RELÓGIO DO APOCALIPSE

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Irão pode estar a trabalhar na arma atómica em segredo


Agência Internacional de Energia Atómica não consegue garantir que o Irão não esteja a produzir armas nucleares.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yukiya Amano, afirmou hoje à AP que não pode garantir que o Irão não esteja a trabalhar secretamente em armas nucleares.

Os comentários de Yukiya Amano refletem o seu desapontamento com o colapso das negociações, no sábado, entre os dirigentes de Teerão e os de seis potências - os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, Federação Russa, França e Reino Unido) e a Alemanha.

Este encontro acabou com os seis a falharem na tentativa de convencer Teerão a dissipar receios de uma atividade encoberta, autorizando uma monitorização acrescida do seu programa nuclear pela agência da ONU.

Amano disse à AP que "a cooperação [do Irão] não é suficiente", especificando: "Não podemos fornecer garantias da ausência de atividades nucleares [não declaradas] ou sobre a natureza exclusivamente pacífica das atividades nucleares do Irão."

fonte: Expresso

Governo propõe 20 dias de salário por cada ano de trabalho


O Governo propôs hoje, segunda-feira, aos parceiros sociais reduzir de 30 para 20 dias de salário por cada ano de trabalho as indemnizações a atribuir nos casos de despedimento.

O limite máximo da indemnização a pagar será, segundo a proposta hoje apresentada, o equivalente a 12 meses de sálário, apurou o DN.

Este novo esquema das indemnizações aos trabalhadores por conta de outrem só se aplicará aos novos contratos, soube o DN à margem da reunião da Concertação Social, que decorre hoje em Lisboa.

A proposta visa reduzir o valor devido aos trabalhadores despedidos.

Os parceiros sociais estão hoje sentados à mesa para discutir o regime das indemnizações. A proposta do Executivo terá ainda outro pilar: o fundo autónomo que será obrigatório e totalmente financiado pelas empresas, diz o documento que o Governo levou às negociações. Este fundo será gerido por uma entidade pública e três ou quatro instituições privadas.

fonte: DN

Fundo para indemnizações obrigatório suportado pelas empresas


O Governo vai avançar com a criação de um fundo para pagamento de indemnizações em caso de despedimento, que será totalmente suportado por contribuições das empresas. Esta é a proposta do Executivo apresentada hoje, segunda-feira, aos parceiros sociais.

Segundo o documento, a que o DN teve acesso, o fundo terá cariz obrigatório e a comparticipação da contribuição será "definida pelas indemnizações a atribuir aos trabalhadores".

"As contribuições são geridas em regime de capitalização real no âmbito de um fundo autónomo", pode ler-se ainda no documento, que o Governo levou hoje, segunda-feira, para a reunião de concertação social.

Este regime será aplicado apenas aos novos contratos, pressupondo a criação de uma conta individual para cada empresa.

O fundo deverá ser gerido por uma entidade pública e simultaneamente três ou quatro entidades do sector privado que serão seleccionadas através de concurso público.

fonte: DN

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mystery UFO Light over China July 2010

Projeto de lei: anonimato na web pode penalizar bloguers


Proprietários de blogs, fóruns e sites com funcionalidades semelhantes terão que ter cuidado ao permitir que outras pessoas façam comentários nas páginas sem se identificar, ou poderão ser penalizados em função do anonimato. Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Gerson Peres (PP-PA), transfere para os bloguers a responsabilidade por opiniões que se constituam em crimes contra a honra - calúnia, injúria oudifamação - de qualquer pessoa.

Para evitar os comentários anônimos, na prática, o dono do blog fica obrigado a moderá-los. Caso contrário, o ofendido poderá acionar a Justiça Civil para a reparação do dano moral. O projeto também diz que o Poder Judiciário poderá aplicar multa de R$ 2 mil a R$ 10 mil ao proprietário do blog que permitir a publicação dos comentários ofensivos. Ainda de acordo com o a proposta, todos os blogs serão obrigados a fazer registo com o nome completo, CPF e identidade de seu proprietário no site Registro.BR.

Segundo Peres, nos meios tradicionais de comunicação o controle dos crimes contra a honra é maior e passível de responsabilização civil e penal. "Os blogs, fóruns e demais sites de publicação de artigos e opiniões, porém, não contam com norma similar que permita a proteção das pessoas. Essa lacuna legal impede que os autores de tais crimes sejam responsabilizados", afirma.

