RELÓGIO DO APOCALIPSE

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

1,5 milhões sem médico de família


O Diário de Notícias divulgou, recentemente, que mais de 740 clínicos abandonaram o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no ano passado e que até março deste ano mais 260 vão aposentar-se. Destes cerca de 450 eram clínicos gerais, o que significa que pelo menos 675 mil utentes perderam o seu médico de família, isto apesar das medidas do Governo para travar a falta de profissionais nos centros de saúde.

Os sindicatos alegam que a idade está longe de ser o principal motivo para estas saídas em catadupa. “É o desencanto com a falta de concursos, congelamentos e com as discrepâncias introduzidas pelos contratos individuais de trabalho”, avança o Sindicato Independente dos Médicos.

As contas da ministra

Já a ministra da Saúde, Ana Jorge, afirma que cerca de meio milhão de portugueses não tem, atualmente, médico de família. Na Comissão Parlamentar de Saúde, a governante disse que apesar do aumento do número de médicos de clínica geral e familiar, ainda há muitos utentes sem médico de família atribuído.

O ministério da Saúde estimava assegurar que todos os portugueses tivessem o seu médico de família em 2012/2013, mas a ministra diz agora que esse objetivo só será atingido em 2015. “Para isto, contribuíram também algumas reformas antecipadas”, assumiu. Aos deputados, Ana Jorge revelou ainda que já regressaram ao SNS 89 médicos que se encontravam aposentados. Em relação aos que tinham pedido reforma antecipada, o Ministério registou o regresso de 38 clínicos. O regresso de médicos reformados ao SNS foi uma medida de exceção aprovada no ano passado pelo Governo para responder às corridas antecipadas às reformas e à falta de clínicos nalgumas áreas. Segundo o Tribunal de Contas, existem 1,5 milhões de portugueses sem médico de família.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OMS detectou casos de narcolepsia associados à vacina contra gripe A em pelo menos 12 países


Há um caso registado em Portugal pelo Infarmed

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou hoje que pelo menos 12 países registaram casos de narcolepsia em crianças e adolescentes que previamente tinham sido vacinados contra a gripe A (H1N1), entre os quais Portugal.

O Comité Consultivo Mundial da Segurança de Vacinas da OMS publicou um comunicado no qual precisa que “desde Agosto de 2010 e depois de vacinações maciças contra o vírus da gripe A (H1N1) em 2009, se detectaram casos de narcolepsia em crianças e adolescentes em pelo menos 12 países”.

O grupo sublinhou que é necessária “mais investigação” para determinar a relação exacta entre os casos de narcolepsia e a vacinação contra a gripe, tanto com a vacina Pandermix ou com outra.

A narcolepsia é um distúrbio raro do sono em que as pessoas adormecem de forma súbita e inesperada, a sua causa é desconhecida, mas poderá ser desencadeada por factores genéticos e ambientais.

O estudo completo e definitivo sobre a relação entre a narcolepsia e esta vacina será divulgado a 31 de Agosto.

Na semana passada, a OMS anunciou que estava a investigar um aumento de casos de narcolepsia na Finlândia que podia estar relacionado com a vacina Pandermix do fabricante Glaxo, dado que todos os afectados pareciam ter sido imunizados com o mesmo produto.

O governo da Finlândia informou que tinha identificado casos de narcolepsia entre vacinados contra a gripe A (H1N1) com idades entre quatro e 19 anos. O Infarmed tem registo de um caso em Portugal, divulgado em Setembro.

Em Helsínquia, o Instituto de Saúde e Bem-estar da Finlândia (THL) publicou um estudo segundo o qual a vacina contra a gripe A (H1N1) Pandermix, fabricada pela companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, multiplica o risco de contrair narcolepsia infantil.

Segundo aquele estudo, entre 2009 e 2010 foram diagnosticados 60 casos de narcolepsia em crianças e adolescentes finlandeses com idades entre os quatro e os 19 anos, dos quais 52 (quase 90 por cento) tinham sido vacinados com Pandermix.

O fenómeno levou as autoridades sanitárias finlandesas a interromper a utilização desta vacina de forma preventiva até determinar os eventuais efeitos secundários.

