadas efígies do rebelde católico, num aviso a quaisquer aspirantes a cometer traição: que se lembrem, lembrem-se, do 5 de Novembro de 1605.

Fawkes e cúmplices na Conspiração da Pólvora foram presos e torturados ao longo de quatro dias na Torre de Londres, julgados e condenados à morte por enforcamento, seguida de arrastamento dos cadáveres pelas ruas e esquartejamento dos corpos.

Ficou para a história que o "bicho papão" do Reino Unido, por sorte ou ajuda (as teses divergem), não morreu na forca: tropeçou ao subir para o cadafalso e partiu o pescoço na queda. Numa coisa os historiadores concordam: Guy Fawkes não era um combatente contra o sistema, antes um arreigado monárquico que apenas queria ver o rei protestante substituído por um católico.

Reabilitado pelos comics

A transformação de Fawkes no actual ícone da liberdade individual e da democracia, e já desprovido da mensagem religiosa, foi feita pelo ilustrador David Lloyd nas novelas gráficasV de Vingança. Foi ele que criou a imagem original da máscara para ser usada pelo protagonista da história escrita pelo grão-mestre dos comics Alan Moore.

"Não devíamos andar a queimar o tipo a cada 5 de Novembro, mas sim a celebrar a tentativa dele de fazer explodir o Parlamento. Devemo-nos lembrar do 5 de Novembro porque isso não deve ser esquecido", defende Lloyd no ensaio Behind the Painted Smile (Por trás do sorriso pintado), escrito em 1983, quando a série V foi lançada.Numa visita recente ao protesto Occupy Wall Street, Lloyd mostrou-se "feliz" pelo uso que o movimento está a dar à máscara. "A cara de Guy Fawkes tornou-se numa imagem global que faz todo o sentido nas manifestações contra a tirania. Fico muito satisfeito por estar a ser usada de forma tão especial", afirmou, comparando-a à icónica fotografia de Che Guevara, feita por Alberto Korda, que se tornou num símbolo popular em todo o mundo.

"É algo muito forte visualmente, distingue-nos dos hippies e dos socialistas e dá-nos uma identidade própria", explicava um membro do Anonymous no protesto de Londres. Mas, ironicamente, a popularidade das máscaras - com 100 mil exemplares vendidos por ano em todo o mundo - gera também sentimentos conflituosos aos activistas mais radicais.

A "cara de Fawkes" é desde o filme V de Vingança propriedade da Time Warner, multinacional que é uma das 100 maiores empresas dos Estados Unidos, com lucros de 1,6 mil milhões de dólares no ano passado, e cada máscara vendida acaba por pôr dinheiro nos cofres de uma empresa que simboliza aquilo que os Occupy combatem.

fonte: Público

Faça sua máscara e seja você também um Anonymous! (Contra a corrupção)



A Mascara do Anonymous representa o rosto de Guy Fawkes, soldado inglês que teve participação na “Conspiração da Pólvora” (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros do parlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento do Reino Unido durante a sessão. Porém a conspiração foi desarmada e após o seu interrogatório e tortura, São Guy Fawkes foi executado na forca por traição e tentativa de assassinato.

Essa trama foi adaptada para Hollywood com o filme “V de Vingança” sendo que o personagem principal utilizava a todo o momento uma máscara para lutar contra o sistema. Esse filme conquistou uma legião de fãns,

Anonymous utiliza a simbologia deste filme e utiliza a máscara para simbolizar a causa do Anonymous que é contra a corrupção.

Se você também é contra a corrupção, utilize também uma mascara Guy Fawkes em qualquer evento cívico.

Ela pode ser comprada em lojas ou você pode fazer uma máscara de papel utilizando apenas duas folhas.






Protocolos dos Sábios de Sião


O famoso e polémico livro, sobre conspirações, plano secreto sionista para controlar os governos, os povos, Nova ordem Mundial, conspirações ,etc.

Coincidência ou não, muitas dessas práticas do documento têm sido aplicadas pelos governos e muitas dessas situações têm ocorrido nos tempos actuais, técnicas de controle do povo.

400 kb, pasta Rar, ebook em pdf com 83 páginas.

Ha quem diga que o livro é anti-sionista, na minha opinião acho que é uma ideia errada, criticar um grupo oculto sionista não é o mesmo que criticar todos os judeus, tal como criticar a política de w. Bush não seria criticar todos os americanos, certo??


MEET THE ROCKEFELLERS

Clube Bilderberg: o livro que deve ser lido

Os rumores são muitos. Iluminati, Bilderberg e tantos outros são frequentemente acusados de quererem dominar o mundo. As provas, por vezes faltam. Mas não aqui.


O livro Clube Bilderberg é escritor por Daniel Estulin, um autor e comentador sobre este assunto mundialmente conhecido.

A divulgação deste livro é contrária ao grupo que se reúne anualmente e que envolve poderes políticos, económicos, militares, e outros.

Dos participantes nesta reunião, existem nomes Portugueses como José Sócrates, Rui Rio, Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Morteira Nabo e António Guterres.

A última reunião em Portugal foi em Sintra no ano de 1999.

O livro, pode ser descarregado em local público.


As mentiras da dívida - 27 razões para repudiar a dívida


As mentiras da dívida - 27 razões para repudiar a dívida

O CADPP publicou um sumário de razões para repudiar a dívida. A primeira edição foi distribuída em Lisboa na manifestação de 22-03-2012, em duas versões – folheto e livro de bolso. Nele procuramos resumir, de forma didáctica e numa linguagem acessível a todos, o resultado de um ano de estudo e investigação sobre o problema da dívida pública.

Muitos dos temas expostos foram até hoje inteiramente silenciados pela comunicação social. Por isso é natural que alguns leitores sintam dificuldade na abordagem e assimilação de certas questões. À medida que os leitores nos forem expondo as suas dúvidas, iremos revendo e melhorando este instrumento de trabalho em edições futuras.

Pomos à disposição de todos o material necessário para imprimir o texto, na esperança de que por todo o país outras pessoas e grupos tomem a iniciativa de divulgação (ver ficheiros descarregáveis no pé desta página).

AS MENTIRAS DA DÍVIDA
27 RAZÕES PARA REPUDIAR A DÍVIDA PÚBLICA

O que é a suspensão da dívida?

Um país devedor pode declarar unilateralmente a interrupção do pagamento da dívida pública e respectivos juros.

A suspensão do pagamento da dívida não é inédita. Entre 1946 e 2008 houve 169 suspensões do pagamento da dívida, com uma duração média de 3 anos.