O diretor da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) é favorável à moderação. Para Antônio César Brasil Júnior, o maior problema dos blogs são as mensagens anónimas. "As publicações sem identificação nunca são isentas. Se o autor do blog aceita a divulgação, ele também deve ser penalizado", diz.

O professor de Direito Público, também da UnB, Mamede Said, concorda com a responsabilização do dono do blog. "O site acaba sendo um espaço pessoal do bloguer. Se o comentário está num local criado por ele, é justo que o autor seja punido. A Constituição Federal veda o anonimato exatamente para que as pessoas que se sintam ofendidas tenham o direito de ir à Justiça", ressalta o docente.

Apesar de concordar com a moderação, Mamede Said faz uma ressalva. "Eu acho razoável que o bloguer faça a filtragem. Por outro lado, ele pode acabar tirando a liberdade de expressão dos frequentadores do site. Existem comentários que são ofensas gratuitas, que não contribuem para o debate. Em outros casos, no entanto, as contribuições devem ser aceitas. Só se justifica o bloqueio ao comentário gratuitamente ofensivo", diz Said.

Bloguers

A jornalista Isabela Azevedo mantém desde o início do ano o blog http://donaisabela.blogspot.com (http://bit.ly/92Y3oH). A página retrata - a exemplo da própria autora - o cotidiano de pessoas que decidem sair da casa dos pais para morarem sozinhas. Isabela sempre moderou a página. "Apesar dos blogs serem uma oportunidade de interação e livre expressão dos internautas, o site é de responsabilidade de quem escreve e propõe o debate", acredita a bloguer. Isabela concorda com a aplicação de multas para aqueles que descumprirem a lei.

Brasil Júnior discorda que se estipulem valores entre R$ 2 mil e R$ 10 mil para as multas. "Cada caso é um caso. Às vezes, um blog pode ser sustentado por interesses económicos e pode merecer uma multa acima do teto estipulado no texto da lei", acredita o diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB.

Said também concorda com a aplicação das multas. Mas ele acredita que a responsabilização para o autor do site deve ser apenas civil. "Algum tipo de multa tem que haver. Entretanto, como o bloguer não é autor do comentário, apesar de estar propagando a ofensa, é razoável que ele responda apenas civilmente e não criminalmente", conclui Said.

O projeto de lei (PL-7131/2010) tramita na Cãmara em regime de urgência, e aguarda apreciação em plenário, ainda sem data definida.

fonte: terra

Mundo exige nova ordem alimentar


O preço dos alimentos básicos está novamente numa espiral ascendente. Se a tendência se mantiver, é provável que o planeta tenha de enfrentar uma crise alimentar e de mal nutrição idêntica à de 2008, alerta o Banco Mundial, nas suas previsões semestrais. Para a FAO, a chave para uma segurança alimentar a longo prazo reside no reforço do investimento na agricultura.

Em 2011, a economia mundial vai crescer a um ritmo mais lento. O PIB global não deverá ir além dos 3,3% (contra 3,9%, em 2010), embora os países em desenvolvimento continuem a crescer mais do que os países ricos (6%, em média). Apesar desta disparidade, os preços dos alimentos subiram muito nos países mais pobres, em alguns casos na ordem dos dois dígitos. A situação é particularmente preocupante nos países do Golfo pérsico, altamente dependentes de importações. No Médio Oriente e no Norte de África, estima-se que 37 milhões de pessoas (cerca de 10% da população destas regiões) sofram de fome e mal nutrição.

O rápido crescimento da fome e da mal nutrição ocorridos desde a crise alimentar de 2008, revelam que o actual sistema global de distribuição de alimentos é inadequado e requer mudanças estruturais urgentes, defende Jacques Diouf, director-geral da FAO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação e agricultura. "O preço dos alimentos e a crise económica tiveram um impacto severo em milhões de pessoas em todo o Mundo. Nos últimos meses, o preço da maioria das commodities agrícolas disparou", acrescenta. De acordo com último relatório da FAO, o índice de preços médio alcançou os 205 pontos, em Novembro de 2010, apenas sete pontos abaixo do 'pico' atingido em Junho de 2008. Açúcar e óleo foram os preços que mais subiram.

