RELÓGIO DO APOCALIPSE

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Portugueses contaminados com herbicida potencialmente cancerígeno


Há vários portugueses contaminados com glifosato, um herbicida que é potencialmente cancerígeno. A sua presença foi detetada com valores elevados no norte e centro do país.

É o herbicida mais usado em Portugal, campeão de vendas na Europa e um caso de sucesso na América. O glifosato serve para matar ervas, mas esconderá outros perigos?

O glifosato é o herbicida mais vendido em Portugal e está a ser inalado e ingerido por muitos portugueses.

Maria de Lurdes e o marido são agricultores desde que têm memória. Combatem as pragas e as ervas daninhas com químicos - como aprenderam - sem levantarem demasiadas questões. Chamam-lhes tratamentos.

É na agricultura que o glifosato é mais usado. O herbicida foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto. Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam glifosato. É um herbicida total, não seletivo - o que quer dizer que mata qualquer tipo de planta.As marcas de pesticidas estabeleceram intervalos de segurança. São períodos de tempo de espera entre a aplicação e o consumo.

Já na horta de Margarida Silva não entra glifosato. A investigadora acredita que o herbicida esconde sérios riscos para os humanos.

O alerta sobre os perigos do herbicida soou a mais de mil de quilómetros de Portugal, em França. A Organização Mundial de Saúde, através da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, estudou o glifosato durante um ano.

Dezassete investigadores tomaram uma decisão unânime: classificar o glifosato como potencialmente cancerígeno.

Consumir glifosato

O glifosato pode entrar no corpo humano através da ingestão de água e alimentos ou da inalação.

Em Portugal é no Instituto de nacional de investigação agrária e veterinária que são feitas as análises aos alimentos. Todos os anos são feitas análises a centenas ou milhares de amostras, consoante os planos.

O glifosato não está sozinho. Cada embalagem esconde uma mistura de vários químicos para aumentar a eficiência. Muitos escapam ao controle porque são considerados segredo da própria marca e nem sequer constam no rótulo.Para uma amostra de alimentos pesquisam-se muitas substâncias diferentes, faz-se um rastreio enorme em termos de moléculas para perceber se houve alguma contaminação. Nenhum desses parâmetros é o glifosato. O laboratório tem a competência técnica, mas ainda não têm a luz verde oficial. Falta uma acreditação que deve chegar ainda este ano.

As análises em causa são para já feitas nos Estados Unidos, para onde são enviadas as amostras. O laboratório escolhido é o de uma universidade na Califórnia. A RTP tem conhecimento da morada e dos métodos analíticos, mas a universidade exigiu anonimato. Está a preparar um estudo científico sobre o glifosato, uma investigação blindada às pressões externas que só deverá ser divulgada no verão.

Mas a ciência fala a duas vozes. De um lado as Nações Unidas, do outro a Europa. Milhares de estudos foram analisados pelas duas entidades. Já este ano um grupo de cientistas acusou a da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) de ser parcial e de se ter baseado num relatório da própria industria, uma parte interessada.

Os maiores problemas com o glifosato estão nos países americanos, onde são cultivados alimentos geneticamente modificados – 80% dos chamados OGM são resistentes ao glifosato, o que quer dizer que uma plantação transgénica pode ser pulverizada com herbicidas sem que a cultura morra, só as ervas. Um jackpot económico que se traduz por altas concentrações de herbicidas nos cereais.

Estes transgénicos são por enquanto proibídos na Europa. Mas há um transgénico que pode ser semeado: a variedade de milho MON 181. E Portugal é um dos quatro países que cultiva OGM na Europa.

Nos supermercados, os produtos OGM estão sobretudo nas prateleiras de óleos alimentares, numa farinha de milho e numa maionese. Mas várias toneladas de milho e soja OGM entram todos os dias em Portugal. Vêm de barco e vão para as fábricas de rações. Mais de 90% da alimentação animal é feita de transgénicos resistentes ao glifosato.

Mas a qualidade paga-se. Os alimentos biológicos são, em geral, mais caros. E… serão suficientes para alimentar o planeta?

fonte: RTP Noticias

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Zika Vírus: O mosquito mutante do eugenista Bill Gates é declarado ameaça mundial


Em 2011, mosquitos Aedes Aegypti, geneticamente modificados foram soltos em algumas cidades brasileiras. Era o começo do Projeto Aedes Transgénico aqui no Brasil. A promessa era de que os mosquitos transgénicos machos copulariam com as fêmeas selvagens e as crias morreriam ainda no estágio larval, sem chegar a idade adulta. Seria maravilhoso se fosse tudo assim, mas não foi bem isso que aconteceu.

É muito provável que ovos do Aedes Aegypti, geneticamente modificados, tenham sido expostos à tetraciclina, antibiótico que mantém as larvas até a idade adulta, ganhado o mundo já como um novo mosquito, de carga genética diferente do Aedes Aegypt original. O resultado disso você já sabe: em vez de neutralizar a potencialidade nociva do mosquito transmissor da dengue, essa mutação genética no inseto, trouxe novas doenças para os brasileiros: A Zika e a febre chikungunya. O Zika vírus, entretanto, com consequências devastadoras para as grávidas: a microcefalia em bebés de mães diagnosticadas com a doença, durante a gestação. Os casos não param de aumentar.

