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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Wikileaks divulga telegramas sobre Portugal e países lusófonos


O Governo de José Sócrates, a comunidade muçulmana em Portugal e o investimento chinês em Angola foram tema de comunicações norte-americanas divulgadas pelo Wikileaks.

Na sua conta no Twitter, a organização anunciou cerca das 19h30 desta quinta-feira a divulgação de 97.152 comunicações diplomáticas norte-americanas. Entre este lote de informação secreta ou classificada encontram-se telegramas originários das embaixadas dos Estados Unidos em Lisboa, Luanda, Maputo e Dili.

O segundo Governo de Sócrates

De Lisboa surge um telegrama sobre o anúncio do último Governo de José Sócrates, com os perfis dos então novos ministros António Mendonça, António Serrano, Gabriela Canavilhas, Helena André, Isabel Alçada, Dulce Pássaro e Alberto Martins. A embaixada antevia já em Outubro de 2009 que o Executivo de Sócrates iria enfrentar«numerosos desafios enquanto Governo minoritário».

Basílio Horta mediou contactos entre farmacêuticas e Executivo

Outra comunicação refere que a embaixada de Lisboa teve um papel activo na promoção de investimentos da indústria farmacêutica norte-americana, britânica, alemã e suíça em Portugal, e que Basílio Horta, então presidente da AICEP, ofereceu-se para agendar um encontro entre as farmacêuticas e o recém-reeleito Governo socialista. O encontro, terá sugerido, deveria acontecer logo após a tomada de posse, para aproveitar o período de definição das políticas governamentais na área da Economia e Saúde.

Casamento homossexual

Os diplomatas norte-americanos em Lisboa trocam ainda informações sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, apontado a «transição de um país profundamente católico para um liberalismo mais tolerante». 

Muçulmanos em Portugal

É também revelado que os Estados Unidos requisitaram informação sobre o número de muçulmanos em Portugal. São cerca de 50 mil pessoas, menos de 1% da população nacional, indica a embaixada em Lisboa a 14 de Janeiro de 2010. «A maioria são de ascendência indo-paquistanesa ou imigrantes das antigas colónias portuguesas de Moçambique e Guiné-Bissau. A principal mesquita situa-se em Lisboa, com vários espaços de oração espalhados pelo país. Os muçulmanos em Portugal não são activamente políticos enquanto 'muçulmanos' e mantêm um perfil discreto», informam os diplomatas norte-americanos.

Terrorismo

Sobre o terrorismo, a embaixada de Lisboa não refere a 24 de Dezembro de 2009 qualquer ameaça e sublinha que «não existem grupos terroristas domésticos» em Portugal. A dissuasão à instalação de grupos extremistas estrangeiros no país é o principal objectivo das estruturas portuguesas de combate ao terrorismo, refere-se.

Médicos cubanos

Os norte-americanos enviam outro telegrama sobre a contratação de médicos cubanos por parte do Estado português. A 7 de Dezembro de 2009 é referido que tal não é percepcionado como«uma mudança da política portuguesa em relação a Cuba»mas antes como uma resposta à «continuada escassez de médicos de família» em Portugal. «Uma resposta mais abrangente terá requerer um maior investimento no ensino de saúde para gerar mais médicos formados no país», é comentado.

Ambiente

Noutra mensagem, é feita uma avaliação ambiental de Portugal:«boa qualidade do ar» e da água, alguma preocupação sobre os riscos ambientais representados pelo elevado tráfego marítimo, os incêndios e o nemátodo do pinheiro como maiores ameaças à floresta lusa e uma «forte aceitação pública» das energias renováveis alternativas.

Investimento chinês em Angola

De Luanda surge um curto relatório da embaixada norte-americana sobre o investimento chinês em Angola.

Trabalho infantil

O trabalho infantil é tema de uma comunicação de 3 de Fevereiro de 2009 onde é dito que Angola tem «parcos meios» para combater um flagelo associado à «pobreza extrema».

Crime em Luanda

A «elevada» criminalidade em Luanda era, em Dezembro de 2009, uma enorme preocupação para os diplomatas norte-americanos, devido a três incidentes violentos nas imediações da embaixada no dia 4 do mesmo mês, dois dos quais envolvendo um diplomata português e outro britânico. «Crime em Luanda: De Mal a Pior» é o título da comunicação.

O boato que varreu Angola

Noutra comunicação, é relatada uma insólita onda de rumores que varreu Luanda em Março de 2006. Na ausência do Presidente José Eduardo dos Santos e do primeiro-ministro Fernando da Piedade Dias dos Santos, que se encontravam em Portugal por ocasião da tomada de posse de Cavaco Silva, circulou a informação de que«algo estava prestes a acontecer», desde um motim numa prisão a um golpe militar. 

A 11 de Março, os rumores foram suficientemente fortes para, segundo os diplomatas norte-americanos, uma mensagem SMS circular entre vários embaixadores a garantir que «as forças armadas angolanas apoiam fortemente a liderança e a ordem constitucional». Enquanto os norte-americanos suspeitam que o SMS anónimo tenha sido enviado pela cúpula militar angolana para serenar os ânimos dos dignitários estrangeiros, a embaixada em Luanda jamais apurou a origem do rumor de um golpe de Estado.

Tráfico de crianças em Moçambique

Da embaixada em Maputo surge uma denúncia de uma ONG sul-africana sobre o tráfico de menores moçambicanos para a África do Sul. As vítimas serão sujeitas a trabalhos forçados em explorações agrícolas. Há ainda relatos não confirmados de exploração sexual e remoção de órgãos.

Veja mais:

Wikileaks: EUA criticam jornalistas e eurodeputados portugueses

Wikileaks: Suspeita de tráfico de crianças em Moçambique

Wikileaks: Basílio Horta mediou encontro entre farmacêuticas dos EUA e Governo de Sócrates

Wikileaks: EUA vigiam investimento chinês em Angola

fonte: Sol


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