Mais de 31 milhões de doses de Pandemrix foram já administradas em 47 países, até Agosto Portugal tinha administrado cerca de 700 mil. No mundo houve um total de 162 casos de narcolepsia em pessoas vacinadas.

A OMS doou 36 milhões de doses de Pandermix a 18 países em desenvolvimento, incluindo três da América Latina, mas até ao momento não houve notícias de quaisquer casos de narcolepsia.

Os 18 países são: Arménia, Azerbeijão, Bangladesh, Bolívia, Burkina Faso, Cuba, Coreia do Norte, El Salvador, Etiópia, Gana, Namíbia, Filipinas, Tajaquistão, Togo, Ruanda, Quénia, Mongólia e Senegal.

fonte: Público

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DGS aconselha vacina da Gripe A, apesar de casos de narcolepsia


A Direção-Geral da Saúde manteve hoje a recomendação para as pessoas se vacinarem contra a gripe A, apesar do recente aumento do número de casos de narcolepsia em pessoas vacinadas, com menos de 19 anos, na Finlândia, Suécia e Islândia.

«Uma vez que a associação vacina Pandemrix [contra a gripe pandémica] e narcolepsia não está provada e que o benefício de vacinação é superior ao risco de adquirir narcolepsia, a DGS mantém as Orientações de vacinação para a época gripal 2010/2011», refere a Direcção-geral da Saúde em comunicado publicado no site.

A vacina Pandemrix tem sido usada em várias dezenas de países de todo o mundo, incluindo Portugal, desde a época gripal 2009/2010.

«Foi observado, recentemente, o aumento do número de casos de narcolepsia [distúrbio de sono caracterizado por sonolência diurna excessiva] em indivíduos vacinados, com menos de 19 anos de idade, na Finlândia, Suécia e Islândia», refere a DGS.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), em colaboração com alguns Estados-membros da União Europeia, está a coordenar um estudo sobre narcolepsia e vacinas pandémicas.

A Agência Europeia do Medicamento considera também necessário desenvolver mais estudos para avaliar aquela possível associação.

A Organização Mundial de Saúde já está a investigar o aumento de casos de narcolepsia na Finlândia e a sua eventual relação com a vacina contra a gripe A (H1N1).

fonte: Sol

sábado, 29 de janeiro de 2011

Gripe A no Mundo - H1N1

Alerta sobre medicamento à venda também em Portugal


A Sanofi-Aventis foi obrigada a enviar aos médicos franceses um alerta sobre o risco de lesão hepática provocado pelo medicamento que detém a última "molécula vedeta contra os problemas do ritmo cardíaco". O aviso terá de ser emitido a todos os clínicos da União Europeia, incluindo Portugal, onde este fármaco também está à venda.

Segundo o Libération, os pacientes que já estão a tomar Multaq "devem contactar o seu médico para realizar um exame hepático sanguíneo", alerta a agência francesa do medicamento, isto apesar de em França ainda não terem sido "efeitos hepáticos daquela gravidade" em pacientes tratados com este medicamento.

A Agência Europeia de Medicamentos considera que, após a descoberta de dois casos graves de lesões hepáticas, há motivos suficientes para uma acção urgente relativamente ao Multaq, com a molécula dronedarona. Além de uma alteração do rótulo, para indicar a existência do risco de lesão, a agência vai reavaliar o perfil risco-benefício relativamente a este medicamento. E pede aos médicos que façam um exame hepático aos pacientes antes de lhes ministrar Multaq.

fonte: DN

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Após escândalo vem a lista de medicamentos sob vigilância


A França publicou uma lista de 59 medicamentos que estão sob um procedimento especial de vigilância, para acompanhar eventuais efeitos secundários ou testar a real eficácia do fármaco. Um "novos sistema" mais independente da indústria farmacêutica é que promete o governo francês depois do escândalo Mediator.

Este medicamento, cujo princípio activo é o benfluorex, era usado como anti-diabético e também para tratar da obesidade. Segundo um relatório recente do estado francês, deveria ter sido retirado do mercado em 1999, mas, quando alguns países proibiram o uso do Mediator como fármaco anti-obesidade, a Servier forçou a sua manutenção no mercado como anti-diabético, levando à morte de entre 500 e 2000 pessoas devido ao efeitos secundários.

