RELÓGIO DO APOCALIPSE

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sábado, 19 de maio de 2018

Espancamento de mulher grávida e estupro de homem: Snowden expõe torturas de Haspel


A nomeação de Gina Haspel como directora da CIA foi recebida com uma forte oposição entre os legisladores norte-americanos, já que ela foi suspeita de estar envolvida no uso de métodos de interrogatório extremos pela agência.

O famoso divulgador Edward Snowden, escreveu no seu Twitter que a nova directora da CIA participou do programa de torturas cruel, bem como encomendou a destruição do vídeo com evidências.

"Nota: Gina Haspel participou do programa de tortura que envolvia bater na barriga de uma mulher grávida (inocente), estupro anal de um homem com a comida que ele tentou rejeitar, e congelamento de um prisioneiro algemado até à morte. Ela pessoalmente escreveu o pedido para destruir 92 gravações das torturas da CIA", lê-se no seu Twitter.


Note: Gina Haspel participated in a torture program that involved beating an (innocent) pregnant woman's stomach, anally raping a man with meals he tried to refuse, and freezing a shackled prisoner until he died. She personally wrote the order to destroy 92 tapes of CIA torture. https://twitter.com/realDonaldTrump/status/997220260259487744 …

​O Senado dos EUA confirmou a nomeação de Gina Haspel como a próxima directora da Agência Central de Inteligência com 45 votos a favor, de um total de 54, na quinta-feira (17). De acordo com as recentes gravações reveladas, ela supervisionou a tortura do prisioneiro, incluindo afogamento simulado e mandou destruir as evidências, declarou o Arquivo da Segurança Nacional dos EUA na Universidade de George Washington.

Na semana passada, o senador norte-americano, John McCain, recusou-se a votar a favor da nomeação de Haspel, por que acha que ela não serve para liderar a CIA devido ao "papel perturbador na supervisão do uso de torturas pelos americanos".

Durante as audições dela no Senado a 9 de maio, Haspel prometeu não renovar o programa de detenção e interrogação sob a sua liderança, embora não declarou que as tácticas de tortura eram imorais.

Gina Haspel, de 61 anos de idade, será a primeira mulher na posição da directora da CIA, que alegadamente vigiou a interrogação de um prisioneiro na prisão secreta na Tailândia, que foi afogado 83 vezes num único mês durante as torturas.


NOTA MUITO PESSOAL
Deviam fazer-lhe, igual ou dobro do que ela fez ou mandou... 
Esta criatura não é humana, deve ser um reptóide ao serviço da CIA, pessoa fria e sem sentimentos de humanísmo é um monstro,,, uma assassina, por menos muitos foram fuzilados, era o fim merecido para ela... Como diz o velho ditado TODO O PERÚ, TEM O SEU NATAL!!!!!!

fonte: Sputnik News

sexta-feira, 10 de março de 2017

Wikileaks: CIA pode controlar iPhone, Android, TV e computador de qualquer pessoa


O WikiLeaks revelou na primeira parte dos seus arquivos sobre a CIA que a Agência Central de Inteligência dos EUA teria desenvolvido um vírus capaz de infectar telefones, telemóveis, televisores inteligentes e computadores para roubar dados dos usuários e controlar os aparelhos à distância.

De acordo com o site, a Divisão de Dispositivos Móveis (MDB) da agência americana já realizou inúmeros ataques para hackear e controlar uma série de modelos de smartphones. Os aparelhos contaminados, sejam estes iPhones ou Androids, estariam recebendo instruções para enviar à CIA informações como geolocalização e comunicações de áudio e texto e até para activar secretamente a câmara e o microfone. 

Através das técnicas empregadas, seria possível contornar os sistemas de segurança de aplicativos como WhatsApp, Telegram, Wiebo, Confide, Cloackman e Signal (aplicativo que havia sido elogiado por Edward Snowden por conta da sua segurança) e roubar as mensagens antes da aplicação da criptografia. 

Além de telefones e TVs, a inteligência americana também teria um interesse muito grande em controlar sistemas operacionais, como Windows, Mac OS X, Solaris e Linux, e também roteadores. 

"Muitos desses esforços de infecção são reunidos pela Divisão de Implante Automatizado (AIB), que desenvolveu vários sistemas de ataque para infestação automatizada e controle de malware da CIA, como 'Assassin' e 'Medusa'", diz o Wikileaks. "Ataques contra a infraestrutura da internet e servidores da Web são desenvolvidos pela Divisão de Dispositivos de Rede (NDB) da CIA".

Todas essas operações, segundo a organização fundada por Julian Assange, não seriam possíveis se as actividades dos hackers da Agência Central de Inteligência ficassem restritas a Langley, na Virgínia (sede). Para isso, a CIA também utilizaria o Consulado dos Estados Unidos em Frankfurt como uma base para seus hackers actuarem na Europa, no Oriente Médio e na África. O local seria conhecido como Centro de Inteligência Cibernética da Europa (CCIE).

fonte: Sputnik News

sexta-feira, 3 de março de 2017

Documentos secretos da CIA podem agora ser lidos no seu computador


O presidente português Costa Gomes (à esq., de frente) recebido pelo presidente americano Gerald Ford, em dezembro de 1974: EUA acompanharam de perto a Revolução do 25 de Abril ARQUIVO DN

Agência americana disponibilizou milhares de ficheiros na internet. E há muito para ler da história recente de Portugal

Não há segredos nos milhares de documentos que a CIA colocou na internet ao alcance de todos, mas no mar de textos disponibilizados podem ainda encontrar-se surpresas. Portugal, o 25 de Abril, os anos quentes que se seguiram e os protagonistas das décadas de 1970 e 1980 estão abundantemente retratados nestes documentos.

Disponibilizados em janeiro (que podem ser vistos no endereço https://www.cia.gov/library/readingroom/), estes ficheiros antes só estavam acessíveis a quem fosse aos Estados Unidos, como recordou ao DN o jornalista Nuno Simas, autor de Portugal Classificado - Documentos Secretos Norte-Americanos (1974-1975), editado pela Alêtheia Editores.

"São milhares de documentos e tínhamos de ir aos EUA para os consultar. Agora estão à distância de um clique e permitem fazer download", explicou Simas, sublinhando a importância desta decisão da agência americana. E que abre "um mar" de páginas e páginas à espera de serem navegadas - são 800 mil documentos, 13 milhões de páginas, entre memorandos, relatórios, recortes de jornais. "É preciso refinar a pesquisa", advertiu o jornalista.

A pesquisa por Portugal devolve-nos 8215 resultados. Entre estes está o "memorando" que Henry A. Kissinger, com o selo da Casa Branca, em que o então secretário de Estado americano dava conta do "coup in Portugal" - o golpe era o do 25 de Abril e já estava nas ruas há quatro dias, quando o governante da administração de Gerald Ford aponta a principal causa para "o golpe praticamente sem derramamento de sangue" como sendo as "políticas de Lisboa para África e as divisões entre os militares".

Mais à frente, Kissinger apontava que os militares "insurrectos", "soberbamente organizados e bem conduzidos", "tomaram o poder de surpresa". E numa nota de alívio o governante sublinhava que, até aquele momento, "o novo governo parece ter o controlo completo". Nuno Simas notou que os americanos não estiveram "muito longe" na parte de África, "foram mais corretos", do que "na avaliação interna" e na perceção do "poder que cada um tinha". "Houve um erro de cálculo. Foram um bocadinho ao lado. Acharam que podiam ter Spínola como aliado", exemplificou.

