RELÓGIO DO APOCALIPSE

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Engenheiro mata com neta ao colo


Cláudio tenta fugir. Ferreira da Silva continua a disparar

Imagens desmentem tese de que homicídio aconteceu após advogado levar a mão ao bolso.

Conheça todos os pormenores sobre o homicídio de Mamarrosa, em Oliveira do Bairro.



A revolução no mundo árabe e uma nova ordem mundial


A característica principal da revolução árabe é a força do levantamento independente das massas.

A recente revolução no mundo árabe, que desabrochou com a vitória das massas da Tunísia, derrubando a ditadura de Ben Ali, segue, com furor, agora contra o ditador egípcio Hosni Mubarak, grande amigo do imperialismo americano, encastelado no poder há três décadas.

Mas a revolução na Tunísia não só derrubou a ditadura de Ben Ali, como instigou a revolta na Argélia, na Jordânia e também no Iémen e ameaça estender-se pelos demais países do chamado mundo árabe, que possui uma população de cerca de 278 milhões que se estende por uma vasta área do planeta, da África à Ásia

A característica principal da revolução árabe é a força do levantamento independente das massas contra os partidos, organizações e governos. A outra característica é a inexistência de uma verdadeira liderança de esquerda revolucionária que possa dirigir esse fenomenal ascenso rumo ao derrube dos regimes com os quais se chocam violentamente. Não é por outro motivo que, mesmo após a queda de Ben Ali, segue no governo provisório Mohammad Ghanouchi, personagem destacada da ditadura derrubada, que faz de tudo para retroceder a história. Ghanouchi aponta como única saída um processo eleitoral para um longínquo futuro, seis meses, segundo afirma. Não seria um longínquo futuro se as massas não estivessem insurrectas. Trata-se de ganhar tempo, para recompor o regime, apoiando-se nas ilusões democráticas das massas. Mas, na actual situação, o que podemos desejar é que as massas da Tunísia tomem a revolução de volta nas suas mãos, derrubem esse governo provisório, e, sem protelação, instaurem um governo dos trabalhadores e das massas oprimidas, baseado na criação de organismos de poder das massas insurrectas.

A necessidade de organismos de centralização das lutas

Fica evidente que o actual levante carece de organismos claros de organização das massas. Não podendo contar com partidos, nem mesmo com todos os sindicatos, não resta outro caminho além de ir à luta de forma selvagem e heróica, que é o que se tem feito. Mas se existe algum caminho, só pode ser o de construir e fortalecer os organismos de centralização das lutas, que possam, ao mesmo tempo, ir se firmando como órgãos de luta directa pelo poder durante as poderosas mobilizações.

A agonia da velha ordem mundial e o surgimento de uma nova

Junto com a recente ascensão da China e da Índia, a revolução do mundo árabe e a provável vitória das massas insurrectas, estão a liquidar e a infligir uma profunda agonia na ordem mundial estabelecida no final da Segunda Guerra Mundial, que levou os Estados Unidos à liderança política do planeta. O império americano, em decadência, sofre agora um poderoso golpe com a insurreição árabe. Não é por outro motivo que Barack Obama, lamenta publicamente o que acontece hoje no Egipto, confirmando que o odiado Mubarak sempre foi um fiel aliado americano. Mesmo a prestigiosa “The Economist” argumenta que a posição americana de tentar ficar em cima do muro, defendendo Mubarak e ao mesmo tempo afirmando que o povo egípcio tem direitos, é uma posição inglória e bastante frágil.

A questão de fundo não é apenas politica, já que a derrota dos “amigos”, tem como consequência directa a perda de controle político em vasta área do planeta, diminuindo qualitativamente o poderio americano. Mas afecta directamente os bolsos dos imperialistas ianques, já que não há mais nenhuma garantia que todos os acordos passados, que os beneficiavam, irão ser cumpridos daqui para frente.

Independente dos ritmos que possa assumir a crise, está evidente que a velha ordem mundial está acometida de uma agonia mortal, produto do próprio desenvolvimento do monstro chamado globalização

A necessidade de uma nova ordem mundial sob direcção dos trabalhadores

Tantos anos de capitalismo demonstraram que as teses do velho Marx estavam mais do que correctas. O actual capitalismo não só leva à super exploração da maioria, como está, inclusive, ameaçando a própria existência dos seres humanos e do planeta. A profunda crise, reiniciada em 2008, apenas se aprofunda. A actual política de aperto fiscal desenvolvida em vários países não é outra coisa que tentar acabar com o incêndio jogando gasolina em cima… A recessão que provoca obriga os trabalhadores a defenderem-se, como ocorreu na Europa, no ano passado, com a poderosa onda de greves gerais que varreu o velho continente.

