domingo, 13 de março de 2011
"Geração à Rasca" lança Fórum das Gerações e promete novos protestos
Imagem do protesto de sábado no Porto
O protesto da "Geração à Rasca", que juntou cerca de 300 mil pessoas de todas as idades, deu agora lugar ao "Fórum das Gerações", plataforma de debate no Facebook lançada pelos organizadores da manifestação que, em apenas três horas, reuniu este domingo, 80 páginas de comentários. E há apelos para novas concentrações, como a "Manifestação Geração da Esperança", para o próximo dia 26.
O "Fórum das Gerações - 12/3 e o Futuro" já tinha, ao princípio da tarde, dois mil aderentes. Entre vários balanços ao protesto, pedem-se alternativas, lançam-se sugestões e apela-se a que o movimento não fique por aqui. "Gerações unidas nunca mais serão vencidas" é uma das mensagens expressas do Facebook. Pelo meio, existem pedidos para a criação de um movimento político ou mesmo de um partido, que inclua a Esquerda e a Direita.
Há, também, promessa de novas manifestações. "Quem alinha? É importante continuar...", escreve, por exemplo, o membro do fórum André Lopes, anunciando a "Manifestação Geração da Esperança", a realizar "em todo o Portugal", no dia 26 deste mês, às 15 horas. "Para a frente é o caminho! Não podemos parar agora", reforça Inês Reis, pedindo que todos participem nesta concentração.
Alguns membros apelam, ainda, à adesão à manifestação da CGTP, do próximo dia 19. E há quem reclame a criação do dia nacional contra a precariedade no trabalho, aproveitando para divulgar a petição pública para o efeito.
No novo fórum da rede social, não é esquecida a revolução de 1974, com apelos à presença na "manif 25 de Abril à Rasca" para esse dia, também às 15 horas e por todo o país.
fonte: JN
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sábado, 12 de março de 2011
Organização fala em 300 mil participantes em todo o país
A adesão ultrapassou os números previstos, disse à Lusa Paula Gil, da organização. As autoridades não confirmam estes números.
A organizadora do protesto considerou que a adesão de manifestantes mostra que "a precariedade afecta toda a gente na sociedade, tendo ultrapassado largamente os 60 mil que se previam". "Esperemos que seja o primeiro passo para uma democracia participativa em Portugal", disse. As autoridades, no entanto, não confirmam os números.
Paula Gil adiantou que a organização recebeu ao longo do protesto milhares de folhas nas quais a maioria dos participantes apontava as razões para a sua presença na iniciativa.
200 mil em Lisboa
A manifestação do movimento "Geração à rasca", convocada a partir de redes sociais, encheu hoje a Avenida da Liberdade, teve muitos jovens, poucos políticos, organização caótica e movimentos totalmente heterogéneos, desde neo-nazis aos defensores dos direitos homossexuais.
Outra originalidade desta "manif" é que não houve quase organização. Desceu-se até ao Rossio, mas ninguém sabia bem onde o protesto acabava. Os "slogan" e as palavras de ordem também variaram muito, tendo em comum apenas um ponto: A crítica à política do Governo.
80 mil no Porto
No Porto, segundo a organização, estiveram presentes cerca de 80 mil pessoas, enchendo a Avenida dos Aliados, apesar da manifestação ter tido um começo tímido.
Os números foram avançados pelos porta-vozes do protesto com base numa estimativa ponderando a capacidade da Avenida dos Aliados, uma das principais vias de comunicação do Porto, mas não foram confirmados pelas autoridades.
Os manifestantes começaram a concentrar-se a partir das 14:30 na Praça da Batalha e seguiram depois para a Avenida dos Aliados que estava cortada ao trânsito cerca das 17:00.
Resto do país
O protesto da "Geração à Rasca" juntou em Castelo Branco cerca de duas centenas de pessoas junto ao tribunal, no centro cívico da cidade.
A manifestação encheu as Portas da Cidade, local emblemático de Ponta Delgada e desmobilizou frente ao Palácio da Conceição, edifício do Governo Regional dos Açores.
Em Faro, os manifestantes reuniram-se no Largo de São Francisco, com os organizadores a falarem em mais de duas mil pessoas, sublinhando que se pretendia um ambiente pacífico e com gente de todas as idades.