Irão-Contras em Lisboa

Sem antecipar grandes revelações, há coisas que ainda merecem um olhar atento na pesquisa de filigrana que é necessário fazer. Por exemplo, no caso do Irão-Contras, um escândalo que abalaria nos anos 1980 a administração Reagan, por financiamento dos Contras nicaraguenses, quebrando um embargo de armas ao Irão. "Uma das primeiras notícias", agora disponibilizada pela CIA, "aponta logo para voos com passagem por Lisboa", anotou Simas. "Até que ponto Portugal sabia desta operação", questionou-se o jornalista.

Estes ficheiros foram considerados como "não confidenciais" já nos anos 1990 e então disponibilizados ao público, mas a desclassificação foi parcial - no referido memorando sobre o 25 de Abril está lá a indicação: "Sem objeção para desclassificação em parte."

A sua consulta era difícil, mesmo para americanos. Os documentos só podiam ser vistos e lidos num departamento da CIA, a partir de quatro computadores do edifício dos Arquivos Nacionais, em College Park, no estado do Maryland, mas a pressão de jornalistas, investigadores e da Muckrock - organização não governamental que processou a agência em 2014 para poder ter acesso a estes ficheiros - resultou nesta divulgação em massa.

"O acesso a esta importante coleção histórica já não está limitado pela localização geográfica", admitiu Joseph Lambert, diretor da gestão de informações da CIA, segundo um comunicado citado pela CNN. Nenhum dos documentos disponibilizados nesta base de dados Crest (CIA Records Search Tool - em português, ferramenta de pesquisa dos registos da CIA) deixou de ser secreto recentemente.

A leitura dos analistas da CIA e do Departamento do Estado americano era muito feita a partir de "como é que isso afeta os interesses dos americanos", registou Nuno Simas, como por exemplo numa "análise circunstanciada às eleições de 1986", em que Mário Soares é eleito presidente da República, com o apoio do PCP na segunda volta. Segundo a agência Lusa, a CIA alertou, nesse ano, que a vitória de Mário Soares nas eleições presidenciais não apagava os riscos de instabilidade política em Portugal, e antecipava um conflito, no futuro, com o seu "inimigo político" Cavaco Silva. Pelos vistos, aqui acertaram.


domingo, 12 de julho de 2015

Associação de Psicologia dos EUA 'pactuou' com programa de tortura do Governo


Fotografia © REUTERS/Bob Strong

Relatório diz que associação elaborou diretrizes para apoiar as técnicas de interrogatório usadas após os ataques de 11 de setembro de 2001.

A maior associação de psicologia dos EUA 'pactuou' com o Pentágono e a CIA ao elaborar diretrizes para apoiar as técnicas de interrogatório usadas após os ataques de 11 de setembro de 2001, consideradas como tortura, indica um relatório.

A Associação Americana de Psicologia (AAP) tentou "adoçar" as autoridades da defesa ao emitir diretrizes éticas em concordância com as técnicas de interrogatório do Governo, após o 11 de setembro, como 'waterboarding' (afogamento simulado) e privação de sono, indica um relatório encomendado pela direção do organismo.

A associação pactuou com várias agências governamentais, incluindo o Pentágono e a CIA, para elaborar as diretrizes para o programa, criado durante a presidência de George W. Bush, de acordo com o documento de 542 páginas.

As agências do Governo "queriam, alegadamente, diretrizes de ética permissivas, para que os seus psicólogos pudessem continuar a participar em técnicas de interrogatório severas e abusivas, usadas por estas agências depois dos ataques de 11 de setembro", diz o relatório.

Estes dados surgem depois de ter sido divulgado um relatório, em dezembro, com detalhes de técnicas brutais de interrogatórios, usadas pela CIA em suspeitos da Al-Qaeda.

Em resposta a este relatório, a AAP disse, na sexta-feira, que irá rever as suas políticas e proibiu os seus psicológicos de participarem diretamente em interrogatórios.

"A intenção da organização não era permitir técnicas de interrogatório abusivas ou contribuir para a violação dos direitos humanos, mas esse pode ter sido o resultado", disse Nadine Kaslow, que liderou a comissão de investigação independente.

"Lamentamos profundamente e pedimos desculpa pelo comportamento e as consequências que dele decorreram", afirmou.


terça-feira, 16 de junho de 2015

CIA violou normas internas sobre experiências médicas em humanos


Fotografia © REUTERS/Larry Downing

Em causa estão os interrogatórios a suspeitos de terrorismo.

A agência de informações norte-americana CIA violou alegadamente as suas próprias normas sobre investigação médica com humanos durante os interrogatórios a suspeitos de terrorismo, publicou hoje o diário britânico The Guardian.

Um documento interno divulgado pelo jornal confirma que a CIA se rege por uma norma, geral para este tipo de agências norte-americanas, que proíbe "promover, contratar ou conduzir investigações com sujeitos humanos", exceto quando estas integram as práticas recomendadas pelo Departamento de Saúde.

No texto, a CIA detalha ao seu pessoal que práticas estão vedadas pela designada Ordem Executiva 12333, emitida em 1987, durante o mandato do Presidente Ronald Reagan, sobre "experimentações com humanos".

Em particular, é sublinhado que qualquer pessoa submetida a práticas médicas deverá ter dado o seu consentimento prévio e atribui ao diretor da agência a prerrogativa de "aprovar, modificar ou desaprovar qualquer proposta em relação à investigação com sujeitos humanos".

Analistas consultados pelo The Guardian apontaram que os limites estabelecidos pela própria agência podem ter sido violados, pelo seu pessoal médico, durante os interrogatórios a presumíveis terroristas, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Os médicos do designado Gabinete de Serviços Médicos da CIA estiveram presentes nessas sessões para aconselhar os agentes sobre a resistência física e psicológica dos sujeitos interrogados, de acordo com o relatório do comité senatorial de Informações, que revelou em 2014 as torturas praticadas pela CIA.

Esta agência de informações, que não admitiu formalmente que tivesse havido tortura durante estas sessões, argumentou que a presença de médicos nos interrogatórios garantia que qualquer atuação era feita com rigor clínico.

Em resposta à informação publicada pelo The Guardian, um porta-voz desta agência, disse que "a CIA manteve diretrizes internas que interpretam a Ordem Executiva 12333 de forma continuada desde 1987 até ao presente".


terça-feira, 10 de março de 2015

CIA tenta espiar utilizadores da Apple há quase uma década


Fotografia © REUTERS/Chance Chan

Os serviços secretos norte-americanos começaram à procura de formas de espiar utilizadores da Apple antes do lançamento do primeiro iPhone.

A CIA está há quase uma década a trabalhar para quebrar os sistemas de segurança dos telemóveis e tablets da Apple, para poder espiar as comunicações dos seus utilizadores, segundo o The Intercept O site divulgou esta terça-feira documentos obtidos por Edward Snowden , o informador que denunciou as táticas de vigilância da internet da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana em 2013.

O relatório cita documentos secretos norte-americanos que sugerem que investigadores do governo dos EUA criaram uma versão de XCode, a ferramenta de desenvolvimento de softwareda Apple, para criar entradas secretas nos programas distribuídos na App Store.

