RELÓGIO DO APOCALIPSE

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Wuant junta-se a movimento contra proposta da UE sobre direitos de autor


Há uma proposta da União Europeia (UE) para encontrar formas eficazes de os detentores de direitos de autor protegerem o respetivo conteúdo online. À partida seria algo bom para os Youtubers, mas estes discordam. Wuant e outros portugueses já se juntaram ao movimento "#SaveyourInternet" ("salva a tua Internet").

O objetivo é evitar que o "Artigo 13" da dita proposta seja colocado em prática. Caso se torne lei, ​​plataformas como o YouTube, Facebook ou Instagram serão responsabilizadas por qualquer violação de direitos de autor. Mas uma vez que nem todos os conteúdos são protegidos e os que são não têm uma lei bem definida, acaba por não haver um consenso sobre quem detém esses direitos e que conteúdos devem ser protegidos.

Na dúvida, as plataformas digitais bloqueiam os conteúdos para não serem prejudicadas. Nesse sentido, ao ser aprovada a proposta da UE, vídeos como "covers" musicais, montagens ou paródias podem passar a ser mais facilmente censurados.

A versão final do "Artigo 13" ainda está a ser avaliada e pode sofrer alterações. Entretanto, vários Youtubers de todo o Mundo juntaram-se ao movimento que pretende parar a proposta para evitar que conteúdos sejam bloqueados e que contas de utilizadores sejam eliminadas.


Os portugueses "wuant" e "Tiagovski" são alguns dos Youtubers que reagiram a esta proposta da UE e decidiram associar-se ao movimento. Num vídeo publicado com o título "O meu canal vai ser apagado", wuant fala sobre o tema e apela a que mais pessoas se juntem ao "#SaveyourInternet". Por sua vez, Tiagovski questiona se "após nova lei será o fim do Youtube?".


Uma petição internacional está a circular pela Internet e já conta com mais de três milhões de assinaturas. "Stop the censorship-machinery! Save the Internet!" (Pára a máquina da censura! Salva a Internet!") é o nome da petição, com a mensagem de que a Internet está a ser "ameaçada" pelo "Artigo 13".

No movimento, circula ainda uma mensagem a apelar aos Youtubers que criem um vídeo a falar da proposta até ao final de novembro. Além disso, é pedido que partilhem textos no Twitter com a "hashtag" #SaveYourInternet, adiram ao movimento na página de Youtube, assinem a petição e que peçam aos seguidores fazer exatamente o mesmo.

A votação a favor do "Artigo 13" ocorreu em setembro, mas a proposta terá de passar por um último escrutínio em janeiro de 2019, no Parlamento Europeu.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Empresas britânicas querem implantar microchips nos funcionários


Empresas do Reino Unido estão a estudar a hipótese de implementarem chips nos funcionários. Chips podem ser usados para patrões controlarem a vida dos trabalhadores, defendem sindicatos.

Alguns dos maiores empregadores do Reino Unido estão a estudar a hipótese de implementar uma medida que fez soar muitos alarmes depois de sugerir a hipótese de as empresas britânicas implantarem microchips nos seus trabalhadores, sob a justificação de melhorarem a segurança dos empregados.

O CBI, que representa 190.000 negócios no Reino Unido, já mostrou preocupações com a hipótese de os trabalhadores serem sujeitos a esta inovação, afirmando que as empresas se devem preocupar mais com "prioridades mais imediatas e em satisfazer as necessidades dos seus trabalhadores".

A empresa britânica BioTeq, que cria e vende esses dipositivos a empresas e privados, já implantou 150 chips no Reino Unido, embora maior parte dos mesmos tenham sido a particulares individuais. Os dispositivos em causa são implantados na área muscular entre o indicador e o polegar de uma das mãos e permitem às pessoas abrir a porta da frente, ligar a ignição do carro ou até dar informações pessoais no médico ou noutra situação que tal.

Uma das empresas que cria esses dispositivos, a sueca Biohax, contou ao Sunday Telegraph que está a discutir com várias empresas britânicas a possibilidade de implementar os chips nos trabalhadores das mesmas. Segundo os suecos, estão mesmo em negociações com empresas com milhares de trabalhadores.