A passividade da a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (Afssaps) era tal que só em 2009 o Mediator foi retirado do mercado francês. A Afssap publicou uma lista de 59 medicamentos que estão sob vigilância, noticia do Le Parisien, mas ficaram de fora vários medicamentos apontados como perigosos ou inúteis pela revista Prescrire (alguns em Portugal, ver relacionado), que denunciou o caso Mediator.

Bruno Toussaint, director da revista, está insatisfeito, pois continuarão as ser as farmacêuticas a reportar à Afssaps os registos dos efeitos secundários e não peritos independentes. Os laboratórios Servier já foram visados por buscas das autoridades.

fonte: DN

Todos os dias comemos substâncias tóxicas às refeições


Viktor Iushchenko quase morreu vítima de uma tentativa de assassínio com uma dioxina quando era candidato à presidência da Ucrânia, a mesma que agora foi parar, em valores quase residuais, a ovos e carne de porco e frango da Alemanha. As substâncias tóxicas fazem parte do menu diário da alimentação dos humanos, que em 80% dos casos adoecem devido a dietas contaminadas ou erradas.

As dioxinas, tóxicos cancerígenos criados pelos humanos e usados na guerra do Vietname, foram introduzidos na cadeia alimentar por produtores de rações para animais, que se suspeita terem tentado poupar nos custos comprando óleos de resíduos de biodiesel, não autorizados para uso humano. Milhares de quintas que tinham comprado as rações contaminadas foram encerradas e os respectivos animais abatidos.

Peritos ouvidos pelo El Mundo dizem que este escândalo não é uma excepção. "Não é um caso isolado. Numerosos estudos têm documentado que a contaminação com dioxinas e outros compostos orgânicos persistentes é habitual em rações e alimentos", afirmou Miquel Porta, catedrático de saúde Pública da universidade Autónoma de Barcelona.

"Já vimos vários escândalos que demonstram o fracasso do sistema de gestão e controlo dos contaminantes químicos. Assim que uma substância química perigosa é fabricada ou é gerdo por uma emissão [poluente], acaba por chegar ao meio ambiente, à cadeia alimentar e às pessoas. Há uma incapacidade do sistema para evitar e prevenir isto", alertou Dolores Romano, coordenadora da área de risco químico do Instituto Sindical de Trabalho, Ambiente e Saúde, em Espanha.

fonte: DN

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quase mil quintas alemãs contaminadas por dioxinas


O Ministério da Agricultura alemão assinalou hoje 934 quintas, explorações avícolas e suinícolas, devido a suspeitas de contaminação por dioxinas nas rações dos animais

Fontes do Ministério, citadas pela EFE, disseram que a medida avançou depois de ser detectado que um fabricante de rações no norte do país não registou junto das autoridades, como devia, as partidas de abastecimento às explorações afectadas.

Nos últimos dias, foram levantadas as ordens de encerramento da maioria das mais de quatro mil explorações afectadas pelo escândalo da contaminação de rações animais, divulgada na segunda-feira.

As autoridades da região informaram as entidades de fiscalização acerca das suspeitas e estas iniciaram processos por suspeita de negligência, disseram as fontes do Ministério.

Na sexta-feira, a ministra da Agricultura, Ilse Aigner, apresentou um plano de acção para incentivar e regular os controlos às rações para animais.

Segundo dados do Ministério, pouco mais de 25 por cento dos ovos potencialmente contaminados até agora analisados apresentaram níveis de dioxinas acima dos valores máximos legais.

Entre a carne de porco analisada, somente uma das 33 amostras registavam uma quantidade excessiva de deste componente tóxico. Nos restantes produtos analisados não se encontraram quantidades significativas de dioxinas.

fonte: Sol

Juntas médicas especiais passam de 90 cêntimos para 50 euros


Atestados médicos e vacinas sofrem aumentos radicais

Segundo diploma publicado no Diário da República que actualizou as taxas dos serviços de saúde pública, as vacinas internacionais recomendadas para viajantes, os atestados médicos para cartas de condução para condutores de pesados e as juntas médicas de incapacidade para obtenção de benefícios fiscais, sofreram aumentos radicais. 

