RELÓGIO DO APOCALIPSE

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sábado, 12 de outubro de 2013

Um roubo de proporções inimagináveis



"Os nossos sistemas financeiros foram sequestrados por uma geração de ladrões. Enquanto você trabalha cada vez mais por cada vez menos, o jogo está sendo manipulado contra si. Eles estão transformando todos nós em escravos virtuais. Somos vítimas dum roubo de proporções inimagináveis! Fomos mantidos numa mentira tão grande que oprime toda a humanidade!"

fonte: Youtube

terça-feira, 7 de maio de 2013

Revista RollingStone: "Os teóricos da conspiração do mundo, nós céticos lhe devemos um pedido de desculpas. Vocês estavam certos"


Os teóricos das conspiraçôes do mundo, os crentes nas mãos ocultas dos Rothschilds e os maçons e os Illuminati, nós cépticos lhe devemos um pedido de desculpas. Vocês estavam certos.

Os jogadores podem ser um pouco diferente, mas a sua premissa básica é correta: O mundo é um jogo manipulado. Encontramos isso nos últimos meses, quando uma série de histórias de corrupção relacionadas foi derramada para fora do setor financeiro, sugerindo que os maiores bancos do mundo fixam os preços dos bens e em quase tudo.

Você já deve ter ouvido falar do escândalo Libor, em que pelo menos três - e, talvez, dezesseis [too-big-to-fail] dos bancos têm manipulado as taxas de juros globais, no processo de brincar com os preços de para cima de US $ 500 triiões (que é trilião, com um "t") no valor de instrumentos financeiros.

Quando isso foi se alastrando explodiu em vista do público no ano passado e foi facilmente o maior escândalo financeiro da história - professor do MIT Andrew Lo ainda disse que "supera em ordens de magnitude de qualquer fraude financeira na história dos mercados”.

Isso era mau o suficiente, mas agora Libor pode ter um irmão gémeo.

Palavra vazou quando o ICAP uma empresa com sede em Londres, a maior corretora do mundo de swaps em taxa de juros é investigada por autoridades norte-americanas para o comportamento que soa estranhamente ao da confusão Libor.

Reguladores estão investigando se um pequeno grupo de corretores da ICAP podem ter trabalhado com até 15 dos maiores bancos do mundo para manipular as taxas ISDAfix, num número de referência utilizado em todo o mundo para calcular os preços dos swaps de taxa de juros.

Swaps de taxa de juros é uma ferramenta usada por grandes cidades, grandes corporações e governos soberanos para gerir a sua dívida e a escala do seu uso é quase inimaginavelmente grande.

Trata-se de um mercado de 379 triliões de dólares, o que significa que qualquer manipulação afetaria uma pilha de ativos de cerca de 100 vezes o tamanho do orçamento federal dos Estados Unidos.

Ela não deve surpreender ninguém que entre os jogadores envolvidos neste esquema para fixar os preços dos swaps de taxa de juros são as mesmos mega-bancos - incluindo o Barclays, UBS, Bank of America, JPMorgan Chase e do Royal Bank of Scotland - que servem de painel na Libor que define as taxas de juros globais.

De facto, nos últimos anos, muitos desses bancos já pagaram assentamentos em milhões de dólares para a manipulação anticompetitiva de uma forma ou de outra (além de Libor, alguns foram apanhados num esquema anticompetitivo, detalhado na revista Rolling Stone no ano passado , a plataforma de leilões a serviço municipal de dívida).

Apesar da confusão de siglas financeiras soa como jargão para o leigo, o facto de que há agora os escândalos de fixação de preços, envolvendo tanto a Libor e ISDAfix que sugere uma única gigante conspiração, proliferação de conluio e de fixação de preços pairando sob o verniz ostensivamente competitivo do Muro da cultura de rua.

O esquema Wall Street aprendeu com a Mafia

Por quê? Porque Libor já afeta os preços dos swaps da taxa de juros, tornando esta uma situação de manipulação-on-manipulação. Se as alegações revelar-se bem, isso significa que clientes de swap têm vindo a pagar por duas camadas diferentes de corrupção de fixação de preços.

Você pode imaginar: pagar 20 dólares por uma PB porcaria & J porque alguns das empresas do agronegócio conspiraram para fixar os preços de ambos os amendoim e manteiga de amendoim, você chegou perto de compreender a loucura dos mercados financeiros, onde ambas as taxas de juros e swaps de taxa de juros são sendo manipulados ao mesmo tempo, muitas vezes com os mesmos bancos.

"É uma dupla conspiração", diz um espantado Michael Greenberger, ex-diretor da divisão de comércio e mercados da Commodity Futures Trading Commission e hoje professor na Universidade de Maryland. "É a altura da criminalidade."

As más notícias não param com swaps e taxas de juros. Em março, ele também saiu com dois reguladores - a CFTC aqui nos EUA e a Organização Internacional das Comissões de Valores de Madri - foi estimuladas pelas revelações da Libor para investigar a possibilidade de manipulação de conluio de preços do ouro e da prata.

"Tendo em conta os esforços de manipulação do ‘clubby’ que vimos na Libor benchmarks, eu assumo outros benchmarks - muitas outras referências - são áreas legítimas de investigação", CFTC disse o comissário Bart Chilton.

Mas a maior surpresa veio de um tribunal federal, no final de Março - mas se você acompanhar de perto estas questões, pode não ter sido tão chocante em tudo - quando um marco de ação coletiva a ação civil contra os bancos por delitos relacionados na Libor.

Nesse caso, um juiz federal aceitou o incrível argumento dos banqueiros-réus: Se as cidades e outros investidores perderam dinheiro por causa da manipulação da Libor, que era sua própria culpa para sempre pensando que os bancos estavam competindo em primeiro lugar.

"A farsa", foi a resposta de um advogado antitruste para a demissão da sobrancelha de fundos.

"Incrível", diz Sylvia Sokol, advogada de Constantino Cannon, uma empresa especializada em casos antitruste.

Todas estas histórias apontou coletivamente a mesma coisa: Esses bancos, que já possuem um enorme poder apenas em virtude de suas participações financeiras - nos Estados Unidos, os seis principais bancos, muitos deles os mesmos nomes que você vê na Libor e ISDAfix painéis, os bens próprios de montante equivalente a 60 por cento do PIB do país - estão começando a perceber as possibilidades incríveis para aumentar seus lucros e poder político que viria com conivente em vez de competir.

Além disso, é cada vez mais claro que tanto o sistema de justiça criminal e os tribunais civis pode ser impotentes para dete-los, mesmo quando eles são apanhados a trabalhar em conjunto para o sistema de jogo.