O Intercept publicou no passado várias notícias a partir de documentos revelados por Snowden. Dois dos três editores da página são Glenn Greenwald e Laura Poitras, que ganharam um prémio Pulitzer pelo seu trabalho no caso Snowden,  na altura noGuardian e Washington Post. Poitras é também a realizadora do documentário Citizen Four, sobre Snowden, que ganhou que ganhou um Óscar.

Segundo o site, os documentos, que cobrem um período entre 2006 e 2013, não permitem perceber se os investigadores da CIA conseguiram quebrar a encriptação da Apple, que serve para proteger os dados e comunicações dos utilizadores.

Os esforços para quebrar as barreiras de segurança dos produtos da Apple começaram logo em 2006, um ano antes da Apple introduzir o primeiro iPhone, e continuaram até 2010 e depois.

Quebrar a segurança da Apple era um dos objetivos de um programa secreto do governo norte-americano, com a ajuda dos serviços secretos britânicos, para intercetar "comunicações seguras, tanto domésticas como estrangeiras", um programa que incluía também os telemóveis Android da Google, diz o site.

As empresas tecnológicas de Silicon Valley tentaram nos últimos meses restabelecer os laços de confiança com consumidores de todo o mundo, assegurando que os seus produtos não foram ferramentas para vigilância.

Em s etembro, a Apple reforçou os métodos de encriptação de dados no iPhone, garantindo que a mudança significa que a companhia deixava de poder extrair informação dos aparelhos, mesmo que o governo o ordenasse, com um mandato. A Google afirmou pouco depois que também planeava utilizar ferramentas de encriptação mais fortes.

Ambas as empresas afirmam que as medidas visam proteger a privacidade dos utilizadores dos seus produtos e que isto foi em parte uma resposta ao programa vigilância da internet do governo norte-americano revelado por Snowden em 2013.

Um porta-voz da Apple remeteu para declarações públicas do presidente da empresa sobre privacidade, mas não quis fazer mais comentários. "Quero que fique claro que nunca trabalhámos com nenhuma agência governamental de nenhum país para criar portas secretas em nenhum dos nossos produtos ou serviços", escreveu Tim Cook num comunicado sobre privacidade e segurança publicado no ano passado.

Líderes mundiais como o presidente norte-americano Barack Obama e o primeiro-ministro britânico David Cameron já afirmaram publicamente que temem que estas ferramentas, para proteger a privacidade dos cidadãos, impeçam governos de monitorizar extremistas.

A Reuters não conseguiu obter uma resposta da CIA.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

É possível manipular o clima. A CIA já está a estudar


Estudos sobre alegada teoria da conspiração relacionada com técnicas de manipulação do clima alertam para "efeitos secundários não intencionais"

Quando a tempestade tropical Katrina ganhou força e se transformou num furacão que varreu o Sul dos Estados Unidos, com ventos de mais de 280 quilómetros por hora, em 2005, os crentes na conspiração desdobraram-se em análises de como o furacão foi artificialmente criado para atingir Nova Orleães.

Thomas Bearden, tenente-coronel na reforma, acusou a Rússia e os seus "métodos à KGB" de estar por trás do plano maquiavélico; segundo o americano, os russos têm estado, desde 1976, a usar uma arma secreta da era soviética para controlar o clima e destronar os inimigos em perigosos jogos de geoestratégia.

Outros acusaram a máfia japonesa, a Yakuza, que em 1989, dizem, terá pedido emprestada essa arma à Rússia para destruir plataformas de exploração petrolífera nas costas dos EUA. Outros defenderam que foi um "efeito secundário" de planos da própria administração americana para controlar o tempo e assim controlar as mentes dos seus cidadãos.

Terá sido portanto com alguma surpresa que os assíduos críticos de teorias da conspiração como estas receberam há alguns meses a notícia de que a geoengenharia está agora a ser investigada com fundos da CIA.

Em Julho, a "Mother Jones" anunciou que a agência secreta norte-americana acabava de dar 630 mil dólares à Academia Nacional de Ciências (NAS) para financiar um projecto de 21 meses sobre o uso da engenharia do clima para alterar o ambiente no planeta e reduzir o aquecimento global.

O estudo foi anunciado no site da NAS como "o primeiro a ser financiado pela comunidade de serviços secretos dos EUA". À revista, William Kearney, porta-voz da academia, confirmou que a expressão fazia referência à CIA. A agência, contudo, não confirmou nem desmentiu a notícia, nem uma outra a dar conta de que, em 2012, terá encerrado o seu centro de estudos sobre alterações climáticas após sofrer pressões dos republicanos no Congresso que dizem que a CIA não deve intrometer-se no assunto.

"É natural que a agência trabalhe com cientistas para melhor entender um tema como as alterações climáticas, o fenómeno e as suas implicações na segurança nacional [dos EUA]", foi a única declaração feita à revista sobre o assunto por Edward Price, porta-voz da secreta.

O aparente interesse de grandes potências em alterar o clima na Terra não é novo. Durante a guerra do Vietname, a Força Aérea americana terá usado pela primeira vez técnicas de manipulação climática como instrumento de táctica militar, libertando nas nuvens partículas químicas para criar chuvas artificiais que transformassem o trilho de Ho Chi Minh num lamaçal, para assim obter uma vantagem estratégica.

Entre 1962 e 1983, terá havido engenheiros com pretensões semelhantes no Projecto Fúria da Tempestade, liderado pela Marinha norte-americana e pelo Departamento do Comércio para enfraquecer ciclones tropicais. Mais recentemente, o Gabinete de Modificação da Meteorologia da China foi acusado de aplicar este processo de "sementeira em nuvens" para assegurar que só choveria longe dos estádios onde os Jogos Olímpicos de 2008 tiveram lugar.

"ACTORES SOLITÁRIOS" Apesar de no passado as tentativas de manipular o clima terem sido recebidas em tom jocoso pela comunidade científica, o facto de técnicas como a sementeira em nuvens estarem a ser aplicadas tem gerado questões sérias entre os cientistas.

Desde o início do ano, algumas revistas especializadas e jornais como o "The Guardian" têm dado uma atenção sem precedentes à ideia controversa da geoengenharia, citando vários riscos inerentes ao processo. Para David Keith, investigador da Universidade de Harvard e defensor assertivo dos métodos para controlar o aquecimento global, "[a geoengenharia] é fundamentalmente exequível, relativamente barata e parece reduzir os riscos de alterações climáticas de forma significativa". Mas esse optimismo vem com ressalvas. "Isto acarreta riscos, entre eles efeitos secundários não intencionais imprevisíveis", diz Keith.

"E toda esta questão dos actores solitários?", questiona Ken Caldeira, cientista da NAS. "Devemos preocupar-nos com o facto de a China agir unilateralmente? É só conversa fiada ou o governo dos EUA deve preparar-se para isso?"

A dita "questão dos actores solitários" não envolve só países. Pelo menos um indivíduo, Russ George, terá já tentado modificar o clima. O ex-director da Planktos, empresa americana que de-senvolve tecnologias para combater o aquecimento global, terá fertilizado com ferro o oceano Pacífico, na costa canadiana, para forçar um aumento de plâncton que absorva mais dióxido de carbono - libertado na atmosfera a um ritmo e em quantidades cada vez maiores.