De acordo com a aplicação do diploma, as juntas médicas especiais – que atestam incapacidade ou deficiência - custavam 90 cêntimos, com os novos preços passam para 50 euros; outros atestados passam para 20 euros.

Ainda as vacinas contra as febres amarela e tifóide, obrigatórias para viajar para alguns países, como por exemplo Angola, aumentaram, em vez de pagar a taxa habitual de 12 cêntimos por cada vacina, os viajantes passaram a pagar 100 euros pela primeira e 50 euros pela segunda.

Etelvina Calé, da Direcção Geral de Saúde, explicou à TSF o porquê do disparo nos preços: «Temos que ter em conta que não eram actualizados desde 1968. A única coisa que aconteceu com as taxas foi que sofreram conversões de escudos para euros. Além disso, as juntas médicas implicam três delegados de saúde, a instrução de processo por um desses três e ainda um domicílio feito por essa autoridade, que vai verificar o candidato.»


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Google Maps tem mapa das mortes em massa de peixes e aves

Serviço tem 30 indicações de locais onde o fenómeno ocorreu recentemente

Depois dos recentes anúncios de mortes massivas de aves e peixes, o serviço Google Maps disponibilizou uma listagem com trinta locais onde os fenómenos ocorreram e links com notícias sobre o assunto.


Logo no início do ano, mais de 5 mil aves de uma só espécie foram encontradas mortas com hemorragia interna, no Arkansas, EUA. Alguns dias depois, no mesmo Estado norte-americano, 100 mil peixes mortos também da mesma espécie foram vistos mortos no leito de um rio a cerca de 200 km do primeiro incidente.

Para os especialistas, as mortes não estão relacionadas. Entre as aves, suspeita-se que a causa sejam os fogos de artifício do ano novo. No caso dos peixes, eles descartam a presença de toxinas porque os animais mortos eram todos da mesma espécie, e a presença de agentes nocivos na água teria afetado mais tipos de animais.

No Brasil, inclusive, centenas de sardinhas, bagres, corvinas e pescadinhas apareceram boiando na Baía de Paranaguá, cidade portuária do Paraná. Estima-se que cerca de 100 toneladas de peixes tenham morrido. As causas ainda são desconhecida. Profissionais continuam afirmando que as mortes em massa de animais ao redor do mundo são comuns e não estão relacionadas.


Peixes encontrados mortos em Paranaguá


sábado, 8 de janeiro de 2011

Suspeita de crime na contaminação de alimentos com dioxinas na Alemanha


Galinhas e porcos foram alimentados com rações contaminadas

As autoridades alemãs começaram a investigar a possibilidade de haver origem “criminosa” no escândalo dos alimentos contaminados com dioxinas, que obrigaram ao encerramento de 4709 explorações agrícolas.

Na Holanda foram apreendidos 136 mil ovos, sob a suspeita de estarem contaminados, e no Reino Unido soube-se que foram já vendidos bolos e quiches feitos com ovos alemães – importados já sob a forma líquida – que teriam níveis demasiado elevados de dioxinas. Não há, no entanto, perigo imediato para a saúde.

A maioria das explorações encerradas (existem 375 mil na Alemanha) faz criação de porcos, mas estão ainda a fazer-se testes para verificar se há contaminação da carne de porco e do leite de vaca – e ficam na Baixa Saxónia. Foi neste estado alemão que foi distribuída a maior parte das rações animais que continham na sua composição as 3000 toneladas de ácidos gordos contaminados com dioxinas, distribuídas na Alemanha durante os meses de Novembro e Dezembro.

As dioxinas em causa são subprodutos de exploração industrial, provenientes de uma empresa alemã produtora de biodiesel a partir de óleo de palma e soja, chamada Petrotec. Esta empresa, segundo a edição em inglês na Internet da revista alemã Der Spiegel, alega que os ácidos gordos que colocou no mercado só deviam ser usados para fabricar lubrificantes industriais, e não rações animais.