Há várias razões legítimas para o fazer, entre as quais: encargos inesperados resultantes duma calamidade natural ou social; recursos limitados para responder às tarefas prioritárias dos Estados (direitos humanos, saúde, educação, assistência social); dúvidas sobre a legitimidade da dívida – neste caso faz-se uma auditoria acompanhada de suspensão dos pagamentos até à conclusão do processo, como aconteceu no Equador em 2008.
Outros países suspenderam as suas dívidas?

Sim, a Irlanda, a Argentina, os EUA, a Inglaterra, a Alemanha, a Bélgica, a Rússia. No Equador o resultado da suspensão e da auditoria foi a anulação de cerca de 65 % da dívida; o dinheiro assim libertado foi reinvestido em políticas sociais de educação, saúde, habitação e assistência social.
O que é a anulação ou o repúdio de uma dívida?

A anulação consiste em «apagar» uma dívida – por ela ser injusta; ou por se basear num contrato ferido de ilegalidades; ou por ter sido contraída em proveito de terceiros e não em benefício daqueles que a pagam; ou mesmo por ser considerada impossível de pagar dentro dos limites do razoável.

A anulação pode ser decidida pelo credor (caso da Noruega em relação a países devedores do Norte de África); ou por acordo mútuo; ou por decisão unilateral do país devedor.

Por diversas razões e em vários momentos da história houve Estados que decidiram unilateralmente não pagar a dívida – com destaque para os EUA (por várias vezes), entre muitos outros incluindo Portugal.

Entre 2007 e 2010 foram apagados cerca de 1,5 biliões de dólares de créditos duvidosos aos bancos. Esses bancos não foram à falência – já tinham sugado muitos mais biliões em juros – e os países não faliram; pelo contrário, na maioria dos casos o país devedor recompôs a sua economia e prosseguiu as relações comerciais internas e externas sem sobressaltos.
Quem paga a factura da anulação?

É legítimo pedir às instituições privadas com elevados rendimentos, que possuem títulos da dívida e têm obtido lucros chorudos e bons negócios graças às medidas de endividamento, austeridade e privatização, que suportem o fardo da anulação de dívidas soberanas ilegítimas, já que são largamente responsáveis pela crise.
O que aconteceu na Islândia?

A Islândia não salvou os seus bancos e não pagou as dívidas externas destes. Hoje, o primeiro-ministro responde em tribunal por ter levado o país à bancarrota. E a Islândia está com crescimento económico.
O que aconteceu nos países em que o FMI entrou com empréstimos?

A partir da década de 1980, os países do Terceiro Mundo sofreram a intervenção do FMI e do Plano Brady, em tudo semelhante aos planos agora aplicados pela Troika na Europa.

Através do FMI, as instituições financeiras privadas emprestaram dinheiro aos Estados, para «ajudarem» a «reestruturar» a economia. Em contrapartida exigiram: juros elevados; redução dos salários, das pensões, dos serviços sociais; privatização de bens colectivos e empresas rentáveis do Estado; desinvestimento na saúde, no ensino, na habitação, na assistência social, nas infraestruturas; cumprimento escrupuloso dos planos de pagamento.

Após vários anos de aplicação desta receita, a economia desses países melhorou e «reestruturou-se»? Não! Todos eles resvalaram para a bancarrota e a economia entrou no caos; o montante da dívida não parou de crescer.

Os países que declararam unilateralmente a suspensão do pagamento da dívida (Argentina, Equador, etc.) conseguiram sair deste ciclo infernal, o que lhes permitiu um crescimento económico até 9 %, acompanhado de quedas acentuadas da taxa de pobreza urbana.
O dinheiro do FMI é uma «ajuda» a Portugal?

Não! É um empréstimo.

Mas não é um empréstimo normal e justo. Os credores aproveitam-se da necessidade urgente dos devedores, e à conta disso fixam taxas de juro que os estrangulam ainda mais e os tornam eternamente dependentes de mais e mais dívidas; são agiotas e devem ser julgados como tal. Além dos juros, os credores exigem medidas de austeridade para a população, a fim de transferirem benefícios para as instituições privadas.

Não se trata de uma ajuda ao país, mas sim às instituições financeiras privadas!
O dinheiro da Troika foi essencialmente para pagar salários?

Não! Todo dinheiro da Troika destina-se a dois fins: refinanciar a dívida e injectar capital na banca. Portugal pede dinheiro emprestado à Troika para amortizar dívidas contraídas junto da banca (dos 78 mil milhões pedidos à Troika 12 mil milhões são para financiar a banca e 34 mil milhões para pagar juros e comissões). Pede dinheiro para pagar dívida, a dívida gera juros, os juros geram a necessidade de pedir mais dinheiro…
Quem empresta dinheiro ao país?

A dívida pública é contraída através da emissão de títulos da dívida vendidos em leilão. Cada título é uma espécie de declaração dizendo que o comprador emprestou uma certa quantia ao Estado, e que o Estado terá de devolver esse dinheiro, mais os juros, num determinado prazo. Mas este leilão não é público; apenas podem entrar no leilão algumas instituições financeiras – o Chico dos Anzóis fica à porta. Estas instituições reúnem-se em cartéis, de forma a adquirirem força suficiente para forçarem o Estado a aceitar as suas taxas de juro e condições de pagamento. Senão, não compram – o capital sabe unir-se…

Para arranjarem dinheiro suficiente para comprarem grandes quantidades de títulos de dívida pública, no valor de milhões de euros, os bancos vão muitas vezes financiar-se junto da Reserva Federal norte-americana, do Banco Central Europeu e de alguns fundos de investimento norte-americanos, que lhes emprestam dinheiro a taxas de juro que variam entre 0,6 % e 1,25 %. Mas depois exigem aos Estados taxas de juro entre 2,06 % e 38 %. Os países mais fragilizados pela espiral da dívida, como a Grécia e Portugal, pagam juros mais altos. Os países dominantes, como a Alemanha e a Holanda, pagam taxas mais baixas. E assim a dominação mantém-se.

Estas regras permitem fazer o jogo dos interesses financeiros, em vez de «ajudar» o país.
De onde vem esta dívida?

Sucessivos governos empurraram para o futuro as despesas públicas com negócios privados de lucro garantido, oferecidos às grandes empresas: Lusoponte, PPPs, EDP, banca, etc.

Parte da dívida do governo português resultou da injecção de capital em bancos comerciais privados, que perderam dinheiro no jogo das especulações imprudentes. O Estado salvou da falência estes bancos e os seus accionistas maioritários – à custa dos contribuintes e dos pequenos accionistas. Para proteger os interesses dos especuladores que deram origem à crise financeira, todas as outras pessoas são chamadas a pagar, quando estes credores deviam estar no banco dos réus. Não estamos todos no mesmo barco.