Milhões de mosquitos geneticamente modificados foram liberados na cidade brasileira de Piracicaba, no âmbito de uma campanha para reduzir a propagação da dengue no país.

Se trata de machos que carregam o gene mutante passando para as larvas e as matando antes que elas atinjam a idade reprodutiva, de acordo com o jornal PLoS Neglected Tropical Diseases “.

A tecnologia para combater este tipo de doença foi desenvolvida pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec (financiada pelo bilionário eugenista globalista Bill Gates), que tem uma licença para executar tais experimentos no Brasil.

Além disso, a empresa está aguardando a autorização da Agência de Alimentos e Medicamentos americana para realizar testes semelhantes na Florida.

Os cientistas descobriram que desde abril de 2015, quando o teste começou em Piracicaba, a área de concentração máxima das transportadoras de dengue Aedes aegypti, 50% da nova geração desses mosquitos foram fecundos por machos transgénicos.


MosquitoTransgênico – Zika e Microcefalia – Qual a Relação?


29/07/2014 –

Brasil inaugura primeira fábrica de mosquitos da dengue transgénicos

Empresa Oxitec produz inseto capaz de reduzir transmissão da doença.

Unidade em Campinas gera até 2 milhões de mosquitos por semana.


Mosquito Aedes aegypti macho fabricado pela Oxitec, unidade criada em Campinas, 
interior de São Paulo (Foto: Eduardo Carvalho/G1)

A empresa britânica Oxitec inaugurou, nesta terça-feira (29), a primeira fábrica de mosquitos Aedes aegypti transgénicos do Brasil, uma tecnologia que, se aprovada, pode ajudar no combate da dengue no país.

A unidade, instalada em Campinas, tem capacidade de produzir 500 mil insetos por semana. No ápice de produção, esse número pode saltar para 2 milhões de machos a cada sete dias.

A tecnologia foi desenvolvida em 2002, no Reino Unido. No laboratório, ovos dos Aedes aegypti receberam uma micro injeção de ADN com dois genes, um para produzir uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.

Os machos, quando liberados na natureza, procriam com as fêmeas –responsáveis pela incubação e transmissão do vírus da dengue. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.

fonte: APC News

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Toda a Verdade - OGM, Assalto à Europa



fonte: Youtube

Ensaios com moscas transgénicas em Espanha preocupam ambientalistas


Mosca-da-azeitona causa grandes prejuízos na olivicultura

Empresa britânica pede autorização para testar insectos geneticamente modificados destinados a combater praga das oliveiras.

Ambientalistas de vários países mediterrânicos, incluindo Portugal, estão a contestar o potencial uso de moscas geneticamente modificadas para combater uma praga das oliveiras.

São moscas-da-azeitona, cujo código genético foi alterado de modo a que da sua reprodução resultem insectos que morram antes da idade adulta. O objectivo é eliminar a praga de zonas afectadas.

Uma notificação para um ensaio de campo na Catalunha foi submetida em Maio às autoridades espanholas pela empresa britânica Oxitec, que desenvolveu o insecto. Segundo os documentos agora divulgados pela Comissão Europeia, a empresa pretende realizar uma experiência em seis lotes, com um total de mil metros quadrados, perto de Tarragona. Ali serão libertados até 5000 machos da mosca-da-azeitona por semana, em duas fases — no Outono e na Primavera. As zonas estarão cobertas com redes.

Os ambientalistas estão, porém, preocupados com a libertação acidental das moscas. “Libertar insectos geneticamente modificados no ambiente é uma experiência perigos que, na prática, irá transformar toda a Europa num laboratório ao ar livre”, afirma Janet Cotter, da Unidade Científica da organização internacional Greenpeace, num comunicado. “Os insectos não respeitam fronteiras e nenhuma esterilidade é 100% eficaz”, completa, acrescentando que, se algo de errado acontecer, “será impossível terminar e conter o ensaio”.

Os ambientalistas temem que as modificações genéticas nas moscas libertadas não sejam estáveis — tal como defende a empresa Oxitec — e que possam resultar em consequências imprevisíveis no ambiente. Além disso, a presença de larvas transgénicas nas azeitonas pode comprometer a produção de azeite biológico, que tem de ser livre de organismos geneticamente modificados.

“Nenhum consumidor deseja comer azeitonas recheadas com larvas geneticamente modificadas”, argumenta Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, que reúne várias organizações não-governamentais portuguesas. “É tempo de se investir em meios de protecção das culturas que sejam holísticos, sustentáveis e conjuguem os objectivos de consumidores e agricultores”, refere, no comunicado conjunto com outras organizações de países mediterrânicos.

Se o ensaio for adiante, será a primeira vez que é autorizada a libertação de animais geneticamente modificados na Europa, segundo os ambientalistas. Mas a empresa Oxitec já tem vindo a realizar experiências com outros insectos transgénicos noutras partes do mundo — como mosquitos para combater a dengue no Brasil.