Em 2010, a BBC entrevistou um militar russo que diz fazer uso destas técnicas há anos para impedir que chova em importantes feriados nacionais. "Usamos uma máquina especial que cospe iodeto de prata, gelo seco ou cimento para as nuvens ou então abrimos uma escotilha [no avião] e um homem atira sementes para as nuvens manualmente", explicou então Alexander Akimenkov, piloto da Força Aérea russa.

De acordo com o artigo, não é só o governo russo que semeia nuvens para não colher tempestades. Há já empresas privadas no país que, por 6 mil dólares à hora, garantem que o casamento de um cliente, ou outro evento privado, é soalheiro até ao fim.

"O RISCO NÃO É SÓ COMEÇAR" Os cientistas avisam agora que os riscos vêm não só desta falta de controlo de como, quem e onde são usadas técnicas de geoengenharia, mas também do simples facto de estarem a ser aplicadas.

Segundo um estudo publicado pela revista científica "Environmental Research Letters" a 8 de Janeiro, os trópicos vão ser afectados por secas graves se a geoengenharia continuar a ser aplicada como penso rápido no combate às alterações climáticas.

"Há muitas questões de governação - quem controla o termóstato da Terra - porque o impacto da geoengenharia não vai ser uniforme em todo o planeta", diz Andrew Charlton-Perez, cientista da Universidade de Reading e membro da equipa de investigação.

Através de modelos recriados em computador, os cientistas confirmaram que a aplicação da técnica de injectar sulfatos em grande escala nas nuvens consegue reduzir o aumento da temperatura, mas que tal poderá provocar, em situações extremas, uma quebra de um terço da pluviosidade na América do Sul, na Ásia e em África. As consequentes secas, dizem os investigadores, afectarão milhares de milhões de pessoas e as já frágeis florestas tropicais, que funcionam como filtros imensos de carbono.

"Os investigadores escolheram um cenário climático grave, portanto não devemos ficar surpreendidos por qualquer técnica de geoengenharia ou para reverter os efeitos [da anterior] tenha impacto sério e desigual", diz Matthew Watson, da Universidade de Bristol e defensor de mais investigação antes de se aplicarem medidas destas. "Continua a ser verdade que a única via garantida [para salvar o planeta] é reduzir os níveis recorde de gases com efeito de estufa que continuamos a injectar na atmosfera. É vital que os cientistas continuem a investigar a geoengenharia, mas nenhum governo sério em relação às alterações climáticas deve olhar para ela como um penso rápido."

O cenário "grave" estudado prevê que, se os níveis de dióxido de carbono quadruplicarem na atmosfera e não houver intervenção, as temperaturas globais vão subir em média 4 graus Celsius, acima dos 2 considerados perigosos pelos governos mundiais. Já se esse aumento da temperatura for combatido pela geoengenharia, será possível desacelerar e até reduzir para níveis nulos o aquecimento global.

Na simulação computorizada, os cientistas injectaram 60 toneladas de dióxido de enxofre por ano na estratosfera, o equivalente a cinco erupções vulcânicas, cada uma medida pela escala da erupção do monte Pinatubo, nas Filipinas, que em 1991 reduziu 0,5 graus a temperatura global nos dois anos seguintes.

Através desta libertação de dióxido de enxofre, similar à dos vulcões quando entram em erupção, os cientistas apuraram que as partículas na estratosfera não só absorvem parte do calor vindo do Sol mas também a energia térmica libertada pela superfície terrestre.

"O aquecimento funciona como estabilizador da parte da atmosfera em que vivemos, reduzindo a ressurgência de ar. Nos trópicos a maior parte da chuva vem da movimentação rápida do ar, portanto [o método de geoengenharia] funciona como redutor de precipitação", explica Charlton-Perez.

Se a hipótese se confirmar, a queda na precipitação nos trópicos pode chegar aos 30%, com impacto adverso e significativo sobre as populações e o ambiente. "Iríamos assistir a mudanças tão bruscas que as pessoas teriam muito pouco tempo para se adaptar", diz o co-autor do estudo. "Mostrámos que uma das principais técnicas da geoengenharia pode causar efeitos secundários não intencionais numa larga faixa do planeta", efeitos até agora ignorados nas investigações, sublinha.

Um outro estudo, divulgado anteontem pelo site Science 2.0, mostra que, em geral, os cidadãos norte-americanos condenam os métodos de geoengenharia para controlar o ambiente. "Foi um resultado surpreendente num padrão muito claro", explica Malcolm Wright, professor da Universidade de Massey e autor do estudo. "Intervenções como pôr espelhos no espaço ou partículas na estratosfera não são bem recebidas. Processos mais naturais como a iluminação de nuvens acolhem menos objecções, mas ao que o público reage melhor é à criação de biochar (carvão vegetal para bloquear o CO 2) ou à captura directa de carbono do ar."

fonte: i online

sábado, 28 de dezembro de 2013

Juiz diz que programa de vigilância da NSA é legal


Um juiz de Nova Iorque considerou hoje que o programa de vigilância de dados telefónicos da responsabilidade da Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana, que gerou controvérsia no país e na comunidade internacional, era "legal".

As declarações do juiz William Pauley ocorrem 10 dias depois de um outro juiz, de Washington, ter questionado fortemente a constitucionalidade do programa.

O juiz de Nova Iorque considerou que não existe "qualquer prova de que a administração tenha utilizado a significativa recolha de dados telefónicos para outros fins que não para prevenir e investigar ataques terroristas".

O magistrado foi chamado a pronunciar-se num processo da Associação de Defesa de Liberdades Civis contra a administração do Presidente Barack Obama, no qual alegava que o programa de vigilância da NSA era ilegal.

"A questão colocada ao tribunal era saber se o programa de recolha em massa de dados telefónicos era legal. O tribunal considera que é", escreveu o juiz William Pauley na sua decisão, que foi consultada pela agência noticiosa francesa AFP.

A existência destes programas de vigilância foi revelada no verão pelo consultor informático norte-americano Edward Snowden, de 30 anos, que trabalhou como analista informático para uma empresa subcontratada pela NSA.

Atualmente, Edward Snowden está a viver na Rússia, ao abrigo de um asilo temporário por um período de um ano.

A existência nos serviços secretos norte-americanos de programas de vigilância em massa de comunicações acabou por suscitar tensões políticas internacionais e reavivou o debate sobre espionagem, segurança nacional e direito à privacidade.

Em agosto passado, Barack Obama anunciou uma série de reformas para tornar os serviços de informações mais transparentes e respeitadores dos direitos civis, prometendo trabalhar com o Congresso e com um grupo independente de peritos para esse fim.


NSA e CIA têm célula em Portugal


As agências de espionagem norte-americanas têm 80 escritórios "regionais" espalhados pelo mundo. Snowden passou informações sobre o nosso país.

O semanário "Expresso" escreve na sua edição de hoje que "uma "célula" da Special Collection Service (SCS), uma agência conjunta da NSA e da CIA, estará a operar em Portugal, segundo um documento revelado por Edward Snowden e publicado pelo jornal holandês "NRC". De acordo com o documento divulgado pelo jornal, a "célula" em questão em Portugal seria um ponto de acesso à imensa base de dados recolhida no mundo pela NSA e pela CIA. No mapa vê-se claramente uma bola vermelha sobre Portugal e, na legenda, detalha-se que se trata de um ponto "regional", com a indicação de que haverá mais de 80 pontos semelhantes no mundo, 19 dos quais na Europa, assegura Snowden".