O representante dos direitos dos trabalhadores da TUC mostrou preocupações com a possibilidade de as empresas obrigarem os seus trabalhadores a se submeterem à implementação destes dispositivos, dizendo: "Microchippar vai dar mais poder aos patrões e dar um controlo ainda maior sobre o trabalho dos empregados". "Os empregadores não devem deixar de lado os riscos envolvidos ou pressionar o seu pessoal a serem chipados."

Os chips da BioTeq custam entre os 80 e os 300 euros (70 a 260 libras) por pessoa. O director da empresa e todos os membros da direcção têm chips já implantados.


sábado, 10 de novembro de 2018

O sistema de vigilância da China já identifica pessoas pela forma de andar


A empresa tecnológica chinesa Watrix desenvolveu um sistema de câmaras inteligentes, capaz de identificar uma pessoa com precisão apenas pela forma como ela caminha, além de avaliar o formato do corpo.

Este é mais um método de vigilância do cidadão empregado pelo governo chinês que tem vindo a causar preocupações em relação à privacidade dos habitantes do país. Até à data, as autoridades começaram a implementar o sistema nas cidades de Pequim e Xangai.

Segundo Huang Yongzhen, CEO da Watrix, o sistema é capaz de fazer a devida identificação de uma pessoa a até 50 metros de distância, eliminando a necessidade de fazer zoom no rosto.

Além disso, as câmaras funcionam com a mesma precisão até quando a pessoa filmada está de costas ou com o rosto tapado. A garantia da empresa chinesa é: se há movimento, a câmara vai saber quem é.

O software da Watrix, explica a AP News, extrai a silhueta de uma pessoa do vídeo e analisa o seu movimento para criar um modelo da forma como caminha. Mas ainda não é capaz de identificar pessoas em tempo real. O vídeo tem que ser carregado no programa, demorando cerca de 10 minutos para pesquisar uma hora de vídeo.

“Não precisamos da cooperação da pessoa para saber a sua identidade. A análise de caminhada não pode ser enganada por simplesmente fingir um passo manco, andar com um tornozelo torcido ou com os ombros baixos e debruçados, uma vez que estamos a analisar traços do corpo inteiro”, explicou Yongzhen.

A implementação tem sido testada na prevenção de pequenos crimes, como atravessar uma rua com sinal vermelho para pedestres ou identificação de fugitivos no meio de uma multidão. Além da vigilância, o reconhecimento do andar também pode ser usado para identificar pessoas em perigo, como idosos que caíram.

O governo chinês é conhecido — e criticado por entidades internacionais — por usar tecnologias de ponta para a vigilância dos seus cidadãos. As câmaras da Watrix vêm agora complementar um outro sistema de reconhecimento facial já utilizado pelas autoridades. Com a adoção da tecnologia pelo governo, a empresa já conseguiu angariar cerca de 12,7 milhões de euros.

De acordo com Yongzhen, embora o software não seja tão bom como o reconhecimento facial, a taxa de precisão de 94% é suficiente para uso comercial.

A tecnologia em si não é nova. Investigadores do Japão, Reino Unido e Estados Unidos já têm estudado os sistemas de reconhecimento do andar por mais de uma década, mas poucos tentaram comercializá-la.


fonte: ZAP

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Junta 11 banqueiros, milionários e empresários. Balsemão vai criar Clube Bilderberg à portuguesa


De Paula Amorim a Vasco de Mello, do presidente do Novo Banco ao da Galp, sem esquecer as líderes das Fundações Gulbenkian e Champalimaud. O grupo vai seguir as mesmas regras que o Clube Bilderberg.

Francisco Pinto Balsemão, antigo primeiro ministro e fundador do grupo Impresa, vai criar em Portugal um grupo semelhante ao Clube Bilderberg, noticia esta sexta-feira o Público. O grupo vai chamar-se “Encontros em Cascais” e arrancará ainda este mês na presença de 50 pessoas. A direção vai ser constituída por 11 pessoas, entre as quais ele e o filho, além de Paula Amorim, Leonor Beleza, Carlos Carreiras e António Ramalho. A missão será encontrar soluções para os problemas de Portugal e da Europa, explica o jornal.