Actualmente a dívida cresce sozinha graças à acumulação de juros. Entre 2009 e 2010 cresceu 11 %; entre 2010 e 2011, 16 % (estes números variam consoante as fontes).
Andamos a viver acima das nossas possibilidades?

Não! Os credores e as instituições financeiras privadas é que andaram a viver acima das suas possibilidades.

Os bancos privados e os grandes grupos económicos esbanjaram lucros chorudos; embarcaram em especulações financeiras desastrosas. Agora dizem que têm de ser resgatados com dinheiros públicos para salvar a economia. Mas na realidade há aqui duas «econo­mias»: a dos trabalhadores e a do capital.

Num país onde o salário mínimo líquido ronda os 380 euros e um passe de transportes públicos pode chegar aos 58 euros, dizer que os trabalhadores vivem acima das suas possibilidades é uma infâmia.
Qual a relação entre a dívida pública e a dívida privada?

A dívida pública é contraída pelo Estado; a dívida privada é contraída pelas empresas e famílias. O trabalhador mata-se a trabalhar para pagar o empréstimo da casa, mas isso é uma dívida privada que não tem nada a ver com a dívida pública: se ele não conseguir pagar, o Estado não a paga por ele.

Mas há dívidas privadas que são assumidas pelo Estado, ou seja pelos contribuintes: lembremo-nos de todas as PPPs, em que empresas privadas garantem rentabilidade sem riscos; dos milhões pagos no resgate do BPN e posterior venda ao desbarato; da fuga aos impostos da PT, etc.

O regabofe com o nosso dinheiro, a transformação de dívida privada em dívida pública, é permitido pela dança de cadeiras entre políticos e administradores de grandes empresas.

A confusão entre dívida privada e dívida pública visa convencer toda a gente a pagar a dívida privada de alguns.
A austeridade está a afundar o país?

As medidas de austeridade transferem massivas quantidades de valor do trabalho para o capital: afunda-se uma parte do país na pobreza; salvam-se os banqueiros e grandes empresários. É um balancé em que uns se afundam e outros emergem.

Por exemplo: o Governo reduziu as verbas do fundo de desemprego, com a desculpa de que vai usar parte desse dinheiro para incentivar a criação de novos postos de trabalho. Portanto, se eu for um industrial desonesto, posso fechar a fábrica, despedir todos os meus trabalhadores e depois voltar a abrir e pedir o «subsídio de desemprego» ao Estado para criar «novos» postos de trabalho – passo a pagar metade dos salários; a outra metade é paga pelos contribuintes…
A dívida é legal?

Não! A dívida é ilegal, porque sustentada em engrenagens de poder corrupto, baseadas em equilíbrios e jogos económicos que mais não são do que extorsão.

A dívida é ilegítima porque não foi contraída em proveito dos que a pagam; porque é reembolsada à custa de impostos regressivos (isto é, paga mais quem tem menores rendimentos), taxas de IVA incomportáveis, amputação de serviços indispensáveis, diminuição dos cuidados de saúde, supressão de subsídios sociais e redução de salários.

Segundo o artigo 1º do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais,

«todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural».

Estamos assim legitimados para, mediante um acto unilateral, promover um esforço de cidadania fundado no repúdio de uma dívida que, além de injusta, arrastará o país e as gerações futuras para um ciclo indeterminado de pobreza.
Temos que honrar esta dívida?

Não! Primeiro porque esta dívida não é nossa. Segundo porque um acordo só é válido quando foi feito em pé de igualdade negocial. Todo o dinheiro que foi pedido beneficiou alguém; todo o dinheiro que é pago em juros beneficia alguém – e esse alguém não têm sido os trabalhadores, precários, desempregados, estudantes.

Estamos a pagar empréstimos que não entraram no nosso bolso; empréstimos destinados a oferecer vantagens comerciais, industriais, juros e oferta de capitais para as instituições financeiras privadas.

Pagar esta dívida constitui uma desonra, uma injustiça humilhante.
Quem decidiu as regras do jogo da dívida foi eleito?

Não. O conjunto de regras que orientam o sistema financeiro actual (e toda a economia) foi implementado num processo não democrático. Todos os tratados europeus e legislação complementar que instituem coisas como o modo de funcionamento do Banco Central Europeu, a moeda única, etc., foram aprovados sem o envolvimento da população portuguesa.
As regras do jogo são justas e iguais para todos?

Existem regras históricas para lidar com a crise da dívida. Estarão a ser aplicadas? Serão aplicadas por igual a todos os países? Não!

O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã estipulou que a relação entre o serviço da dívida e os rendimentos das exportações não devia exceder 5 % das receitas de Estado. Esta regra não foi aplicada aos países da periferia europeia, nem consta do Memorando da Troika.

A 2 de Dezembro de 2011, os juros da dívida a 10 anos pagos pela Alemanha, Holanda, França, Finlândia situavam-se entre 2 % e 3,3 %; Portugal estava a pagar 14,46 %, a Grécia 37,48 %.

As normas internacionais estipulam que as despesas públicas destinadas a garantir os direitos humanos e sociais fundamentais não podem ser diminuídas nem desviadas e têm prioridade sobre as despesas relativas ao reembolso da dívida. Esta regra não está a ser seguida – portanto as actuais condições de endividamento podem ser legitimamente denunciadas.
Será que pagamos o suficiente para ter serviços públicos de qualidade? O Estado não está falido?

O Estado não está falido. Está é a gastar demasiado com serviços que não dizem respeito aos maiores contribuintes, ou seja, os trabalhadores.

Todos os gastos do Estado podem ser, grosso modo, divididos em dois grupos:

Um, os gastos com educação, saúde, transportes, saneamento básico, segurança social, etc. O IRS, as contribuições para a Segurança Social e o IVA são mais que suficientes para pagar essas funções. O valor do IRC (imposto sobre as empresas) representa cerca de metade do IRS.

Outro grupo de gastos do Estado são os gastos no exército e ordem pública, formação de mão-de-obra, etc., e subsídios às grandes empresas.

Feitas as contas a todas estas colectas, a maior parte do dinheiro existente nos cofres do Estado vem dos trabalhadores – o que é estranho, uma vez que a maior parte do dinheiro existente não lhes pertence.

Os hospitais públicos, escolas e universidades, tribunais, espaços públicos, bibliotecas, transportes, segurança social e outros serviços públicos não estão acima das nossas possibilidades, bem pelo contrário… Mas se introduzirmos nas contas os juros da dívida, os subsídios às PPP, aos bancos, … então o Estado passa a ter défice.
O fundo de pensões da PT ou da banca vai diminuir o défice?

Claro que não, pelo contrário. Porque é que quiseram «dar» o fundo de pensões da banca ao Estado? Esses fundos são altamente deficitários porque foram desbaratados em operações de especulação financeira.

