RELÓGIO DO APOCALIPSE

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ataque dos EUA mata rebeldes no Paquistão


Pelo menos seis presumíveis rebeldes foram hoje mortos por um bombardeamento de um drone norte-americano contra o seu veículo numa zona tribal do noroeste do Paquistão, na fronteira do Afeganistão, anunciaram responsáveis locais da segurança.

O ataque teve lugar em Mir Ali, localidade situada a 25 Km de Miranshah, a principal cidade do Waziristão do Norte, indicaram as mesmas fontes.

Alvo da quase totalidade dos ataques de drones norte-americanos nos últimos meses, este distrito tribal é um dos principais bastiões dos combatentes talibãs paquistaneses e dos seus aliados da Al-Qaïda, e uma base de apoio dos talibãs afegãos que atacam a NATO no Afeganistão.

fonte: Sol

Piloto investigado por publicar vídeos de aeroporto no YouTube


Um piloto norte-americano está a ser investigado na sequência da publicação de vários vídeos no YouTube, onde demonstrava supostas falhas de segurança no aeroporto de São Francisco

A investigação está a ser levada a cabo pela Transportation Security Administration, revela o advogado do piloto de 50 anos, citado pela BBC.

De acordo com Don Werno, a investigação visa descobrir se os vídeos em causa permitiram divulgar informação sensível.

Os vídeos mostravam algumas práticas, aparentemente comuns, que violavam as normas de segurança do aeroporto de São Francisco, como a entrada de pessoas em áreas protegidas sem qualquer tipo de monitorização ou a troca de cartões de segurança entre funcionários.

O advogado do piloto refere ainda que os vídeos, entretanto retirados do site, foram publicados no YouTube durante Novembro e Dezembro com o objectivo de demonstrar as fragilidades de segurança do aeroporto, nomeadamente praticados pelo pessoal de terra.

O piloto, cuja identidade não foi identificada, alega que as imagens não têm qualquer tipo de informação sensível e poderiam ter sido captadas por um simples passageiro.

fonte: Sol

Acto de espiar e-mail da esposa acaba no tribunal


Um norte-americano vai ter de responder em tribunal por ter acedido ao e-mail da esposa sem autorização

O caso teve lugar no estado norte-americano do Michigan quando Leon Walker acedeu ao correio electrónico da esposa, Clara, para tentar descobrir provas de que estava a ser traído.

O objectivo foi cumprido, mas além de ter descoberto a traição, Leon Walker identificou o amante como sendo o segundo ex-marido da esposa, que esteve preso por actos de violência doméstica contra Clara, na presença do seu filho, fruto de um primeiro casamento.

Os elementos recolhidos por Leon foram enviados ao primeiro ex-marido, que luta em tribunal pela tutela do filho.

Segundo a imprensa local, o agora arguido alega que enviou aquela informação porque temia pela segurança da criança.

Não foi essa a opinião da esposa, que assim que descobriu resolveu processar Leon Walker, acusando-o de piratear o seu e-mail.

Citado pelo Detroit Free Press o advogado do arguido afirma que «nunca viu nada disto acontecer».

Para o causídico «esta é uma acusação de pirataria informática, o mesmo tipo de crime que utilizam para quem tenta entrar num sistema governamental ou no das empresas privadas para fins errados».

Leon Walker nega as acusações ao argumentar que o computador utilizado para aceder ao e-mail da esposa era partilhado, o que Clara refuta, dizendo que o PC era só dela.

O caso vai agora ser julgado em tribunal a partir de Fevereiro de 2011. Entretanto o casal acaba de se divorciar.

fonte: Sol

Sociólogos dizem que portugueses receberam a crise com surpresa mas podem passar à "explosão"


Para António Barreto, o problema do país é a dependência do Estado e das organizações públicas

A crise foi-se instalando e apanhando os portugueses de surpresa. Primeiro é a estupefacção e a inacção ditadas pelo medo instaurado por um passado recente sem democracia, depois é a “explosão”, comentam os sociólogos António Barreto e Boaventura Sousa Santos.