Mas a Harles und Jentzsch, a empresa na berlinda, que está a concentrar as atenções da investigação judicial que está a decorrer na Alemanha, diz que não estava a par dessas limitações.

“Não utilizámos gorduras não autorizadas”, defendeu-se o patrão da empresa, Siegfried Sievert, numa entrevista concedida à televisão Spiegel TV, que deve ser transmitida na íntegra no domingo. Sievert afirma desconhecer a origem da contaminação com dioxinas e acrescenta que a empresa está a “trabalhar em estreita colaboração com as autoridades”.

Mas as autoridades, que falam numa presença de dioxinas 77 vezes superior ao permitido, dizem ser pouco crível que se esteja em presença de um simples erro de manipulação. “Em tais quantidades, não pode ser só um erro”, declarou um responsável do governo da Baixa Saxónia, Konrad Scholz, citado pela AFP.

Empresa não registada?

“As primeiras indicações apontam para um elevado nível de actividade ilegal”, disse uma porta-voz do Ministério da Agricultura, Ilse Aigner, citada pelo site da BBC. “Há indicações de que a empresa nem sequer está registada oficialmente, para não estar sujeita a controlos oficiais.”

Segundo o Governo de Berlim, podem ter sido contaminadas até 150 mil toneladas de alimentos para animais. Os ovos, a carne e o leite desses animais podem ter sido usados em muitos outros produtos, e exportados para outros países, por vezes já processados – como aconteceu com os bolos e quiches no Reino Unido.

O perigo para a saúde humana não será imediato, porque as dioxinas estão já muito diluídas. Mas estes químicos, que podem ocorrer naturalmente ou em resultado de processos industriais, são absorvidos pelas células gordas e ficam lá armazenados, pois têm uma grande estabilidade.

Podem causar problemas de desenvolvimento e no sistema reprodutivo e imunitário, interferindo com as hormonas. Podem ainda levar ao desenvolvimento de cancro.

fonte: Público

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Crise leva portugueses ao psiquiatra


Mesmo que a afluência às consultas públicas de psiquiatria tenha vindo a aumentar, alguns médicos ainda continuam a defender que não se pode determinar uma relação direta entre este aumento e a crise em si. Maria Luísa Figueira, diretora do serviço de psiquiatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é uma delas, dizendo que “as pessoas andam mais apreensivas, mas para termos a certeza é preciso esperar algum tempo”. “Não sei se é por causa da crise, porque na mudança de estação há mais depressões, suicídios e para-suicídios, mas nas entrevistas as pessoas queixam-se da situação económica”, revelou a psiquiatra Paula Carriço, notando uma maior quantidade de pessoas nas urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

Entre as queixas mais frequentes nestas consultas, entre os adultos com mais de 50 anos, surge o medo da falência da empresa onde trabalham e a insegurança de trabalharem por conta própria; já entre os jovens, com perturbações de ansiedade, pessimistas e sem esperança, o desemprego aparece como o seu maior receio.

Aumento esperado

Carlos Braz Saraiva, chefe do serviço dos HUC, tem verificado, no decorrer das consultas, os efeitos negativos da crise na saúde mental dos portugueses, explicando que “nas sociedades ocidentais, adquirimos um determinado padrão de vida e, com a crise, as pessoas sentem insegurança”. O mesmo refere ainda que muitas pessoas chegam às consultas com “perturbações do sono”, porque estas “são socialmente aceites”. “Têm insónias, mas é apenas a ponta do icebergue, o que se vê. No decorrer da entrevista, vemos que o que está abaixo da linha é muito maior e importante”, sublinha.