Se for verdade, que nos deixaria viver em uma era de indisfarçável, conspiração do mundo real, em que os preços das moedas, commodities como ouro e prata, até mesmo as taxas de juros e o valor do dinheiro em si, pode ser e pode já ter sido ditada a partir de cima.

E aqueles que estão fazendo isso podem ir longe com ele. Esqueça os Illuminati - esta coisa é real, e não é nenhum segredo. Você pode olhar diretamente para ele, a qualquer hora que você quiser.


A crise está a fortalecer os partidos neonazis na Europa


Membros do partido de extrema-direita grego Aurora Dourada durante um ato de campanha nos arredores de Atenas Fotografia © Yannis Behrakis - Reuters

A crise económica está a impulsionar o crescimento dos partidos neonazis na Europa, que aproveitam para espalhar uma mensagem de nacionalismo, anticapitalismo e antissemitismo, denunciou hoje o Congresso Judaico Mundial, num relatório apresentado em Budapeste.

O analista britânico Robin Shepherd, que realizou o estudo a pedido do Congresso Judaico, afirma que a ideologia neonazi está em ascensão no sistema de partidos políticos, dando como exemplos os partidos Aurora Dourada, na Grécia, o Jobbik, na Hungria, e o Partido Democrático Nacional, na Alemanha.

No relatório apresentado aos 500 participantes da Assembleia do Congresso Judaico Mundial, que se realiza esta semana em Budapeste, Hungria, pode ler-se que estes partidos têm uma clara componente antissemita, e que os seus ataques são dirigidos, principalmente, às "minorias não brancas".

Shepherd afirma ainda no relatório que, na mensagem destes partidos, o antissemitismo forma uma "combinação tóxica com o chauvinismo nacional e a retórica anticapitalista".

O analista britânico avisa que a situação é de "alerta amarelo", e que com a situação económica a piorar, estes partidos podem ganhar ainda mais força.

Para combater este problema, Shepherd diz que é necessário denunciar ataques e declarações antissemitas, que atraem a atenção da comunidade judaica mas podem não ser detetados pelo "radar dos políticos".

O analista propõe ainda o isolamento público dos partidos e dos políticos antissemitas, e diz ser necessário considerar se os "partidos neonazis podem ser proibidos ou as suas atividades limitadas por meios legais", algo que deve ser estudado por especialistas em direito constitucional.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Retrocesso em curso


É isto que nos andam a fazer, a nós e aos países. Tudo em nome da NOM. Acabaremos enxagues e reduzidos à condição de escravos...

fonte: Kafe Kultura

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Portugueses retiram mais 186 milhões dos certificados de aforro

Poupança

A sangria dos certificados de aforro continua: em maio saíram mais 186 milhões de euros. Os números foram revelados hoje no boletim mensal do IGCP, segundo o qual foram feitas subscrições deste instrumento no valor de 22 milhões de euros, mas amortizados 208 milhões no mês passado.

Mantendo a tendência dos últimos meses, o saldo entre subscrições e amortizações foi novamente negativo, em 226 milhões de euros, elevando para 1,1 mil milhões o saldo total resgatado pelos portugueses em certificados de aforro desde o arranque do ano.

Já o certificados do tesouro apresentam um saldo positivo desde o início do ano. Segundo o mesmo documento do IGCP, os portugueses investiram 20 milhões de euros e foram resgatados 8 milhões, o que resultou num saldo líquido de 12 milhões.

Deste modo, o saldo nos primeiros quatro meses do ano está nos 66 milhões de euros captados em certificados do tesouro.

 A fuga dos certificados de aforro continua mas os portugueses continuam a investir as suas poupanças nos certificados do tesouro


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Portugal: corrupção e crise de mãos dadas

Portugal: corrupção e crise de mãos dadas

Relatório da Transparência Internacional estabelece uma forte correlação entre corrupção e a atual crise financeira, sobretudo nos países do Sul da Europa.

Portugal, Itália, Grécia e Espanha continuam a não prestar contas tal como deviam e a apresentar graves problemas de ineficiência e de corrupção que não são suficientemente controlados nem punidos. Esta é uma das principais conclusões de um novo relatório da Transparência Internacional Intitulado "Dinheiro, Política, Poder: Riscos de Corrupção na Europa".

No documento hoje divulgado, chega mesmo a ser estabelecida uma forte correlação entre a ineficiência destes países no combate à corrupção e os deficits das contas públicas.

"Grécia, Itália, Portugal e Espanha lideram a lista dos países da Europa Ocidental que apresentam deficits graves nos seus sistemas de integridade. A pesquisa também sugere uma forte correlação entre corrupção e deficits fiscais, mesmo nos chamados países "ricos". Os países europeus que pior controlam a corrupção, também apresentam maiores deficits orçamentais", pode ler-se neste relatório.

"As relações entre a corrupção e a atual crise financeira não podem ser ignorados. Nestes países, a corrupção constitui muitas vezes prática legal, ainda que eticamente criticável, resultante de grupos de pressão opacos, tráfico de influências e ligações promíscuas entre os sectores público e privado", escrevem os autores do documento.

Nota ainda a Transparência Internacional, entidade sem fins lucrativos vocacionada para o combate à corrupção, que em Portugal, apesar da legislação em vigor limitar a circulação entre o setor público e o privado, continuam a existir demasiadas exceções.

Sobre Portugal, os autores do documento dizem ainda que o acesso à informação nas instituições estatais é extremamente demorada, continuando os cidadãos a ignorar e a não exercer os seus direitos.

fonte: Expresso

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O que aconteceu ao dinheiro do BPN?



Fraude no BPN chegaria para pagar pelo menos três anos de subsídios de férias e natal aos portugueses.

Caso BPN: O que esconde Cavaco?


O país vai pagar mais de 5 mil milhões de euros pelo buraco das fraudes cometidas durante anos no Banco Português de Negócios. Nesta campanha, Cavaco Silva não condenou os administradores que afundaram o banco. São os mesmos que deram a ganhar à sua família 357 mil euros no esquema de acções para os amigos da SLN, cinco anos antes do banco ser nacionalizado.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Donos de Portugal


Documentário de Jorge Costa

Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico.

O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

Mello, Champalimaud, Espírito Santo -- as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos -- Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

fonte: YouTube

segunda-feira, 23 de abril de 2012

OP 25 Abril e os Projectos


Saudações Cidadãos Portugueses, nós somos Anonymous.
A corrupção e o capitalismo têm de cair para que possamos viver em união, de uma
forma pacífica, saudável e sustentável.
Como sabem, neste momento Portugal e o Mundo enfrentam uma convulsão nunca
antes vista.

