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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Provados voos secretos da CIA com suspeitos de terrorismo























Um litígio que envolve uma empresa privada de transporte aéreo revelou provas de que foram realizados voos clandestinos pela CIA para transportar suspeitos detidos na "guerra contra o terrorismo", após o 11 de Setembro de 2001.

Segundo o jornal Washington Post, dezenas desses voos, a maioria para Bucareste, Baku, Cairo, Djibouti, Islamabad e Tripoli, foram organizados pela empresa Sportflight, com sede em Long Island (Nova Iorque), através do aluguer de um avião à Richmor Aviation, que processou a primeira alegando quebra de contrato.

Os planos de voos e as listas de chamadas, incluindo responsáveis da CIA ou a sede da agência de informações, foram apresentados como provas no julgamento em Nova Iorque, de acordo com o mesmo jornal, que foi alertado para a disputa judicial pela organização não governamental britânica Reprieve, especializada nos direitos dos prisioneiros, designadamente de detidos pelos EUA em Guantánamo, na ilha de Cuba.

A Richmor cobrava 4.900 dólares (cerca de 3.400 euros) por cada hora de utilização de um Gulfstream IV e ganhou cerca de seis milhões de dólares (mais de quatro milhões de euros) em três anos com o contrato que tinha com a Sportflight, segundo os documentos apresentados ao tribunal.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, também alertado para este processo pela Reprieve, a Sportflight avisou a Richmor de que o "cliente disse que iria estar muito, muito ocupado".

Os documentos apresentados em tribunal pelo presidente da Richmor, Mahlon Richards, explicam que seria transportado "pessoal governamental e os seus convidados".

O Washington Post descreve um desses voos, operado a 12 de Agosto de 2003 por um Gulfstream IV, que partiu do aeroporto Dulles, de Washington, com seis passageiros a bordo em direção a Banguecoque. Antes do seu regresso quatro dias depois, o aparelho aterrou no Afeganistão, Sri Lanka, Emirados Árabes Unidos e Irlanda.

O voo, que custou 339.228,05 dólares, parece coincidir com a detenção, a 14 de Agosto de 2003, na Tailândia, do indonésio Riduan Isamuddin, suspeito de ser um dos responsáveis pelos atentados de Bali que causaram 202 mortos em 2002. Isamuddin esteve detido três anos nas prisões secretas da CIA antes de ter sido transferido para Guantánamo, em setembro de 2006.

De acordo com o Guardian, o aparelho alugado pelo Sportflight poderá ter sido também utilizado aquando da detenção de Khalid Cheikh Mohammed, suspeito de estar por detrás dos atentados do 11 de Setembro de 2001. Mohammed foi alegadamente submetido a interrogatórios com recurso à tortura, como a simulação de afogamento, que terá sido utilizada 183 vezes num mês.

O Gulfstream IV da Sportflight foi identificado como tendo sido ainda sido utilizado no sequestro em Milão do imã egípcio Abou Omar, cujo verdadeiro nome é Osama Hassan Nasr, membro da oposição islamita radical que beneficiava de asilo político em Itália.

Omar terá sido sequestrado numa rua de Milão a 17 de Fevereiro de 2003, durante uma operação coordenada entre os serviços secretos italianos e a CIA, e depois transferido para o Egito, onde os seus advogados alegaram ter sido torturado. No final de 2010, 23 agentes da CIA foram condenados com penas de sete a nove anos de prisão por este sequestro.

No quadro da "guerra contra o terrorismo" lançada pela administração do Presidente George W. Bush após os atentados de 11 de Setembro, a CIA foi acusada de ter realizado várias detenções, sequestros e transferências secretas de suspeitos de terrorismo para países conhecidos por praticarem tortura.

fonte: DN

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