Se, no início do capitalismo, os seus defensores podiam argumentar que este iria trazer o bem-estar para toda a humanidade, esse argumento não é mais possível hoje. Todos os defensores da ordem mundial capitalista são obrigados a reconhecer que o capitalismo vive crises cíclicas. Mas pergunto: por que os trabalhadores têm que aceitar essa situação? Duas guerras mundiais e a actual crise parecem argumentos mais que suficientes para provar que o capitalismo não pode e não foi capaz de trazer o bem-estar social que cinicamente alardeava.

Com a vertiginosa crise da velha ordem mundial estabelecida no final da Segunda Guerra Mundial, resta aos trabalhadores construir uma nova ordem mundial. Uma nova ordem mundial baseada na mais ampla democracia dos trabalhadores e povos oprimidos. Uma nova ordem mundial dirigida pelos próprios trabalhadores.


Pelo menos 200 pessoas poderão estar soterradas


Estão contabilizados 65 mortos, mas as autoridades admitem que essse número poderá aumentar nas próximas horas. Estima-se que haja 200 pessoas debaixo dos escombros, após o sismo de 6,3 que atingiu hoje a cidade de Christchurch.


O presidente da câmara, Bob Parker, estima que existam entre 150 e 200 pessoas soterradas nos escombros dos edifícios que desmoronaram depois do sismo, o segundo a atingir a cidade de Christchurch, a segunda maior da Nova Zelândia, depois de um outro a 4 de Setembro de 2010.

Desse grupo de pessoas fazem parte 21 estudantes e dois professores japoneses que estavam na cidade no âmbito de um programa de intercâmbio escolar. Sete alunos e uma professora já foram localizados e aguardam o resgate pelas equipas de socorro.

O terramoto aconteceu perto das 13h00 locais, com epicentro a cerca de cinco quilómetros da cidade e a apenas quatro quilómetros de profundidade. Seguiram-se várias réplicas, algumas com 5,6 de magnitude.

fonte: DN

Kadhafi não sai: "Prefiro morrer como mártir do que abandonar o meu país"


O líder líbio falou ao país. Entre várias declarações, afirmou que prefere morrer como mártir no seu país a abandonar a Líbia. E responsabilizou os Governos e os media estrangeiros pelo que está a acontecer no seu país.

O Presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, garantiu hoje que vai permanecer na Líbia como "chefe da revolução", combater os manifestantes e que está disposto a "morrer na Líbia como um mártir".

O líder líbio apelou aos seus apoiantes para "tomarem a rua aos manifestantes" a partir de quarta-feira e garantiu que irá combater "até à última gota do meu sangue". Kadhafi prometeu que "perante esta situação" não vai sair da Líbia e sublinhou: "Este é o nosso país e o país dos nossos avós. Não vamos deixar que o destruam". Num discurso muito exaltado o dirigente líbio, que subiu ao poder em 1969 após dirigir um golpe de Estado, exprimiu-se em directo pela televisão estatal no início da tarde e pela primeira vez após uma semana de insurreição no seu país. O "líder da revolução verde" escolheu um pódio colocado à entrada de um edifício bombardeado, provavelmente a sua antiga residência de Tripoli bombardeada por aviões norte-americanos em 1986, e que não foi reconstruída para recordar o ataque, no qual morreu uma sua filha adoptiva.

O Presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, confrontado com uma revolta popular sem precedentes, ameaçou hoje ainda os manifestantes armados com a "pena de morte", num discurso transmitido pela televisão. O líder líbio acusou ainda os "países árabes e estrangeiros de tentarem destabilizar a Líbia" e afirmou que as cadeias de televisão estrangeiras "estão a trabalhar para o diabo". Kadhafi distinguiu ainda a situação no seu país com as revoltas na Tunísia e Egipto. "Os jovens que protestam não são culpados", afirmou, e a sua atitude é "normal" após o que sucedeu nos países vizinhos. No entanto, acusou as pessoas "más" que distribuem "dinheiro e drogas" aos jovens.