E por culpa de quem? No meio de tanta corrupção e tirania, todos nós é que
sofremos os encargos desta crise.
Nunca foi vista tanta pobreza, tanto desemprego e tantas diferenças socio-
-económicas em Portugal.

Mais uma vez o Povo é que paga, temos de mostrar a todos que este
não é o caminho...

Estamos nisto juntos...pois estas medidas afectam-nos a todos, esta operação
pretende agrupar todos os movimentos pacíficos e desprovidos de interesses,
numa data tão importante como é o 25 de Abril, neste dia vamos todos mostrar que
não aceitamos mais as condições que nos são impostas.
A #Op 25 de Abril apenas depende de ti. Sempre que estiveres a realizar a tua acção de
protesto lembra-te que pelo país há muitos a fazer o mesmo, apesar de não os
conheceres.
Lembra-te que é preciso sempre haver uma nascente para depois surgir o rio.
Dividimos a Op em alguns projectos para que todos percebam como usar as suas
capacidades pessoais.
#OP 25 Abril . Projecto Freeze
Este projecto é especialmente dirigida a comunidade artística 
portuguesa.

Durante a semana de 22 de Abril e 29 de Abril, vamos colocar 
faixas e cartazes, vamos colocar instalações, criar músicas 
vídeos ou simples imagens, escrever poemas, artigos, textos ou
simples linhas, distribuir panfletos nas ruas, vamos pintar as ruas
com stencils e graffittis, vamos ser criativos e deixar bem claro a
cores ou a preto e branco as palavras de ordem...
O POVO É QUEM MAIS ORDENA.
Vamos inundar as ruas e a internet para que em momento algum
nem o Português honesto nem Português corrupto se esqueça de
quem é o legítimo detentor do poder de decisão, poder esse que
nunca deve ser retirado das suas mãos.
De 22 de Abril a 29 e Abril
O POVO É QUEM MAIS ORDENA

#OP 25 Abril . Projecto manifestação
Todos nas ruas no dia 25 de Abril. Vamos mostrar o nosso descontentamento, em frente
à Assembleia da República, em frente a Câmara Municipal do Porto, ou em frente a
qualquer símbolo deste sistema opressor.

Vamos manifestar o nosso descontentamento, pacificamente, nas ruas e praças de
Portugal. A maior concentração de manifestantes será em Lisboa em frente à
Assembleia da República por volta da 15 horas e 30 no dia 25 de Abril; mas quem não
se puder deslocar a Lisboa haverá também concentrações em outras cidades,
nomeadamente: Porto, Faro, Coimbra, Aveiro, Braga e onde tu estiveres.

Quem não puder ir a nenhum destes locais organize também nas vossas cidades, vilas
ou aldeias, precisamos de todos envolvidos nesta OP, só assim teremos sucesso.
Vamos mostrar que somos mais inteligentes e não cair no erro de lhes dar justificações 
para comportamentos vergonhosos como os vistos na última greve geral. 

Vamos ter uma resistência pacífica mas não passiva contra as agressões.

Como tal a presença de todos e a unidade é fundamental, para que não cheguem os
bastões para nos calar a todos.
Não se esqueçam de levar as vossas câmaras de fotográficas e de filmar, registem tudo
e partilhem. 

Somos a favor da partilha de todas as imagens sem edições para que cada 
um possa tirar a sua conclusão.
Com esta operação, pretende-se que o governo
dê um passo atrás... 

Chegou a hora de dizer BASTA, foste convocado.

Agora fica na tua consciência como Português ir ou não! 

E nunca esqueçamos os que lutaram por nós e pela nossa liberdade.

Não podemos deixar que nos tirem novamente, nem a segurança
para a viver.

Recusamo-nos viver num país e num mundo governado por
sombras gananciosas.

We are Anonymous
We are Legion
We do not Forgive
We do not Forget
Expect Us

fonte: Youtube

Anonymous convocam concentrações para o 25 de Abril























A máscara que serve de símbolo aos Anonymous tem marcado presença nas últimas manifestações 

A tradicional descida da Avenida da Liberdade não será a única manifestação em Lisboa a assinalar nas ruas o 25 de Abril, nesta quarta-feira. Um grupo de portugueses que se identifica como parte integrante dos Anonymous convocou uma concentração em frente à Assembleia da República, para a mesma hora, numa acção de “resistência pacífica mas não passiva”. 

A “#OP 25 Abril”, lançada a partir de um vídeo no YouTube e divulgada publicamente através de redes sociais como o Facebook, começou já neste domingo. A primeira fase da operação consiste na disseminação, durante toda a semana (até dia 29), de palavras de ordem com uma mesma mensagem: “O povo é que mais ordena”.

“Vamos colocar faixas e cartazes, vamos colocar instalações, criar músicas, vídeos ou simples imagens, escrever poemas, artigos, textos ou simples linhas, distribuir panfletos nas ruas, vamos pintar as ruas com stencils e graffitis, vamos ser criativos e deixar bem claro a cores ou a preto e branco as palavras de ordem ‘O povo é quem mais ordena’”.

É esta a primeira parte da mensagem publicada online há uma semana pelo utilizador Z3Povinho, que desde Agosto já divulgou no YouTube mais de 15 vídeos com a marca Anonymous. “Vamos inundar as ruas e a Internet para que em momento algum nem o português honesto nem português corrupto se esqueça de quem é o legítimo detentor do poder de decisão”, lê-se ainda.

O “projecto manifestação”, a segunda parte da “operação”, vai chegar pelo menos a Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Faro. “Quem não puder ir a nenhum destes locais organize também nas vossas cidades, vilas ou aldeias, precisamos de todos envolvidos nesta OP, só assim teremos sucesso”. Onde? “Em frente a qualquer símbolo deste sistema opressor” – o que significa, na capital, a Assembleia da República e, no Porto, a câmara municipal.

A maior concentração será, de acordo com os promotores da iniciativa, a de Lisboa. Onde, de resto, não querem “dar justificações [à polícia] para comportamentos vergonhosos como os vistos na última greve geral”. “Vamos mostrar que somos mais inteligentes”, dizem. “Vamos ter uma resistência pacífica mas não passiva contra as agressões. Como tal a presença de todos e a unidade é fundamental, para que não cheguem os bastões para nos calar a todos. Não se esqueçam de levar as vossas câmaras de fotográficas e de filmar, registem tudo e partilhem.”

fonte: Público

domingo, 22 de abril de 2012

As mentiras da dívida - 27 razões para repudiar a dívida


As mentiras da dívida - 27 razões para repudiar a dívida

O CADPP publicou um sumário de razões para repudiar a dívida. A primeira edição foi distribuída em Lisboa na manifestação de 22-03-2012, em duas versões – folheto e livro de bolso. Nele procuramos resumir, de forma didáctica e numa linguagem acessível a todos, o resultado de um ano de estudo e investigação sobre o problema da dívida pública.