Os preços internacionais da farinha subiram 12%, nas primeiras semanas de Dezembro, face a idêntico período de Novembro e os mercados estão agora preocupados com as inundações na Austrália, que vão reduzir drasticamente as colheitas. O preço do milho subiu 50% desde Julho, tendo permanecido estável em Novembro e nos primeiros dias de Dezembro, enquanto o preço do arroz, que se manteve estável até Outubro, voltou a subir em Novembro e Dezembro, face às previsões revistas em baixa das produções na Tailândia e no Vietname (dois dos principais países exportadores).

Globalmente, a produção de cereais em 2010 poderá ter ficado 1,4% abaixo da registada no ano anterior, apesar da pressão do aumento da procura, que excede a produção mundial. Em consequência, os stocks diminuíram em 2% e os preços aumentaram.

Para o director-geral da FAO, o investimento na agricultura é a resposta mais adequada, a médio e a longo prazo. Os países deficitários em alimentos deveriam receber apoio técnico e financeiro para incrementar a produtividade dos seus sectores agrícolas tornando-os mais resilientes face às crises. Isto também significa um maior investimento em programas de protecção social e de segurança alimentar, a par de informações actualizadas sobre os mercados. Os pequenos produtores deveriam ter facilidades de acesso aos meios de produção e às tecnologias necessárias, tais como sementes de alta qualidade, fertilizantes e alfaias agrícolas.

fonte: Expresso

E se a desobediência bancária se pega?


Um ex-director na sua filial num paraíso fiscal está a tentar impedir as ilegalidades cometidas pela instituição

Um paladino da transparência bancária ou apenas um bancário desejoso de vingança e dinheiro? Rudolf Elmer, um suíço de 55 anos, ex-director da filial do banco Julius Bär (BJB) nas ilhas Caimão, abriu desde 2003 uma daquelas guerras que parecem impossíveis de ganhar.

Para já, o último round foi-lhe favorável. Na passada quinta-feira, o tribunal de Zurique obrigou-o a pagar uma multa de 7200 francos suíços (5500 euros), quando a acusação pedia oito meses de prisão e uma multa de dois mil francos. O Ministério Público voltou a detê-lo horas depois da sentença. Mas o seu caso está a correr o mundo.

Rudolf deve ter tido uma vida antes de se tornar bancário. Mas os relatos na comunicação social - na sua maioria fornecidos pelo funcionário - dão-no como tendo trabalhado no banco Credit Suisse, na firma KPMG e no banco que o viria a tornar famoso.

A sua aventura começou quando, em 1994, foi promovido a vice-director (chief operating officer) da filial do BJB no paraíso fiscal das ilhas Caimão.

O banco pode não ter um nome familiar, mas não é uma casa qualquer. É uma das tradicionais instituições financeiras de Zurique fundada em 1890 pelo famoso banqueiro Julius Bär, tem 3800 empregados, escritórios abertos na Suíça, em Frankfurt, Milão, Genebra, Dubai, Ilhas Caimão, Nova Iorque, Singapura e Hong Kong. Segundo informação institucional, em Setembro de 2005, comprou dois bancos privados e parte do gigante UBS AG, tornando-se apenas na "maior instituição privada de gestão de fortunas da Suíça". E, a julgar pelo que conta Rudolf Elmer, um banco especialista naquilo que se designa por "planeamento fiscal agressivo", mas cujo resultado é a prosaica fraude e evasão aos impostos.

A vida poderia ter sido boa no paraíso das Caraíbas, na quinta praça financeira do mundo. Mas Rudolf conta que, à medida que foi subindo na hierarquia, lhe iam pedindo cada vez mais coisas menos regulares, ilegais. Diz que alertou os seus chefes, que nada fizeram.

Foi um período em que lhe devem ter chegado pelo menos os ecos da acção judicial interposta em 2000 pelo então manager de David Bowie, Tony Defries, que perdeu os seus activos de dezenas de milhões de dólares num esquema fraudulento do BJB e outros bancos. A acção foi arquivada por falta de jurisdição.