Já Pires Preto, diretor clínico do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, encara como sendo de esperar o aumento das consultas com a crise, porque esta “vai provocar ansiedade, depressão, mas no campo da psiquiatria não se reflete de imediato. Para além de ter um período de incubação longo, há um certo estigma, as pessoas não procuram logo ajuda”. Também Luísa Sales, que trabalha no Hospital Militar de Coimbra e no setor privado, tem notado um acréscimo das primeiras consultas, mas uma quebra na continuidade. “Há um abandono dos acompanhamentos psicoterapêuticos por falta de dinheiro. A portaria que diminuía o preço dos medicamentos para doentes de evolução prolongada foi extinta e as deslocações para ir à consulta também pesam…”, alerta, defendendo que, com a crise, “as pessoas tornam-se muito mais vulneráveis ao sofrimento psíquico”. A mesma refere ainda que há quem não queira meter baixa por “medo de represálias” no emprego.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tribunal de Contas arrasa prémios injustificados nos SUCH



Tribunal de Contas detecta prémios injustificados e atribuição de 25 carros no Serviço Comum dos Hospitais

O SUCH "não contribuiu para a sustentabilidade do SNS", revela uma auditoria do Tribunal de Contas.

O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), que centraliza serviços para vários hospitais portugueses, gastou dezenas de milhares de euros em prémios injustificados, revela uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) à aquisição de bens e serviços do Serviço Nacional de Saúde através do SUCH.

"Despesismo injustificado", é como o TC classifica os bónus atribuídos "por objectivos de cobranças, no biénio 2007-2008, aos três directores comerciais no total de 129,75 mil euros". A este valor acrescem "11,7 mil euros a outros colaboradores" e um novo prémio de 12,5 mil euros, "a título de trabalhador do ano, a um dos directores comerciais" já antes premiado.

O TC manifesta a sua incredulidade com os bónus, sobretudo por estarem associados à cobrança de dívidas a clientes do Estado. "Considerando que 90% do volume de negócios do SUCH respeita a entidades públicas, o risco de incobrabilidade de dívidas é muito reduzido [...] pelo que a atribuição de prémios de cobrança não acautela a boa gestão dos recursos, redundando num despesismo injustificado [...] que não contribui para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde."

O tribunal observou também que, em 2007, a administração do SUCH - entretanto foi substituída - "deliberou ajustar as ponderações e pagar os incentivos aos directores comerciais", apesar de "não terem sido alcançados os objectivos contratualizados".

Como se não chegasse a atribuição de prémios injustificados, verificou-se a distribuição de carros a administradores e colaboradores e o pagamento de despesas de representação 14 vezes por ano - o que contraria a Resolução do Conselho de Ministros n.o 121/2005, "que fixou em 12 meses o abono de despesas de representação aos administradores das empresas públicas", lembra o Tribunal de Contas.

Segundo a auditoria do tribunal liderado por Guilherme d''Oliveira Martins, "à data de execução do trabalho de campo desta auditoria estavam atribuídas 25 viaturas a membros do conselho de administração e colaboradores do SUCH para fins que não exclusivamente profissionais". Entre estes carros contam-se "viaturas com cilindrada superior a 2.0 e igual ou inferior a 2.7", com "valores de renting mensais entre os 800 e os 1150 euros e sem limites anuais de despesas com a utilização de viaturas". Este é um tipo de remuneração, segundo o TC, que não foi avaliado pela comissão de vencimentos do SUCH.

Situações destas contribuíram para a "deterioração da situação económico-financeira do SUCH, que apresentou resultados líquidos negativos de 4,4 milhões em 2008 e de 5 milhões, em 2009", informa a auditoria do Tribunal de Contas.

fonte: Jornal i

Alemanha: gripe H1N1 causa primeiras duas vítimas mortais em 2011


H1N1

Duas pessoas morreram hoje em Goettingen, na Alemanha, depois de contraírem o vírus da gripe H1N1, que ressurgiu também em Hamburgo, contaminando pelo menos mais 10 pessoas.

As duas mortes, de uma menina de três anos e de um homem de 51 anos, verificaram-se na clínica universitária de Goettingen e ambas as vítimas já sofriam de outras doenças.

As autoridades sanitárias já garantiram não haver indícios de que a gripe se vá propagar mais do que em anos anteriores e mantiveram as suas recomendações quanto às vacinas a tomar.

A vacina atual contra a gripe é considerada trivalente, com partes dos três vírus de influenza mais propagados atualmente, e protege não só contra o H1N1, que no ano passado levou a Organização Mundial de Saúde a decretar a primeira pandemia do século XXI, mas também contra outros dois tipos de vírus.