Muitos dos temas expostos foram até hoje inteiramente silenciados pela comunicação social. Por isso é natural que alguns leitores sintam dificuldade na abordagem e assimilação de certas questões. À medida que os leitores nos forem expondo as suas dúvidas, iremos revendo e melhorando este instrumento de trabalho em edições futuras.

Pomos à disposição de todos o material necessário para imprimir o texto, na esperança de que por todo o país outras pessoas e grupos tomem a iniciativa de divulgação (ver ficheiros descarregáveis no pé desta página).

AS MENTIRAS DA DÍVIDA
27 RAZÕES PARA REPUDIAR A DÍVIDA PÚBLICA

O que é a suspensão da dívida?

Um país devedor pode declarar unilateralmente a interrupção do pagamento da dívida pública e respectivos juros.

A suspensão do pagamento da dívida não é inédita. Entre 1946 e 2008 houve 169 suspensões do pagamento da dívida, com uma duração média de 3 anos.

Há várias razões legítimas para o fazer, entre as quais: encargos inesperados resultantes duma calamidade natural ou social; recursos limitados para responder às tarefas prioritárias dos Estados (direitos humanos, saúde, educação, assistência social); dúvidas sobre a legitimidade da dívida – neste caso faz-se uma auditoria acompanhada de suspensão dos pagamentos até à conclusão do processo, como aconteceu no Equador em 2008.
Outros países suspenderam as suas dívidas?

Sim, a Irlanda, a Argentina, os EUA, a Inglaterra, a Alemanha, a Bélgica, a Rússia. No Equador o resultado da suspensão e da auditoria foi a anulação de cerca de 65 % da dívida; o dinheiro assim libertado foi reinvestido em políticas sociais de educação, saúde, habitação e assistência social.
O que é a anulação ou o repúdio de uma dívida?

A anulação consiste em «apagar» uma dívida – por ela ser injusta; ou por se basear num contrato ferido de ilegalidades; ou por ter sido contraída em proveito de terceiros e não em benefício daqueles que a pagam; ou mesmo por ser considerada impossível de pagar dentro dos limites do razoável.

A anulação pode ser decidida pelo credor (caso da Noruega em relação a países devedores do Norte de África); ou por acordo mútuo; ou por decisão unilateral do país devedor.

Por diversas razões e em vários momentos da história houve Estados que decidiram unilateralmente não pagar a dívida – com destaque para os EUA (por várias vezes), entre muitos outros incluindo Portugal.

Entre 2007 e 2010 foram apagados cerca de 1,5 biliões de dólares de créditos duvidosos aos bancos. Esses bancos não foram à falência – já tinham sugado muitos mais biliões em juros – e os países não faliram; pelo contrário, na maioria dos casos o país devedor recompôs a sua economia e prosseguiu as relações comerciais internas e externas sem sobressaltos.
Quem paga a factura da anulação?

É legítimo pedir às instituições privadas com elevados rendimentos, que possuem títulos da dívida e têm obtido lucros chorudos e bons negócios graças às medidas de endividamento, austeridade e privatização, que suportem o fardo da anulação de dívidas soberanas ilegítimas, já que são largamente responsáveis pela crise.
O que aconteceu na Islândia?

A Islândia não salvou os seus bancos e não pagou as dívidas externas destes. Hoje, o primeiro-ministro responde em tribunal por ter levado o país à bancarrota. E a Islândia está com crescimento económico.
O que aconteceu nos países em que o FMI entrou com empréstimos?

A partir da década de 1980, os países do Terceiro Mundo sofreram a intervenção do FMI e do Plano Brady, em tudo semelhante aos planos agora aplicados pela Troika na Europa.

Através do FMI, as instituições financeiras privadas emprestaram dinheiro aos Estados, para «ajudarem» a «reestruturar» a economia. Em contrapartida exigiram: juros elevados; redução dos salários, das pensões, dos serviços sociais; privatização de bens colectivos e empresas rentáveis do Estado; desinvestimento na saúde, no ensino, na habitação, na assistência social, nas infraestruturas; cumprimento escrupuloso dos planos de pagamento.

Após vários anos de aplicação desta receita, a economia desses países melhorou e «reestruturou-se»? Não! Todos eles resvalaram para a bancarrota e a economia entrou no caos; o montante da dívida não parou de crescer.

Os países que declararam unilateralmente a suspensão do pagamento da dívida (Argentina, Equador, etc.) conseguiram sair deste ciclo infernal, o que lhes permitiu um crescimento económico até 9 %, acompanhado de quedas acentuadas da taxa de pobreza urbana.
O dinheiro do FMI é uma «ajuda» a Portugal?

Não! É um empréstimo.

Mas não é um empréstimo normal e justo. Os credores aproveitam-se da necessidade urgente dos devedores, e à conta disso fixam taxas de juro que os estrangulam ainda mais e os tornam eternamente dependentes de mais e mais dívidas; são agiotas e devem ser julgados como tal. Além dos juros, os credores exigem medidas de austeridade para a população, a fim de transferirem benefícios para as instituições privadas.

Não se trata de uma ajuda ao país, mas sim às instituições financeiras privadas!
O dinheiro da Troika foi essencialmente para pagar salários?

Não! Todo dinheiro da Troika destina-se a dois fins: refinanciar a dívida e injectar capital na banca. Portugal pede dinheiro emprestado à Troika para amortizar dívidas contraídas junto da banca (dos 78 mil milhões pedidos à Troika 12 mil milhões são para financiar a banca e 34 mil milhões para pagar juros e comissões). Pede dinheiro para pagar dívida, a dívida gera juros, os juros geram a necessidade de pedir mais dinheiro…
Quem empresta dinheiro ao país?