Os dois sociólogos justificam a aparente calma da sociedade portuguesa, num contexto de agravamento de crise e de escalada de violência em manifestações pela Europa, com a falta de tradição organizativa e excessiva dependência do Estado.

“O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa. Um ano de medidas de austeridade aplicadas gradualmente e que não tiveram um efeito pleno na vida dos portugueses, como tiveram em países como a Grécia, onde as medidas foram particularmente drásticas”, afirmou Boaventura Sousa Santos.

Além disso, Portugal não tem tradição organizativa, considera o sociólogo, lembrando que o país viveu metade do século XX sem democracia e que, por isso, as pessoas continuam a ter medo e a viver como num regime de ditadura.

“É natural que algo aconteça a partir do momento em que estas medidas possam entrar não só no bolso, mas na cabeça das pessoas e estas percebam que estão a ser roubadas para que o sistema financeiro e os bancos continuem a ganhar rios de dinheiro e a fazer disparar o consumo ostentatório que tem neste Natal um dos pontos mais altos desde 2008”, afirmou.

Boaventura Sousa Santos acredita que as “coisas vão piorar” e que “se não houver inflexão vai-se assistir a uma situação explosiva nos próximos anos”.

Na opinião do sociólogo, Portugal não é dos países que “mais se ofendem, pois viveu muito tempo com a mediocridade escondida do salazarismo”, e “não tem tanta percepção de justiça”, mas pode ser contagiado pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais.

Para António Barreto, o problema de Portugal é a dependência do Estado e das organizações públicas. “Quanto maior a dependência, mais o receio de expressão livre e independente, sobretudo da expressão de contestação. Mas também este facto tem particularidades: recalcar a expressão crítica por causa de dependência pode conduzir a verdadeiras explosões, mais tardias, mas mais cruas ou violentas”, considera o sociólogo.

Durante este ano, o clima de contestação foi elevado, mas sob formas pacíficas e institucionais, considerou o sociólogo, lembrando, contudo, que a situação se pode alterar. “Nem sempre a contestação é proporcional à dificuldade. Por exemplo, taxas elevadas de desemprego e até situações de fome ou carência podem coexistir com graus igualmente elevados de resignação”, afirmou, manifestando-se convicto de que no próximo ano se “desenvolverá muito significativamente o descontentamento”.

Na opinião do sociólogo, se o poder político não souber responder com clareza e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se. “E se o poder político persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social”, acrescentou.

fonte: Público

Vírus da gripe A mantém cinco pessoas internadas em estado grave nos hospitais


Direcção-Geral de Saúde recomenda intensificação da vacinação 

Direcção-Geral de Saúde recomenda intensificação da campanha de vacinação, que se mantém baixa entre os profissionais de saúde.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem registo de cinco pessoas internadas em hospitais portugueses com gripe A (H1N1), duas delas nos cuidados intensivos. "Não temos notificação de nenhum óbito, mas os casos que estão a ser tratados são muito graves", alertou o director-geral da Saúde, Francisco George, para quem é urgente intensificar a campanha de vacinação contra aquele vírus. "Cinco pessoas internadas devem constituir um sinal de alerta e de consciencialização para a necessidade da vacina", reforçou o pneumologista e consultor da DGS, Filipe Froes.

"A época gripal ainda está muito no começo e a vacina produz efeito duas semanas depois de ter sido administrada", sustentou Francisco George, considerando que "os casos [de gripe A] que estão a ser seguidos têm um padrão muito semelhante ao dos outros países europeus, onde, apesar da pouca actividade gripal, têm sido notificados casos graves".