Tanto a PT como a Banca venderam ao Estado algo por um preço muito superior ao preço de mercado e ainda conseguiram um bónus na forma de 20 anos de perdão fiscal; a população em geral terá de desembolsar esse bónus para compensar essas perdas fiscais. Trata-se mais uma vez de tapar um buraco privado empenhando o futuro colectivo.
A segurança social está na bancarrota porque a esperança de vida aumenta?

A segurança social não está nem nunca esteve na bancarrota. A sua possível crise não pode resultar do aumento da esperança de vida, que é largamente suplantado pelo aumento da produtividade do trabalho.

Por outro lado, se olharmos para a segurança social como parte do salário indirecto dos trabalhadores, pago através das suas economias e gerida por um Estado corrupto e ao serviço dos ricos, então não é de estranhar que ela possa vir a ficar em crise. Principalmente, devido aos cortes salariais e aos cortes das contribuições dos patrões para a segurança social.

O Fundo de Capitalização da Segurança Social é um mecanismo encontrado pelo governo para jogar com o nosso dinheiro no mercado financeiro, expondo os trabalhadores a riscos inaceitáveis.
O que é uma auditoria cidadã? Para que serve?

Se os cidadãos suspeitam que estão a pagar serviços, bens e dívidas que não lhes dizem respeito, têm o direito de consultar todos os documentos administrativos do Estado para verificarem onde está o problema. Este direito está consagrado nas normas internacionais e na nossa Constituição.

Evidentemente esta investigação não pode ser feita por empresas ou figuras de alguma forma comprometidas com as estratégias políticas e económicas – tem de ser feita pelos cidadãos comuns, organizados a nível local.

Foi isso que aconteceu em vários países do Terceiro Mundo. É isso que está em curso em França, na Grécia, na Espanha, na Irlanda e noutros países europeus.

Se a auditoria concluir que existem ilegitimidades, os cidadãos têm o direito de exigir a anulação dessas dívidas e a responsabilização civil de quem as contraiu, conforme previsto no artigo 22º da Constituição.
Há razões para fazer uma auditoria cidadã em Portugal?

Os trabalhadores estão a contribuir mais do que as empresas privadas para erário público. Além disso as contas públicas e os contratos de endividamento são geridos de forma obscura. Segundo a lei, as contas do Estado – onde gasta, porquê – têm que estar acessíveis a todos.

O dinheiro das contribuições serve para atender às necessidades prioritárias da população, conforme mandam a Constituição portuguesa e as normas das Nações Unidas.

A gravidade das medidas de austeridade, a transferência de capitais e bens públicos para o sector privado, a falta de transparência dos contratos públicos, o desaparecimento misterioso de dinheiros da segurança social mais do que justificam a necessidade urgente de os cidadãos tomarem a iniciativa cívica de investigar o que se está a passar.

Porque se deve suspender a dívida?

Porque ninguém paga uma conta sem ver a factura.

A quem devemos? Como foi contraída a dívida? Quem beneficiou dela?

Depois de vermos a factura, provar-se-á se nos diz respeito ou não; se estamos a pagar empréstimos para nosso benefício ou não; se devemos pagá-la ou repudiá-la.

Entretanto, enquanto se apuram as respostas, a dívida cresce. Para o evitar, deve ser suspensa.
Será possível desenrascarmo-nos sozinhos?

Não. À boleia da crise, todos os Estados europeus estão a cortar salários e serviços públicos, usando como desculpa a dívida – que no fundo não é mais do que uma forma privada de acumulação de capitais.

A única saída para a Europa é a generalização dos protestos sociais e a construção de organizações sociais, políticas, sindicais que sejam realmente combativas e se recusem a entrar no nacionalismo. Não existe economia nacional, existe economia dos trabalhadores e economia das grandes empresas. A única saída para os povos da Europa é a luta comum pela igualdade de salários e de contratos de trabalho colectivos.
Deve-se expropriar a banca?

Portugal expropriou a banca há 40 anos atrás. Isso foi feito pela população, trabalhadores e estudantes. A expropriação dessa riqueza foi essencial para subir os salários, criar o sistema nacional de saúde e educação para todos.

Mais tarde, os bancos voltaram a ser privatizados. E agora pedem para ser salvos da bancarrota, «a bem da economia». Se um banco é grande demais para falir, ele é grande demais para ser privado. Os bancos devem ser públicos e estar ao serviço das pessoas e não do lucro.

Mas expropriar a banca significa pô-la definitivamente sob controle dos trabalhadores – e não encarregar o Estado de pagar as dívidas e pôr a gestão em ordem, para depois voltar a entregar o banco às mãos dos privados.
Sair do euro é o caos?

Sair do euro é um caos para Merkel, Sarkozi, Passos Coelho, António José Seguro, Belmiro de Azevedo, Mellos e toda classe de sanguessugas que por aí andam. Se Portugal ou outro país qualquer sair do euro, é provável que o próprio euro não se aguente.

Não vamos tentar ler o futuro numa bola de cristal, mas o certo é que muitos países não estão no euro e não vivem no caos, pelo contrário.
Se, como dizem, Portugal não produz riqueza suficiente para os gastos que tem, que fazer?

Portugal produz uma quantidade de riqueza que podemos medir aproximadamente pelo PIB (produto interno bruto). Esse é o valor que em princípio temos para gastar: parte em produtos internos e parte em produtos importados. A diferença entre o valor das exportações e o das importações chama-se saldo da balança comercial, que pode ser positivo ou negativo – se for negativo, é preciso recorrer a empréstimos.

Há várias maneiras de tentar equilibrar a balança ou obter um saldo positivo. O governo optou por aumentar a exportação para, segundo diz, diminuir o défice da balança comercial. Esse aumento relativo das exportações tem sido conseguido pela diminuição do poder de compra da população, à custa de cortes salariais, redução dos serviços sociais e desemprego nos sectores que produzem para o mercado interno. Naturalmente, quem beneficia com isso são os sectores exportadores. Quem se prejudica com esta alternativa? O consumo interno, ou seja, a população em geral e os sectores produtivos.

É importante frisar que há uma outra alternativa para melhorar o saldo da balança comercial: substituir produtos importados por produtos produzidos no território. O problema é que na cabeça dos investidores o que conta é a taxa de lucro e não a necessidade das pessoas; enquanto essa lógica guiar a economia, ou seja, for mais conta para o lucro importar em vez de produzir, essa opção nunca será tomada.