A dívida pública é contraída através da emissão de títulos da dívida vendidos em leilão. Cada título é uma espécie de declaração dizendo que o comprador emprestou uma certa quantia ao Estado, e que o Estado terá de devolver esse dinheiro, mais os juros, num determinado prazo. Mas este leilão não é público; apenas podem entrar no leilão algumas instituições financeiras – o Chico dos Anzóis fica à porta. Estas instituições reúnem-se em cartéis, de forma a adquirirem força suficiente para forçarem o Estado a aceitar as suas taxas de juro e condições de pagamento. Senão, não compram – o capital sabe unir-se…

Para arranjarem dinheiro suficiente para comprarem grandes quantidades de títulos de dívida pública, no valor de milhões de euros, os bancos vão muitas vezes financiar-se junto da Reserva Federal norte-americana, do Banco Central Europeu e de alguns fundos de investimento norte-americanos, que lhes emprestam dinheiro a taxas de juro que variam entre 0,6 % e 1,25 %. Mas depois exigem aos Estados taxas de juro entre 2,06 % e 38 %. Os países mais fragilizados pela espiral da dívida, como a Grécia e Portugal, pagam juros mais altos. Os países dominantes, como a Alemanha e a Holanda, pagam taxas mais baixas. E assim a dominação mantém-se.

Estas regras permitem fazer o jogo dos interesses financeiros, em vez de «ajudar» o país.
De onde vem esta dívida?

Sucessivos governos empurraram para o futuro as despesas públicas com negócios privados de lucro garantido, oferecidos às grandes empresas: Lusoponte, PPPs, EDP, banca, etc.

Parte da dívida do governo português resultou da injecção de capital em bancos comerciais privados, que perderam dinheiro no jogo das especulações imprudentes. O Estado salvou da falência estes bancos e os seus accionistas maioritários – à custa dos contribuintes e dos pequenos accionistas. Para proteger os interesses dos especuladores que deram origem à crise financeira, todas as outras pessoas são chamadas a pagar, quando estes credores deviam estar no banco dos réus. Não estamos todos no mesmo barco.

Actualmente a dívida cresce sozinha graças à acumulação de juros. Entre 2009 e 2010 cresceu 11 %; entre 2010 e 2011, 16 % (estes números variam consoante as fontes).
Andamos a viver acima das nossas possibilidades?

Não! Os credores e as instituições financeiras privadas é que andaram a viver acima das suas possibilidades.

Os bancos privados e os grandes grupos económicos esbanjaram lucros chorudos; embarcaram em especulações financeiras desastrosas. Agora dizem que têm de ser resgatados com dinheiros públicos para salvar a economia. Mas na realidade há aqui duas «econo­mias»: a dos trabalhadores e a do capital.

Num país onde o salário mínimo líquido ronda os 380 euros e um passe de transportes públicos pode chegar aos 58 euros, dizer que os trabalhadores vivem acima das suas possibilidades é uma infâmia.
Qual a relação entre a dívida pública e a dívida privada?

A dívida pública é contraída pelo Estado; a dívida privada é contraída pelas empresas e famílias. O trabalhador mata-se a trabalhar para pagar o empréstimo da casa, mas isso é uma dívida privada que não tem nada a ver com a dívida pública: se ele não conseguir pagar, o Estado não a paga por ele.

Mas há dívidas privadas que são assumidas pelo Estado, ou seja pelos contribuintes: lembremo-nos de todas as PPPs, em que empresas privadas garantem rentabilidade sem riscos; dos milhões pagos no resgate do BPN e posterior venda ao desbarato; da fuga aos impostos da PT, etc.

O regabofe com o nosso dinheiro, a transformação de dívida privada em dívida pública, é permitido pela dança de cadeiras entre políticos e administradores de grandes empresas.

A confusão entre dívida privada e dívida pública visa convencer toda a gente a pagar a dívida privada de alguns.
A austeridade está a afundar o país?

As medidas de austeridade transferem massivas quantidades de valor do trabalho para o capital: afunda-se uma parte do país na pobreza; salvam-se os banqueiros e grandes empresários. É um balancé em que uns se afundam e outros emergem.

Por exemplo: o Governo reduziu as verbas do fundo de desemprego, com a desculpa de que vai usar parte desse dinheiro para incentivar a criação de novos postos de trabalho. Portanto, se eu for um industrial desonesto, posso fechar a fábrica, despedir todos os meus trabalhadores e depois voltar a abrir e pedir o «subsídio de desemprego» ao Estado para criar «novos» postos de trabalho – passo a pagar metade dos salários; a outra metade é paga pelos contribuintes…
A dívida é legal?

Não! A dívida é ilegal, porque sustentada em engrenagens de poder corrupto, baseadas em equilíbrios e jogos económicos que mais não são do que extorsão.

A dívida é ilegítima porque não foi contraída em proveito dos que a pagam; porque é reembolsada à custa de impostos regressivos (isto é, paga mais quem tem menores rendimentos), taxas de IVA incomportáveis, amputação de serviços indispensáveis, diminuição dos cuidados de saúde, supressão de subsídios sociais e redução de salários.

Segundo o artigo 1º do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais,

«todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural».

Estamos assim legitimados para, mediante um acto unilateral, promover um esforço de cidadania fundado no repúdio de uma dívida que, além de injusta, arrastará o país e as gerações futuras para um ciclo indeterminado de pobreza.
Temos que honrar esta dívida?

Não! Primeiro porque esta dívida não é nossa. Segundo porque um acordo só é válido quando foi feito em pé de igualdade negocial. Todo o dinheiro que foi pedido beneficiou alguém; todo o dinheiro que é pago em juros beneficia alguém – e esse alguém não têm sido os trabalhadores, precários, desempregados, estudantes.

Estamos a pagar empréstimos que não entraram no nosso bolso; empréstimos destinados a oferecer vantagens comerciais, industriais, juros e oferta de capitais para as instituições financeiras privadas.

Pagar esta dívida constitui uma desonra, uma injustiça humilhante.
Quem decidiu as regras do jogo da dívida foi eleito?

Não. O conjunto de regras que orientam o sistema financeiro actual (e toda a economia) foi implementado num processo não democrático. Todos os tratados europeus e legislação complementar que instituem coisas como o modo de funcionamento do Banco Central Europeu, a moeda única, etc., foram aprovados sem o envolvimento da população portuguesa.
As regras do jogo são justas e iguais para todos?

Existem regras históricas para lidar com a crise da dívida. Estarão a ser aplicadas? Serão aplicadas por igual a todos os países? Não!

O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã estipulou que a relação entre o serviço da dívida e os rendimentos das exportações não devia exceder 5 % das receitas de Estado. Esta regra não foi aplicada aos países da periferia europeia, nem consta do Memorando da Troika.

A 2 de Dezembro de 2011, os juros da dívida a 10 anos pagos pela Alemanha, Holanda, França, Finlândia situavam-se entre 2 % e 3,3 %; Portugal estava a pagar 14,46 %, a Grécia 37,48 %.