Alguns milhares de pessoas participaram, em Braga, no protesto "Geração à Rasca", gritando palavras de ordem contra o Governo, a precariedade e o desemprego no distrito. A manifestação começou com algumas dezenas de jovens na Avenida Central da cidade, mas à medida que o tempo ia passando, foram-se juntando mais pessoas de todas as idades, chegando a alguns milhares, que enchiam a Praça da República, contígua à Avenida Central.
Em Coimbra, os manifestantes esperavam que a concentração, na Praça da República, contasse com mais participantes que aqueles que reuniu e que ocuparam menos de metade da placa central do emblemático recinto.
Ao minuto das manifestações em Lisboa e no Porto
19.35 - Centenas de pessoas voltaram a subir a Avenida da Liberdade, em Lisboa. A polícia foi obrigada a cortar mais uma vez o trânsito.
18.43 - Um pouco por todo o país os manifestantes começam a desmobilizar. Em Lisboa, algumas pessoas ainda se deslocaram do Rossio até à Praça Camões. A organização do protesto diz que participaram 200 mil pessoas na manifestação em Lisboa.
16.48 - Milhares de pessoas já desceram a Avenida da Liberdade e muitas famílias e reformados juntaram-se aos protestos da "geração à rasca".
16.15 - A manifestação já chegou aos Restauradores e deverá estar a chegar a todo o instante ao Rossio. O trânsito já foi fechado e a adesão continua a ser elevada.
16.00 - A manifestação em Lisboa já enche toda a avenida e é equiparada à dos professores, contra o governo de Sócrates, durante a sua primeira legislatura.
15.00 - A manifestação está a arrancar em Lisboa e junta já alguns milhares de pessoas na Avenida da Liberdade. As estimativas apontam para a presença, até ao momento, de 2 a 3 mil pessoas, mas ainda é difícil de contabilizar um número certo porque os manifestantes ainda se encontram muito espalhados pela avenida.
A cabeça da manifestação começou a formar-se junto ao cinema São Jorge e depois desceu a avenida em direcção aos Restauradores. Nas primeiras faixas podia-se ler as frases "Precariedade não tem idade" e "País está à rasca".
A manifestação está a juntar já muita gente mas não é exclusiva dos jovens, vendo-se também muitas pessoas de meia-idade junto dos mais novos.
Até ao momento está tudo a correr dentro da normalidade e ainda não se viram os anunciados elementos nacionalistas que se iriam juntar á manifestação. Em relação a protagonistas políticos, o DN ainda só confirmou a presença de quatro deputados do PCP, todos eles jovens: Ricardo Rato, João Oliveira, Miguel Tiago e Bruno Dias.
Mais de uma dezena de viaturas do corpo de intervenção da PSP esta junto ao Parque Eduardo VII, sendo esta a face mais visível da presença policial na manifestação.
Manifestações no Porto também já arrancaram
17.52 - Organização da manifestação da "geração à rasca", no Porto, avança com números de adesão na ordem das 80 mil pessoas, embora a PSP fale apenas em 50 mil manifestantes. A manifestação terminou e já estão a haver apelos à desmobilização.
16.43 - organização da manifestação da "geração à rasca" anuncia números de adesão na ordem das 80 mil pessoas. A manifestação já encheu meia Avenida dos Aliados e ainda há gente na Rua de Santa Catarina.
16.00 - Manifestação no porto vai terminar em frente à Câmara Municipal em vez de terminar na praça D. João I, como estava previsto.
15.00 - No Porto os manifestantes também são de todas as idades e as estimativas apontam para uma presença, até ao momento, de mais de seis mil pessoas. Nos primeiros cartazes a surgir entre os manifestantes, podem-se ler as frases "Gerações e gerações à rasca" e "Governos e políticos rascas criaram gerações à rasca".