"Eu fazia diariamente uma cópia de segurança do servidor do banco e levava informação para casa [para trabalhar]." "[E] algumas vezes esquecia-me dela, sobretudo na época em que fiquei doente", conta num relato elabora pelo site Swissinfo.

O que diz o polígrafo

Ora, no Verão de 2002, segundo os documentos da WikiLeaks, soube-se que as autoridades fiscais norte-americanas tinham dados das contas bancárias do BJB que permitiam chegar aos rendimentos não declarados dos seus clientes. As leis das Ilhas Caimão não permitem nem às suas autoridades de supervisão aceder a essa informação e é por isso que, desde 2006, as autoridades norte-americanas incluíram as Ilhas Caimão entre os países que mais as preocupam.

O BJB iniciou uma investigação. Foram feitas buscas a casa dos empregados e inquéritos vários, entre os quais o polígrafo.

A prova do polígrafo é, aparentemente, uma prática habitual. Os técnicos contratados pelo BJB vieram da American Poligraph Association, que tem, entre os seus clientes, além dos organismos judiciais, empresas e grupos privados, actuando ao abrigo do Employee Polygraph Protection Act of 1988 (EPPA).

Como a informação divulgada estava na posse de muito poucas pessoas, Rudolf tornou-se o principal suspeito. E, mesmo de baixa médica, foi obrigado ilegalmente a passar pelo teste do polígrafo. Fez alguns testes, mas - alegando questões de saúde - recusou-se a prosseguir. O seu inquiridor, Lou Criscella, viria mais tarde a ser processado por Rudolf por ter violado as regras legais do uso do polígrafo. O BJB alegou que a lei norte-americana não se aplicava nas Ilhas Caimão.

Mas os resultados dos inquéritos com o polígrafo foram pouco claros. O ambiente turvou-se. Segundo a WikiLeaks, o BJB tentou incriminar Elmer pela divulgação de documentos produzidos, mesmo após o seu afastamento. O seu chefe aconselhava-o a mergulhar no mar, de preferência bem fundo. À noite, recebia chamadas telefónicas a "sugerir" que, para bem da sua família, deixasse o país. Rudolf acabou despedido.

Perseguido na Suíça

"Ao perder o emprego, voltámos para a Suíça e trouxe comigo alguma daquela informação", continua Rudolf. Foi só mais tarde - insiste - é que se apercebeu do seu valor. "[Em desespero], comecei a utilizar os dados na minha defesa."

Encontrou emprego em 2003, mas não contou aos seus novos empregadores o que se estava a passar com o BJB. O banco, por seu lado, prometeu - segundo o bancário - não levantar problemas. Administradores do BJB ameaçaram-no, caso se queixasse à polícia. Tudo estaria bem, desde que não processasse o banco por usar o polígrafo ou pela demissão.

O BJB, contudo, nunca deixou de pensar no seu principal suspeito.

Contratou a firma de detectives Ryffel AG e manteve a pressão. Novamente, o telefone de casa a tocar à noite com ameaças. Rudolf queixou-se várias vezes à polícia de estar a ser perseguido. Carros seguiam-no para todo o lado. Havia sempre pessoas postadas à frente da sua casa ou da escola da filha de seis anos. A creche ficava a apenas 900 metros de casa, mas a mãe, apavorada, ia sempre buscá-la. Mesmo no autocarro, havia homens da Ryffel a vigiá-las, até serem parados pela polícia, sem que nada lhes acontecesse. À noite, vinham carros parar à porta de casa e incomodavam os vizinhos. Tudo foi reconhecido em tribunal, em 2007.

Em resposta, Rudolf assume que escreveu emails anónimos com ameaças. Se não parassem, enviaria dados dos clientes para o fisco suíço ou para a comunicação social.

"A situação era aterradora. Vivíamos apavorados e pensei que o banco estava por detrás de tudo e foi por isso que enviei os emails, mas nunca ameacei ninguém ou fiz ameaças de bomba", conta, referindo-se à sede de Zurique. Elmer escreveu ao presidente do BJB. Deu-lhe a entender que era tempo de se proteger e à sua família e forneceu-lhe indícios da informação que poderia libertar. O banco ofereceu-lhe 500 mil francos pelo seu silêncio, mas Rudolf recusou e fez queixa.