Seguem-se as frases mais importantes do discurso:

"Os jovens que se estão a manifestar estão a ser drogados e movem-se por dinheiro. Eles estão apenas a imitar o que aconteceu na Tunísia e no Egipto."

"Este é o nosso país e dos nossos avós e não vamos deixar que o destruam."

"Os países estrangeiros querem desestabilizar a Líbia. As cadeias de televisão estão a trabalhar para o diabo".

fonte: DN

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Líbia: Cadáveres espalhados pelas ruas de Tripoli


A situação em Tripoli é de extrema tensão, com cadáveres espalhados pelas ruas e disparos de artilharia pesada ouvidos em várias zonas da capital da Líbia, indicaram esta segunda-feira testemunhas citadas pela agência EFE.

A agência cita residentes em diferentes bairros de Tripoli a indicarem que o som de tiroteio é quase contínuo e que são também ouvidos tiros de artilharia pesada.

No centro de Tripoli vários edifícios do governo foram incendiados hoje de madrugada por manifestantes que exigem o afastamento de Muammar Kadhafi, no poder há 41 anos, noticiou a televisão árabe Al-Arabiya.

Os protestos na Líbia, em que a contestação popular exige o fim do regime de Muammar Kadahfi, iniciaram-se a 15 de fevereiro. Os tumultos têm-se registado sobretudo no leste do país, na região da segunda maior cidade líbia, Benghazi.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Água poderá desencadear a 3ª Guerra Mundial?


Há 20 anos previa-se que o causador de um conflito internacional de proporções mundiais seria o petróleo e acreditava-se que o início da luta armada aconteceria numa nação membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Hoje, os meios de comunicação e os debates internacionais mostram que a água potável do planeta pode-se tornar tão escassa a ponto de causar guerras.

Mais da metade da população mundial – cerca de três biliões de pessoas – sofrerá de escassez de água em 2025, revela um relatório divulgado pela Unesco, a agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura. Se as atuais tendências continuarem, incluindo as secas, o aumento populacional, a crescente urbanização, as mudanças climatéricas, a proliferação indiscriminada do lixo e a má administração dos recursos, o Mundo dirigir-se-á para uma catástrofe.

Segundo o ex-diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, nenhuma região do Planeta poderá evitar as repercussões da crise que atingirá todos os aspetos da vida, desde a saúde das crianças até à capacidade das nações para alimentarem os seus cidadãos. As previsões para o futuro são de fome, doenças e guerras. “Os abastecimentos de água diminuem, enquanto a demanda cresce a um ritmo espantoso e insustentável. Nos próximos 20 anos, a média mundial de abastecimento de água por habitante diminuirá um terço”, disse Matsuura. Publicado a cada três anos, o relatório atual enfatiza a importância da água no desenvolvimento e no crescimento económico.


Bahrein: Manif dispersada com gás e à bastonada


O exército do Bahrein anunciou hoje, quinta-feira, que controla praticamente toda a capital e que as manifestações estão proibidas, horas depois de a polícia ter dispersado uma manifestação com gás lacrimogéneo e à bastonada.

A Euronews mostrou imagens de videoamador com as violentas manifestações desta madrugada:



Num comunicado lido na televisão estatal, o exército afirmou que "locais chave" de Manama estão "sob controlo".

Fontes médicas citadas por agências noticiosas internacionais indicaram que pelo menos quatro pessoas morreram na repressão da manifestação de hoje.

Um dirigente da oposição xiita do Bahrein, o movimento Al-Wefaq, informou que os 18 deputados do partido se demitiram em protesto por estas mortes.

O comunicado do exército insta os cidadãos a evitarem "as concentrações em zonas vitais do centro da capital".

Cerca de duas mil pessoas estavam acampadas há dois dias numa praça do centro de Manama. A polícia, apoiada por unidades de blindados do exército, cercou o local e, antes do nascer do dia, expulsou os manifestantes.

Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, 50 polícias ficaram feridos nos incidentes. Desconhece-se o número de feridos entre os manifestantes, que diferentes fontes estimam em 200 ou 300.

A televisão norte-americana ABC noticiou entretanto que um seu jornalista que cobria o protesto foi espancado durante a operação militar para desalojar os manifestantes.