Segundo o semanário, "a história da SCS indica que a maioria destes pontos (e agentes) começou por se localizar nas embaixadas e consulados americanos, um recurso ainda hoje utilizado - veja-se o caso do escândalo das escutas ao telemóvel da chanceler alemã Angela Merkel, denunciado por Snowden, e que teria origem precisamente numa "célula" da organização na embaixada americana em Berlim. Questionada a este propósito pelo Expresso, "a embaixada americana em Lisboa não confirmou nem desmentiu a existência da célula, mas reconheceu a existência de alguns problemas que estariam a ser tratados por canais diplomáticos. "Sabemos que as alegações de atividades de vigilância da NSA criaram desafios significativos no nosso relacionamento com alguns dos nossos parceiros estrangeiros mais próximos".

Segundo fontes contactadas pelo semanário "o interesse por Portugal pode ter a ver com ligações significativas a outras partes do mundo, nomeadamente África, Brasil e Extremo oriente, e em particular a China, já que detém em Portugal ativos estratégicos importantes e faz do nosso país um dos canais de penetração na Europa".


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Drones matam terrorista a partir de um único e-mail


EUA conseguem acionar ataque por drones a partir de informação recolhida através de e-mails e chamadas em todo o mundo

Documentos revelados por Edward Snowden sobre espionagem dos EUA mostram que apenas um e-mail é suficiente para localizar um suspeito terrorista.

O escândalo que tornou o nome de Edward Snowden famoso mostrou que a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA, sigla em inglês de National Security Agency) consegue espiar milhões de chamadas e mensagens de e-mail em todo o Mundo. O que não sabíamos é que a informação recolhida por esta agência e pelos serviços secretos dos EUA (CIA, sigla de Central Intelligence Agency) é tão detalhada que consegue localizar um alvo terrorista através de um único e-mail.

Citando os documentos secretos que Snowden revelou, o jornal ‘Washington Post’ explica que as agências de informação NSA e CIA trabalham em conjunto na recolha de informação sobre suspeitos de terrorismo. Informação essa que é depois usada para localizar o alvo de um ataque drone.

O jornal norte-americano descreve memso um destes casos, ocorrido em 2011, em que uma única mensagem supostamente 'inócua' de e-mail foi enviada para Hassan Ghul, membro da rede terrorista Al-Qaeda, morto depois num ataque aéreo levado a cabo por um avião não-tripulado, que vitimou também a sua mulher.

Importa ainda realçar que este terrorista esteve detido pela CIA durante dois anos e meio, entre 2004 e 2006, antes de ser transferido para um sistema prisional paquistanês. As mortes de Ghul e da sua mulher nunca foram confirmadas publicamente pelo governo dos EUA.

Além da espionagem de chamadas e mensagens de correio eletrónico, a NSA tem mais ‘cartas na manga’. O ‘Washington Post’ refere que esta agência de informação tem à sua disposição “um arsenal de ferramentas, capazes de secretamente controlar computadores portáteis, desviar ficheiros áudio e controlar transmissões radiofónicas”.

O programa de drones militares tem sido um dos pontos fundamentais da estratégia de combate ao terrorismo implementada pela administração de Barack Obama.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

ONG querem questionar chefe da CIA sobre 'drones'


Organizações de defesa dos direitos humanos pediram, esta quarta-feira, ao Senado norte-americano para questionar o diretor da CIA indigitado, John Brennan, sobre os métodos interrogatórios e o uso de aviões não tripulados contra suspeitos de terrorismo.

Brennan, 57 anos, que exerce atualmente o cargo de assessor da Casa Branca na luta antiterrorismo, vai comparecer, esta quinta-feira, junto de uma comissão do Senado na numa audiência inserida no âmbito do processo de confirmação para dirigir a Agência Central de Inteligência.

O diretor da Amnistia Internacional nos Estados Unidos, Zeke Johnson, instou aquele comité do Senado a "pressionar" John Brennan, no sentido de clarificar "até que ponto tem estado envolvido" em políticas relacionadas com "a tortura, detenções indefinidas em Guantánamo e execuções extrajudiciais".

Zeke Johnson apontou que as últimas revelações acerca do uso por parte dos EUA de aviões não tripulados ('drones') para matar alegados líderes terroristas é "extremamente alarmante".

Neste âmbito, defendeu que Brennan, como membro integrante de equipa de assessores de segurança nacional do Presidente, Barack Obama, "tem a obrigação legal e moral de contar toda a verdade" sobre o programa de 'drones' diante do comité, apontando que o mesmo ainda "deve explicar o que pretende fazer de modo a garantir que não se voltem a cometer violações dos direitos humanos".

Por seu lado, a Human Rights First, citada pela agência noticiosa espanhola Efe, instou a comissão a considerar se Brennan ajudará a construir um "consenso duradouro" contra a tortura, cooperando da divulgação do relatório efetuado por uma comissão do Senado sobre as práticas de interrogatório da CIA.

Além disso, a organização reclama a divulgação de um relatório do Departamento de Justiça, cujo conteúdo foi parcialmente divulgado esta semana, sobre a justificação legal para executar no estrangeiro cidadãos norte-americanos suspeitos de serem líderes de movimentos terroristas.

A organização não-governamental propõe ainda que se questione ainda Brennan sobre outros assuntos "fundamentais" ao nível dos direitos humanos, como a prisão na base naval de Guantánamo, em Cuba.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Afinal quem decide o que é tortura?


O debate sobre o waterboarding, ou simulação de afogamento, pode provocar uma questão: por que é que parece tão difícil definir se uma técnica é tortura? Para tentar perceber, falámos com três especialistas americanos em direito

O vice-presidente americano veio dizer, com toda a sinceridade, que aprovou o uso de "técnicas de interrogatório agressivas" como o waterboarding (simulação de afogamento), uma técnica geralmente classificada como tortura. Dick Cheney disse-o mesmo depois de numa comissão de inquérito do Senado ter considerado que os interrogatórios foram longe de mais, e quando ninguém crê que a técnica vai voltar a ser usada pelos Estados Unidos num futuro próximo. Mas o vice-presidente garantiu, na mesma entrevista (de 15 de Dezembro), que os EUA "não torturam".

Sabemos que estamos em território movediço quando há dúvidas sobre como descrever a simulação de afogamento. Parece tortura é uma prática em que se enche as vias respiratórias com água para que a pessoa tenha a sensação de que vai morrer afogada, e é geralmente considerada tortura. Ou é mesmo tortura? Quem define o que é tortura?

Em tratados internacionais, como a Convenção contra a Tortura, diz-se que a tortura inclui grave sofrimento físico ou psicológico. A formulação é vaga, e não há nenhum local onde seja dito exactamente o que é tortura, começa por dizer a directora do think-tank National Institute of Military Justice, Michelle Lindo McCluer.