A empresa já tinha solicitado uma autorização para um ensaio de campo em Espanha em 2013, mas desistiu perante forte contestação. Agora, apesar do novo pedido, nada está decidido. “Quando tivermos uma resposta dos reguladores, decidiremos se iremos avançar ou não”, disse ao PÚBLICO Chris Creese, porta-voz da Oxitec.

Segundo Creese, a solução dos insectos geneticamente modificados é “amiga do ambiente” e a empresa tem sido solicitada a realizar experiências em diferentes países. “O método é natural e livre de pesticidas. Está baseado no instinto reprodutivo dos machos, e só controla uma espécie de praga, sem afectar outras”, explica.

Os machos libertados cruzam-se com as fêmeas que estão na zona. As larvas fêmeas morrem, o que acaba por resultar no colapso da população daqueles insectos. Sem possibilidade de se reproduzirem, os machos também acabam por desaparecer. “É uma abordagem que não deixa rastos”, diz Chris Creese.

A praga das moscas-da-azeitona causa enorme prejuízos na olivicultura. Em Portugal afecta em particular a zona entre o Douro e o Minho. As larvas crescem dentro das azeitonas, tornando-as impróprias para o consumo e para o fabrico do azeite. 

fonte: Público

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pressionado pela maçonaria, Spínola nomeou Palma Carlos para primeiro-ministro


O Presidente da República rodeado dos membros do I Governo, após a posse. Da esquerda para a direita: Torres Campos, Maria de Lourdes Pintasilgo, Eduardo Correia, Raul Rego, António Galhordas, Sá Carneiro, António de Spínola, Palma Carlos, Álvaro Cunhal, Manuel Rocha, Mário Murteira, Pereira de Moura, Magalhães Mota, Vasco Vieira de Almeida, Almeida Santos, Mário Soares e Firmino Miguel ARQUIVO EXPRESSO/GESCO

Para chefiar o governo saído da revolução de 25 de Abril o Movimento das Forças Armadas propôs os nomes de Pereira de Moura, Raul Rego ou Miller Guerra. O Presidente Spínola não concordou. Ainda convidou o ex-ministro Veiga Simão, mas acabou por nomear Adelino da Palma Carlos, que lhe fora sugerido pelos dirigentes do Grande Oriente Lusitano
Em tempo de campanha para as presidenciais, o Expressorecorda alguns dos momentos mais importantes do Palácio de Belém, desde Spínola até aos dois mandatos de Jorge Sampaio. Este é o sexto episódio desta série de artigos.

Adelino da Palma Carlos foi o primeiro-ministro do I Governo Provisório formado após a revolução de 25 de abril de 1974. A escolha partiu do Presidente da República, general António de Spínola. Investido no cargo a 15 de maio, Spínola deu posse ao governo no dia seguinte.

Nos últimos 42 anos o país só conhecera dois chefes de Governo, designados presidentes do Conselho: Oliveira Salazar e Marcello Caetano. O novo primeiro-ministro era um ilustre desconhecido da opinião pública. Professor de Direito tal como os antecessores, Palma Carlos foi uma surpresa mesmo para os jovens capitães que derrubaram a ditadura.

Ainda antes do golpe, os militares reunidos no Movimento das Forças Armadas (MFA), já a pensar no day after, haviam transmitido a Spínola três nomes para primeiro-ministro do futuro governo. Eram eles: Francisco Pereira de Moura, economista e professor no ISE (atual ISEG), saído das fileiras do catolicismo progressista e que em 1969 fora um dos candidatos a deputado pela Comissão Democrática Eleitoral (CDE), uma das estruturas da oposição que disputaram o sufrágio para a Assembleia Nacional; o jornalista Raul Rego, diretor do vespertino oposicionista “República”, ligado à Maçonaria e ao recém-criado PS; e João Pedro Miller Guerra, professor de Medicina, um dos principais deputados da ala liberal eleitos para a Assembleia Nacional em 1969 mas que haviam entrado em rutura com Marcello Caetano.


Raul Rego, Francisco Pereira de Moura e Miller Guerra, os três nomes sugeridos pelo movimento dos capitães a Spínola para primeiro-ministro de um futuro governo ARQ. A CAPITAL/IP E ARQUIVO EXPRESSO/GESCO

Nenhum destes nomes fazia parte dos planos iniciais de Spínola, que chegara a pensar num “governo militar de breves meses” – como disse na sua última grande entrevista, ao Expresso, em 1994. Não podendo ser militar, “a minha escolha pessoal era Veiga Simão, mas ele e eu, em conversa havida no dia 26 de abril, concordámos em que não seria exequível nem sensato tentar uma solução desse tipo”.
SPÍNOLA RECUSA OS TRÊS NOMES INDICADOS PELO MFA

A Comissão Coordenadora do MFA envolveu-se também na escolha do primeiro-ministro. “Foram horas e horas de audição de personalidades”, refere Melo Antunes, o principal autor do Programa do MFA, em entrevista a Maria Manuela Cruzeiro (“O Sonhador Pragmático”). Ouvidos não apenas os três nomes sugeridos, mas ainda João Salgueiro e Rui Vilar.