No Reino Unido, por exemplo, 302 pessoas estavam em estado crítico por causa da gripe. Embora as autoridades de saúde locais não tenham conseguido perceber quantos dos doentes têm o H1N1 que se espalhou pelo mundo como uma pandemia a partir de 2009, os números oficiais mostram que 24 pessoas morreram nas últimas semanas com o vírus. Destas, nove eram crianças e nenhuma tinha 65 ou mais anos de idade: metade tinham asma ou doenças do foro cardíaco, mas aos restantes não foram detectados quaisquer factores de risco, segundo o jornal britânico “Guardian”. Além destas, morreram mais três pessoas com uma variante conhecida como vírus tipo B. Também em Espanha a gripe A fez duas vítimas mortais nas últimas semanas.

Face a estes números, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças considerou que a situação no Reino Unido devia servir de aviso aos restantes países europeus e invectivou os governos europeus a adoptarem medidas de incentivo à vacinação, mesmo das pessoas que contraíram o H1N1 o ano passado.

Mais pessoas vacinadas

Em Portugal, a adesão à vacina tem sido baixa mesmo entre os profissionais de saúde, conforme reconhece o director-geral da Saúde. Os únicos números disponíveis por enquanto são os do "Vacinómetro" - um sistema de monitorização em tempo real da taxa de cobertura da vacinação da população portuguesa, dinamizado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral -, segundo o qual, até 14 de Dezembro, a taxa de vacinação era de 60 por cento entre os idosos com 65 ou mais anos de idade, descendo para os 49 por cento entre os portadores de doença crónica e para 50 por cento entre os profissionais de saúde.

São números ligeiramente superiores aos do ano passado, segundo adiantou Filipe Froes, o que não invalida que a taxa de vacinação continue muito aquém do desejável, nomeadamente entre os profissionais de saúde - que são, como sublinha o pneumologista, potenciais "vítimas e vectores" do vírus. "Não há nada que, com rigor científico, contra-indique a vacinação, na ausência de alergia aos constituintes ", diz Filipe Froes, equiparando a vacina a "um imperativo ético, científico e cívico" para médicos e enfermeiros.

Nos Estados Unidos, aliás, os profissionais de saúde que recusem a vacinação "arriscam-se a não ver renovado o contrato, porque, se acontecer um doente ser contagiado por um profissional de saúde, as indemnizações a pagar pelo hospital são brutais". Por cá não há sanções, embora a recusa da vacina por um profissional fique registada.

fonte: Público

Governo espanhol insiste na lei contra partilha ilegal


Ministra afirmou que não se vai demitir por causa da reprovação da lei Sinde

Depois de a polémica lei Sinde, que previa o corte de sites que facilitassem a partilha não autorizada de ficheiros, ter sido chumbada na terça-feira, o Governo espanhol, por entre um coro de protesto por parte de representantes das indústrias culturais, anunciou que vai tentar uma nova aprovação.

A lei Sinde, que deve o nome à ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, estava incluída num pacote legislativo chamado Lei da Economia Sustentável. Os deputados do PSOE, o partido da maioria, tinham esperança de conseguir passar a medida no Parlamento, mas longas horas de reunião não foram suficientes para convencer a oposição, que chumbou em bloco a emenda destinada a combater a pirataria on-line. O resto da lei subirá agora ao Senado, onde o PSOE tenciona procurar alianças para voltar a incluir a emenda Sinde na redacção final do diploma.

A ideia de Ángeles González-Sinde era que uma comissão formada especificamente para o efeito pudesse sugerir à Justiça o encerramento de sites que facilitassem a descarga de ficheiros sem autorização dos detentores de direitos. Depois, um tribunal teria um máximo de quatro dias para decidir se os fornecedores de acesso à Internet teriam de avançar com o bloqueio do site. A proposta gerou um forte movimento de contestação na Internet.

O desfecho da votação de terça-feira tem suscitado nos últimos dias duras críticas por parte dos agentes culturais espanhóis. O vice-primeiro-ministro, Alfredo Pérez Rubalcaba, veio ontem afirmar que o Governo não pretende abandonar a luta contra a partilha não autorizada. “Não há um país sério no mundo que se possa permitir não ter protegida a propriedade intelectual”, afirmou.