As normas internacionais estipulam que as despesas públicas destinadas a garantir os direitos humanos e sociais fundamentais não podem ser diminuídas nem desviadas e têm prioridade sobre as despesas relativas ao reembolso da dívida. Esta regra não está a ser seguida – portanto as actuais condições de endividamento podem ser legitimamente denunciadas.
Será que pagamos o suficiente para ter serviços públicos de qualidade? O Estado não está falido?

O Estado não está falido. Está é a gastar demasiado com serviços que não dizem respeito aos maiores contribuintes, ou seja, os trabalhadores.

Todos os gastos do Estado podem ser, grosso modo, divididos em dois grupos:

Um, os gastos com educação, saúde, transportes, saneamento básico, segurança social, etc. O IRS, as contribuições para a Segurança Social e o IVA são mais que suficientes para pagar essas funções. O valor do IRC (imposto sobre as empresas) representa cerca de metade do IRS.

Outro grupo de gastos do Estado são os gastos no exército e ordem pública, formação de mão-de-obra, etc., e subsídios às grandes empresas.

Feitas as contas a todas estas colectas, a maior parte do dinheiro existente nos cofres do Estado vem dos trabalhadores – o que é estranho, uma vez que a maior parte do dinheiro existente não lhes pertence.

Os hospitais públicos, escolas e universidades, tribunais, espaços públicos, bibliotecas, transportes, segurança social e outros serviços públicos não estão acima das nossas possibilidades, bem pelo contrário… Mas se introduzirmos nas contas os juros da dívida, os subsídios às PPP, aos bancos, … então o Estado passa a ter défice.
O fundo de pensões da PT ou da banca vai diminuir o défice?

Claro que não, pelo contrário. Porque é que quiseram «dar» o fundo de pensões da banca ao Estado? Esses fundos são altamente deficitários porque foram desbaratados em operações de especulação financeira.

Tanto a PT como a Banca venderam ao Estado algo por um preço muito superior ao preço de mercado e ainda conseguiram um bónus na forma de 20 anos de perdão fiscal; a população em geral terá de desembolsar esse bónus para compensar essas perdas fiscais. Trata-se mais uma vez de tapar um buraco privado empenhando o futuro colectivo.
A segurança social está na bancarrota porque a esperança de vida aumenta?

A segurança social não está nem nunca esteve na bancarrota. A sua possível crise não pode resultar do aumento da esperança de vida, que é largamente suplantado pelo aumento da produtividade do trabalho.

Por outro lado, se olharmos para a segurança social como parte do salário indirecto dos trabalhadores, pago através das suas economias e gerida por um Estado corrupto e ao serviço dos ricos, então não é de estranhar que ela possa vir a ficar em crise. Principalmente, devido aos cortes salariais e aos cortes das contribuições dos patrões para a segurança social.

O Fundo de Capitalização da Segurança Social é um mecanismo encontrado pelo governo para jogar com o nosso dinheiro no mercado financeiro, expondo os trabalhadores a riscos inaceitáveis.
O que é uma auditoria cidadã? Para que serve?

Se os cidadãos suspeitam que estão a pagar serviços, bens e dívidas que não lhes dizem respeito, têm o direito de consultar todos os documentos administrativos do Estado para verificarem onde está o problema. Este direito está consagrado nas normas internacionais e na nossa Constituição.

Evidentemente esta investigação não pode ser feita por empresas ou figuras de alguma forma comprometidas com as estratégias políticas e económicas – tem de ser feita pelos cidadãos comuns, organizados a nível local.

Foi isso que aconteceu em vários países do Terceiro Mundo. É isso que está em curso em França, na Grécia, na Espanha, na Irlanda e noutros países europeus.

Se a auditoria concluir que existem ilegitimidades, os cidadãos têm o direito de exigir a anulação dessas dívidas e a responsabilização civil de quem as contraiu, conforme previsto no artigo 22º da Constituição.
Há razões para fazer uma auditoria cidadã em Portugal?

Os trabalhadores estão a contribuir mais do que as empresas privadas para erário público. Além disso as contas públicas e os contratos de endividamento são geridos de forma obscura. Segundo a lei, as contas do Estado – onde gasta, porquê – têm que estar acessíveis a todos.

O dinheiro das contribuições serve para atender às necessidades prioritárias da população, conforme mandam a Constituição portuguesa e as normas das Nações Unidas.

A gravidade das medidas de austeridade, a transferência de capitais e bens públicos para o sector privado, a falta de transparência dos contratos públicos, o desaparecimento misterioso de dinheiros da segurança social mais do que justificam a necessidade urgente de os cidadãos tomarem a iniciativa cívica de investigar o que se está a passar.

Porque se deve suspender a dívida?

Porque ninguém paga uma conta sem ver a factura.

A quem devemos? Como foi contraída a dívida? Quem beneficiou dela?

Depois de vermos a factura, provar-se-á se nos diz respeito ou não; se estamos a pagar empréstimos para nosso benefício ou não; se devemos pagá-la ou repudiá-la.

Entretanto, enquanto se apuram as respostas, a dívida cresce. Para o evitar, deve ser suspensa.
Será possível desenrascarmo-nos sozinhos?

Não. À boleia da crise, todos os Estados europeus estão a cortar salários e serviços públicos, usando como desculpa a dívida – que no fundo não é mais do que uma forma privada de acumulação de capitais.

A única saída para a Europa é a generalização dos protestos sociais e a construção de organizações sociais, políticas, sindicais que sejam realmente combativas e se recusem a entrar no nacionalismo. Não existe economia nacional, existe economia dos trabalhadores e economia das grandes empresas. A única saída para os povos da Europa é a luta comum pela igualdade de salários e de contratos de trabalho colectivos.
Deve-se expropriar a banca?

Portugal expropriou a banca há 40 anos atrás. Isso foi feito pela população, trabalhadores e estudantes. A expropriação dessa riqueza foi essencial para subir os salários, criar o sistema nacional de saúde e educação para todos.

Mais tarde, os bancos voltaram a ser privatizados. E agora pedem para ser salvos da bancarrota, «a bem da economia». Se um banco é grande demais para falir, ele é grande demais para ser privado. Os bancos devem ser públicos e estar ao serviço das pessoas e não do lucro.

Mas expropriar a banca significa pô-la definitivamente sob controle dos trabalhadores – e não encarregar o Estado de pagar as dívidas e pôr a gestão em ordem, para depois voltar a entregar o banco às mãos dos privados.
Sair do euro é o caos?

Sair do euro é um caos para Merkel, Sarkozi, Passos Coelho, António José Seguro, Belmiro de Azevedo, Mellos e toda classe de sanguessugas que por aí andam. Se Portugal ou outro país qualquer sair do euro, é provável que o próprio euro não se aguente.