As pessoas que insistem no argumento de que o problema são os gastos do Estado deviam responder a uma pergunta simples: o que tem o gasto do Estado a ver com o saldo deficitário da balança comercial? É verdade que o Estado recorre ao mercado internacional para financiar o seu défice; mas é precisamente essa a questão que está mal (o défice desnecessário). Uma vez mais, desde que o Estado não seja usado para beneficiar interesses capitalistas, o dinheiro dos impostos é mais que suficiente para fazer face às suas necessidades.

Documento da CADPP - Comissão de Avaliação da Dívida Pública Portuguesa

http://cadpp.org/as-mentiras-da-dividaRicardoCasteloBranco

fonte: Tugaleaks

sábado, 21 de abril de 2012

TODO O OURO DO MUNDO

RTP 2 - 11 de Setembro A Grande Farsa

Microchip será obrigatório nos EUA a partir de março 2013


Obama aprovou a implantação do microchip nos EUA como a reforma dos cuidados de saúde em 2013. O microchip será obrigatória, sem a qual você não pode acessar os serviços de saúde. A implementação é feita primeiro nos centros de saúde é uma desculpa para muitas coisas, como para os seres humanos de controle. Mas ele não pode fazer nada, você não pode comprar ou vender e para substituir o ID. Todos os nossos dados pessoais e os movimentos ficam armazenadas no sistema. 

O implante vai estar na mão ou na testa, como a Bíblia profetizou em Apocalipse 14:09 que (a marca da besta 666). Este evento já é uma lei! Não, apenas um boato ... que ele começa a gerar a "nova ordem mundial".

fonte: YouTube

OS LIVROS E A CENSURA EM PORTUGAL



Não se sabe bem ao certo quanto tempo a cultura portuguesa pôde viver livre da implacável repressão dos censores e seus mandantes.

Pelo menos desde que D. João III, no ano de 1539, se lembrou de “empossar” um seu irmão mais novo, o cardeal D. Henrique, nas funções de inquisidor-geral do Tribunal do Santo Ofício, os livros, os autores, os editores e tudo o que não entrava nas boas graças da Santíssima Inquisição, jamais tiveram grande descanso e conseguiram dar asas ao seu espírito criador.

Uma das primeiras ordens do cardeal inquisidor foi pôr o prior de São Domingos e os frades da confraria a proceder a um varejo nas livrarias públicas e particulares à procura de livros proibidos ou considerados nefastos. Obras de Damião de Góis, autos de Gil Vicente, a 2ª edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, A Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, O Diálogo do Soldado Prático, de Diogo do Couto e O Esmeraldo de Situ Orbis, de Duarte Pacheco Pereira, estão entre as muitas que conheceram a beatitude dos índices expurgatórios.

Um texto de José Amaro Dionísio, Escritores na Prisão, publicado na revista «Grande Reportagem», de Julho de 1993, conta que de Camões a Camilo, do padre António Vieira a António José da Silva, de Francisco Manuel de Melo ou a marquesa de Alorna a Gomes Leal, de Bocage a Cesariny, é ininterrupto o rol dos poetas, novelistas ou ensaístas que pagaram a factura da sua diferença. Porque foi regra geral esse o crime: ter um rosto e voz próprios. Carrascos, sempre os mesmos: o poder e o dinheiro, a maioria e a manha.

Damião de Góis, cronista de reis e príncipes, esteve preso quatro anos. Quando já era septuagenário acabou por sair sob liberdade condicional para morrer nesse mesmo ano de 1574. Causa da prisão: ser autor da Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel, publicada em quatro volumes, e na qual o monarca viu referências desfavoráveis à sua pessoa e à política do reino, nomeadamente a condenação da matança dos judeus. O primeiro volume foi apreendido e nele introduzido, à revelia do autor, elogios ao cardeal D. Henrique, inquisidor-mor, e à própria Inquisição.

Luís de Camões esteve preso duas ou três vezes, a primeira cerca de nove meses entre 16 de Junho de 1552 e 13 de Março de 1553, por causa de uma simples rixa no Rossio. Sobre Os Lusíadas, que salvara de um naufrágio na costa do Camboja, teve de submeter o texto aos censores do Santo Ofício, instalados no Mosteiro de S. Domingos, e discuti-lo verso a verso. Após a sua morte, ocorrida passado pouco tempo, sobre tudo o que escreveu, incluindo Os Lusíadas, caiu o silêncio da comunidade intelectual do seu tempo, ocupada a elogiar autores que hoje ninguém sabe quem são.

Francisco Manuel de Melo, poeta, dramaturgo, historiador, cronista militar, moralista, foi dos escritores portugueses que mais tempo passou na prisão – entre nove e onze anos, só de uma vez. Os motivos ainda hoje são obscuros.

Padre António Vieira, o profeta do Quinto Império também não escapou aos cárceres da Inquisição, nos quais foi metido em 1665 e 1667 por causa da publicação do livro Esperança de Portugal, Quinto Império do Mundo, Primeira e Segunda Vidas de El-Rei D. João IV, em que defendia os cristãos-novos e sibilava contra os dominicanos do Santo Ofício.

Francisco Xavier de Oliveira, Cavaleiro de Oliveira, o Santo Ofício condenou-o no dia 18 de Agosto de 1761 mas ele estava exilado na Holanda e safou-se. Apenas a sua efígie foi queimada, exactamente no último auto-de-fé que houve em Portugal, e os seus livros foram retirados do mercado.

António José da Silva, «O Judeu», dramaturgo, foi preso pela primeira vez em 1726, juntamente com a mãe. Torturado, liberto meses depois é novamente encarcerado em 1737, de novo com a mãe e agora também com a mulher e a filha. Dois anos mais tarde foi degolado e queimado num auto-de-fé no Terreiro do Trigo em Lisboa. A mulher e a mãe foram igualmente queimadas vivas.

Correia Garção, poeta e dramaturgo foi mandado prender no dia 9 de Abril de 1771 pelo marquês de Pombal. Metido no Limoeiro, aí ficou até 24 de Março de 1773. No dia em que a ordem de soltura chegou, morreu na enfermaria da cadeia.

Filinto Elísio, poeta, sacerdote, denunciado à Inquisição pela própria mãe, já depois da queda de Pombal.