No seu livro “País sem Rumo”, Spínola descreve a sua seleção de nomes para primeiro-ministro. Após uma conversa com Pereira de Moura, pediu-lhe “um memorial”, cuja leitura “revelou uma total descoordenação de ideias, demonstrativa da sua incapacidade para o desempenho do cargo”. Além disso, em sua opinião, o economista era “claramente de formação comunista”. Quanto a Miller Guerra, “ao impor como condição a entrega imediata do Ultramar, obviamente afastou qualquer hipótese”. Esta foi, de resto, a razão de fundo que levou o professor de Medicina a não aderir ao PPD de Sá Carneiro e Pinto Balsemão, para o qual foi insistentemente convidado pelos ex-colegas da bancada liberal, e a aproximar-se do PS.

Finalmente, Raul Rego. O historiador Luís Rodrigues diz na sua biografia de Spínola que o diretor do jornal “República” “nem sequer foi contactado” pelo Presidente da República, o que o próprio teria justificado por carecer de “características de liderança indispensáveis” para o lugar.

RAUL REGO PROPÕE PALMA CARLOS EM REUNIÃO MAÇÓNICA

Raul Rego, porém, na sua última entrevista (ao Expresso), explica que “foi a Maçonaria que escolheu e indicou” Palma Carlos para primeiro-ministro. Rego conta que, numa reunião com Spínola, “ele disse-me que ‘precisamos de si para primeiro-ministro’. Não respondi logo. À noite, houve uma reunião em casa do Dias Amado”, o então grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, na Av. Manuel da Maia. “‘Eles querem o Rego para primeiro-ministro’, informou o Dias Amado. ‘Não’, disse eu: ‘o primeiro-ministro deve ser o Adelino, que tem experiência e formação jurídica, e até um nome como jurista que o impõe’. (…) É claro que isso não está contado, não sei porquê. Mas foi a Maçonaria que indicou o Palma Carlos”.


Professor Adelino da Palma Carlos, primeiro-ministro do I Governo Provisório ARQ. A CAPITAL/IP

Advogado e catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, Palma Carlos era um democrata, ainda que sem assinalável currículo na luta contra a ditadura. No dizer de Spínola, era um professor “altamente prestigiado e com grande tradição democrática e liberal”.

Para Maria Inácia Rezola, “a escolha do primeiro-ministro constitui o primeiro choque institucional” entre Spínola e o MFA. No seu livro “15 de Abril. Mitos de uma revolução”, a historiadora diz que se tratou do “primeiro round da dura luta” que se prolongou até ao fracassado golpe de 11 de março do ano seguinte.

ÁLVARO CUNHAL MINISTRO DO I GOVERNO

O Governo integrou ministros pertencentes a quatro partidos: PS (com 3 ministros), PPD (2), PCP (2) e MDP/CDE (1), que se envolveram através dos respetivos líderes (Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Pereira de Moura). Havia ainda vários militares, bem como civis com um acentuado perfil técnico e/ou pertencentes à Sedes (Sociedade de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social), como Rui Vilar.

A grande surpresa foi, naturalmente, a participação do PCP, que fora o inimigo de estimação da ditadura. Incluindo o próprio secretário-geral, Álvaro Cunhal, regressado do exílio logo a seguir ao 25 de Abril. Spínola começara por convidar Cunhal para ministro do Trabalho, mas acabou por entrar no Executivo como um dos três ministros sem pasta. Para o novo Ministério do Trabalho, que substitui o velho Ministério das Corporações, foi nomeado outro militante comunista: Avelino Pacheco Gonçalves, dirigente do Sindicato dos Bancários do Porto e um dos quadros da semiclandestina Intersindical. Também ele de formação católica, Avelino foi indicado pela própria Inter e pelo PCP, após a recusa de Francisco Canais Rocha, o primeiro líder da central sindical.


O secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, toma posse como ministro sem pasta do I Governo Provisório ARQUIVO EXPRESSO/GESCO

A inclusão do PCP e do próprio Cunhal no Governo Provisório fora uma condição colocada pelo PS de Mário Soares, para quem era indispensável “comprometer” os comunistas no poder saído da revolução. “Nós quisemos que o ministro do Trabalho fosse um comunista” – explicou Soares a Maria João Avillez (in “Soares. Ditadura e Revolução”). “Justamente por pensarmos que os comunistas poderiam conter o radicalismo emergente na sociedade portuguesa, após quase meio século de ditadura. Teria sido esse o seu papel histórico. Como o PCF, em França, após a libertação.”

À mais velha ditadura da Europa ocidental seguia-se o primeiro Governo de um país da NATO com a participação de comunistas, ainda por cima completamente alinhados com a União Soviética.

No discurso de tomada de posse, Spínola reiterou as suas teses federalistas já apresentadas no livro “Portugal e o Futuro”, umbest-seller lançado em fevereiro e que tornara pública a sua rutura com o regime ditatorial. Reconheceu o “direito de todos os povos à autodeterminação”, adiantando, no entanto, que a opção “terá de ser feita, não entre duas alternativas apenas, mas entre todo um leque de viabilidades”. Significativamente, não falou em independência.