A manifestação arrancou há dez minutos e a cabeça do protesto já vai no cruzamento de Santa Catarina com a Rua Fernades Tomás, mas ainda há largas centenas de pessoas na Praça da Batalha.
fonte: DN
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Manifestantes encheram Avenida dos Aliados
Cerca de 80 mil pessoas, segundo a organização, terão hoje participado no protesto da "Geração à Rasca", no Porto, enchendo a Avenida dos Aliados, apesar da manifestação ter tido um começo tímido.
fonte: DN
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Homens da Luta cantam com Fernando Tordo na Avenida
Jel e Falâncio, os famosos Homens da Luta, participaram na manifestação e contaram com a colaboração especial de Fernando Tordo, que se juntou ao grupo na Av. da Liberdade.
fonte: DN
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Explosão em central nuclear de Fukushima
Uma forte explosão foi ouvida hoje perto do reactor número 1 da central nuclear de Fukushima (norte de Tóquio), onde o nível de radioactividade aumentou de forma alarmante na sequência do forte sismo que sacudiu na sexta-feira o Japão.
Segundo a televisão pública NHK, que cita a Agência de Segurança Nuclear do Japão, a explosão ocorreu às 16:00 locais (07:00 em Lisboa) e há pelo menos 20 empregados da central que estão feridos. A televisão afirma que as causas da explosão são ainda desconhecidas.
No entanto, um especialista nuclear afirmou, em declarações à NHK, que a explosão pode ter sido "intencional".
A televisão nipónica está a mostrar imagens de uma nuvem de fumo branco por cima da central nuclear e anunciou que o nível de radioatividade está 20 vezes superior ao normal.
Entretanto, o teto e as paredes do edifício do reator de Fukushima desmoronaram-se, refere ainda a NHK.
As autoridades locais tinham ordenado na sexta-feira a evacuação da zona num raio de 10 quilómetros em redor da central.
Na sequência da explosão, a televisão pública NHK aconselhou os japoneses a manterem-se em casa e a fecharem as janelas num perímetro "mais amplo que os 10 quilómetros da zona evacuada".
Peritos e jornalistas da cadeia de televisão também aconselharam as pessoas que estão no exterior a proteger as vias respiratórias com um pano molhado e a taparem-se ao máximo para evitar o contacto direto da pele com o ar.
fonte: DN
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Manifestação da "geração à rasca" promete juntar milhares
Quase 60 mil cibernautas já disseram que vão participar no protesto da auto-denominada "Geração à Rasca" que decorre em 11 cidades do país mas que terá o seu ponto alto na Avenida da Liberdade.
A maior parte dos participantes que se comprometeram a participar são jovens desempregados ou em situações precárias e a mobilização, que começou via redes sociais online, ganhou uma expressão maior através da associação a hinos musicais, como a música dos Deolinda "Que parva eu sou", numa retrato de uma geração de "quinhentoseuristas" que não consegue ser autónoma dos pais e tem formação superior qualificada.
Numa carta aberta dirigidas aos cidadãos e a qualquer organização da sociedade civil, os promotores explicam que o protesto é "fruto da insatisfação de um grupo de jovens que sentiram ser preciso fazer algo de modo a alertar para a deterioração das condições de trabalho e da educação em Portugal".
"Este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23º da Carta Universal dos Direitos Humanos", explicam, reclamando o direito ao emprego, educação, "melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade" e o reconhecimento das "reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos".
Já no manifesto, os promotores do protesto dizem que pretendem dar um "contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país".
"Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida", sustentam.
"Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspetivas", prometem.
Os que tencionam desfilar em 11 cidades dos país dizem que não protestam "contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela".
A esta protesto já se associaram várias juventudes partidárias, organizações de extrema-direita, anarquias, sindicatos e partidos políticos, num conjunto de tomada de posições que tem suscitado dúvidas naqueles que defendem a "pureza apartidária" original.
Em todos os locais de protesto, as autoridades já anunciaram o reforço das medidas de vigilância para impedirem desacatos.
fonte: DN
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Radioactividade mil vezes acima do normal em Fukushima
Foi detectado na central nuclear de Fukushima um nível de radioactividade mil vezes superior ao normal, segundo a agência noticiosa japonesa Kyodo.
Este nível de radioactividade anormal foi ontem detectado na sala de controlo do reactor nuclear N. º1, em Fukushima, no nordeste do Japão. O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu aos habitantes para evacuarem a região num raio de dez quilómetros à volta do reactor, por causa do risco de fuga radioactiva.
A central Fukishima N.°1 situa-se cerca de 250 quilómetros a norte de Tóquio e é explorada pela companhia Tokyo Electric Power (Tepco), alimentando parte da capital.