Mas "isto é provavelmente o melhor que se consegue fazer", opina o professor de Direito na Loyola School of Law de Los Angeles David Glazier. Se houvesse uma lista de técnicas específicas, "torturadores mais espertos iriam simplesmente desenvolver novas formas que não estavam nas listas e clamar inocência", diz numa entrevista por e-mail ao P2. "Países civilizados, incluindo os Estados Unidos, não tiveram problemas em identificar estes actos de tortura no passado, incluindo waterboarding e outras práticas como privação do sono e exposição prolongada a temperaturas extremas", comenta Glazier.

Já o advogado David B. Rivkin, perito do Council on Foreign Relations e especialista em contencioso da empresa Baker Hostetler, diz que consegue imaginar formas de waterboarding que sejam tortura e outras que não. "Se falamos de deixar uma pessoa com a cabeça imersa em água até que quase sufoque, claro que é tortura. Mas se for deitada alguma água pela cabeça da pessoa abaixo, de modo a causar algum desconforto, pode até entrar e sair alguma água pelo nariz, enfim, talvez não seja tortura", diz, por telefone, ao P2.

No entanto, os três especialistas em direito concordam que a técnica não será usada nos EUA pelo menos nos próximos anos, pelo menos até um próximo ataque.

Mas David Rivkin (que trabalhou ainda nas administrações de Bush pai e Ronald Reagan) critica que o debate se tenha centrado sobretudo no waterboarding, técnica usada em três detidos (entre os quais o alegado "cérebro" do 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed), e comenta ainda: "Acho que é triste que estejamos prestes a tratar melhor terroristas do que tratamos criminosos comuns, como os assaltantes de bancos ou violadores."

Significados diferentes

David Glazier pensa que a definição do que é tortura se torna mais complicada nos Estados Unidos por causa da natureza do sistema legal. "Infelizmente a lei norte-americana é complexa no seu tratamento da lei internacional", comenta.

Os tratados internacionais, como os que definem o que é tortura, "raramente são directamente incorporados na lei norte-americana", explica. "Normalmente o Congresso aprova um estatuto que faz com que os termos do tratado façam parte da lei americana, e os tribunais actuam com base nesse estatuto, não na lei internacional", continua. "E ainda que as palavras possam ser as mesmas, o sentido pode ser diferente na lei internacional e na lei americana", adianta o professor de Direito.

"Isso foi justamente o que responsáveis da Administração Bush tentaram fazer em 2002: emitiram uma opinião legal dizendo que a definição de tortura devia ter uma interpretação muito fechada para excluir as chamadas 'técnicas de interrogatório agressivas'".Outra especificidade que torna o assunto complicado é que vários ramos das forças de segurança têm as suas próprias regras em relação ao que é ou não possível fazer, diz pelo seu lado a especialista em direito militar Michelle McCluer, numa entrevista telefónica. "A CIA, por exemplo, tem regras diferentes das do Exército. E o seu modo de funcionamento e estas regras são normalmente envoltas em segredo", adianta.

De qualquer modo, depois da comissão bipartidária ter dado o seu parecer no início do ano, a técnica já não será usada. Mesmo que um vice-presidente venha dizer que aprovou o uso da técnica e que ela deu frutos em relação à informação recolhida.

"Primeiro, há dúvidas sobre a qualidade da informação dada por suspeitos a quem é feito waterboarding. Depois, há uma grande probabilidade de que um juiz não a reconheça como passível de ser usada no processo judicial. Finalmente, se alguém recebe ordens para aplicar uma técnica ilegal tem não só a possibilidade como o dever de recusar", diz McCluer. Portanto, "supostamente, não deve ser mais usada" por qualquer ramo das forças de segurança norte-americanas.

Michelle McCluer sublinha que o waterboarding não foi desenvolvido inicialmente como técnica de interrogatório pelas forças americanas. Fazia, isso sim, parte do treino dos militares americanos, porque poderiam ser submetidos a essa prática, caso fossem feitos prisioneiros de guerra. "Simplesmente inverteu-se o pensamento e passou a usar-se esta técnica para interrogatório, sem qualquer ideia se levaria a informação fiável", comenta.

A antiga militar não duvida de que esta é uma situação muito invulgar, se não inédita, na história militar dos EUA. "Quando há uma guerra, há escândalos. Sabe-se que houve coisas feitas à margem das regras. Na guerra do Vietname isso aconteceu de certeza: sabe-se que estivemos em países onde não tínhamos autorização para estar, por exemplo. Mas de facto ter uma comissão bipartidária a dizer que uma técnica que se usou e que teve o aval de altos responsáveis de uma Administração foi longe de mais, isso sim, é muito invulgar." Glazier considera mesmo que houve "reinterpretações" sobre o que é tortura por responsáveis da Administração Bush que "são muito diferentes do que tem sido a prática histórica dos Estados Unidos".

fonte: Público

Técnica de waterboarding foi usada 266 vezes pela CIA




O waterboarding (técnica de simulação de afogamento) foi usado 266 vezes por agentes da CIA em dois suspeitos-chave da Al-Qaeda detidos pelos EUA, noticiou o "New York Times". O número é muito superior ao que tinha sido reportado anteriormente.

O waterboarding é uma técnica de interrogatório em que se enche as vias respiratórias com água para que a pessoa que é sujeita a esta prática tenha a sensação de que vai morrer afogada, e é geralmente classificada como tortura.

Em declarações ao Senado no final do mandato de Bush, o então director da CIA, Michael Hayden, tinha afirmado que a prática tinha sido usada “apenas” em três detidos.

Agora, o "New York Times" diz – citando um memorando do Departamento de Justiça de 2005 – que agentes da CIA usaram a técnica pelo menos 83 vezes em Agosto de 2002 em Abu Zubaydah, descrito como um operacional da rede terrorista Al-Qaeda.

Antes, um antigo responsável da CIA tinha afirmado à estação de televisão ABC news e outros media que Zubaydah tinha sido submetido a waterboarding durante apenas 35 segundos antes de concordar que revelaria tudo o que sabia.

O memorando do Departamento de Estado diz ainda que a simulação de afogamento foi feita 183 vezes em Khalid Sheikh Mohammed, o auto-proclamado planificador dos ataques de 11 de Setembro de 2001. Sabia-se que tinha sido sujeito a técnicas “duras” de interrogatório mais de cem vezes, e que tinha sido objecto de waterboarding, mas não havia, sublinha o "New York Times", ideia de que técnicas tinham sido usadas e quantas vezes.

O uso do waterboarding foi especialmente controverso, embora defendido pela Administração Bush que não o considerou “tortura”, e o Congresso votou, no ano passado, para proibir a técnica de interrogatório.

Na altura em que a questão foi debatida, responsáveis da CIA deram a entender que esta prática tinha sido usada só numa altura muito particular, apenas no período imediatamente a seguir ao 11 de Setembro, e apenas em três suspeitos. A dimensão do uso dessas técnicas referida no documento hoje citado no "New York Times" mostra um quadro diferente.

A CIA tinha antes causado especial polémica – e uma investigação do Departamento de Justiça – quando afirmou, em Dezembro de 2007, que tinha destruído as cassettes com as gravações dos interrogatórios de Mohammed e Zubaydah.