PROGRAMA DO GOVERNO FEITO POR FREITAS DO AMARAL

Para Melo Antunes, um dos principais nomes da Comissão Coordenadora do MFA, o I Governo foi “formado, fundamentalmente, pela vontade do Spínola”, tendo silo “acolitado”, entre outros, por Veiga Simão, que lhe deu “uma colaboração muito forte e muito ativa”.

Último ministro da Educação do Estado Novo, Simão era amigo pessoal de Spínola que, não podendo contar com ele para primeiro-ministro, o chamou para elaborar o programa do I Governo.

Envolvido no processo de redação do programa esteve Diogo Freitas do Amaral, antes ainda de fundar o CDS. No seu livro de memórias “O Antigo Regime e a Revolução”, Freitas conta que Veiga Simão “utilizou o método que sempre usara no Ministério da Educação: pediu textos a várias pessoas da sua confiança, para depois os trabalhar e fundir num documento final”. Um dos colaboradores a que recorreu foi Adelino Amaro da Costa, que trabalhara com ele no Ministério da Educação e que, por sua vez, contactou Freitas, pedindo-lhe “para conceber e redigir” o programa. “Deitei logo mãos à obra. E em 24 horas o projecto estava pronto”. Na redação do futuro candidato à Presidência da República, o programa “só continha uma medida que podia ser considerada de esquerda – a nacionalização dos bancos emissores: Banco de Portugal, Banco de Angola e Banco Nacional Ultramarino”. Melhorado por Amaro da Costa, futuro número dois do CDS, o documento foi entregue a Veiga Simão “que o retocou no que entendeu e, nomeadamente, em matérias de educação, ciência, políticas sociais e política ultramarina”.


Primeira reunião do Conselho de Ministro do I Governo Provisório, a 17 de Maio de 1974, em São Bento ARQ. A CAPITAL/IP

Curiosamente, o programa do governo não foi aprovado pelo Governo, mas pela Junta de Salvação Nacional, pelo decreto-lei nº 203/74, de 15 de maio. Esta singularidade explica que Mário Soares não recorde sequer a sua existência: “Posso asseverar que nunca ouvi falar em tal programa – nem eu, nem o [Salgado] Zenha, nem o Rego, que éramos ministros socialistas desse I Governo”.

VEIGA SIMÃO DESMENTE FREITAS

Segundo Freitas, o texto do programa “não difere em mais de uma dúzia de pontos (…) da versão inicial por mim pensada e redigida”. Veiga Simão sempre contrariou esta versão do fundador e ex-líder do CDS. Reivindicando a principal autoria do programa, chegou mesmo a elaborar um texto comparando as várias versões do documento. Numa entrevista a Jorge Cotovio, para a sua tese de doutoramento sobre o ensino privado, deu a sua versão sobre o convite que lhe foi endereçado por Spínola para elaborar o programa de governo: “Aceitei o encargo e nesse mesmo dia defini com Spínola os temas dos 'capítulos' a desenvolver no programa. Trabalhei durante quatro dias, fechado em casa. Consultei vários amigos que trabalhavam comigo na Educação, e outras personalidades, algumas que vieram a ser nomeadas ministros por minha indicação. Finalizei o documento sem que alguém me transmitisse qualquer participação escrita. O programa foi aprovado com algumas alterações.”

A influência de Veiga Simão ficou patente na escolha, por exemplo, de Almeida Santos para ministro da Administração Interterritorial. Como recordou Mário Soares, este advogado de Moçambique “entrara no Governo sem sabermos bem como. Só mais tarde viemos a saber que fora sugerido a Spínola por Veiga Simão, uma das ‘éminences grises’ que estiveram na base da formação do Governo”.

Spínola, aliás, nunca desistiu de ter a colaboração ativa de Veiga Simão, nomeando-o mais tarde representante permanente de Portugal junto das Nações Unidas, em Nova Iorque. O Presidente impôs-se mesmo ao ministro dos Negócios Estrangeiros. Soares tencionava nomear Jorge Sampaio para aquele importante posto diplomático e até já o enviara em missão especial à ONU, acompanhado de João Cravinho.

UM GOVERNO DE 55 DIAS

O Governo de Palma Carlos durou escassos 55 dias. Para Soares, o chefe do Governo “possuía pouca experiência política” e “conhecia mal as questões concretas e emergentes da governação e da administração”. No entender de Álvaro Cunhal, Spínola tratava Palma Carlos “como se este fosse um seu soldado”. O autor de “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril” conta que o general do monóculo “tinha uma linha telefónica direta para o primeiro-ministro e, em pleno Conselho de Ministros, chegavam ordens do presidente da Junta de Salvação Nacional. E que ordens!”. Colegas na Maçonaria e no Governo, Raul Rego admite que Palma Carlos “não correspondeu” ao que dele esperava. “Tinha um defeito tremendo, que era a vaidade.”


