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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Net está esgotada

Em setembro, não haverá mais endereços IP para distribuir. A Internet não vai parar, mas também não cresce nos próximos cinco anos.


Latif Ladid, presidente do IPv6 Forum, veio a Portugal em junho para apadrinhar o lançamento do projeto de migração para a versão 6 do protocolo da Internet (IPv6) da PT. Pelo meio, aproveitou para dar a conhecer a uma nova era das comunicações e a "Internet das coisas".

Há muito que se fala que os endereços no protocolo Internet versão 4 (IPv4) estão à beira de esgotar, mas nada parece ter sido feito. Será apenas mais um mito? 

As tecnologias críticas são como o vinho... levam tempo a amadurecer. E as pessoas também levam tempo a entender as tecnologias. Os trabalhos com o IPv6 começaram em 1992 e terminaram em 1998. Percebeu-se logo que não seria fácil explicar que tinham de fazer um upgrade à Net. As pessoas não estavam preparadas para isso. Se os endereços IP fossem da Microsoft já teriam sido feitos vários upgrades. Como é um protocolo aberto e não pertence a ninguém, torna-se difícil encontrar o momento certo para todos o adotarem. O esgotamento do IPv4 é um assunto sério. Só nos restam 50 milhões de endereços (em IPv4) e, normalmente, usamos 200 milhões por ano. Se a tendência se mantiver, já não haverá mais endereços IPv4 disponíveis em setembro deste ano, na melhor das hipóteses.

Que consequências pode ter o esgotamento de endereços?

Sem endereços IP disponíveis torna-se impossível instalar routers, servidores de Web ou e-mail, ou redes móveis em IPv4... A Net vai funcionar, mas não cresce - para isso será preciso criar novos endereços. O esgotamento é uma realidade.

Também já se disse que este era um falso problema, uma vez que há técnicas que desmultiplicam os endereços IPv4...

Sim, é possível criar NAT (network address translation) e recorrer a outras técnicas, mas isso não chega. A prova é que continuamos a ocupar 200 milhões de endereços por ano. Hoje, há cerca de 6,5 mil milhões de pessoas. Os endereços disponíveis apenas chegam para parte dessa população... o que fazemos ao resto? É por isso que o IPv6 foi criado. Têm de ser os ISP e os operadores de telecomunicações a intervir - porque são eles a parte que falta.

Face ao iminente esgotamento, não será de esperar uma corrida aos endereços e uma inflação dos custos?

Provavelmente, os operadores maiores vão tentar comprar aos operadores mais pequenos blocos de endereços. É algo que já está a acontecer. Os endereços IP não deveriam ter um custo, mas quem tem endereços IPv4 vai tentar vendê-los. E quem os comprar vai ter de arranjar forma de colocá-los numa routing table, para que possam ser identificados pelos routers. Se este fenómeno se multiplicar, a routing table acabará por explodir, deixando a Net fragmentada. Hoje, temos um sistema baseado em prefixos que identificam os países. Estes números têm de ser inseridos com continuidade, mas se alguém os inserir sem obedecer a essa ordem, a routing table começa a sofrer perturbações.

Já há equipamentos no mercado que suportem a IPv6?

Todos os equipamentos que têm sido vendidos nos últimos tempos são compatíveis. Foi esse o trabalho do IPv6 Forum nos últimos dois anos, com programas e sistemas de teste para todos os fornecedores. Agora, tudo depende dos operadores e ISP. Cada operador de telecomunicações tem de fazer o mesmo que foi feito com o bug do ano 2000 e descobrir como integrar o IPv6 nos seus routers, aplicações e redes.

Quais os custos dessa migração?

Os pioneiros, porque começam mais cedo, veem o upgrade como parte do ciclo de renovação de tecnologias. O IPv6 não tem custos e os novos equipamentos comprados pelos ISP já são compatíveis. Mas é necessário treinar as equipas e fazer testes. Há operadores que não têm ideia do que vão fazer. Nestes casos, é possível que a migração só se faça quando acabarem os endereços em IPv4. O que vai exigir um upgrade rápido, que é muito dispendioso. Um operador como a PT pode demorar cerca de 18 meses a fazer esse upgrade.

A escassez de endereços limita o leque de serviços dos ISP?

Sim. Se um operador quiser disponibilizar acessos de fibra ótica em casa dos clientes, precisa de muitos endereços, porque estes serviços funcionam permanentemente. E por isso precisam de endereços fixos, que não mudam.


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