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domingo, 3 de abril de 2011

G20. Reforma do sistema monetário internacional paralisada na China


Washington e Pequim voltaram a colidir no seminário de alto nível do G20, em Nanquim. A "guerra" cambial está para durar

Foi uma reunião decepcionante para líderes mundiais, ministros das Finanças, governadores de bancos centrais e académicos do G20 que ontem se reuniram em Nanquim, na China para discutir a reforma do sistema monetário internacional: as duas potências económicas mundiais, China e Estados Unidos, colidiram quanto à soluções possíveis para corrigir os desequilíbrios do comércio global e reeditaram as suas versões opostas da actual guerra cambial.

As expectativas de Nicolas Sarkozy, que elegeu esse tema como a grande prioridade da sua presidência do G20 em 2011, saíram frustradas deste "seminário de alto nível" realizado na China. No final, o presidente francês lançou um apelo a Pequim, afirmando que "o G20 precisa da colaboração da China na agenda de reformas necessárias para evitar uma nova crise económica mundial.

Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, repetiu o argumentário de Washington ao identificar a assimetria entre moedas cujo valor flutua livremente e os "regimes apertados de taxas cambiais e de controlo de capitais de alguns mercados emergentes" como o maior problema do sistema monetário internacional. Foi uma referência evidente à política da China, país acusado de manter a sua moeda, o yuan, artificialmente subvalorizado de forma a potenciar as suas exportações. Só este ano, o yuan sofreu um depreciação de 5,2% face ao euro, embora tenha ganho 0,5% face ao dólar norte-americano no mesmo período.

"Esta assimetria nas políticas das taxas de câmbio cria uma enorme tensão. Intensifica os riscos de inflação nessas economias com taxas cambiais subvalorizadas. E, finalmente, potencia as pressões proteccionistas", defende o responsável norte-americano das finanças.

O vice-primeiro-ministro chinês, Wang Qishan, recorreu à típica linguagem diplomática de Pequim para dizer que a China encara "a reforma monetária global como um processo longo e complexo", que terá de avançar "gradualmente". Mas a verdade é que a China responsabiliza as políticas da Reserva Federal dos Estados Unidos (quantitative easing: emissão de moeda para compra de títulos e activos) como o principal factor de instabilidade cambial no mundo. A China, que é o maior detentor da dívida pública dos Estados Unidos e o país que tem um terço das reservas de moeda mundiais, foi gravemente atingida com a consequente depreciação do dólar norte-americano. De resto, Pequim defende que a política monetária de Washington é a principal causadora do aumento do preço das mercadorias e da subida da inflação. Uma vez que o dólar continua a ser a âncora do sistema monetário internacional, a China diz que está a ser forçada a importar inflação - que atingiu 4,9% em Fevereiro. A maioria dos analistas defende que a valorização do yuan permitiria a Pequim controlar a inflação e tornar as importações chinesas mais baratas. Além disso, iria favorecer a internacionalização da moeda chinesa, já que haveria um incentivo para que poderia tornar-se uma moeda de reserva estrangeira noutros países.

Apesar de tudo, a importância internacional do yuan é reconhecida por todos os parceiros do G20 que ontem decidiu estudar a hipótese de incluir a moeda chinesa no cabaz de moedas que compõem o Special Drawing Right (uma quase moeda usada pelo Fundo Monetário Internacional e os seus membros). Sarkozy e Geithner avançaram com os argumentos.

O presidente francês disse que "sem regras e supervisão, o mundo corre o risco de ser condenado a crises cada vez mais sérias e intensas" e "é evidente que temos de evoluir para um sistema mais flexível de taxas de câmbio que nos permita enfrentar os choques". O secretário do Tesouro dos Estados Unidos reforçou: "Acreditamos que as moedas das maiores economias amplamente utilizadas no comércio internacional e nas transacções financeiras deveriam ser incluídas do cabaz SDR". Mas para que isso aconteça "é necessário que os governos deixam flexibilizem o controlo das suas moedas, é precisam que existam bancos centrais independentes e que sejam permitida a liberdade dos fluxos de capitais", adiantou. A China entende que esta é uma condição inaceitável, imposta pelos Estados Unidos - que pode vetar a inclusão do yuan no cabaz SDR do FMI - para permitir a internacionalização da sua moeda e não está disposta a ceder às pressões de Washington. Foi por isso que, ontem mesmo, Pequim considerou ser cedo para o yuan ser integrado no cabaz.

fonte: Jornal i

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