E a lista apresentada no trabalho de José Amaro Dionísio na «Grande Reportagem» parece não ter fim:

José Anastácio da Cunha, preso e desterrado para Évora, já sob o reinado de D. Maria. Tomás António Gonzaga, preso e deportado para Moçambique. Marquesa de Alorna, obrigada a reclusão monástica juntamente com a mãe, viveu nas celas do Convento de S. Domingos de Benfica desde os 7 aos 27 anos de idade, entre 1758 e 1777. Bocage, várias vezes preso, condenado pela Inquisição a ouvir os sermões dos oratorianos no hospício-prisão das Necessidades. Almeida Garrett, preso, várias vezes exilado e demitido dos seus empregos, ora soldado ora ministro, correspondente comercial ou foragido, rico e pobre, é o exemplo de escritor às voltas com a vida. Almeida Garrett chega a vender parte da roupa para arranjar dinheiro, e a deixar a mulher e os filhos em casa de parentes por não ter com que os sustentar. Esteve encarcerado no Limoeiro, nos últimos três meses de 1827, acusado de incitar com os seus escritos o movimento liberal. Camilo Castelo Branco, preso na cadeia da Relação do Porto. Data: 1860-1861. Acusação: adultério. Gomes Leal, preso em 1881 acusado de injúrias ao rei D. Luís no panfleto A Traição e o Regenerado.

Com autos-de-fé, ou sem autos-de-fé, a vida cultural portuguesa raramente deixou de permanecer controlada e bloqueada pelo zelo das censuras e outros afrontamentos à liberdade de expressão e de pensamento.

Já no seu tempo, Alexandre Herculano haveria de escrever:

Onde quer que apareça a censura, onde quer que se aninhe esta irmã gémea da Inquisição, há uma quebra nos foros da independência do homem, há uma insolência do passado contra a dignidade social da geração presente. Seja para o que for, a censura é um impossível político.

Mais nos nossos dias, Anele Reis, autora de um apontamento sobre a censura, publicado no mensário «Portugal Socialista», de Janeiro de 1983, dirá o seguinte:

A censura, numa prática constante e presente através da cultura portuguesa, como dado negativo que é, contribuiu para forjar nossa maneira de ser e de estar no mundo, modelou comportamentos, estabeleceu preconceitos que vêm preocupando historiadores da cultura...

A poucos meses do 25 de Abril de 1974, o então ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, ordenava à polícia política para “dedicar um cuidado particular ao imediato cumprimento das seguintes instruções:”

1 - Relacionar as tipografias que se dedicam à impressão de livros suspeitos – pornográficos ou subversivos;

2 - Organizar um plano de visitas regulares a essas tipografias para impedir, efectivamente, a impressão de textos susceptíveis de proibição;

(...)

5 - Organizar a visita regular às livrarias de todo o País para sequestro de livros; revistas e cartazes suspeitos e para apreensão dos que já estão proibidos pela Direcção dos Serviços de Censura;

E como se a censura não fosse suficiente, muitas vezes a Polícia assaltava as casas dos escritores, as gráficas ou os editores levando tudo o que vinha a jeito.

De uma só vez, a editora Europa-América teve 73 mil livros apreendidos e 23 títulos proibidos. A “caça” começou no dia 14 de Junho de 1965. Durante quatro dias deram volta a tudo. Regressaram no dia 23. Agora com carros que cercaram todo o edifício de Mem Martins e levaram toda aquela quantidade de livros. Em dinheiro da altura, o prejuízo andou pelo menos na ordem dos 700 contos. Para a grande maioria dos editores portugueses, nesse tempo, tal situação era a ruína completa.

Nesse mesmo ano, e na sequência da atribuição do «Prémio Camilo Castelo Branco» ao escritor angolano Luandino Vieira, a cumprir uma pena de 14 anos de prisão sob a acusação de terrorismo, a Sociedade Portuguesa de Escritores vê a sua sede, em Lisboa, feita em fanicos por obra de um bando de legionários e agentes da polícia política, acabando por vir a ser extinta por despacho do ministro da Educação Nacional.

Nos dois anos que antecedem ao 25 de Abril de 1974, as prateleiras da editora Seara Nova ficaram com menos 1500 contos de livros que a PIDE/DGS se encarregou de levar para os armazéns da Rua António Maria Cardoso. Além de ter alguns dirigentes e colaboradores detidos na prisão de Caxias (situação que era já quase normal), a Seara Nova podia contar, nessa altura, com pelo menos cinco processos por edições de livros considerados subversivos e que a DGS tinha já enviado para o Tribunal Plenário.

Vários editores viram as suas instalações destruídas e encerradas violentamente pela Polícia, como sucedeu, entre outros, com aEditorial Minotauro. Alguns tinham quase todas as suas edições proibidas de circular no mercado. Na lista que se apresenta no final deste texto, é bem visível um lote de editoras que aguçavam, com especial sabor, os apetites saqueadores da polícia política encarregue das apreensões.

Um dos últimos relatórios da actividade da Comissão de Censura, referente a Janeiro de 1974, indica quase centena e meia de títulos retirados do mercado em apenas um mês.

Segundo afirmou, em 1984, a Comissão do Livro Negro do Fascismo, foram proibidas durante o regime Salazar/Caetano cerca de 3300 obras.

Poucos foram os grandes nomes da cultura portuguesa que escaparam ao crivo da censura repressiva. Uma lista enorme de autores, onde constam alguns dos maiores vultos de sempre da nossa cultura, foi divulgada logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 pela Comissão Directiva da Associação dos Editores e Livreiros Portugueses.

Apesar da censura não se aplicar directamente aos livros, estes eram com facilidade retirados do mercado e os seus autores ou editores sujeitos a castigo. Foi o que aconteceu ao grande escritor Aquilino Ribeiro. Em 1959, com 74 anos de idade, o maior romancista português do seu tempo vê-se perante a barra do Tribunal, indiciado num processo por delito de opinião, em que a pena de prisão poderia ir até oito anos. Isto por ter publicado o romance Quando os Lobos Uivam, onde retratava uma realidade da vida camponesa, na Serra da Estrela, que desagradou ao regime de Salazar.

Para Heliodoro Caldeira, advogado de Aquilino Ribeiro nesse famoso processo e, também ele, um homem habituado nas lides do combate contra a ditadura, o caso explicava-se em meia dúzia de palavras, conforme teve oportunidade de expor aos autos de defesa do seu constituinte, onde, a dado passo, afirma o seguinte:

Através do presente processo, mais do que provar umas pretensas ofensas a tais e tais pessoas ou denunciar um ataque a certa estrutura política, o que parece procurar-se é coarctar o direito de um escritor fazer qualquer obra de ficção em que por transposição imaginativa tome posição acerca dos problemas que respeitem ao meio em que está integrado. Quer dizer, pretende-se relegar o artista à situação de simples escrevinhador de histórias, que não têm outra função senão a de divertir o bom burguês satisfeito com a vida e com o mundo. Acabar-se-á de uma vez para sempre com a liberdade de pensar, e ninguém pense mais em emitir juízos quanto à sociedade em que vive, passando todas as estruturas a ser inatacavelmente perfeitas, e nelas tudo correndo panglóssicamente pelo melhor. Seria o último estádio de um lento processo com fim de esmagar toda e qualquer manifestação de inteligência, de aniquilar o indivíduo como ser pensante e de o acorrentar bovino e passivo ao arado de que o Poder segura a rabiça.