O então director da agência de espionagem tinha justificado as medidas duras com a quantidade de informação conseguida – Zubaydah e Mohammed tinham fornecido um quarto dos relatórios de informação humana sobre a rede de Osama bin Laden, disse Hayden.

fonte: Público

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EUA e Israel foram os criadores do vírus Flame




EUA e Israel desenvolveram em conjunto o sofisticado vírus informático Flame, detectado recentemente e considerado uma “ciberarma” global, com o intuito de conduzir uma ciber-sabotagem à capacidade iraniana de desenvolver armas nucleares, avança hoje o “The Washington Post”, que cita “responsáveis ocidentais com conhecimentos acerca desse esforço”.

Este malware alegadamente desenvolvido por Washington e Telavive infiltrou-se secretamente na rede iraniana e monitorizou as actividades do sector nuclear nacional, enviando dados sensíveis para os responsáveis americanos e israelitas, indicaram os mesmos responsáveis que foram a fonte deste artigo daquele jornal.

O esforço de desenvolvimento deste vírus – a cargo da National Security Agency (NSA), da CIA e do Exército israelita, segundo o mesmo diário – incluiu o uso de software destrutivo semelhante ao já conhecido Stuxnet, para causar danos de funcionamento ao equipamento de enriquecimento nuclear iraniano.

Estes novos detalhes acerca do Flame fornecem novas pistas para aquilo que poderá ser considerada a primeira campanha de ciber-sabotagem contra um inimigo comum dos EUA e de Israel.

Pensa-se que este vírus Flame – considerado um dos mais complexos alguma vez detectados – também terá recolhido dados privados de uma série de países para além do Irão, incluindo Sudão, Síria, Líbano, Arábia Saudita e Egipto.

A empresa de segurança informática russa Kaspersky Labs – das primeiras entidades a denunciar a existência do vírus – indicou recentemente à BBC que este malware é muito complexo e que poderá demorar anos a analisar. Actua como uma espécie de “aspirador” de dados estatais sensíveis. A mesma empresa indicou igualmente que os ataques teriam origem num programa governamental.

Até ao momento, quer os EUA quer Israel sempre negaram qualquer envolvimento na criação desta “ciberarma”.

Washington e Telavive não comentam

Apesar da negação, um alto responsável dos serviços secretos norte-americanos disse ao WP que este vírus foi apenas uma forma de preparar terreno para novas acções mais avançadas de espionagem e neutralização que já estão a decorrer e que foram planeadas pelos EUA e Israel.

A CIA, a NSA e o gabinete do Director dos Serviços Secretos Nacionais, bem como a embaixada israelita em Washington, escusaram-se a comentar esta notícia, indica o WP.

O Flame foi criado de forma a operar disfarçado de uma corriqueira actualização da Microsoft e conseguiu durante anos despistar qualquer detecção usando um sofisticado programa envolvendo a encriptação de algoritmos.

“Isto não é algo que a maioria dos programadores tenha a capacidade de fazer”, disse Tom Parker, responsável do FusionX, uma empresa de segurança especialista em simulação de ciberataques levados a cabo por Estados. Parker adianta não saber quem estará por detrás da criação deste vírus, mas adianta que ele é fruto do trabalho de pessoas com conhecimentos avançados em criptografia e matemática, tais como as que trabalham para a NSA.

O WP indica ainda, citando responsáveis americanos familiarizados com as ciber-operações nacionais e peritos que escrutinaram o código do vírus, que o Flame foi desenvolvido há pelo menos cinco anos como parte de uma operação denominada Jogos Olímpicos.

Até ao momento, a mais conhecida ciber-arma usada contra o Irão foi o vírus Stuxnet, que infectou os sistemas nucleares iranianos fazendo com que quase mil centrifugadoras de urânio ficassem fora de controlo. Os estragos foram acontecendo gradualmente, ao longo de meses, e as autoridades iranianas pensaram inicialmente que isso era o resultado da incompetência dos técnicos.

Os esforços para atrasar e causar danos ao programa nuclear iraniano - que Teerão sempre disse ter um fim pacífico - começaram a tomar forma durante o segundo mandato do Presidente George W. Bush.

Nessa altura tratava-se apenas de reunir informações secretas a fim de se identificarem potenciais alvos. Em 2008 - continua o WP - o programa ficou operacional (ainda durante a Presidência de Bush) e passou do controlo militar para a CIA.

Apesar da colaboração entre os EUA e Israel para o desenvolvimento de malware, nem sempre Washington e Telavive coordenaram os seus ataques, o que ficou provado em Abril passado, quando o estado israelita levou a cabo um ataque unilateral contra as infra-estruturas petrolíferas iranianas que causaram apenas problemas menores. Foi precisamente esta acção que levou à descoberta do Flame.

fonte: Público

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Portugal recusou fornecer informações sobre voos secretos da CIA















Portugal recusou fornecer às associações de direitos humanos Reprieve e Access Info Europe informação sobre os voos secretos da CIA que transportaram suspeitos de terrorismo após os ataques de 11 de Setembro, enquanto Cabo Verde nem sequer respondeu ao pedido.

Segundo noticia a agência americana Associated Press, 13 membros da União Europeia – Portugal, Áustria, França, Itália, Letónia, Roménia, Espanha, Suécia, Reino Unido, Bulgária, República Checa, Estónia e Eslovénia – declinaram o pedido daquelas duas associações para libertarem informações sobre os voos secretos que transportaram centenas de suspeitos de terrorismo detidos pela CIA no estrangeiro para a base militar dos EUA em Guantánamo (Cuba), no âmbito das operações pós-atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.

As duas associações também não receberam resposta de outros países, como Albânia, Azerbaijão, Geórgia, Islândia, Rússia, Turquia e Canadá, nem do Eurocontrol, regulador do tráfego aéreo com sede em Bruxelas.

Em concreto, a Reprieve (com sede em Londres) e a Access Info Europe (com sede em Madrid) pediram dados sobre tráfego aéreo que pudessem esclarecer o percurso dos designados voos de rendição realizados pela agência de informações dos Estados Unidos.

Estas duas organizações e outras trabalham há anos para juntar as peças do puzzle que envolve o transporte, em voos secretos, de centenas de suspeitos de terrorismo detidos pela CIA no estrangeiro para a base de Guantánamo.

A CIA nunca confirmou a localização exacta daquelas detenções, mas os activistas de direitos humanos falam em utilização de tortura para extrair confissões de terrorismo em países como Tailândia, Afeganistão, Lituânia, Polónia e Roménia.

Apenas 7 de 27 países forneceram as informações pedidas: Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Lituânia e Noruega.

Dos restantes, cinco alegaram que já não estão na posse daqueles dados – Reino Unido, Bulgária, República Checa, Estónia e Eslovénia –, três outros recusaram partilhar os elementos pedidos – Portugal, Canadá e Suécia, e ainda o regulador Eurocontrol – e treze outros não responderam, mais de dez semanas após o pedido – Cabo Verde, Albânia, Áustria, Azerbaijão, Geórgia, França, Islândia, Itália, Letónia, Roménia, Rússia, Espanha e Turquia.

As duas organizações acusam os países que se recusaram a responder de «cumplicidade» nos voos secretos da CIA e de «falta de transparência».

No relatório citado pela AP, as organizações assinalam ainda que o silêncio da Europa contrasta com a postura dos Estados Unidos, que entregaram registos da autoridade de aviação federal com mais de 27 mil segmentos de voo.

Washington – destacam – forneceu, «de longe, a resposta mais completa».