Não vamos tentar ler o futuro numa bola de cristal, mas o certo é que muitos países não estão no euro e não vivem no caos, pelo contrário.
Se, como dizem, Portugal não produz riqueza suficiente para os gastos que tem, que fazer?

Portugal produz uma quantidade de riqueza que podemos medir aproximadamente pelo PIB (produto interno bruto). Esse é o valor que em princípio temos para gastar: parte em produtos internos e parte em produtos importados. A diferença entre o valor das exportações e o das importações chama-se saldo da balança comercial, que pode ser positivo ou negativo – se for negativo, é preciso recorrer a empréstimos.

Há várias maneiras de tentar equilibrar a balança ou obter um saldo positivo. O governo optou por aumentar a exportação para, segundo diz, diminuir o défice da balança comercial. Esse aumento relativo das exportações tem sido conseguido pela diminuição do poder de compra da população, à custa de cortes salariais, redução dos serviços sociais e desemprego nos sectores que produzem para o mercado interno. Naturalmente, quem beneficia com isso são os sectores exportadores. Quem se prejudica com esta alternativa? O consumo interno, ou seja, a população em geral e os sectores produtivos.

É importante frisar que há uma outra alternativa para melhorar o saldo da balança comercial: substituir produtos importados por produtos produzidos no território. O problema é que na cabeça dos investidores o que conta é a taxa de lucro e não a necessidade das pessoas; enquanto essa lógica guiar a economia, ou seja, for mais conta para o lucro importar em vez de produzir, essa opção nunca será tomada.

As pessoas que insistem no argumento de que o problema são os gastos do Estado deviam responder a uma pergunta simples: o que tem o gasto do Estado a ver com o saldo deficitário da balança comercial? É verdade que o Estado recorre ao mercado internacional para financiar o seu défice; mas é precisamente essa a questão que está mal (o défice desnecessário). Uma vez mais, desde que o Estado não seja usado para beneficiar interesses capitalistas, o dinheiro dos impostos é mais que suficiente para fazer face às suas necessidades.

Documento da CADPP - Comissão de Avaliação da Dívida Pública Portuguesa

http://cadpp.org/as-mentiras-da-dividaRicardoCasteloBranco

fonte: Tugaleaks

sexta-feira, 23 de março de 2012

Vídeos mostram carga policial sobre manifestantes e agressão a jornalista

Vídeos colocados no Youtube mostram o início da carga policial sobre os manifestantes, quinta-feira, em Lisboa. Num dos filmes, é visível a agressão à jornalista da AFP, aparentemente já depois da primeira carga policial.

Em dois dos vídeos consegue ver-se um manifestante aparentemente a lançar uma chávena na direção de alguns elementos da polícia. Os manifestantes gritam palavras de ordem, com insultos à mistura, frente aos agentes que bloqueiam uma rua, quando aparece a polícia de intervenção, vinda de outra artéria, e carrega sobre os manifestantes.


Um outro vídeo mostra a mesma carga policial, vista de um ângulo ligeiramente diferente.


As imagens captadas por outro utilizador indiciam que a agressão à jornalista da AFP, Patrícia de Melo Morereira, ocorreu já depois da primeira carga policial. Do local de onde é filmado, vê-se o que parece ser a esplanada onde tudo começou, com as pessoas já a jusante do local.


Num outro vídeo, dois polícias agridem uma senhora, que aparentemente só ia a passar. Um afasta-a de forma vigorosa e outro empurra-a com violência para o chão.


fonte: JN

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Krugman: Adesão de Portugal ao euro foi um erro























Paul Krugman diz que Portugal tem duas opções: "viver em condições muito difíceis" ou "dar um passo mais radical".

Em entrevista o jornal Público, o Nobel da Economia considera ser "bastante óbvio que [aderir ao euro] foi um erro para a Grécia e eu diria que também para Portugal". Sem euro, argumenta, haveria hoje "menos carros nas ruas, mas mais pessoas com trabalho".

O economista considera que a impossibilidade presente de, tal como no passado, desvalorizar o escudo para ganhar competitividade encarcerou Portugal "numa prisão terrível". "Por causa do euro, Portugal tem muito poucas opções, muito pouco espaço de manobra. E sair do euro, nesta fase, é um passo extremo que não está em cima da mesa", afirmou, notando contudo que "se nada mais funcionar, sair o do euro torna-se numa opção real". Para Krugman "a Grécia está rapidamente a chegar a esse ponto, mas Portugal não."

Vendo sinais positivos na evolução das exportações e na estagnação dos salários na indústria, Paul Krugman sublinha que os portugueses "vão ter de viver com estas condições muito difíceis e tentar mitigar o sofrimento. Ou então, em alternativa, dar um passo mais radical." E esse passo radical pode chegar já em 2013: Se "daqui a um ano, o crescimento da economia fica abaixo do que está previsto no memorando de ajustamento e o défice fica acima. Aí, se a troika pedir mais medidas de austeridade, Portugal tem de dizer que não."

Na mesma entrevista, o economista diz ter pouco para aconselhar a Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar: "Eu realmente tenho dificuldade em dar conselho ao Governo português. Aliás, detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito agora."

fonte: Económico

Mais flexibilidade de horários e mais dias de trabalho


























Mudanças prevêem menos férias e feriados, horas extra mais baratas e maior penalização por faltas em ‘pontes’.

No ano em que a taxa de desemprego bate recordes e em que as empresas se vêem a braços com uma crise profunda, o Governo promete maior flexibilidade para as companhias que conseguirem manter portas abertas. A revisão da lei laboral aponta para menos férias e feriados, horários mais flexíveis e horas extra mais baratas. As alterações ainda estão sujeitas ao crivo da Assembleia da República mas constam, em grande parte, do acordo com a ‘troika' e receberam o aval dos parceiros sociais (sem CGTP) pelo que não é de esperar mudanças profundas ao projecto. Conheça as alterações na organização do tempo de trabalho.

1 - Bancos de horas negociados directamente

As empresas vão poder negociar bancos de horas com o trabalhador, que podem implicar mais duas horas de trabalho diário, até 150 horas extra por ano. Actualmente, os bancos de horas só podem ser instituídos por contratação colectiva, possibilitando mais quatro horas de trabalho diário, até 200 por ano. Até aqui, este regime podia ser compensado em descanso equivalente ou pagamento mas poderá agora resultar no alargamento do período de férias.