A obra literária, tornada meio de embrutecimento e de nirvanação, iria caindo aos poucos num formalismo académico, num anedotário para bacocos, todas as formas destituídas, a preceito, de conteúdo. E adeus literatura, adeus cultura, adeus personalidade nacional!

Episódios como este, passado com Aquilino Ribeiro, davam para encher páginas e páginas contando situações vividas por outros nomes da craveira intelectual do grande mestre do romance Quando os Lobos Uivam. Alguns estão ainda vivos. E muitos são aqueles que, com maior ou menor impacto, conheceram a violência da censura no seu pensamento escrito, quando, não mesmo, a violência da brutalidade física na sua carne e na sua dignidade.

Por uma razão ou outra e por mais ou menos tempo, muitos escritores foram detidos sob a acusação de delitos políticos ou de atentado aos costumes. José Amaro Dionísio aponta algumas dessas situações:

No primeiro caso a lista vai de Maria Lamas e Rodrigues Lapa a Urbano Tavares Rodrigues – preso três vezes –, de Alves Redol, Alexandre Cabral, Orlando da Costa, Alexandre O´Neil, Alberto Ferreira e António Borges Coelho a Virgílio Martinho, António José Forte e Alfredo Margarido ou os mais novos Carlos Coutinho, Carlos Loures, Amadeu Lopes Sabino, Fátima Maldonado, Hélia Correia e Raul Malaquias Marques. Augusto Abelaira, Manuel da Fonseca e Alexandre Pinheiro Torres estiveram igualmente detidos às ordens da PIDE em 1965, na sequência da atribuição do prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores ao romance Luuanda, do angolano Luandino Vieira. Abelaira, Fonseca e Torres integravam o júri que decidiu o prémio a Luandino, preso no Tarrafal, e a SPE foi assaltada e extinta. Julgados em plenário foram ainda, por causa do livroPoesia Erótica e Satírica, Natália Correia, Ary dos Santos, Mário Cesariny, Ernesto Melo e Castro, Luiz Pacheco e o editor Fernando Ribeiro de Melo. Condenados com multas e prisão remível. Os dois últimos voltaram ao plenário para outro julgamento, o da tradução e publicação da Filosofia na Alcova, de Sade, que juntou no mesmo processo Herberto Helder e o pintor João Rodrigues. Condenados também com multas e prisão remível. Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa desceram por sua vez à barra do tribunal por causa das Novas Cartas Portuguesas. Absolvidas, já depois do 25 de Abril, embora o julgamento, evidentemente, tivesse começado antes. Nesta mistura de política e atropelos vários, Luiz Pacheco e Mário Cesariny são dois casos em destaque. Pacheco, como ele próprio recorda, esteve pela primeira vez preso em 1947 no Limoeiro, acusado de estupro. Foi condenado na Boa-Hora a pena suspensa. Voltou ao Limoeiro em 59, desta vez sob acusação de atentado ao pudor. Foi absolvido. De novo na cadeia em 68, por rapto e estupro. Desta vez foi condenado a meses de prisão efectiva, que cumpriu nas Caldas na Rainha e no Limoeiro.

Cesariny envolveu-se em 1960 em “actos imorais”. Obrigado a residência fixa, tinha de se apresentar todos os meses na Polícia Judiciária. (...) Esteve preso por menos uma outra vez, em Paris, em 1964, acusado de “ultraje público ao pudor”.

Tudo era assim neste país conforme nos conta o autor do artigo Escritores na Prisão: - a maldição que os une é a mesma: um país que em cada época e de geração em geração encomenda os seus escritores à miséria ou para o exílio, ao suicídio ou para a prisão. Para a prisão, juntamente: dos cronistas de 1500 aos autores contemporâneos sucedem-se os intelectuais que por razoes políticas, rivalidades pessoais ou inconformismo de costumes sofreram maior ou menor parte das suas vidas atrás de grades.

Tudo era assim e continuava a ser. De pouco serviam as intervenções parlamentares de deputados liberais, como Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Miller Guerra e de mais dois ou três que não poupavam o Regime, reclamando corajosamente pelos direitos e liberdades negados aos cidadãos do seu País.

O Governo era mais sensível aos editorialistas de jornais como a Erro! Não é possível abrir a origem de dados.«Época» que, em 1973, escreviam neste tom:

«Abriu há pouco a Feira do Livro de Lisboa. Entre as oitenta e tantas barracas de livreiros, quantas se destinam à propagação de livros apontados à subversão social?»

«Há forças ocultas a manobrar nos planos da inteligência desde as tribunas de crítica (que foram as primeiras posições conquistadas), até aos sectores da publicidade, que permitem comandos espantosos.»

Clara Barata e Luís Miguel Queirós são autores de um trabalho apresentado no suplemento Leituras do jornal «Público» de 11 de Junho de 1994. Chama-se Livrarias no Regime Fascista e nele alguns intervenientes recordam as suas experiências desse tempo: Reunia-se aqui muita gente contada com a oposição à ditadura – explica Fernando Fernandes, que acompanhou todo o percurso da Livraria Divulgação e passou a sócio-gerente da Livraria Leitura. Antepassada da actual Leitura, a Divulgação foi, no Porto, ao longo da década de 60, a mais importante livraria da oposição.

Conforme palavras dos autores do texto do «Público»: à sorrelfa, arranjavam-se os livros dos quais o regime não queria que se ouvisse sequer falar. Escondiam-se em vãos de estantes, paredes falsas, ou até em baldes de tinta, e só se vendiam a clientes de confiança – “por debaixo do balcão”, embrulhados em papel pardo.

A norte do Porto, raras eram, também, as cidades que não possuíssem uma ou outra livraria conotada com a oposição ao regime. A do historiador Victor Sá, em Braga – a Livraria Victor, na Rua dos Capelistas, cuja antiga sede foi sacrificada a interesses imobiliários – terá sido, porventura, a que atingiu maior notoriedade.

As pessoas sabiam que ao importar, distribuir ou editar determinadas coisas, se sujeitavam às consequências, conta José Ribeiro, da livraria, editora e distribuidora Ulmeiro, na Avenida do Uruguai, em Lisboa.

Por vezes, levavam-me preso, para a António Maria Cardoso, para prestar declarações. Faziam interrogatórios de intimidação, acusavam-me de ser um comunista disfarçado de comerciante, recorda José Ribeiro. A única hipótese era fazer como Manuel Ferreira da Costa, da Livraria Sá da Costa, de Lisboa: Eles faziam perguntas parvas e a gente respondia parvamente.