Nada feito. A lei suíça, por se tratar de uma pessoa singular, não considera a proposta feita como corrupção. O procurador até lhe disse que deveria ficar contente com a oferta do BJB. E as actividades da agência Ryffel tão-pouco eram contra a lei. Não há lei suíça que proíba a perseguição de pessoas por entidades privadas. Rudolf tentou outras instituições - como fundações de protecção a crianças. Em vão.

O BJB iniciou então uma queixa contra Elmer. Acusaram-no de "roubo de material com intenções criminais", tal como declarou Martin Somogyi, porta-voz do Julius Bär. Roubo?, questiona-se Rudolf. "Eu tinha autorização para guardá-lo." O banco acusa-o de usar a informação para chantagear. Rudolf responde que apenas ameaçou o banco de revelar rendimentos dos seus clientes não declarados ao fisco para reclamar o cumprimento da lei, como o pagamento à Segurança Social e para o seguro de saúde.

No final, a queixa foi arquivada devido à recusa do banco em abrir à investigação os dados das Ilhas Caimão.

2006 parece ter sido o ano em que a iniciativa passou para o lado de Rudolf Elmer. Como diria mais tarde: "Tornar público o que sei e falar de mim reforçam a minha protecção." Dirigiu-se às agências noticiosas, mas nenhuma quis pegar nos seus assuntos. Pôs uma acção contra o segredo bancário no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. E na mesma altura um CD chegou à revista financeira Cash. Foram publicados dados bancários dos clientes do BJB, contribuintes relapsos, na sua maioria alemães, mas com os nomes em branco.

Preso e desempregado

Apontado como suspeito, Rudolf viu a casa revirada, computadores vistoriados, acabou na prisão por 30 dias, mas foi libertado por falta de provas. E perdeu o emprego por falta de confiança dos seus empregadores.

No ano seguinte, em Dezembro de 2007, nova acção contra o banco a reclamar os seus direitos - falta de pagamento pelo BJB da Segurança Social e do seguro de saúde - e ainda por perseguição pelo BJB a si e à sua família pela agência Ryffel AG.

Ao mesmo tempo, o site espelho da WikiLeaks nos Estados Unidos, lançado em 2007, "pôs no ar" dados do BJB. O banco tentou então retirar credibilidade à informação difundida, mas cruzou o oceano, contratou a firma de advogados Lavely & Singer e interpôs uma acção no tribunal de São Francisco para impedir a divulgação e fechar esse site espelho, o que conseguiu a 15 de Fevereiro de 2008. Ao longo de duas semanas, todavia, o mesmo material apareceu noutros sites, noutros países. E a WikiLeaks ganhou o recurso. "Vivemos numa época em que as pessoas podem fazer boas coisas e coisas terríveis sem serem responsabilizados pela justiça", declarou o juiz Jeffrey S. White aos jornais.

O banco desistiu da sua queixa contra a WikiLeaks em Março de 2008 e o site começou a divulgar documentos que provavam a acusação de Elmer sobre o uso do BJB para evasão fiscal.

Rudolf criou o seu próprio site para contar a história do processo (www.swisswhistleblower.com), mas rapidamente alargou o seu âmbito para defender a transparência bancária. "Quero também apoiar os governos e instituições na luta contra a sonegação fiscal, a corrupção e outros negócios imorais", explica. Um dos casos por desvendar é o do próprio Presidente do México, Carlos Salinas, cuja fortuna, garante, passou pelo BJB, nas Ilhas Caimão.

Em 2009, por questões de protecção e com um novo emprego, deixou a Suíça com a sua família e foi para as Ilhas Maurícias, no Índico.

E esta semana, a dois dias da sessão final do processo por violação reiterada do segredo bancário em 2008, espionagem industrial e coerção sobre outros empregados, Elmer apareceu em Londres, para, numa conferência de imprensa com o fundador do site WikiLeaks, anunciar que dentro de semanas será libertada informação bancária secreta.

O desafio jornalístico passou a ser descobrir a quem pertenciam essas contas. Mais de dois mil pessoas com muito dinheiro, 40 políticos, 200 contas de empresas multinacionais, artistas e gente importante que foge aos impostos.