Em 2007, o Conselho da Europa estimou em 1245 os voos operados pela CIA que sobrevoaram o continente europeu.

O programa de detenção e interrogatório levado a cabo pela CIA terá terminado em 2009.

fonte: Sol

sábado, 3 de dezembro de 2011

WikiLeaks revela “indústria de vigilância” em grande escala























Assange está em Inglaterra, onde luta contra um pedido de extradição para a Suécia

A WikiLeaks publicou nesta quinta-feira 287 documentos que indicam que dezenas de empresas vendem a Governos tecnologia para vigilância de pessoas, naquilo que a organização classifica como uma “indústria de vigilância” em larga escala.

O material publicado, a que a WikiLeaks chamou Spy Files, inclui, entre outros, catálogos e brochuras, apresentações, manuais de utilização, vídeos promocionais e um contrato (entre a Líbia e a empresa francesa Amesys).

“Publicámos 287 ficheiros a documentar a realidade da indústria internacional de vigilância em massa”, declarou aos jornalistas, em Londres, o fundador da WikiLeaks, Julian Assange. Citado pela agência AFP, Assange afirmou que esta indústria “vende equipamentos tanto a ditadores como democracias, para interceptar [as comunicações] de populações inteiras”.

Segundo o site criado pela WikiLeaks para apresentar os documentos, há empresas a vender equipamentos para “registar a localização de todos os telemóveis numa cidade, com uma precisão de 50 metros”, e software para “infectar todos os utilizadores de Facebook ou utilizadores de smartphone de um sector inteiro da população”. Para além disto, há quem venda vírus informáticos e outro software malicioso para ser instalado em computadores específicos, tecnologia de rastreamento por GPS e material para interceptar ligações de Internet.

Na lista de empresas a vender este género de tecnologia, estão alguns nomes conhecidos, como a HP, a Alcatel-Lucent e a Siemens, cada uma com uma apresentação de sistemas de vigilância. Por exemplo, na apresentação da Siemens – a um produto chamado Siemens Intelligence Platform e feita no Dubai em 2007 – a empresa pergunta: “Já alguma vez se questionou se a pessoa que viaja, para o seu país todos os meses no mesmo dia está a visitar a sede da empresa dela? Mas às vezes a data é um fim-de-semana...”

Entre os clientes estão países como a Líbia e o Egipto, mas também autoridades de países ocidentais, como a americana CIA. “Os Spy Files da WikiLeaks mostram mais do que os ‘países ocidentais bons’ a exportar para os ‘países maus em desenvolvimento’”, afirma a organização.

Esta fuga de informação é a primeira a desde que a WikiLeaks anunciou, no final do mês passado, estar a ter dificuldades de financiamento.

Os documentos surgem duas semanas após o americano Wall Street Journal ter publicado um trabalho de investigação que revelava “um novo mercado global para tecnologia de vigilância pronta a usar”, que, de acordo com o jornal, tem vindo a crescer desde os ataques do 11 de Setembro.

Tal como fez com o caso dos telegramas das embaixadas dos EUA, Assange actuou em parceria com outras organizações. Os SpyFiles são uma colaboração com a organização Privacy International, com o Bureau of Investigative Journalism (ambos com sede em Londres) e com a OWNY (uma organização francesa especializada em jornalismo baseado em análises de dados).

Há também três jornais envolvidos: os italianos La Repubblica e L’Espresso, o americano Washington Post e o indiano The Indu. Nenhum dos anteriores parceiros de Assange (o NY Times, o Guardian e a Spiegel) participaram no projecto.

A WikiLeaks diz ter mais informação, que será divulgada a partir da próxima semana.

fonte: Público

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Provados voos secretos da CIA com suspeitos de terrorismo























Um litígio que envolve uma empresa privada de transporte aéreo revelou provas de que foram realizados voos clandestinos pela CIA para transportar suspeitos detidos na "guerra contra o terrorismo", após o 11 de Setembro de 2001.

Segundo o jornal Washington Post, dezenas desses voos, a maioria para Bucareste, Baku, Cairo, Djibouti, Islamabad e Tripoli, foram organizados pela empresa Sportflight, com sede em Long Island (Nova Iorque), através do aluguer de um avião à Richmor Aviation, que processou a primeira alegando quebra de contrato.

Os planos de voos e as listas de chamadas, incluindo responsáveis da CIA ou a sede da agência de informações, foram apresentados como provas no julgamento em Nova Iorque, de acordo com o mesmo jornal, que foi alertado para a disputa judicial pela organização não governamental britânica Reprieve, especializada nos direitos dos prisioneiros, designadamente de detidos pelos EUA em Guantánamo, na ilha de Cuba.

A Richmor cobrava 4.900 dólares (cerca de 3.400 euros) por cada hora de utilização de um Gulfstream IV e ganhou cerca de seis milhões de dólares (mais de quatro milhões de euros) em três anos com o contrato que tinha com a Sportflight, segundo os documentos apresentados ao tribunal.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, também alertado para este processo pela Reprieve, a Sportflight avisou a Richmor de que o "cliente disse que iria estar muito, muito ocupado".

Os documentos apresentados em tribunal pelo presidente da Richmor, Mahlon Richards, explicam que seria transportado "pessoal governamental e os seus convidados".

O Washington Post descreve um desses voos, operado a 12 de Agosto de 2003 por um Gulfstream IV, que partiu do aeroporto Dulles, de Washington, com seis passageiros a bordo em direção a Banguecoque. Antes do seu regresso quatro dias depois, o aparelho aterrou no Afeganistão, Sri Lanka, Emirados Árabes Unidos e Irlanda.

O voo, que custou 339.228,05 dólares, parece coincidir com a detenção, a 14 de Agosto de 2003, na Tailândia, do indonésio Riduan Isamuddin, suspeito de ser um dos responsáveis pelos atentados de Bali que causaram 202 mortos em 2002. Isamuddin esteve detido três anos nas prisões secretas da CIA antes de ter sido transferido para Guantánamo, em setembro de 2006.

De acordo com o Guardian, o aparelho alugado pelo Sportflight poderá ter sido também utilizado aquando da detenção de Khalid Cheikh Mohammed, suspeito de estar por detrás dos atentados do 11 de Setembro de 2001. Mohammed foi alegadamente submetido a interrogatórios com recurso à tortura, como a simulação de afogamento, que terá sido utilizada 183 vezes num mês.

O Gulfstream IV da Sportflight foi identificado como tendo sido ainda sido utilizado no sequestro em Milão do imã egípcio Abou Omar, cujo verdadeiro nome é Osama Hassan Nasr, membro da oposição islamita radical que beneficiava de asilo político em Itália.

Omar terá sido sequestrado numa rua de Milão a 17 de Fevereiro de 2003, durante uma operação coordenada entre os serviços secretos italianos e a CIA, e depois transferido para o Egito, onde os seus advogados alegaram ter sido torturado. No final de 2010, 23 agentes da CIA foram condenados com penas de sete a nove anos de prisão por este sequestro.

No quadro da "guerra contra o terrorismo" lançada pela administração do Presidente George W. Bush após os atentados de 11 de Setembro, a CIA foi acusada de ter realizado várias detenções, sequestros e transferências secretas de suspeitos de terrorismo para países conhecidos por praticarem tortura.

fonte: DN

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