2 - Regime pode estender-se à secção

Os bancos de horas vão poder estender-se à equipa ou secção se a maioria aceitar. Isto porque se prevêem bancos de horas grupais, à semelhança do que acontece com a adaptabilidade de horários. Quando os bancos de horas forem definidos por Instrumento de Regulamentação Colectiva de Trabalho (IRCT), este pode prever que o regime seja extensível ao conjunto da equipa ou secção se 60% dos trabalhadores forem abrangidos. No caso do banco de horas individual, pode abranger toda a secção se pelo menos 75% dos trabalhadores o aceitar. Além do regime de adaptabilidade e dos bancos de horas, já hoje é possível concentrar a semana de trabalho em menos dias.

3 - Empresas podem encerrar em ‘ponte' em 2013

As empresas vão poder encerrar em dias de ‘ponte' desde que o trabalhador seja informado até 15 de Dezembro do ano anterior, o que significa que a medida só vai vigorar em 2013. O encerramento pode ser descontando nas férias do trabalhador ou ser compensado noutra altura. Já hoje uma empresa pode fechar noutras alturas para férias.

4 - Faltas em dias de ‘ponte' mais penalizadas

Quem faltar injustificadamente em dia de ‘ponte' pode perder até quatro dias de salário.

5 - Menos férias e feriados

Vão desaparecer os três dias de férias adicionais que hoje existem ligados à assiduidade (para 22). A redução só terá efeitos a partir de 2013 e aplica-se apenas a majorações estabelecidas depois de 1 de Dezembro de 2003. Também vão cair quatro feriados, mas o fim dos feriados religiosos ainda depende dos mecanismos previstos na Concordata. Em causa está o Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

6 - Férias podem contar com dias de fim-de-semana

Actualmente, o período de férias dos trabalhadores apenas conta com dias úteis. No futuro, os fins-de-semana também serão contabilizados nos casos em que os dias de descanso dos trabalhadores coincidam com dias úteis. Isto acontece sobretudo no trabalho por turnos.

7 - Horas extra pagam metade

O pagamento de horas extra passa a metade, o que também terá efeitos em alguns casos de isenção de horário. Quando os IRCT definirem valores mais elevados, ficarão suspensos por dois anos; depois, o corte para metade aplica-se aos valores previstos nesses instrumentos (que não tenham sido revistos). Desaparece ainda o direito a descanso compensatório e as disposições de IRCT que disponham de forma contrária serão nulas.

fonte: Económico

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Autor espanhol considera que Portugal foi "atacado sem piedade"




















Jornalista Santiago Camacho escreveu um livro sobre a crise. Acusa as corporações privadas de encherem os bolsos à custa dos cidadãos e considera Portugal "o caso mais trágico" do "ataque dos mercados". Deixa ainda críticas duras às agências de "rating" e ao FMI.

Portugal "caiu numa teia especulativa sem precedentes", afirma o espanhol Santiago Camacho, que está em Lisboa para apresentar o seu último livro "A Troika e os 40 Ladrões". 

“O caso de Portugal é mais trágico, porque vocês foram atacados pelos mercados sem piedade, como nenhum outro país da Europa", começa por dizer à Renascença.

"Cada vez que as coisas começavam a melhorar, recebiam nova avaliação negativa da Fitch, da Moody's ou da Standard & Poor's. E a profecia deles acabava por se cumprir. A culpa é da cobiça dos investidores internacional e dos mercados, que continuam a especular à conta de países como Portugal”, sustenta. 

No livro, o escritor e jornalista apresenta inúmeros exemplos de corrupção e fraude, envolvendo organizações internacionais e corporações privadas. A começar pelas agências de “rating”, que chumbaram numa investigação do senado norte-americano. 

“Havia funcionários com interesses pessoais em empresas e países classificados por eles. Foi também detectado um comportamento quase mafioso por parte destas agências, que ofereciam os seus serviços a empresas que não tinham manifestado interesse. Muitas vezes, um ‘rating’ positivo ficava dependente do pagamento da avaliação. Estas empresas estavam claramente a ser chantageadas”, relata. 

Santiago Camacho garante que não há inocentes nesta crise, nem mesmo instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o que chama de “eurocratas”. "Todos são responsáveis", considera.

O escritor aponta ainda o dedo àquela que é descrita como "a organização mais improvável, mas também mais perigosa": a Organização Mundial do Comércio, que "controla cerca de 500 das maiores empresas e mais de 90% do comércio mundial". 

“A Organização Mundial do Comércio está actualmente a impedir a aplicação de ferramentas que podiam ajudar a combater a crise, protegendo as economias das importações e animando a indústria nacional. Desafiar as orientações da Organização Mundial do Comércio pode conduzir a um embargo como o de Cuba”, argumenta. 

Em mais de 300 páginas, Santiago Camacho promete revelar a verdade sobre a actual crise e acusa as corporações privadas de encher os bolsos à custa dos cidadãos, que arriscam agora perder o nível de vida a que estão habituados, se nada mudar. 

Consumidores mal informados 

Outra forte ameaça ao actual sistema é a falta de informação. Os consumidores de produtos financeiros não sabem onde estão a investir o dinheiro e nem “os próprios funcionários dos bancos chegam a perceber como funcionam”. 

“É uma consequência da cobiça sem limites que se instaurou sobretudo a partir dos anos 90. Começaram-se a criar produtos financeiros cada vez mais complexos. Muitos dos que adquiriram aplicações, como as hipotecas do ‘subprime’, não sabiam o que estavam a comprar, nem sabiam que os bancos já estavam a apostar contra eles, contratando seguros para cobrir a perda de valor desses produtos. Eles nunca ficavam a perder”, revela. 

As soluções

O livro avança também soluções, que passam desde logo pelo tão prometido reforço da regulação. É também essencial diluir o poder das agências de “rating”, segundo o autor.

“O problema das agências é que funcionam em oligopólio. A única solução é aumentar o número de agências a operar – não existe nenhuma europeia, o que é altamente irregular – e, sobretudo, que seja reforçada a regulação. E que, quando forem chamadas a tribunal, onde já foram várias vezes, não se desculpem com o argumento de que se limitam a dar opiniões. Opiniões que nem sequer valem tanto! Na véspera do Lemon Brothers cair, tinha uma classificação máxima de triplo A”, recorda. 

Outra medida fundamental para o autor é acabar com os paraísos fiscais, um refúgio para o dinheiro do crime e da corrupção, que podia corrigir o défice de muitos países, incluindo o português. 

O autor de "A Troika e os 40 Ladrões" defende ainda a refundação do capitalismo, com novas regras e mesmo uma nova doutrina ideológica. Santiago Camacho refere que "se nada mudar, a Europa ameaça tornar-se uma potência periférica".


Deface Reality

Aproxima-se um holocausto financeiro enquanto a Alemanha ataca a Grécia

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