O grupo vai seguir as mesmas regras que o Clube Bilderberg, uma conferência anual privada que acontece desde 1954 num hotel homónimo na Holanda e que reúne parte da elite política e económica do mundo ocidental. Nenhum jornalista vai poder assistir aos encontros. E todos os membros têm de obedecer às chamadas Chatham House Rule, uma norma segundo a qual quem assistir aos encontros pode falar das ideias partilhadas nas reuniões, desde que não desvende quem é que as expressou.

Segundo o Público, a lista completa de empresários na direção do grupo é composta por Francisco Pinto Balsemão, que esteve mais de 30 anos no conselho diretor de Bilderberg; o filho, Francisco Pedro, que lidera a Impresa; Paula Amorim, presidente do Grupo Amorim; Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian; Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud; o autarca Carlos Carreiras, à frente da Câmara de Cascais; António Lagartixo, do comité executivo na Deloitte Portugal & Angola; Vasco de Mello, presidente do Grupo José de Mello; Pedro Penalva, presidente da AON; António Ramalho, presidente do Novo Banco; e Carlos Gomes da Silva, presidente da comissão executiva da Galp Energia.

Carlos Carreiras é o único político no ativo a integrar a direção dos Encontros em Cascais. Todos os outros são empresários e executivos nas áreas das finanças, social e educação. Juntos vão funcionar de forma semelhante ao comité diretor de Bilderberg, onde Francisco Pinto Balsemão se assumiu como um dos membros mais célebres durante 32 anos. Cada um dos membros pode permanecer na direção do grupo durante um mandato de três anos, que só pode ser renovado uma vez. E vai convidar quatro pessoas, portuguesas ou não, para assistir às reuniões.

fonte: Observador

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Bayer afunda em bolsa após tribunal nos EUA validar que glifosato causou cancro

Bayer afunda em bolsa após tribunal nos EUA validar que glifosato causou cancro

Na segunda-feira à noite, um juiz dos Estados Unidos reduziu a indemnização paga à Monsanto em mais de 200 milhões de dólares, para 78 milhões, mas confirmou a fundamentação da sentença lida no verão em São Francisco.

Os títulos da gigante química alemã Bayer estão em forte queda na bolsa alemã, após a confirmação, nos Estados Unidos, da condenação de sua subsidiária Monsanto por esconder a perigosidade do Roundup, o seu herbicida com glifosato.

As acções da Bayer descem 7,25% para 70,99 euros na Bolsa de Frankfurt, elevando as suas perdas para mais de 30% desde o início do ano. Na sessão de hoje os títulos já estiveram a cair 8,52%.

Na segunda-feira à noite, um juiz dos Estados Unidos reduziu a indemnização paga à Monsanto em mais de 200 milhões de dólares, para 78 milhões, mas confirmou a fundamentação da sentença lida no verão em São Francisco.

Os investidores vêem a sentença como "uma surpreendente derrota para a Bayer", de acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, já que a decisão provavelmente influenciará as mais de oito mil acções em andamento nos tribunais nos Estados Unidos por causa dos produtos de glifosato da Monsanto.

Depois de um processo retumbante, um júri popular de São Francisco concluiu em 10 de Agosto que a Monsanto, que em breve seria absorvida pela Bayer, agiu de forma "maliciosa" ao esconder a natureza potencialmente cancerígena do glifosato.

De acordo com esse julgamento, que já havia provocado a queda da Bayer no mercado de acções, os herbicidas Roundup e a RangerPro contribuíram "significativamente" para o cancro de Dewayne Johnson, de 46 anos, um jardineiro que tem a doença em estado terminal.

Após a nova decisão na segunda-feira, a Bayer disse que a redução acentuada na indemnização a pagar foi "um passo na direcção certa", mas continua a contestar fundamentalmente a perigosidade do glifosato e pretende recorrer.