Palma Carlos foi primeiro-ministro por 55 dias. Seguiu-se à frente do governo Vasco Gonçalves ARQUIVO EXPRESSO/GESCO

Palma Carlos tentou reforçar substancialmente quer os seus poderes de primeiro-ministro, quer os do Presidente. Sem êxito. O malogro do que ficou conhecido como “golpe Palma Carlos” levou-o a apresentar a demissão, a 9 de Julho. Para primeiro-ministro do II Governo Provisório foi escolhido alguém com um perfil diametralmente diferente: o coronel Vasco Gonçalves, que esteve à frente dos quatro executivos seguintes.

fonte: Expresso

Coreia do Norte. O país onde a internet é um Big Brother

Coreia do Norte. O país onde a internet é um Big Brother

A net dos norte coreanos é peculiar e está a espiar os utilizadores a todo o momento.

Pegar nas ferramentas destinadas a assegurar a liberdade de expressão e virar tudo ao contrário.

Foi o que a Coreia do Norte fez ao pegar no software de uso livre Linux para criar o Estrela Vermelha, o único sistema operativo usado no país e que não se liga à world wide web – apenas um grupo muito restrito tem acesso à internet a nível mundial.

A net usada no país, a Kwangmyong, é basicamente um sistema interno (uma intranet, que no mundo ocidental é usada dentro de empresas, por exemplo) e não permite que os utilizadores domésticos acedam a sites estrangeiros.

Em 2014 houve uma fuga para o exterior da versão 3 do Estrela Vermelha e dois investigadores alemães estudaram-no profundamente. Niklaus Schiess e Florian Grunow apresentaram agora a suas conclusões ao congresso Caos Communication, este fim de semana em Hamburgo.

Apesar de o código ser Linux, o sistema operativo é único. A revista online Motherboard explica que “vem com tudo que um utilizador pode precisar, incluindo um processador de texto e software para a criação de música”. Como motor de busca, usaram novamente outra ferramenta de uso livre, um Firefox modificado.

“É baseado no Linux e tem a aparência de um Mac [ da Apple]”, explicam os investigadores, adiantando ainda porque se deram ao trabalho de explorar ao detalhe o sistema operativo deste regime ditatorial.

A Coreia do Norte “viola os princípios do software livre para criar um sistema operativo que suprime a liberdade de expressão”. Agora, querem revelá-lo ao público e ensinar como se podem “contornar as limitações introduzidas pelo regime”.

Basicamente, é um sistema “desenhado para se defender e proteger de tentativas de alteração” vindas do exterior e que permite invadir a privacidade dos utilizadores.

Citado pelo Guardian, Grunow disse que “talvez queiram ser independentes de outros sistemas operativos para não deixar portas abertas” à espionagem.

Mas o principal objetivo dos alemães foi investigar as violações da privacidade e o controlo dos utilizadores pelas autoridades. E descobriram que “as funcionalidades implementadas no Estrela Vermelha são o sonho molhado de um ditador à frente um estado super controlador”.

Tão persecutório, que permite “marcar e seguir o percurso de documentos ou ficheiros multimédia”, como filmes, textos ou música ‘subversiva’ vinda do estrangeiro.

fonte: Sol

sábado, 5 de dezembro de 2015

MICROSOFT OFERECE AOS SEUS USUÁRIOS APLICATIVO “ILLUMINATI”. VEJAM O QUE CONTÉM NO APLICATIVO!


A Microsoft, líder mundial em softwares e tecnologia da Informação - liderada pelo bilionário Bill Gates - disponibilizou oficialmente em 2015 um aplicativo com o título ILLUMINATI.



"Quer saber tudo à respeito dos Illuminati? O aplicativo Illuminati é tudo que você precisa.

Este útil aplicativo irá lhe oferecer todos os segredos ocultos que você sempre quis saber sobre os Illuminati."

Como se fosse uma revista de fofocas de novelas, o APP convida as pessoas a estarem conectados e "por dentro" de notícias (ocultas à mídia comum), curiosidades e até algumas agendas referentes à Nova Ordem Mundial.

O APP conta uma breve "história" sobre como supostamente teria surgido os Illuminati, de maneira sucinta e bastante superficial.


Informa que tratam-se de pessoas "ricas e poderosas", e que não exitariam em matar quem se opusesse aos seus desígnios. Para a minha surpresa, revela abertamente que a intenção dos Illuminatis é, de fato, estabelecer um governo único mundial - confirmando o que a bíblia nos fala sobre o tempo do anticristo.

"E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação.

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

Se alguém tem ouvidos, ouça."

Apocalipse 13:7-9

Outra coisa interessante, o APP faz um alerta:

"Pessoas Anti Nova Ordem Mundial e que falam contra os Illuminati (como eu, por exemplo) serão assassinadas, da mesma forma que estrelas famosas como o Rapper Tupac (2Pac na imagem) e Michael Jackson."


Eles explicam que Tupac e M Jackson foram assassinados porque alertaram o mundo contra os Illuminati. 


Tupac inclusive chegou a lançar um álbum com o título: "O Domínio Illuminati: a Teotia dos 7 dias"... onde o título estava como KILLUMINATI - fazendo um trocadilho com a palavra Kill (morte) com Illuminati.