O chumbo da lei Sinde deu-se depois de telegramas divulgados pela WikiLeaks terem revelado que os EUA pressionaram Madrid a adoptar medidas mais duras de protecção de propriedade intelectual na Internet. Washington ameaçou colocar Espanha na lista de países que têm deficiências nesta área e sugeriram mesmo a adopção de uma medida de avisos aos infractores, como sucede em França, onde os que forem recorrentemente apanhados a partilhar sem autorização podem ver cortado o seu acesso à Internet.

fonte: Público

Transportes aumentam 4,5 por cento em Janeiro


No zona do Porto, o bilhete Z2 do Andante continua a custar um euro

Os utilizadores dos transportes públicos vão pagar, a partir de 1 de Janeiro, mais 3,5 por cento nos passes e 4,5 por cento no global das tarifas. As empresas já começaram a divulgar os novos preços.

O preço do bilhete simples de uma zona do Metro de Lisboa, por exemplo, aumenta cinco cêntimos, passando a custar 90 cêntimos, anunciou hoje a empresa em comunicado.

O passe ML 30 dias urbano do Metro de Lisboa aumenta para 19,55 euros, o passe combinado Carris-Metro de Lisboa Urbano 30 dias aumenta um euro, para 29,45 euros e o passe Metro de Lisboa/CP 30 dias passa a custar 36,40 euros.

Na Transtejo, o bilhete simples custa 90 cêntimos e o passe normal 30 dias sobe para 16,35 euros, segundo a informação disponível na página da empresa na Internet.

Na Soflusa, o bilhete simples aumenta para 1,85 euros, enquanto o passe normal de 30 dias passa a custar 28,10 euros.

A CP-Comboios de Portugal também já disponibiliza no seu site os novos preços. Nos urbanos de Lisboa, o bilhete para a zona 1 custa 1,30 euros e o passe mensal para a mesma zona custa 22,75 euros.

Nos comboios urbanos do Porto da CP, o bilhete simples para zona 1 custa 1,20 euros e o passe para a mesma zona custa 23,85 euros.

A CP diz no seu site que “brevemente estarão disponíveis para consulta os preços dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Regional e InterRegional”.

No Porto, o bilhete Z2 do Andante continua a custar um euro, enquanto o passe normal Z2 aumenta para 24,50 euros, de acordo com a informação disponível no site do Metro do Porto.

Na Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), o bilhete de duas viagens passa a custar 1,85 euros, mais cinco cêntimos, e o de 10 viagens continua a custar 7,50 euros, enquanto quem comprar o bilhete dentro do autocarro pagará 1,50 euros.

Os transportes públicos aumentaram, pela última vez, a 1 de Julho deste ano. Na altura, os preços subiram, em média, 1,2 por cento, abrangendo os urbanos de Lisboa e do Porto, os colectivos rodoviários e ferroviários interurbanos e os fluviais da Área Metropolitana de Lisboa.

fonte: Público

136 famílias por mês pedem ajuda para pagar a casa


Mais de 2300 famílias afectadas pelo desemprego já usaram a linha criada pelo Estado em 2009. Deco diz que medida, que termina este ano, tem sido fundamental para  ajudar as famílias endividadas a manter um tecto sobre a cabeça. Mas nem todas conseguem...

Em 2010, uma média de 136 famílias por mês pediu ajuda ao Estado para pagar o empréstimo da casa ao banco. Do total de 1362 pedidos feitos, 1030 foram aprovados. Nestes casos, o Estado fica a pagar metade da prestação - até ao máximo de 500 euros e durante um prazo máximo de dois anos. Segundo a Deco, esta medida tem sido essencial para conseguir resolver a situação das famílias endividadas que lhes pedem ajuda.

No total, o Estado ajuda 2363 famílias através desta linha de crédito para a qual destinou 150 milhões de euros. Uma medida aprovada em 2009 e alargada até ao final deste ano, para apoiar os de-sempregados devido à crise. Mas as famílias nestas condições têm ainda até à próxima sexta- -feira, dia 31, para pedir este apoio, sendo que os principais bancos portugueses aderiram à iniciativa. O dinheiro não é dado, mas emprestado, só que a uma taxa bonificada (ver P&R).