O jornalista, Miguel Marquez, disse ter sido espancado por "arruaceiros" mas que só sofreu ferimentos ligeiros.

fonte: DN

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Terra estará a viver a sexta extinção em massa por causa das alterações do clima


Qual vai ser o impacto das alterações climáticas na árvore da vida, no final do século XXI? Pela primeira vez, um artigo, publicado amanhã, quinta-feira, pela equipa do biólogo Miguel Araújo na revista Nature, avaliou os efeitos das alterações do clima na árvore da vida. A Terra pode estar a viver a sexta extinção em massa, desta vez pela mão humana, se não forem travadas as emissões de gases com efeito de estufa.

Já houve cinco momentos de desaparecimento maciço de biodiversidade, causados por fenómenos geológicos catastróficos — como a colisão de um asteróide com a Terra há 65 milhões de anos, que ficou famosa porque, entre os desaparecidos, estavam os dinossauros. Agora, devido às alterações do clima pela acção humana, há a tese de que a Terra estará a viver a sexta extinção em massa.

Mas uma vaga de desaparecimentos tem de cumprir quatro condições para ser uma extinção em massa, explica Miguel Araújo, coordenador do pólo na Universidade de Évora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos: tem de ocorrer de forma generalizada em todo o mundo; num período de tempo geológico curto; envolver grandes quantidades de espécies; e afectar espécies de um leque vasto de grupos biológicos.

Por exemplo, se as extinções afectarem muitas espécies só de algumas partes da árvore da vida, as extinções serão dramáticas, com impacto nos ecossistemas, mas não será a sexta extinção em massa, diz Araújo, titular da cátedra Rui Nabeiro em Biodiversidade, a primeira criada em Portugal com fundos privados (cem mil euros anuais, por cinco anos).

À procura de resposta, a equipa do biólogo, que inclui Wilfried Thuiller, entre outros cientistas da Universidade Joseph Fourier, em França, reconstruiu as relações evolutivas de grande número de espécies de aves, mamíferos e plantas, estudando o caso da Europa. Nestas relações evolutivas, a equipa projectou depois as conclusões para o risco de extinção das espécies. Teve em conta quatro cenários de alterações climáticas, consoante estimativas distintas de emissões de gases de estufa, até 2080, e usando modelos que reproduzem o clima da Terra.

Para estudar como as alterações climáticas actuais poderiam afectar a evolução da árvore da vida, foi ainda necessário distinguir as extinções causadas pelas mudanças do clima das que ocorreriam ao acaso. Para tal, a equipa removeu aleatoriamente “ramos” exteriores da actual árvore da vida, para ver até que ponto as extinções modeladas na sequência das alterações climáticas seriam diferentes de aleatórias. “Se não diferisse — é o nosso resultado —, estaríamos perante um padrão de extinções não selectivo, que afectaria a totalidade da árvore”, explica Araújo, também do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid. “As alterações climáticas previstas afectam os ramos da vida de forma uniforme, tornando-os menos densos e farfalhudos com o tempo”, diz.

“Outros estudos têm demonstrado que as ameaças humanas afectam determinados ramos concretos da árvore da vida, por exemplo espécies grandes, especializadas em determinados tipos de comida ou habitats, ou anfíbios”, diz. “O nosso artigo demonstra que as alterações climáticas terão tendência a afectar todos os ramos da árvore.”

O estudo não permite dizer, porém, qual o número de espécies que irá desaparecer. E a estes impactos há que juntar outros de origem humana, como a destruição de habitats, a caça e pesca excessivas, a propagação de espécies invasoras e de agentes patogénicos, que afectam mais uns troncos da árvore do que outros. “Como os impactos se adicionam uns aos outros, o futuro poderá reservar-nos um aumento generalizado de espécies ameaçadas que afectará quase todos os ramos da árvore da vida.”

Portanto, as alterações climáticas poderão alterar as contas actuais sobre a extinção das espécies. A Terra está então viver a sexta extinção em massa? “No caso de haver impactes de grande magnitude que afectem um grande número de espécies, o padrão de extinções modelado por nós assemelha-se ao que se esperaria numa extinção em massa, já que estas não afectaram ramos particulares da árvore da vida, mas a sua quase totalidade”, responde Miguel Araújo.

Perdas no Sul da Europa

Outra conclusão é que as espécies do Sul da Europa, que perde biodiversidade, deverão deslocar-se para o Norte. Já hoje, aliás, as alterações do clima estão a empurrar mais para norte espécies de aves e borboletas.