Percorrendo o aplicativo, temos acesso à Illuminati's ilustres e famosos, onde são citados nomes como Angelina Jolie, Britney Spears e Rihanna.... bem como uma agenda de atividades onde são listados - entre outras coisas - o Bohemian Groove.


Para aqueles que acham isso tudo uma grande bobagem, Bohemian Groove - por exemplo - é um clube localizado no meio de uma floresta, num local isolado na Califórnia altamente guarnecido, onde políticos e pessoas poderosas da elite global se reúnem para rituais de ocultismo, adoração ao deus pagão Moloch (imagem da estátua da foto), invocação de demônios e até rituais de sacrifícios humanos, como o que foi flagrado na imagem abaixo.


Para os que duvidam, acessem a wikipédia ou mesmo consultem em nossos arquivos, basta procurar: 


Conclusão

O inimigo de Deus sabe que a sua hora está chegando, que Jesus Cristo está voltando para buscar a sua igreja... por isso passou a se apresentar abertamente para as pessoas, facilitando o acesso ao ocultismo através de jogos de videogame, filmes, músicas (inclui clipes musicais) e agora aplicativos de Smartfones, afim de conquistar cada vez mais simpatizantes e pessoas que o adorem com convicção.... negando à Deus e blasfemando contra a Sua Palavra.

Enquanto tem muito crente brincando de ser cristão, com um pé na igreja e outro no mundo, fazendo as coisas pra Deus de qualquer jeito e achando que "na última hora" vai se salvar pois Deus é misericordioso e "nos entende"..... Nosso inimigo não brica em serviço!!

Ele está em guerra constante, nos rodeando, buscando nos atingir de todas as maneiras, nos afastar de Deus através do pecado... e seu objetivo é matar, roubar e destruir.

Salvação é coisa séria!!

fonte: Libertar

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Espalha a mensagem

Anonymous declara ciberguerra ao Estado Islâmico


“Não se enganem: #Anonymous está em guerra com o #Daesh. Não pararemos de nos opor ao #IslamicState. Somos também melhores hackers.”

Anonymous, o colectivo de hackers activistas, fixou a mira dos seus membros espalhados pelo mundo nos militantes do Daesh, e garante que nos próximos tempos vai desencadear um conjunto de actos de retaliação face aos ataques da passada sexta-feira em Paris. Trata-se de uma declaração de guerra cibernética, sendo que o campo virtual tem sido crucial na estratégia da organização terrorista que eclipsou a Al-Qaeda, o auto-proclamado Estado Islâmico (Daesh).

Os radicais sunitas que controlam largas faixas de território na Síria e no Iraque servem-se da internet e das redes sociais não apenas para espalhar a sua propaganda e recrutar novos membros, mas também como meio de coordenar as suas acções terroristas.

Num vídeo divulgado no YouTube – que em poucas horas superou o milhão de visualizações – um homem encapuçado e envergando a icónica máscara de Guy Fawkes (uasada no filme “V de Vingaça”) faz o anúncio em francês após o habitual pomposo e hollywoodesco genérico que ocupa boa parte do vídeo de dois minutos e meio.

O porta-voz reage à sofisticada operação de três equipas de terroristas do Daesh – que ao longo de três horas serviram o terror na capital francesa, massacrando pelo menos 129 pessoas –, prometendo que será “lançada a maior operação de sempre” contra os jihadistas. Tendo em conta o impressionante currículo dos hacktivistas neste tipo de acções, e especificamente nos ataques a alvos da rede dos extremistas na internet, a ameaça merece ser levada a sério. O Daesh deverá “esperar ciberataques massivos”, diz o mascarado. “Não se enganem: #Anonymous está em guerra com o #Daesh. Não pararemos de nos opor ao #IslamicState. Somos também melhores hackers.”

O Anonymous é uma espécie de arquitectura volátil, uma confluência de esforços de pessoas que começaram por se encontrar em cantos recônditos da internet, fóruns de difícil acesso onde estes hackers colaboravam ocasionalmente numa espécie de vandalismo cibernético que estava longe de prenunciar a tomada de partido em guerras reais. O grupo alcançou notoriedade por ataques informáticos algo aleatórios, militantemente apolíticos, mas cada vez mais organizados durante meados da década passada. 

Com o tempo, as operações dos Anonymous começaram a focar-se, e os seus ataques passaram a ser usados como forma de protestar ou castigar os constrangimentos à liberdade na internet. Em 2010, o grupo retaliou contra a decisão da PayPal por, entre outras coisas, suspender as contribuições dos seus utilizadores à WikiLeaks depois desta ter divulgado uma batelada de documentos secretos norte-americanos. Os hacktivistas não pararam desde então de tomar posições cada vez mais fortes, e estiveram ao lado do movimento Occupy Wall Street e dos protestos da Primavera Árabe.


fonte: i online

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Filme de Michael Moore é para maiores de 17 - e uma das cenas polémicas é sobre Portugal


Michael Moore em Portugal com a CGTP no último 1.º de Maio 


Where to invade next


Where to invade next

Realizador contesta a classificação da MPAA, que detalha quatro casos no filme, um dos quais sobre a droga em Portugal, e rejeita mudar o documentário. “Não vou fazer quaisquer cortes".