Natália Nunes, responsável do Gabinete de Sobreendividamento da Deco, explica que os bancos também têm estado mais disponíveis para renegociar os créditos à habitação. "Temos sentido, nos últimos dois anos, uma maior disponibilidade para renegociar, ou aumentando os prazos ou através de um período de carência." Foi o que aconteceu no caso de uma família que acompanhou.

"Era um casal com um filho e o marido tinha perdido o emprego. Quando nos pediram ajuda já tinham prestações em atraso, não só no crédito à habitação, mas também do automóvel e de dois créditos pessoais", conta.

O empréstimo da casa era o que estava menos atrasado, mas os outros já tinham sete e oito meses de incumprimento. "Entrámos em contacto com o banco que aceitou um período de carência de dois anos [em que só se pagam os juros da dívida] e a restruturação dos outros créditos para reduzir as prestações", acrescenta. Meses depois, o pai conseguiu arranjar emprego e a situação voltou ao normal, com um final feliz.

No entanto, há outros com menos sorte. A família Nunes (nome fictício), por exemplo, já não conseguiu negociar um período de carência. Nesta família de três, o desemprego do pai deixou as contas em pantanas. Quando procuraram a Deco já havia muitos meses de atraso e o banco não aceitou renegociar o empréstimo. Entregou o caso a advogados que contactaram a família para recuperar a casa, conta Ana Pimentel, da Deco.

"A prestação da casa é aquela que as pessoas se esforçam mais para pagar, mas quando não conseguem mesmo muitas vezes preferem negociar a entrega da casa para não serem penhorados", conclui a jurista.

Mas muitos casos acabam mesmo em penhora. No ano passado houve 4589 processos em que foram efectuadas penhoras de casas, num total de 6001 imóveis. Estes números representam uma descida de cerca de 400 processos e 400 imóveis em relação ao ano anterior, mas não anulam a subida registada entre 2007 e 2008: mais mil processos. No entanto, o Ministério da Justiça lembra que os dados não distinguem quantas se devem à incapacidade das famílias para pagar o crédito habitação.

Aliás, não se sabe exactamente quantas famílias perdem a casa para o banco por não conseguirem pagar o empréstimo. Um estudo de 2004 do Observatório do Endividamento dos Consumidores (OEC) dizia que, por ano, cerca de 7500 famílias portuguesas perdiam a casa por não conseguirem pagar empréstimo ou renda, mas esses dados não são actualizados desde então e não permitem perceber o impacto da crise.
Catarina Frade, do Observatório, explica porquê. "É uma estimativa. Não sabemos exactamente quantas são. Cada banco sabe, mas não divulga e não há estatísticas centralizadas. Não se consegue um único dado que permita uma análise das necessidades de habitação", conclui a investigadora.

O único indicador que dispomos para perceber a dificuldade das famílias portuguesas em pagar a casa, explica a economista, é o crédito malparado no empréstimo à habitação. Os dados são divulgados pelo Banco de Portugal, que no entanto não revela a quantos empréstimos corresponde o montante referido - que no último relatório atingiu os 1,9 mil milhões de uma carteira de 113 299 milhões de euros.

O desemprego é mesmo a principal causa das dificuldades das famílias, devido à redução brusca do rendimento, explica Ana Pimentel. Situações de doença e de divórcio também contribuem para cortes nos rendimentos que criam dificuldades.

fonte: DN

domingo, 26 de dezembro de 2010

Desempregados chegam aos 600 mil em 2011


Portugal chegará a 2011 com mais de 600 mil desempregados, o nível mais alto em cerca de 30 anos, mas os economistas estimam que a trajectória de subida do desemprego ainda demore mais algum tempo a passar.