A ousadia foi excessiva. O procurador Bergmann do tribunal de Zurique declarou logo que Elmer não aprendera a lição e que só manifestava desrespeito para com a lei e os tribunais. Rudolf entrou no tribunal de Zurique filmado pelas agências noticiosas. Saiu condenado, mas com uma multa muito aquém da pena de prisão pedida pelo procurador.

"Cometi erros, mas quanto ao fundamental, que diz respeito às praças financeiras offshore, como as Ilhas Caimão, não me arrependo de nada." E recorreu da decisão. Horas depois, o procurador ordenou a sua detenção por considerar que o anúncio de Londres violava as leis suíças que sustentam o sigilo bancário.

Rudolf, desta vez, passou a ser seguido pelo mundo inteiro. E juntou-se a outros "denunciantes" de práticas ilegais, possíveis pelas regras do segredo bancário. O banco suíço USB foi recentemente forçado a dar às autoridades dos Estados Unidos dados bancários de mais de quatro mil clientes. O grupo Stanford foi fechado nos Estados Unidos devido a fraudes denunciadas por quadros da instituição. Todos eles passaram a ser convidados para conferências internacionais como denunciantes de crimes.

O que acontecerá à banca, se o exemplo se pega?

fonte: Público

Serviço noticioso lamenta ter divulgado estudo falso sobre alterações climáticas


Weymann disse que Hisas foi informada do problema antes da publicação do artigo

O aumento da temperatura do planeta em 2,4ºC até 2020 é a conclusão de um estudo considerado falso, divulgado anteontem pelo Eurekalert!. O serviço noticioso sobre ciência “lamenta profundamente” o sucedido.

“O comunicado de imprensa foi prontamente removido do Eurekalert! e a equipa está a tomar as medidas necessárias para corrigir a situação com todos os jornalistas que o leram”, escreveu ontem em comunicado este serviço online, gerido pela AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), que publica a revista “Science”.

Mas entretanto, vários meios de comunicação internacionais publicaram a notícia esta terça-feira, incluindo a agência de notícias francesa AFP e a espanhola EFE.

O artigo em questão foi submetido por Marshall Hoffman, da empresa de relações públicas Hoffman & Hoffman, em nome da organização não governamental argentina, Universal Ecological Fund (Fundación Ecológica Universal). Nela se dava conta de um “ritmo de aquecimento global inconsistente com outras fontes de informação credíveis sobre alterações climáticas”, escreveu ontem a Eurekalert!.

O estudo concluía que a temperatura do planeta iria aumentar 2,4ºC até 2020, com graves consequências para o fornecimento mundial de alimentos. “Isto está a acontecer muito mais depressa do que esperávamos”, escreveu no artigo Liliana Hisas, directora-executiva da FEU e autora do estudo.

“Confiamos, acima de tudo, na organização que submete os trabalhos para garantir a veracidade do conteúdo científico do comunicado”, explicou ao jornal "The Guardian" Ginger Pinholster, da AAAS. Neste caso, “um jornalista do Guardian alertou-nos terça-feira em relação ao comunicado”, explicou. “Contactámos imediatamente um especialista em alterações climáticas que nos confirmou que a informação lhe causava muitas dúvidas. Por isso, retirámos o comunicado do Eurekalert!”.

O serviço escreve que “lamenta profundamente que o sistema tenha falhado”.

Climatólogos consideram conclusões alarmistas

Os climatólogos já alertaram que esse aumento na próxima década é alarmista e seria mesmo impossível. “2,4ºC em 2020 representa seis a sete vezes a taxa de aumento da temperatura projectada”, lembrou ao jornal “The Guardian” Gavin Schmidt, climatólogo da NASA (agência espacial norte-americana). Na opinião de vários peritos, Hisas não levou em consideração a influência exercida pelos oceanos, que absorvem calor e que alteram os efeitos do aumento das concentrações de gases com efeito de estufa na atmosfera.

De acordo com o climatólogo Ray Weymann, “o estudo contém um erro importante, na medida em que confunde o aumento da temperatura dita ‘de equilíbrio’ com a subida da temperatura ‘transitória’”, cita a AFP.

Weymann salientou que Hisas foi informada deste problema antes da publicação do artigo. “A autora do estudo foi advertida por vários especialistas deste erro mas disse que já era muito tarde para o corrigir”, acrescentou.