A gigante alemã, que aposta a médio prazo no papel crescente da química para alimentar o planeta, teve que desembolsar 63 biliões de dólares (54 biliões de euros) para adquirir a Monsanto, ao mesmo tempo que entregou 7,6 biliões de euros em activos à sua compatriota BASF.


domingo, 28 de outubro de 2018

Teorias dos rastos químicos dos aviões chegam ao Parlamento

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Rastos deixados pelos aviões levantam dúvidas

A possibilidade de os aviões estarem a deixar rastos químicos na atmosfera - chemtrails - vai ser debatida hoje na Assembleia da República. A discussão deve-se a uma petição que reuniu 4384 assinaturas (quando foi admitida a 21 de março e que agora conta com 4572). O primeiro subscritor da petição, Tiago de Jesus Lopes, espera que pelo menos agora, os deputados "esclareçam o que pensam desta situação". No entanto, este é um tema que não tem validação científica e que, por exemplo, Francisco Ferreira, da Zero, classifica apenas como "teoria da conspiração".

Os subscritores da petição - que levou mais de cinco anos a reunir as quatro mil assinaturas - defendem que os aviões estão a deixar, pelo país, rastos químicos que servem para manipular o clima e acabam a poluir o meio ambiente. O texto da petição refere "relatos deixados por exemplo no Facebook, de cidadãos de vários pontos do país, de aviões que sobrevoam o espaço aéreo e libertam produtos químicos deixando um rasto visível durante horas". E questionam se este fenómeno não "poderá estar relacionado com as alterações climáticas e o aumento de patologias nomeadamente alérgicas, respiratórias e oftalmológicas?". Para Tiago de Jesus Lopes tem-se tornado evidente que o objetivo da libertação de aerossóis "não pode ser o objetivo primário que se anunciava de formar vários tipos de nuvem, que permitia fazer cair chuva onde quisessem". "Eles também dizem que é para fazer a gestão da radiação solar, mas essas partículas estão em todo o lado, são metais pulverizados e ficam em todo o lado", acrescenta.

Junto com a petição, foram enviados aos deputados da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, links que sustentam as dúvidas e preocupações dos peticionários.


A comissão ouviu o primeiro peticionário, na audição regimental, onde não estiveram os grupos parlamentares. A petição vai agora ser debatida em plenário, por imposição legal.

Se Tiago de Jesus Lopes espera ver esclarecidas as posições dos partidos - embora sem grande expectativa de mudanças, principalmente nos "grupos principais que vão defender as diretivas europeias" -, Francisco Ferreira espera que "a teoria seja recusada".

"A Zero já recebeu muitos emails de pessoas a queixarem que não dávamos atenção à questão e tentamos sempre responder. Se os deputados entenderem que deve haver algum esclarecimento das companhias aéreas ou da gestão dos aeroportos - que penso ser desnecessário face ao conhecimento técnico e científico que explicam o aparecimento dos rastos -, que devem pedir pareceres para esclarecer a população, pode ser útil, nessa perspetiva pedagógica", defende o ambientalista. Os cientistas explicam que os rastos resultam da emissão de partículas ultra finas por parte dos aviões que em contacto com a atmosfera condensam.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Rússia acusa EUA de estarem a aumentar arsenal de armas nucleares


Rússia acusou os EUA de estarem a aumentar a influência das armas nucleares no seu arsenal, uma campanha intensificada para garantir "a superioridade militar do país sobre o resto do mundo".

O diretor do Departamento de Não Proliferação e Controlo de Armas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Andrei Belousov expressou, na segunda-feira, junto do comité de desarmamento da Assembleia Geral da ONU que Moscovo está "especialmente preocupado" com a revisão da postura nuclear de Washington, que prevê o fabrico de novas armas nucleares.

De acordo com Andrei Belousov, os EUA estão a desenvolver uma defesa global contra mísseis balísticos, o que provocará um desequilíbrio das armas convencionais no mundo.

A Rússia tem pedido repetidamente "condições apropriadas" e que se tomem "medidas práticas para libertar o mundo das armas nucleares".

Estas declarações vêm na sequência, dos EUA terem anunciado, no sábado, que vão retirar-se de um tratado sobre armas nucleares assinado com a Rússia durante a Guerra Fria, na qual acusaram Moscovo de violar o acordo "há muitos anos", disse o presidente norte-americano, Donald Trump.

"A Rússia não respeitou o tratado. Então, vamos por fim ao acordo e desenvolver as armas", afirmou Donald Trump, citado pela Agência France Presse, depois de um comício em Elko, no estado do Nevada, referindo-se ao tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF, sigla em inglês), assinado em 1987 pelos então presidentes norte-americano e soviético, Ronald Reagan e Mikhaïl Gorbachev, respetivamente.