Após os dois óbitos em Goettingen, na Baixa-saxónia, a direção-geral de saúde local advertiu contra um eventual pânico, mas apelou às pessoas que fazem parte dos grupos de risco para se vacinarem.

"Estamos a levar a questão muito a sério", disse o diretor da referida direção-geral, Matthias Pulz, em Hannover, a vários órgãos de comunicação alemães.

Pulz advertiu, no entanto, que os vírus da influenza são completamente imprevisíveis, e podem ser também mortais para pessoais saudáveis".

Desde finais de dezembro, o número de pessoas contaminadas com o vírus H1N1 na Alemanha tem aumentado continuadamente e o mapa de contágios deverá atingir o ponto alto em finais de janeiro ou princípios de fevereiro, segundo os especialistas.

No inverno passado, o receio de uma pandemia em grande escala levou vários países a encomendarem milhões de vacinas contra o vírus, a grande maioria das quais acabou por não ser ministrada.

"O mínimo que se pode dizer é que a chamada gripe suína foi um negócio ruinoso para o Estado, e muito lucrativo para a indústria farmacêutica", resumiu Christian Meyer, diretor do Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo.

O mesmo especialista considera afastado o risco de a gripe H1N1 voltar a propagar-se largamente na Alemanha, nos próximos tempos e lembrou que todos os anos morrem entre 10 mil a 12 mil pessoas com gripes vulgares na Alemanha.

fonte: Jornal i

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Autoridades de Saúde criam sistema de monitorização por causa da crise


A monitorização vai avaliar as necessidades alimentares das crianças

Por decisão do Conselho de Autoridades de Saúde, vai ser criado em Janeiro um sistema de monitorização para aferir os eventuais feitos negativos da crise económica, financeira e social na saúde e na qualidade de vida das famílias portuguesas.

“Vamos fazer a monitorização dos eventuais efeitos negativos da crise na saúde das famílias”, declarou ao PÚBLICO o director-geral de Saúde, Francisco George, que preside ao Conselho de Autoridades de Saúde (CAS).

“No fundo o que foi decidido hoje na reunião foi proceder-se à afinação de um índice que permita produzir alertas em caso de necessidade a nível local e isso já está em construção e pensamos que na primeira quinzena de Janeiro entrará em funcionamento”, adiantou Francisco George. Esta monitorização, que “é abrangente”, segundo aquele responsável, permitirá, por exemplo, avaliar as necessidades alimentares das crianças em idade escolar em todo o país.

"Preocupado, mas não alarmado”, com a situação de crise que varre o país, o presidente do CAS revelou que durante a reunião não foi relatada nenhuma situação anormal.

“Nenhum dos meus colegas citou agravamentos em relação a períodos homólogos”, revelou, evitando dar mais detalhes sobre o que se passou no encontro, no qual participaram delegados de saúde regionais, os três coordenadores dos principais programas de prevenção das doenças crónicas (diabetes, obesidade e cardiovascular) e ainda um delegado do nível de agrupamentos de centros de saúde por casa região
George reconhece que a situação não está controlada, mas promete que as autoridades de saúde vão passar a estar mais atentas aos principais problemas.

“Com este sistema vamos perceber tendências, mas primeiro tenho de ver o incide que estão a fabricar. Foi dado o prazo até 6 de Janeiro e depois vamos ver se funciona bem ou não”, adiantou.

No final da reunião, onde se discutiu também o relatório final da aplicação e do impacto da lei do tabaco, Francisco George tentou esvaziar alguma dramatização, assegurando que foi feita uma ronda, que não deixa perspectivar “indícios de problemas diferentes daqueles que existiam antes [da crise]”.

Há duas semanas, apesar de preocupado, o presidente do Conselho de Autoridades de Saúde tinha manifestado a convicção de que “não seria necessário, pelo menos para já, tomar qualquer medida extraordinária”. Mas nas escolas a convicção é bem diferente. Há já crianças com fome e os responsáveis temem que a situação se agrave.

fonte: Público

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vírus da gripe A mantém cinco pessoas internadas em estado grave nos hospitais


Direcção-Geral de Saúde recomenda intensificação da vacinação 

Direcção-Geral de Saúde recomenda intensificação da campanha de vacinação, que se mantém baixa entre os profissionais de saúde.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem registo de cinco pessoas internadas em hospitais portugueses com gripe A (H1N1), duas delas nos cuidados intensivos. "Não temos notificação de nenhum óbito, mas os casos que estão a ser tratados são muito graves", alertou o director-geral da Saúde, Francisco George, para quem é urgente intensificar a campanha de vacinação contra aquele vírus. "Cinco pessoas internadas devem constituir um sinal de alerta e de consciencialização para a necessidade da vacina", reforçou o pneumologista e consultor da DGS, Filipe Froes.