A televisão pública NHK afirma que o nível de radioactividade no exterior da central é oito vezes superior ao normal, não representado ainda perigo para a saúde dos habitantes.
Entretanto, uma segunda central nuclear situada em Fukushima revelava hoje problemas de arrefecimento, noticiam os medias locais citando a empresa responsável. Três reactores daquelas instalações perderam parte da sua capacidade de arrefecimento, anunciou a Tokyo Electrixc Power (Tepco). Esta central, a Fukushima N.º2, situa-se a 12 quilómetros da Fukushima n.º 1.
fonte: DN
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quinta-feira, 10 de março de 2011
"Estão reunidas condições para derrubar Governo"
O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, diz que se fosse responsável pelo PSD a nível nacional já teria provocado a queda do Governo.
Segundo o governante insular, "desde o verão que estão reunidas as condições para o dever imperativo do Governo ser derrubado", sustentou. Mas para Jardim, "os partidos da situação política não têm entendido assim" e remeteu a posição para o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, admitindo que se fosse responsável pelo partido a nível nacional já teria provocado a queda do Governo do PS no verão.
Sobre a questão da
Jardim falava no aeroporto da Madeira à chegada à região depois de ter participado na cerimónia de tomada de posse de Cavaco Silva como Presidente da República e ter reunido com o Chefe de Estado.
O líder madeirense escusou-se a falar sobre os temas tratados no encontro que teve hoje com Cavaco Silva, mas reafirmou que o Presidente da República no discurso de posse "fez um diagnóstico correctíssimo, embora sem poder abarcar tudo, da vida portuguesa".
"Fez um excelente diagnóstico, apresentou algumas linhas programáticas, vamos aguardar a terapêutica", concluiu.
fonte: DN
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terça-feira, 8 de março de 2011
Telegrama revela suspeito da Al-Qaeda em Portugal
Os Estados Unidos andaram a investigar um cidadão português de origem árabe e as relações dele com o alegado líder de uma célula da Al-Qaeda na Europa.
Um empresário sírio que vive em Portugal e tem nacionalidade portuguesa estava a ser investigado pelas autoridades americanas em 2008 pelo facto de manter contacto regular com o líder de uma célula da Al-Qaeda na Europa, Ibrahim Buisir, classificado abertamente como um "colaborador próximo" de Bin Laden pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O nome, o número de passaporte, a data e o local de nascimento do cidadão português de origem síria estão expostos num telegrama confidencial (vedado a estrangeiros, com a classificação NOFORN), enviado para Washington a 14 de novembro de 2008 pelo então embaixador americano em Lisboa, Thomas Stephenson.
De acordo com o telegrama, o indivíduo em causa tinha sido incluído dois anos antes, a 27 de novembro de 2006, na lista secreta de suspeitos de terrorismo do Governo dos Estados Unidos (TSC ou Terrorist Screening Center watch list), criada em 2003 por determinação do então presidente George W. Bush para reunir numa única base de dados os ficheiros de pessoas "sobre as quais recaem suspeitas razoáveis de estarem envolvidas na preparação ou no apoio a atividades terroristas".
A referência ao suspeito no documento assinado pelo embaixador serviu para dar conta ao FBI, à CIA, ao Centro Nacional de Contraterrorismo e a outras agências governamentais em Washington de que "o departamento de assuntos regionais da embaixada forneceu informações sobre (nome omitido pelo Expresso), declarando que ele tem estado em contacto permanente com Ibrahim Buisir".
Numa breve nota, Thomas Stephenson recorda que "Buisir foi considerado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como estando ligado às atividades de financiamento da Al-Qaeda. De acordo com informações do Governo norte-americano, Buisir dirigiu uma célula europeia da Al-Qaeda que dá apoio a operações ao providenciar viagens e condições de alojamento na Europa".
Neste momento, e segundo várias fontes cruzadas que o Expresso contactou ao longo da semana junto das autoridades portuguesas, o empresário sírio não é considerado perigoso e não constitui uma ameaça para a segurança nacional. Oficialmente, a Polícia Judiciária limitou-se a confirmar que a sua Unidade Nacional de Contraterrorismo "está a acompanhar a situação" mas não tem nenhuma investigação em curso que possa ficar comprometida pela divulgação do telegrama, depois de informada previamente pelo Expresso de que não iríamos expor nem a identidade nem a localização exata do indivíduo.
