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terça-feira, 11 de junho de 2013

Lóbi gay


A Wikipedia define lóbi como “grupo de pessoas ou organização que têm como actividade profissional buscar influenciar, aberta ou veladamente, decisões do poder público, especialmente do poder legislativo, em favor de determinados interesses privados.” 

O processo de influência da tomada de decisão política é algo perfeitamente natural; é por essa razão que se vota no partido A ou B, que há quem se manifeste ou faça greve, que haja até cidadãos valentes e empenhados que fazem circular e-mails. É neste quadro se insere a petição entrega pela ILGA Portugal na AR. Mas que exista um lóbi gay enquanto “actividade profissional” como a que têm as associações empresariais, por exemplo, isso não existe. E é um facto.

A conotação de lóbi em Portugal é, no entanto, mais ampla. E no geral extremamente negativa porque se foca na ilegitimidade das acções. Por lóbi gay entende-se que os homossexuais estão bem colocados nas hierarquias de poder, manipulando os decisores por forma a favorecer os seus interesses próprios e prejudicando, por essa via, a maioria. A minoria exclui a minoria, entenda-se.

Esta visão é bastante redutora. Em primeiro lugar, parte do princípio que os gays estão todos bem colocados na vida, o que é falso. Há gays de todas as formas e feitios, profissões, cores, opções políticas e partidárias, rendimentos... A homossexualidade é um fenómeno transversal na nossa sociedade. Nem a homossexualidade é uma tara ou capricho de gente “bem” nem os homossexuais são mais inteligentes (e logo ricos) que os outros: são iguais! Estão por todo o lado. Em segundo lugar, esta visão considera que todos os gays se conhecem e identificam facilmente. Se 5% da população for homossexual (estimativa conservadora) há 500.000 em Portugal! A teoria cai por si só. Uma organização secreta de 500.000 pessoas em Portugal? Ridículo, não é? Em terceiro lugar, se esse lóbi é assim tão poderoso por que é que em Portugal a discriminação é tão forte que quase todos têm medo e NINGUÉM se assume publicamente, por que é que em Portugal a legislação continua a discriminar os homossexuais (casamento, adopção, código penal..) quando noutros países a situação já está resolvida? Que benefícios têm retirado os homossexuais desse lóbi? Estranho, não é?

Já ouvi dizer que o Paulo Portas, enquanto ministro, encheu o Ministério da Defesa de gays. Mas o que fez o Santana? E o Durão? E os outros todos? Não encheram os ministérios de heteros? Ou é apenas porque os gays, sendo minoria, são facilmente identificáveis e memorizáveis e outros factores (como a amizade hetero, a escola, o bairro...) não? Todos preenchem os quadros com gente da sua confiança, gente da sua envolvente que, no caso do Portas, pelos vistos eram gays. Mas confundir redes de conhecimento (mais ou menos legítimas) com lóbis organizados é perigoso. Todos nós temos redes de conhecimento a quem recorremos em situações diversas. Querer olhar para um caso em particular, isolar um factor e daí inferir uma lei geral é redutor. Ou será conveniente?

E se se preocupassem com os grupos de pressão organizados com muito dinheiro e interesses financeiros em áreas como a construção civil, branqueamento de capitais, fuga ao fisco ou tráfico de armas? Ainda estou à espera de descobrir acções deste secretíssimo, poderosérrimo e ameaçador lóbi gay.


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