Tribunal nos EUA confirma perigo de herbicida com glifosato



Os títulos da gigante química alemã Bayer caíram no mercado de ações, após a confirmação, nos Estados Unidos, da condenação de sua subsidiária Monsanto por esconder a perigosidade do Roundup, o seu herbicida com glifosato.

A Bayer caiu de 6,69% para 71,42 euros na Bolsa de Valores de Frankfurt, elevando as suas perdas para mais de 30% desde o início do ano.

Na segunda-feira à noite, um juiz dos Estados Unidos reduziu a indemnização paga à Monsanto em mais de 200 milhões de dólares, para 78 milhões, mas confirmou a fundamentação da sentença lida no verão em São Francisco.

Os investidores veem a sentença como "uma surpreendente derrota para a Bayer", de acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, já que a decisão provavelmente influenciará as mais de oito mil ações em andamento nos tribunais nos Estados Unidos por causa dos produtos de glifosato da Monsanto.

Depois de um processo retumbante, um júri popular de São Francisco concluiu em 10 de agosto que a Monsanto, que em breve seria absorvida pela Bayer, agiu de forma "maliciosa" ao esconder a natureza potencialmente cancerígena do glifosato.

De acordo com esse julgamento, que já havia provocado a queda da Bayer no mercado de ações, os herbicidas Roundup e a RangerPro contribuíram "significativamente" para o cancro de Dewayne Johnson, de 46 anos, um jardineiro que tem a doença em estado terminal.

Após a nova decisão na segunda-feira, a Bayer disse que a redução acentuada na indemnização a pagar foi "um passo na direção certa", mas continua a contestar fundamentalmente a perigosidade do glifosato e pretende recorrer.

A gigante alemã, que aposta a médio prazo no papel crescente da química para alimentar o planeta, teve que desembolsar 63 biliões de dólares (54 biliões de euros) para adquirir a Monsanto, ao mesmo tempo que entregou 7,6 biliões de euros em ativos à sua compatriota BASF.


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Gorbachev critica "falta de sabedoria" de Trump pela retirada dos EUA do tratado nuclear


O último dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, criticou hoje a "falta de sabedoria" de Donald Trump, por ter decidido a retirada dos Estados Unidos do tratado nuclear, assinado com a Rússia, em 1987.

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Em caso algum se devem quebrar os antigos acordos de desarmamento. É tão difícil entender que a recusa desses acordos não seja uma falta de sabedoria? É um erro", disse Gorbachev, à agência de notícias Interfax, qualificando a decisão de Trump como "muito estranha".

No sábado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos projetavam retirar-se do Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) e sobre armas nucleares de alcance intermediário, assinado em 1987 pelos então presidentes dos Estados Unidos e da União Soviética (URSS), respetivamente, Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev.

Segundo Gorbachev, a decisão dos norte-americanos "irá minar todos os esforços da URSS e dos líderes dos EUA para alcançar o desarmamento nuclear", noticia a AFP.

"Todos os acordos concluídos anteriormente devem ser preservados porque contêm o que não é referenciado noutros documentos. Eles fornecem controlo, o que deve ser considerado valioso", continuou.

"Washington não entende ao que isso pode levar?", questionou o ex-líder soviético, apelando a "todos os que apreciam um mundo sem armas nucleares" a convencerem Washington a reconsiderar a sua decisão e "preservar a vida" na Terra.

Moscovo reagindo às declarações de Trump, afirmou que tal decisão é "um passo muito perigoso".


sábado, 20 de outubro de 2018

Brasil. Um dia no país das ‘fake news’


No dia em que o Brasil acordou com a notícia de mais uma polémica relacionada com a campanha que se faz no WhatsApp, o SOL entrou num dos grupos de disseminação de notícias falsas de apoio a Bolsonaro, cuja candidatura Haddad quer agora impugnar.