A classificação do novo filme de Michael Moore nos EUA torna obrigatório que os adolescentes sejam acompanhados por um adulto para o ver. E uma das cenas que motiva o Rated R pela Motion Picture Association of America, que o realizador contesta, é referente a Portugal e à descriminalização da aquisição, posse e consumo de drogas no país. “Não vou fazer quaisquer cortes. Não acreditamos em censura neste país”, diz Moore sobre o seu filme e os EUA, e “não pode haver qualquer transigência neste tipo de coisas”.

Esta semana, a Motion Picture Association of America (MPAA), responsável pela classificação etária dos filmes estreados nos EUA, atribuiu a Where to invade next a classificação R – Restricted, que restringe o acesso à sala de cinema de espectadores com menos de 17 anos aos que sejam acompanhados por um dos pais ou um adulto.

Não sendo a mais restritiva das classificações – é a segunda mais restritiva, sendo a NC-17 aquela que interdita mesmo a entrada de menores de 17 -, tem o potencial de diminuir a audiência do filme mas também de gerar notícias e conversas sobre ele. Moore rejeita a classificação e vai recorrer da decisão do painel, com o qual já se debateu no passado, nomeadamente com o seu primeiro filme, Roger e Eu (1989), o oscarizado Bowling for Columbine (2002). “É espantoso como passaram 25 anos – inventámos a Internet, o casamento gay é legal e elegemos um afro-americano Presidente dos EUA, mas a MPAA ainda censura imagens que estão disponíveis em qualquer programa noticioso nocturno.”


A decisão da MPAA é sustentada por ter identificado “linguagem forte, algumas imagens violentas, uso de drogas e breve nudez explícita”. É aqui que entra Portugal, como Moore explicou nas últimas horas de segunda-feira à revista Variety. Quando a MPAA refere que o documentário mostra imagens de consumo de drogas, trata-se do excerto em que Moore viaja até Portugal e debate, fazendo entrevistas, a decisão de 2001 de descriminalizar a compra, posse e consumo no país. Em Portugal, Moore falou com polícias e sobre os índices de decréscimo do consumo de estupefacientes, com um dos responsáveis da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência de Lisboa e sobre outros temas (esteve na manifestação da CGTP no 1.º de Maio, por exemplo) – no fundo, servindo o propósito do documentário, que visa mostrar aos EUA formas alternativas de gerir ou encarar questões sociais.

Where to invade next é então um documentário filmado em registo de viagem que escolhe uma abordagem satírica – exemplificada pelo próprio título – para ir buscar exemplos a vários países, da Islândia à Alemanha, passando pela Finlândia ou Portugal, de formas alternativas à norte-americana de lidar com problemas sociais e económicos partilhados por vários países do ocidente. Prisões, drogas, cuidados de saúde, raça. Muito disputado pelos distribuidores no Festival de Toronto em Setembro, é o mais recente filme de Moore, cujo Fahrenheit 9/11 continua a ser o documentário mais rentável de sempre. 

A cena de nudez de que fala a MPAA são “dois segundos de alemães nus a entrar num jacuzzi”, explica Moore sobre um pedaço da história em que os tratamentos em termas ou spas podem ser comparticipados pelo Estado (neste caso alemão); a presença de palavrões diz respeito ao uso da palavra “fuck” num protesto contra o colapso dos bancos da Islândia durante a crise, em 2009; e a violência é o vídeo da detenção violenta, que se revelaria fatal, de Eric Garner por agentes da polícia e que originou uma das vagas mais recentes de contestação sobre a brutalidade policial e raça nos EUA.

“Gostava que a MPAA simplesmente fosse honesta e espetasse uma etiqueta nos meus filmes a dizer: ‘Este filme contém ideias perigosas que os 99% podem considerar perturbadoras e levá-los a revoltar-se’”, escreve Michael Moore numa nota enviada à imprensa especializada norte-americana.

E, em entrevista à Variety, acrescenta: “A MPAA não quer que os adolescentes vejam estas coisas sem supervisão parental. O meu conselho aos adolescentes da América é que vocês sabem o que fazer e sabem como entrar” nos cinemas. “Vejo filmes PG-13 [que avisa os pais que alguns conteúdos podem não ser apropriados para crianças com menos de 13 anos] onde literalmente centenas de personagens são ceifadas com armas ou bombas”.

Os distribuidores do filme nos EUA também concordam que a classificação significa que para a MPAA os estudantes de liceu “simplesmente não são suficientemente maduros para lidar com ou discutir assuntos importantes que afectam directamente a sua busca do sonho americano”.

O filme estreia-se a 23 de Dezembro nos EUA, estando assim apto a poder ser seleccionado para a temporada de prémios de 2016, sendo que pode ser lançado sem a classificação – mas muitos cinemas rejeitam exibir filmes sem esse selo. 

fonte: Público

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