Habituávamo-nos a trabalhar em dois níveis. Interiorizávamos os códigos de vivência impostos, sabíamos o que podíamos escrever, editar ou vender. Jogávamos um jogo, reflecte Alferes Gonçalves, da Livraria Finisterra, em Coimbra. Era uma espécie de jogo do polícia e ladrão, acrescenta José Ribeiro.

Os livros proibidos eram verdadeiros “best-sellers”, tanto pelo que eram, como por serem proibidos. Muitas vezes nem eram nada de especial. Mas a proibição aguçava o apetite, afirma José Reis, gerente da Livraria Portugal, na Rua do Carmo. Quem fez grande fama dos livros proibidos da Ulmeiro foi a PIDE, comenta José Ribeiro.

O leitor interessado sabia onde encontrar o livro proibido. Em Lisboa, nas livrarias do Centro do Livro Brasileiro ou da Europa-América, na Moraes, ou na Ulmeiro. Na velha Barata, com o malogrado António Barata, ou o Afonso que por lá continua. Na Boa Leitura, junto ao Areeiro, onde um dos irmãos Branco tinha sempre o que era preciso. Ou na cooperativa do Clube Expresso, frente ao Hospital dos Capuchos, onde o Lourenço atendia os mais subversivos pedidos de títulos caídos em desgraça.

As cooperativas livreiras foi uma outra realidade no mundo dos livros proibidos. Éramos todos muito jovens, tínhamos 18 ou 20 anos. Foi a nossa grande escola política, diz Irene Rodrigues, que trabalhou, desde 1966, na Livrelco e está hoje na Livraria Buchholz, na Rua Duque de Palmela, em Lisboa.

Ainda uma palavra sobre os que começaram a sua luta contra a censura, através da Imprensa escrita, em suplementos literários ou juvenis e, na maior parte, são hoje figuras de mérito na cultura portuguesa. Uma velha guarda, ligada aos jornais, onde se incluem nomes como Óscar Lopes, Álvaro Salema, Augusto da Costa Dias, Mário Castrim, Nuno Teixeira Neves. A Seara Nova, com Câmara Reis, Rogério Fernandes e Augusto Abelaira, onde colaboravam, entre outros, Manuel Sertório, José Tengarrinha, Nuno Brederote Santos, Upiano do Nascimento (da Editorial Inova), Sottomaior Cardia, António Reis, José Garibaldi (da Editorial Estampa), Sérgio Ribeiro e Blasco Hugo Fernandes, (da Prelo Editora), e Jorge Reis e Joaquim Barradas de Carvalho, (ambos escrevendo do exílio), etc.

É de destacar, ainda, a presença, quer na imprensa literária, quer nas editoras, de José Saramago, Fernando Piteira Santos, Carlos Porto, Victor da Silva Tavares, Nelson de Matos, E. M. de Melo e Castro, Eduardo Prado Coelho, etc.

João Medina, Artur Portela Filho, Sttau Monteiro, Luís Francisco Rebelo, Bernardo Santareno, Fiamma Hasse Pais Brandão, por exemplo, viram também os seus trabalhos perseguidos pela censura e alguns pagaram caro a sua ousadia. A PIDE não os poupou.

Ainda entre os que fazendo escola na Imprensa haveriam de afirmar-se como escritores bem conhecidos e apreciados, recorde-se Baptista Bastos, Mário Ventura, Miguel Serrano, Daniel Filipe, Adelino Tavares da Silva. Ou José Carlos Vasconcelos e Fernando Assis Pacheco. Ou Joaquim Letria, Pedro Alvim, Afonso Praça, Cáceres Monteiro, César Príncipe, Manuel Geraldo, Josué da Silva, Ribeiro Cardoso, Nuno Gomes dos Santos, José Jorge Letria, Leonor Martinho Simões, Eugénio Alves, etc.

Mais nomes poderiam ser aqui citados num desfiar sem conta. A repressão da cultura e dos seus obreiros nas várias e distintas facetas foi uma saga feroz e indiscriminada que só parou quando os tanques do saudoso capitão Salgueiro Maia começaram a entrar vitoriosos no Terreiro do Paço de Lisboa.


(Nova relação revista e aumentada em Março de 2012)

A presente relação é composta exclusivamente por títulos de edição portuguesa não incluindo obras brasileiras ou de qualquer outra proveniência. É também apresentada a data da edição ou da proibição a que respeita a obra mencionada. No total são 757 títulos que constituem a maior recolha jamais realizada no âmbito da censura literária em Portugal.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Anonymous entre as 100 personalidades de 2012 da lista da revista Time























O grupo de piratas informáticos Anonymous, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e a cantora pop britânica Adele figuram na lista das 100 personalidades mais influentes de 2012 divulgada, esta quarta-feira, pela revista norte-americana Time.

Três brasileiros constam este ano da lista: a presidente da República Dilma Rousseff, a presidente-executiva da Petrobás Maria das Graças Silva Foster e o bilionário Eike Batista.

Este ano, a lista da Time, composta por artistas, empresários, políticos e outras individualidades de renome, integra um número recorde de 54 personalidades não norte-americanas, sublinhou a revista.

Entre estas personalidades está a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a francesa Christine Lagarde.

"A natureza da influência mudou. Na época do Twitter [rede social], ela nunca foi tão fácil ou efémera", explicou a Time.

"É por isso que tentámos escolher pessoas cuja influência é durável e, com poucas exceções, louvável", reforçou o título.

Do mundo político destaca-se a presença do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, do primeiro-ministro italiano, Mario Monti, da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ou do chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu.

No universo desportivo, a revista elegeu o basquetebolista (da NBA) norte-americano originário de Taiwan Jeremy Lin, o futebolista argentino Lionel Messi e o tenista sérvio Novak Djokovic.

Entre os artistas, a Time também considerou a cantora pop Rihanna e a atriz norte-americana Viola Davis, nomeada este ano para o Óscar de melhor interpretação feminina, como figuras influentes em 2012.

Sharmeen Obaid-Chinoy, a realizadora paquistanesa que ganhou o Óscar para melhor documentário com um filme sobre os ataques com ácido contra mulheres, e a ativista egípcia Samira Ibrahim, que denunciou a realização de "testes de virgindade" impostos a manifestantes detidas, são outros dois nomes da lista.

A estilista britânica Sarah Burton, que idealizou o vestido de noiva da duquesa de Cambridge Kate Middleton, também figura na lista.

A própria Kate Middleton, mulher do príncipe herdeiro William, e a sua irmã, Pippa, foram igualmente destacadas pela revista norte-americana.

Esta lista anual, que não se assume como um 'ranking', é criada com base nas recomendações dos correspondentes da revista, durante um processo que dura vários meses.

fonte: JN

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