Meio-dia e nem sinais do Folha nas bancas. Avenida Paulista, encontro marcado com um infiltrado num dos grupos de WhatsApp de apoiantes de Bolsonaro. Em tempo de fake news, nada como ver para acreditar no que, noutro tempo, contado pareceria mentira. Antes que seja identificado e expulso, vamos dizer que é um português a viver no Brasil, a torcer para que vença Haddad na segunda volta, marcada já para o próximo fim de semana. Para a história basta. Isso e perceber como deu com o grupo: através de um link afixado num supermercado de uma pequena cidade num estado do norte do país.

Entrar nestes grupos é fácil. Basta um convite, um clique e já lá estamos. ‘Capitão Bolsonaro’, ‘Nosso Capitão’, bandeiras do Brasil e descrições ‘patrióticas” são clássicos. O pior vem depois. Coisas como: «O assassinato de Bolsonaro: o plano para assassinar Bolsonaro será concluído caso ele e sua equipa não adotem medidas extremas de segurança. Ciro saiu do país para não levantar suspeitas, Haddad tenta desesperadamente tirá-lo de casa, as armadilhas são muitas, Bolsonaro se tornará de fato um mito.» Ou pretensas citações bíblicas justificando o uso de armas. Entramos e nem trinta segundos demora até recebermos a notificação da primeira mensagem, e por aí fora até a cadência de alertas se tornar insuportável.

O assunto do dia, quinta-feira, não é homicídio, não é o suposto “kit gay”, que Fernando Haddad, o candidato do PT, alegadamente distribui pelas escolas. O tema é a notícia do dia, da Folha de São Paulo: de que várias empresas privadas que apoiam Jair Bolsonaro contrataram serviços de marketing para a distribuição de «centenas de milhões» de mensagens com propaganda anti-PT via WhatsApp, em contratos que atingiam valores de 12 milhões de reais (2,8 milhões de euros), num país em que desde 2015 as empresas estão proibidas de financiar candidatos. “Fake news”. Se Bolsonaro é extrema-direita, então a Folha é «extrema-imprensa». 

No dia seguinte, chegaria uma petição: «Em resposta ao senhor Haddad que quer saber quem banca a campanha do Jair: Somos marketeiros do Jair Messias Bolsonaro.» Mais de 100 mil assinaturas de gente que se declara «voluntária» em defesa do capitão, que se defendeu na mesma linha: «Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas não tenho como saber e tomar providência.»

Sobre as eleições, diz-se que Bolsonaro as está a ganhar aqui, no WhatsApp. Já no início do mês, a cinco dias da primeira volta, um inquérito do Datafolha para a Globo e a Folha revelava que, entre os quatro candidatos que lideravam as sondagens, eram os eleitores de Bolsonaro os que mais usavam as redes sociais para se informarem. Os números, preocupantes, foram então mais do que repetidos: quase dois terços (61%) dos eleitores de Bolsonaro afirmavam ler notícias no WhatsApp. Entre os eleitores de Ciro Gomes, a percentagem baixava para 46%, e nos de Fernando Haddad, para 38%. No Facebook, a lógica mantinha-se e mudavam apenas os números: 57% (Bolsonaro), 50% (Ciro) e 40% (Haddad).

Ainda em dezembro de 2016, o ano do impeachment de Dilma Rousseff, o Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo da Universidade de Oxford, publicava um estudo sobre 26 países em que notava como o consumo de notícias via redes sociais aumentava no Brasil. E se 91% dos brasileiros diziam informar-se via internet, 72% faziam-no através das redes sociais, com o Facebook e o WhatsApp como plataformas de eleição. Nesse ano, entre os 26 países analisados, o Brasil era o terceiro em que as redes sociais tinham um maior peso nas fontes de informação e era aquele que mais crescia no consumo de conteúdos jornalísticos online.

Na quinta-feira, foram divulgados os resultados de uma análise liderada pelos investigadores Pablo Ortellado (Universidade de São Paulo) e Fabrício Benvenuto (Universidade Federal de Minas Gerais, onde nasceu o projeto Eleição Sem Fake), em conjunto com a agência de verificação de factos Lupa (uma entre várias) a 347 grupos de WhatsApp: apenas 8% das imagens partilhadas (muita da informação circula na forma de memes ou de vídeos) podem ser classificadas como verdadeiras. Os conteúdos analisados circularam entre os dias 16 de setembro e 7 de outubro, o dia da primeira volta das presidenciais. Período em que ao todo, entre os 18 mil utilizadores daqueles 347 grupos, circularam 846 mil mensagens, entre textos, vídeos, imagens e links externos.