É também provável que espécies do Norte de África entrem no Sul da Europa — “o que já está a verificar-se com algumas aves e insectos”. Os recém-chegados tanto podem trazer mais biodiversidade, como acentuar a perda de espécies por competição ou novas doenças. “É difícil prever as consequências destas colonizações. Mas, havendo um mar entre os dois continentes, só espécies capazes de o atravessar podem colonizar a margem Norte, o que limita a diversidade de colonizadores.”


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Apple descobre que fornecedores usam trabalho infantil


O gigante da informática Apple revelou hoje, quarta-feira, que alguns dos seus fornecedores de material electrónico utilizam trabalho infantil e que uma outra empresa chinesa subcontratada tem graves problemas de segurança.

A informação consta num relatório anual sobre responsabilidade laborar das empresas que fornecem a Apple, citado hoje pela BBC.

Segundo o documento, citado pela BBC, foram encontrados um total de 49 trabalhadores "abaixo da idade legal" para trabalhar.

Noutro caso, perto de Shangai, foram detectados 137 trabalhadores numa fábrica da empresa Wintek, com problemas de saúde após terem sido expostos a um químico chamado n-hexane.

A Wintek fornece também peças para os aparelhos da Nokia, diz a BBC.

fonte: DN

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Carlos Costa confirma que o país está em recessão


O Governador do Banco de Portugal confirma que o nosso país já está em recessão. Numa entrevista publicada hoje no Diário Económico, Carlos Costa diz que a recessão não constitui surpresa e é a contrapartida do processo de ajustamento e de emagrecimento orçamental levados a cabo pelo Governo.

“Pode dizer-se que estamos em recessão”, explicou Carlos Costa na entrevista conduzida pela jornalista Maria João Avillez.

O Governador do Banco de Portugal reconhece que a situação não era inesperada: "a dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011".

Solução passa pelas exportações

Segundo Carlos Costa, este período de menor crescimento económico "é a contrapartida do processo de ajustamento, de emagrecimento", levados a cabo pelo Governo. O governador do BDP considera que para ultrapassar o problema Portugal terá que exportar mais.

“Quando retiro um dado estímulo á economia tenho de ter uma posologia de compensação e ver onde vou buscar novos estímulos para ela. Nesta situação eles só podem vir das exportações” diz Carlos Costa

O governador reconhece, no entanto, que "há um limite de utilização de capacidade das empresas exportadoras".

“Há um momento em que têm de investir , o que significa que os recursos disponíveis têm de se orientar para o setor dos bens transacionáveis”, diz Carlos Costa.

Execução orçamental deve dar "resultados claros"

Na opinião do responsável do BDP a sustentabilidade das finanças públicas e o cumprimento dos objetivos definidos são determinantes, pelo que considera importante que "houvesse resultados claros de execução orçamental".

Carlos Costa afirma-se convencido de que Teixeira dos Santos têm a força anímica necessária para dar continuidade à política de consolidação orçamental, afirmando: "Admiro francamente a resistência do nosso ministro das Finanças".

Quanto a José Sócrates, o Governador do Banco de Portugal diz trabalhar muito bem com o primeiro-ministro e afirma que este tem respeitando integralmente a independência do BDP, mesmo quando as notícias são desfavoráveis.

"Nem sempre somos os mensageiros que todos gostaríam de ouvir, mas o mensageiro não modifica a mensagem. E se a mensagem é sólida e está tecnicamente fundamentada não se pode ignorá-la", mais tarde ou mais cedo o seu conteúdo atinge-nos”, afirmou o governador.

Questionado sobre se considera que o país já se livrou de uma intervenção do FMI, Carlos Costa responde com uma outra pergunta: “Será que ainda temos a força anímica para convencer os mercados de que faremos aquilo com que nos comprometemos?”

Banca portuguesa é sólida

Na entrevista ao Económico Carlos Costa diz ainda que a banca portuguesa é sólida e afirma-se convencido de que esta ultrapassará com êxito os próximos testes de stress

Segundo diz, “o único calcanhar de Aquiles” do sistema bancário português deriva de haver insuficiente poupança interna no nosso país, pelo que os bancos se vêm obrigados a recorrer ao financiamento externo ficando por isso mais dependentes dos mercados internacionais.

fonte: RTP

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...