Depois de um ano difícil, com os sinais de recuperação da economia ainda fracos (o PIB avançou 0,3 por cento no terceiro trimestre face ao anterior), e sendo o mercado de trabalho habitualmente o último a recuperar de um período de crise, as perspectivas para 2011 não são ainda optimistas.

De acordo com os últimos valores divulgados pelo INE, a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 10,9 por cento no terceiro trimestre de 2010, agravando-se dos 9,8 por cento observados em igual período do ano passado.

Este valor retomou o ciclo de subidas da taxa de desemprego em Portugal iniciado há dois anos (no segundo trimestre 2008), com o mercado laboral a sofrer os efeitos da crise económica que se alastrou por toda a Europa.

O agravamento do desemprego tem sido o cenário mais provável traçado pelos economistas para o próximo ano, mas, se de um lado, há quem acredite no congelamento do mercado de trabalho, há também quem preveja uma subida da taxa de desemprego, embora a um ritmo menor.

O próprio Governo admite uma deterioração do mercado laboral, ao estimar que no conjunto de 2010 a taxa de desemprego se situe nos 10,6 por cento e em 2011 piore para os 10,8 por cento.

Em declarações à Lusa, o especialista em mercado de trabalho, Pedro Adão Silva, antecipou para 2011 um mercado de trabalho «congelado» em que o número de pessoas com protecção de desemprego deverá diminuir.

«O ritmo de destruição do emprego vai desacelerar e portanto não vamos ter um grande crescimento do desemprego, mas também não vamos ter nenhuma criação de emprego», disse.

Questionado sobre as recentes medidas anunciadas pelo Governo para aumentar a competitividade do mercado de trabalho, Pedro Adão Silva disse que eram positivas em termos de adaptabilidade e «alguma manutenção dos postos de trabalho», mas não prevêem a criação de emprego.

Paula Gonçalves, do departamento de estudos económicos do BPI, por sua vez, prevê para o conjunto de 2010 uma taxa de desemprego na ordem dos 10,8 por cento e para 2011 um agravamento para os 11,2 por cento.

«Nesta conjuntura, parece inevitável que o mercado de emprego continue a piorar» e que o número de desempregados apenas desça abaixo dos 600 mil em 2013, sublinhou a economista, admitindo no entanto que em 2012 a taxa de desemprego possa já «recuar ligeiramente» em Portugal.

Relativamente às medidas avançadas pelo Governo, Paula Gonçalves considera-as «favoráveis» para o mercado de trabalho a médio prazo.

Para a economista, medidas como a redução dos custos de despedimento aumentam a capacidade de atracção de investimento directo estrangeiro e contribuem para a queda do desemprego ainda que no curto prazo possam implicar agravamento.

Para o presidente da Associação das Empresas de Trabalho Temporário (APESPE), Marcelino Pena Costa, 2011 será «muito difícil» e «complicado», não só pela aplicação das medidas inscritas no Orçamento de Estado, mas também pela incerteza sobre se as metas serão cumpridas e se haverá intervenção do FMI.

Para Marcelino Pena Costa, para contrariar esta tendência será necessária a adopção de medidas «de coragem», que apoiem o trabalho temporário e a contratação a tempo parcial e combatam os falsos recibos verdes, diminuindo o peso do sector informal.

fonte: Sol

Doenças psiquiátricas tendem a aumentar por causa da crise, alerta Sociedade Portuguesa de Psiquiatria



Doenças do foro psiquiátrico, como depressão e ansiedade, têm tendência a aparecer agora com maior intensidade devido à crise económica que o país atravessa, diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM).

Em declarações à agência Lusa, António Pacheco Palha mostrou-se "preocupado" com a "evidente tendência" de se intensificarem as doenças psiquiátricas que, está provado, acontece sempre em períodos de crise.

"Muitas doenças mentais, como a depressão e, principalmente, a ansiedade, acabam por ter um aparecimento com maior frequência em camadas inferiores, com dificuldades económicas e de afirmação social", esclareceu.

fonte: Noticias RTP

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