Pedido de impugnação

De volta à Paulista. Porque estamos na Paulista ainda, sentados à mesma mesa, e o telefone não parou um minuto. Tudo do grupo pró-Bolsonaro. Conversa sobre a campanha e a segunda volta cada vez mais perto, daí a reação de Haddad, o pedido de impugnação da candidatura do adversário alegando a inelegibilidade do candidato do PSL por abuso de poder económico.

Diálogo entre esquerda e direita, pelo menos entre a esquerda e a direita que apoiam um e outro candidato, é coisa que não existe. É ver como entre círculos de amigos pró-Haddad é difícil encontrar um pró-Bolsonaro. E vice-versa. Os universos mal se tocam, e os algoritmos não ajudam. Só pioram. Citado pelo jornal da Universidade de São Paulo, o investigador Marcio Moretto Ribeiro lembrava já no ano passado que as redes sociais não são só causa. São também efeito da polarização do debate político. «Cada pessoa que está acompanhando o debate na rede social tem uma visão parcial do debate político todo que está acontecendo no Brasil, afirmava.

Onde encontrar apoiantes de Bolsonaro então? Há quem diga que não há quem garanta que sim, a estatística de bolso confirma: em São Paulo, difícil é encontrar motorista de Uber que não esteja por Bolsonaro. Até Diego, que não diz, mas também não precisa. 

Viu as notícias? «Não vi não…» Por essa hora já Fernando Haddad tinha pedido a impugnação da candidatura do adversário do PSL, que continua na frente na corrida – segundo as últimas sondagens, contabilizando os votos válidos a diferença é 59% a 41% – , exigindo uma segunda volta frente a Ciro Gomes, do PDT, o terceiro mais votado a 7 de outubro.

«Ah é? Era só o que faltava. Mas do jeito que o Brasil é… não duvido muito, não. Só patifaria. Principalmente eles.” Eles, os petistas? Vai votar Bolsonaro? Silêncio. «Se o PT ganha de novo é palhaçada! É palhaçada. Não tem como o povo ser tão burro assim. Ou tem?» Medo de Bolsonaro? «Todo o político que entra, por mais que seja certo, acaba virando errado. Vamos lá: o Lula. O Lula era um cara mau? Ele não era um cara mau. Ele tinha o jeito dele de trabalhar. Foi tudo ele? Não foi tudo ele, lógico que não. Disso [a notícia da Folha] estou sabendo agora por você.»

E estas mensagens de que se fala, via WhatsApp? «Só recebo notícia de um candidato ou do outro, cada um falando dele, tipo anúncio. E na verdade vem de todos. Para ser sincero, nem leio. Para falar que nem leio, li uma hoje do Bolsonaro falando da história dele um pouco — não o que ele vai fazer ou o que ele não vai, só falando do começo da carreira dele, que ele era tipo soldado… Não foi uma propaganda dele, entendeu? Acho que também não pode ficar mandando mensagem assim como se fosse campanha eleitoral.»

O que pode e o que não pode, não há outro assunto por estes dias. Já é a Rua Rocha agora, no Centro de São Paulo. Ao ruído do trânsito de início de noite sobrepõe-se a voz de Haddad vinda de uma TV à entrada de um corredor de recolha de automóveis. Perguntamos se podemos entrar, o moço responde que sim. Ademar. Daqui? «Nascido em São Paulo, sim.» Mas sotaque não engana e acerta: família toda na Baía, no nordeste, onde Haddad bateu Bolsonaro. «Uma grande piada. O sr. Haddad está absolutamente desesperado porque vai perder a eleição», reage o candidato do PSL, na televisão. Mas vem Ademar falar por cima: «Acho que ele vai impugnar. Tem 30 empresários envolvidos, 30 empresários! Isso não pode não, isso aí é roubo. Votei nele mas agora não vou votar mais não!» Não vai votar Bolsonaro? «Votei. Mas tem rolo. Por isso que ele falou que tinha a mão na faixa. Ele acha que tá com a mão na faixa, não voto mais!»

fonte: Sol

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