É aqui que começam as dúvidas. Uma das questões que o telegrama levanta é sobre onde, como e quem vigiou (ou ainda vigia) os movimentos do empresário sírio. O facto de o suspeito se encontrar em Portugal e Buisir se encontrar na Irlanda, onde vivia na altura e ainda vive (ver caixa), significa que a informação de que mantinham "contacto permanente" resultou de escutas ou da interceção da correspondência eletrónica entre os dois.
Por outro lado, Stephenson afirma que a informação foi providenciada pelos serviços da Embaixada de Lisboa. Ao mesmo tempo, em relação a outro assunto também abordado no documento, a um parágrafo de distância, em que reproduz os dados biográficos de todos os 13 neonazis condenados no processo da organização extremista Hammerskin Nation, o embaixador assume que isso lhe foi transmitido pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ. Por que razão, no mesmo telegrama, iria citar as autoridades portuguesas num caso e não no outro?
Escutas aqui ou na Irlanda?
O Expresso sabe que não houve escutas ao empresário sírio por parte da PJ, a única entidade que as pode fazer legalmente em Portugal. Duas hipóteses ficam em aberto: ou foram feitas interceções telefónicas na Irlanda que tinham Buisir como alvo, apanhando o suspeito sírio na rede, e a informação foi passada à embaixada em Portugal através de um canal de comunicação mais restrito entre a estação da CIA em Dublin e a estação da CIA em Lisboa (tendo esta passado, por sua vez, a informação aos serviços da embaixada). Ou, em alternativa, houve escutas feitas em território português. Ilegais.
Num encontro com o Expresso, em que foi avisado de que iria ser publicado um artigo sobre ele nesta edição do jornal, o empresário sírio revelou que o seu número de telemóvel se mantém inalterado desde que veio viver para Portugal, há oito anos, e que há muito que desconfia estar sob escuta. "Ouço muitas vezes barulhos estranhos e o eco da minha voz".
O imigrante adiantou que foi abordado há cerca de três anos, na cidade onde mora, por um indivíduo que lhe fez uma série de perguntas relacionadas com terrorismo e com um cidadão de origem árabe na Irlanda.
Questionado sobre se esse indivíduo se identificou e se era de nacionalidade portuguesa, disse não se lembrar, admitindo que falaram em inglês (por ser uma língua em que é mais fluente) e acrescentando depois que "há coisas de que não vale a pena falar. Recordo-me só que, no final, o indivíduo zangou-se comigo e atirou um copo cheio de sumo para cima do meu carro. Eu agradeci-lhe e limpei o carro. Não tenho problemas em que me vigiem ou me ponham sob escuta. Não cometi nenhum erro e não tenho nada a temer".
Negando conhecer alguém chamado Ibrahim Buisir ("só tive uma vez um cliente na Irlanda e tinha outro nome"), o empresário explicou que nos negócios internacionais em que está envolvido, e que o obrigam a viajar regularmente pela Europa e pelo Médio Oriente, conserva uma carteira de clientes conhecidos. "Não me dou com gente estranha".
Antes de vir para Portugal, o suspeito viveu cinco anos na Arábia Saudita, onde trabalhou para uma empresa americana, e teve uma passagem pela Alemanha.
O telegrama em que aparece mencionado tem o título "Embassy Lisbon's October 2008 VISAS VIPER report" (relatório VISAS VIPER de outubro de 2008 da embaixada de Lisboa). Trata-se de um relatório de rotina sobre terrorismo destinado a prevenir a entrada de suspeitos em território americano.
O programa VISAS VIPER surgiu depois do primeiro atentado às torres gémeas de Nova Iorque em 1993. Serve, essencialmente, para fazer circular informação sucinta sobre indivíduos sob suspeita entre todos os serviços americanos no estrangeiro e o Departamento de Segurança Interna em Washington.
O empresário sírio nunca tentou entrar nos Estados Unidos. "Mas penso um dia ir ao Havai de férias com a minha mãe". Um sonho difícil. No telegrama vem que ele tem um "00 hit" no Consular Lookout and Support System (CLASS). Se conseguir eventualmente aterrar num aeroporto americano, o "00 hit" implica ser levado para uma sala. E esperar pelos agentes do FBI.
fonte: Expresso
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