"A época gripal ainda está muito no começo e a vacina produz efeito duas semanas depois de ter sido administrada", sustentou Francisco George, considerando que "os casos [de gripe A] que estão a ser seguidos têm um padrão muito semelhante ao dos outros países europeus, onde, apesar da pouca actividade gripal, têm sido notificados casos graves".

No Reino Unido, por exemplo, 302 pessoas estavam em estado crítico por causa da gripe. Embora as autoridades de saúde locais não tenham conseguido perceber quantos dos doentes têm o H1N1 que se espalhou pelo mundo como uma pandemia a partir de 2009, os números oficiais mostram que 24 pessoas morreram nas últimas semanas com o vírus. Destas, nove eram crianças e nenhuma tinha 65 ou mais anos de idade: metade tinham asma ou doenças do foro cardíaco, mas aos restantes não foram detectados quaisquer factores de risco, segundo o jornal britânico “Guardian”. Além destas, morreram mais três pessoas com uma variante conhecida como vírus tipo B. Também em Espanha a gripe A fez duas vítimas mortais nas últimas semanas.

Face a estes números, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças considerou que a situação no Reino Unido devia servir de aviso aos restantes países europeus e invectivou os governos europeus a adoptarem medidas de incentivo à vacinação, mesmo das pessoas que contraíram o H1N1 o ano passado.

Mais pessoas vacinadas

Em Portugal, a adesão à vacina tem sido baixa mesmo entre os profissionais de saúde, conforme reconhece o director-geral da Saúde. Os únicos números disponíveis por enquanto são os do "Vacinómetro" - um sistema de monitorização em tempo real da taxa de cobertura da vacinação da população portuguesa, dinamizado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral -, segundo o qual, até 14 de Dezembro, a taxa de vacinação era de 60 por cento entre os idosos com 65 ou mais anos de idade, descendo para os 49 por cento entre os portadores de doença crónica e para 50 por cento entre os profissionais de saúde.

São números ligeiramente superiores aos do ano passado, segundo adiantou Filipe Froes, o que não invalida que a taxa de vacinação continue muito aquém do desejável, nomeadamente entre os profissionais de saúde - que são, como sublinha o pneumologista, potenciais "vítimas e vectores" do vírus. "Não há nada que, com rigor científico, contra-indique a vacinação, na ausência de alergia aos constituintes ", diz Filipe Froes, equiparando a vacina a "um imperativo ético, científico e cívico" para médicos e enfermeiros.

Nos Estados Unidos, aliás, os profissionais de saúde que recusem a vacinação "arriscam-se a não ver renovado o contrato, porque, se acontecer um doente ser contagiado por um profissional de saúde, as indemnizações a pagar pelo hospital são brutais". Por cá não há sanções, embora a recusa da vacina por um profissional fique registada.

fonte: Público

domingo, 26 de dezembro de 2010

Doenças psiquiátricas tendem a aumentar por causa da crise, alerta Sociedade Portuguesa de Psiquiatria



Doenças do foro psiquiátrico, como depressão e ansiedade, têm tendência a aparecer agora com maior intensidade devido à crise económica que o país atravessa, diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM).

Em declarações à agência Lusa, António Pacheco Palha mostrou-se "preocupado" com a "evidente tendência" de se intensificarem as doenças psiquiátricas que, está provado, acontece sempre em períodos de crise.

"Muitas doenças mentais, como a depressão e, principalmente, a ansiedade, acabam por ter um aparecimento com maior frequência em camadas inferiores, com dificuldades económicas e de afirmação social", esclareceu.

fonte: Noticias RTP

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