Por sua vez, Hisas garante que as suas conclusões principais foram avaliadas e aprovadas por um cientista argentino, Osvaldo Canziani, e que não pretende despublicar o artigo. “Simplesmente vamos para a frente com isto. De momento não tenho escolha”, disse ao “The Guardian”. “O cientista com quem trabalhei verificou tudo e, de acordo com ele, não existem erros.” Canziani, um dos antigos cientistas que participaram nos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas), explicou que esta projecção se baseou no último relatório do IPCC, publicado em 2007, e em outros dados entretanto publicados.
O Eurekalert! é um serviço noticioso não lucrativo, gerido por um consórcio global de instituições na área da ciência, tecnologia, saúde e ciências sociais. O acesso aos artigos científicos é gratuito.

fonte: Público

Estado paga multas dos partidos


O PCP viu uma coima passar de três mil para trinta mil euros, tudo por causa da “intenção legislativa de responsabilização pessoal” dos dirigentes partidários. Este partido defendia que o culpado era o “órgão donde emanam as decisões sobre as contas”, o secretariado. Mas o Tribunal Constitucional (TC) entendeu que cada um dos dez membros do secretariado devia ser responsabilizado. Só que com as novas regras da Lei do Financiamento dos Partidos isto deixa de ser relevante, porque agora, até as multas aplicadas aos dirigentes passam a ser acrescentadas às despesas do partido, as quais são subsidiadas pelo Estado.

“Ficaria gorada a intenção legislativa de responsabilização pessoal, duplicando-se, de algum modo, a responsabilização do partido infrator, entretanto, sancionado.” Foi assim que, há quatro meses, o TC travou a pretensão de um partido em transferir a responsabilidade de uma coima dos seus dirigentes para um órgão interno. E a responsabilização direta dos agentes políticos tem feito escola nos acórdãos, à medida que o TC avalia as contas anuais e de campanha dos partidos.

Machada ao TC

No início do ano, o TC tinha enviado para o PCP as guias para pagamento das coimas aplicadas relativas às “irregularidades e ilegalidades” das contas partidárias de 2005. Entre os punidos estavam o atual candidato à presidência da república, Francisco Lopes, e o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa.

O TC, invocando a “intenção legislativa de responsabilização pessoal”, rejeitou o requerimento, insistindo que as guias tinham sido “emitidas para cada um dos responsáveis individuais e não para o órgão em causa”. Esta foi uma das matérias em que houve alteração sub-reptícia à lei. A legislação aprovada no parlamento, em novembro e promulgada um mês depois pelo presidente da república, passou a admitir como despesas declaráveis de um partido as coimas a si aplicadas. Mas a lei também passa a prever que as multas decretadas contra os seus dirigentes possam ser inscritas nas despesas. Estas mudanças representam uma verdadeira machadada na jurisprudência realizada pelo TC, ao longo dos últimos anos.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Blackwater, o exército-sombra dos Estados Unidos

Um dos mais poderosos exércitos-sombra do mundo, composto por mercenários, a Blackwater é tão secreta que nem os membros do Congresso norte-americano sabem das suas actividades.

Durante a guerra do Iraque, a administração Bush, além da máquina militar que colocou no terreno, enviou um exército-sombra denominado Blackwater, o mais poderoso exército privado do mundo, composto por mercenários contratados.

Fundada por Erik Prince em 1996, a Blackwater, sedeada nos Estados Unidos da América, na Carolina do norte, é tão secreta que as suas baixas em combate não são conhecidas, os seus crimes não são punidos e o próprio Congresso norte-americano não tem acesso a qualquer informação acerca da organização ou das suas actividades.

A primeira vez que a maioria das pessoas teve conhecimento da sua existência foi em 2004, quando quatro dos seus operacionais cairam numa emboscada, no Iraque, tendo sido mortos e arrastados pelas ruas como troféu.

Com cerca de 23 mil operacionais em actividade, espalhados por nove países, e mais 20 mil contratados de prevenção, os mercenários da Blackwater consideram-se a si mesmos como estando acima de qualquer lei. Em actividade também dentro dos Estados Unidos da América, fortemente armados e circulando em carros sem identificação pelas cidades do país, são considerados por alguns como uma ameaça à democracia.



fonte: DN

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